quinta-feira, 16 de agosto de 2012

“O novo país que queremos”



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Entrevista com Carlos A Lozano Guillén, diretor do VOZ e um dos principais dirigentes do Partido Comunista Colombiano
*Freddy Vallejo
Carlos Lozano é um dirigente polêmico do Partido Comunista Colombiano. Querido em seu partido, a ponto de ganhar a primeira votação na eleição do Comitê Central. Odiado por seus inimigos que diariamente o insultam e ameaçam de morte. Apreciado nos círculos políticos e sociais de todos os partidos e classes, onde se reconhecem seus dotes intelectuais e de insistente militante da paz. É bom de conversa e sabe escutar.
Queríamos entrevistá-lo a respeito do Congresso do Partido Comunista Colombiano, que ocorreu entre 17 e 22 de julho deste ano, mas foi uma longa conversa e a ela atravessaram outros temas da atualidade. Nós não pudemos evitá-lo.
P. Diz-se que os debates internos no Partido Comunista Colombiano são intensos, há rumores de divisões internas e facções que ameaçam a unidade. Como o XXI Congresso Nacional terminou? Quais são as decisões principais?
R. Claro que no Partido Comunista Colombiano, com a mais ampla participação de dirigentes e militantes, há debates internos, profundamente democráticos. Nada pior do que o reino da unanimidade. A unanimidade é antidemocrática, impede a liberdade de expressão e a liberdade de opinião. A política dos comunistas é construída coletivamente e sua formulação é a síntese do debate interno. Embora o partido não seja um clube de discussões. Adotam-se as decisões da maioria e estas valem para todo o partido. O Partido Comunista Colombiano tem apenas um programa, um só estatuto, uma única linha política e uma única direção nacional. Todos os dirigentes e militantes são obrigados a acatá-los, depois do processo democrático de discussão e aprovação dos documentos.
P. É o que vocês chamam de "centralismo democrático"?
R. Sim. É um princípio leninista de organização. O fundamento ideológico do Partido Comunista Colombiano é o marxismo-leninismo, entendido como uma teoria científica de aplicação concreta a realidades concretas. Sem critérios dogmáticos de qualquer tipo. Na hora da verdade, entendemos o marxismo-leninismo como uma teoria inesgotável, em permanente construção. A ideologia revolucionária é inesgotável, precisamente porque é dialética.
P. Bem, mas diga-me, quais foram as principais conclusões do Congresso?
R. Foi adotado o novo programa do Partido Comunista Colombiano, que é a linha estratégica, vigente para a realidade colombiana de acordo com nossa análise. O programa faz a radiografia política, econômica e social colombiana; da composição social e das características do bloco de poder dominante; do caráter do regime, dependente do imperialismo estadunidense e em função dos interesses do grande capital, especialmente do capital financeiro, da burguesia industrial e do poder terratenente no campo. Sobre esta base se formulam as mudanças e reformas que propomos, que têm o objetivo fundamental de atingir o socialismo, democrático e humanista por excelência. É a antessala do comunismo, que derrubará para sempre a exploração capitalista.
Foram aprovadas as reformas estatutárias para adequar a organização às mudanças reais institucionais, administrativas, políticas, sociais e econômicas do país, mas também para fortalecer a militância política e a ligação do partido com as massas. A ideia é de um partido inserido na luta popular e com absoluta vocação de poder.
Foi também aprovada a linha política. Esta contém as orientações para a ação imediata, a tática, que se sustenta nas seguintes bases: o enfrentamento ao modelo neoliberal de acumulação de capital, baseado na chamada economia de livre mercado capitalista; resistência popular à postura dominante de transferir o peso da crise nacional para colocá-lo sobre os trabalhadores e o povo; ação de massas e de mobilização popular com um programa mínimo, que não exclui a preparação e realização de uma greve cívica nacional em curto prazo; a luta pela paz, pela solução política e democrática do conflito colombiano, isto é, mobilização pela paz com democracia e justiça social; e da unidade da esquerda, a mais ampla unidade, com o entendimento de que apenas uma frente ampla, popular, social, democrática e de esquerda é a única maneira possível para forjar uma alternativa ao poder dominante burguês e oligárquico. Esta é a proposta de um novo país, sobre as bases no pluralismo, da participação democrática e de maior equidade social. Um novo "contrato social" baseado em uma melhor e mais justa ordem política, social e econômica.
Também foi eleito o Comitê Central, a Comissão de Quadros e Garantias e a Comissão de Fiscalização de Contas. Nós fizemos tudo sem dor, sem conflitos internos, sem debates amargos e sem grupos ou frações. Foram debates intensos, democráticos, sem restrições, mas criativos e construtivos, de modo que todos nós concordamos que foi um grande Congresso - alguns o qualificam como histórico. Foi um Congresso no calor da luta popular.
P. Pólo Democrático Alternativo ou Marcha Patriótica. Onde finalmente vai ficar o Partido Comunista Colombiano? (1)
R. Esse é o nosso dilema. A unidade que propomos é muito mais ampla, além do Pólo e da Marcha, porque não temos inimigos à esquerda. A chave para avançar até o poder democrático e popular está na unidade. Estamos no Pólo porque acreditamos que é um espaço válido de convergência de forças políticas avançadas, estamos cientes da sua crise, mas também da possibilidade de resolvê-la se forem feitos acordos com base na auto-crítica, segundo pede o professor Gaviria. O Pólo Democrático Alternativo tem um propósito, mas vai depender da sua capacidade de traçar uma política clara e definitiva de esquerda, de mudanças democráticas e de estreita relação com as massas populares. É ali que está a chave das alianças necessárias. Um Pólo descolado da realidade acredita que as alianças e acordos são negociados pelo topo, até mesmo com "empresários democráticos", e assim acabamos na "Unidade Nacional" ou numa outra história. O Pólo deve abandonar a idéia de que é uma máquina de eleições e um instrumento de endossos eleitorais. As eleições são importantes, ainda que problemáticas. Estão longe de serem expressão da democracia. Mas são importantes e permitem estar no espaço da representação parlamentar e dos cargos eletivos. E são insuficientes se não houver nenhuma relação com a luta e as aspirações do povo colombiano. Não basta ir a uma passeata ou um protesto, devemos ficar ao lado das massas, acompanhando e sofrendo com elas pelas razões que sofrem.
A Marcha Patriótica é um projeto social e político que não deve tirar o sono de certos dirigentes do Pólo. A base social são as organizações populares, ainda que tenha a presença de partidos como a Esquerda Liberal, de Piedad Córdoba, e do Partido Comunista Colombiano. O mais importante é a presença de cerca de 2.000 organizações de base, nacionais e regionais, de todos os tamanhos. É o que garante a sua estreita relação com as lutas diárias do campo e da cidade. Seu chamado é pela mais ampla unidade da esquerda e de setores democráticos e progressistas. Então, como pode ver, não há pontos contraditórios, são complementares. Deste modo não vemos nenhum problema em ficar no Pólo e em ajudar no projeto social e político da Marcha, defendendo a ampliação para outros setores, como o Congresso dos Povos e a Minga. O Pólo deve olhar para estes lados também, porque se se impõe a idéia de se aproximar do centro, acabaria descaracterizando-se, renunciando à sua condição de força de esquerda. Era esta a diferença com Lucho Garzón e com Gustavo Petro e veja onde acabaram se estabelecendo. Um está na "Unidade Nacional" e o outro muito próximo a ela.
P. O Moir acaba de enviar ao Partido Comunista uma carta convidando-o a retirar-se do Pólo; o mesmo enquadramento, eles dizem, fez o ex-candidato presidencial Carlos Gaviria Diaz na Conferência Ideológica do PDA. Como responde o PC?
R. Bem, até onde eu sei nunca recebemos a carta. Ela foi publicizada e comentada numa notícia. É uma falta de cortesia que na política também existe. Mas, contudo, devemos dizer, o que deu ao Moir o direito de decidir quem pode ou não pertencer ao Pólo Democrático Alternativo? A velha militância maoísta deixou-lhes o hábito de agir como guardas vermelhos das organizações de unidade e convergência. É uma falta de respeito. Quem não se sente confortável com um partido ou aliado do PDA deve deixá-lo, pois quem a ele se juntou voluntariamente, da mesma forma decide sobre sua permanência. Até onde sei, o professor Carlos Gaviria Diaz não fez tal manifestação na Conferência Ideológica, mas deu suas opiniões, às quais tem direito, claro, e com as quais nós não compartilhamos, para o que também temos direito. Esta situação não muda em nada o nosso respeito, apreço e simpatia para com o professor Gaviria.
P. Quais são as diferenças?
R. O professor sugere que a Marcha não explicou bem a sua relação ou não com as FARC; e recorreu ao velho e anacrônico argumento da combinação das formas de luta, sempre referindo-se à extrema-direita e aos militares para justificar a eliminação da esquerda e da União Patriótica. Mais de mil vezes os porta-vozes da Marcha Patriótica declararam que não existe nenhuma ligação com as FARC, sua causa é a paz, a solução política e democrática para o conflito. A Marcha não defende a guerra, é um movimento social e político civil de atuação pública e legal. O que mais querem? O que mais deve ser dito para satisfazer as suspeitas? O resto é repetição das acusações falsas e perigosas dos militares e da ultra-direita criminosa.
Mas o que discutir sobre a combinação das formas de luta? Há de se abrir o debate sobre o novo Estado a ser construído com base na eliminação da violência na relação entre governantes e governados. Aqui a violência foi inventada pelo Estado burguês-terratenente, porque a classe dominante é acostumada a governar por meios repressivos, autoritários e violentos. Na Colômbia não existe um Estado democrático, mas totalitário, que se baseia em meios violentos para aniquilar o opositor. O Pólo tem sido sua vítima. Perseguição e linchamento político com enorme respaldo midiático para liquidá-lo. Precisamente, por isso o tema em debate não é a combinação das formas de luta, mas a necessidade da paz, através do diálogo, da construção da democracia e da justiça social.
P. A esquerda tem futuro?
R. É claro. Mas uma esquerda ávida por mudanças; uma esquerda comprometida com a transformação revolucionária da sociedade. Não uma esquerda light, adocicada, compromissada com o poder dominante e com ilusões de alianças com "burguesias nacionais" que não existem. Um esquerda com seu próprio projeto democrático e social. Haverá sempre espaço para a esquerda. Enganam-se os ideólogos de direita e da pseudo-esquerda que após a queda do Muro de Berlim declararam a morte do socialismo e mesmo da história. Norberto Bobbio os desmascarou e mostrou que o par esquerda-direita está vigente e que as ideologias não desaparecem no calor da luta ideológica, dos retrocessos e avanços.
P. Uribe e Santos estão enfrentando um confronto agudo. Algumas personalidades, inclusive da esquerda, dizem que vão mediar para que resolvam suas diferenças. O que você acha disso?
R. Mediar para quê? São contradições na classe dominante, em duas frações do bloco hegemônico, uma que representa a burguesia tradicional, de tintas aristocráticas, e outra decomposta, mafiosa, que recorre a tudo que pode para destruir o adversário. Santos a teme e por isso não a enfrenta com decisão. São, na verdade, diferenças de forma, que podem agravar-se ainda mais, tornando-se perigosas. A esquerda nada tem que fazer ali, não é seu tema, deve concentrar-se no projeto alternativo e unitário. Preparar-se para ser opção de poder. Veja você a abordagem enganosa do vice-presidente, que consiste em sentar Santos e Uribe numa mesa, para que entrem em acordo sobre a Constituinte uribista que não busca outra coisa além de uma nova reeleição de Uribe Vélez. Quem disse que as divergências de Santos e Uribe significam o principal problema do país? Por favor: devemos ser sérios e responsáveis sobre as funções do Estado.
P. Vamos falar sobre a paz. Você vê possibilidades de um futuro diálogo entre o Governo de Santos e as FARC?
R. Não há uma outra saída para o conflito atual que não seja através da via política, do diálogo, pacífico e democrático. A paz está estreitamente ligada ao fortalecimento da democracia e da justiça social. O conflito colombiano tem suas causas e enquanto elas não forem resolvidas, a paz vai ser difícil. A relutância do establishment em modificar as causas do conflito é a razão para que ele permaneça: a paz não virá de graça, não creio, porque seria uma espécie de Pax Romana. Se o Governo acredita que o diálogo é negociar a rendição dos rebeldes, perderá tempo. Por aí não está a porta para a paz. A chave é abrir a discussão ao país, com a participação de toda a sociedade.
P. Alguns dizem que já há um diálogo secreto. O que você sabe a respeito?
R. É provável que sim, para construir uma agenda. Mas não o sei com exatidão. De toda maneira há, sim, essas aproximações, que me parecem boas porque as FARC e o ELN têm feito manifestações expressas de disposição ao diálogo e à busca da solução política e se conhecem sinais evidentes, que para o Governo não são suficientes, mas são importantes e até históricas. Quem está em dívida, a propósito das sinalizações, é o Governo, que insiste na guerra, no neoliberalismo e em entregar o país às transnacionais.
P. E cabe no processo o ELN? Porque os rumores são de aproximação com as FARC.
R. Bem, o diálogo deve ser com as FARC e o ELN. Não teria sentido falar com um e excluir o outro.
P. Humm... Dizem que você sabe bastante mais sobre isso...
R. Não acredite tanto nisso. O importante é que a paz está no centro do debate e será inevitável que em curto tempo abra-se o cenário de diálogo para a democracia e a justiça social. Da paz com democracia e justiça social depende o bem-estar do país. Com paz, a Colômbia se converterá em um país viável.
P. Afinal, a saída será possível com o presidente?
R. Por fim vai se impor o realismo político e humanista. A paz é uma necessidade para o país. Apenas os torpes, os míopes políticos, os belicistas veementes, não entendem que o tema da paz ou da guerra é o principal dilema da Colômbia. Disto depende o futuro luminoso de nosso país.
P. O que pensa das FARC-EP?
R. É uma organização política e militar que surgiu em consequência da violência do Estado dominante e da exclusão social. Tem sido protagonista de primeira linha na história deste país durante mais de meio século, é uma realidade que não se pode ignorar. À sua existência há de se buscar soluções e estas estão na via política e não numa guerra absurda.
P. Você compartilha de seus métodos?
R. Não compartilho de seus métodos, mas entendo sua existência do ponto de vista histórico e sociológico. É uma posição de uma visão intelectual e acadêmica. Se a oligarquia colombiana não tivesse recorrido à violência para manter-se no poder e preservar o regime plutocrático de privilégios, não existiriam as FARC. Não faço apologia da guerra, mas sou obrigado a fazer uma leitura séria do conflito colombiano, mesmo que isso me traga problemas, ameaças e até processos judiciais. As ideias não se vendem, não se mudam por pressões e intimidações.
P. Como está o panorama do país em dois anos do Governo Santos? Coincide com as histórias felizes de Santos ou com as críticas de Uribe?
R. Não coincide nem com Santos, nem com Uribe. Uribe critica Santos apesar de terem a mesma política, porque quer submetê-lo, dominá-lo, tal como se acostumou. Acredita-se um messias, “predestinado pela providência”. Mas o país não o vê com bons olhos. Está muito longe de ser o país das maravilhas que nos querem mostrar no balanço da metade do período presidencial. A realidade é outra muito diferente, o crescimento econômico somente beneficiou os poderosos, porque a pobreza se mantem igual e cada vez é menor a renda real dos colombianos. Acreditar, como o DANE [Departamento Administrativo Nacional de Estatística], que uma família com renda de $ 170 mil pesos mensais não é pobre é uma estupidez. O presidente Santos tem uma ideia da democracia como valor unânime, ao estilo da Unidade Nacional que controla 93% do Congresso, sendo a maioria de corruptos. Patética a fracassada reforma da Justiça. Quis dar conta de todos os poderes do Estado e a coisa se saiu mal, resolvendo então rasgar as roupas. O país vai mal, a economia vai mal e as condições sociais vão piores. Os únicos felizes são os beneficiários das vantagens do modelo de acumulação, dos TLC [Tratados de Livre Comércio] e dos negócios que derivam das transnacionais que levam a riqueza nacional e deterioram o meio ambiente.
P. A América Latina não é mais o quintal dos Estados Unidos. Mas também não se vêem grandes revoluções ou insurreições populares. Como você analisa a situação do continente?
R. Na América Latina está hoje o elo mais fraco do imperialismo dos EUA. Como você disse, a América Latina já não é o quintal ianque, porque a maioria dos povos perdeu a paciência com tantos anos de infâmias e de governantes submissos ao jugo de Washington. Os Estados Unidos nunca fizeram nada de positivo para o continente e o vêm perdendo gradualmente. Hoje predomina uma tendência mais emancipatória, de defesa da soberania nacional, da auto-estima, e convencida de que pode-se caminhar apenas com a ajuda mútua a nível regional. Somente governos fantoches como o da Colômbia acreditam que o destino está intimamente ligado à Casa Branca.
Não se trata de romper com os Estados Unidos, mas de tratá-lo de igual pra igual, sem apequenar-se e sem pusilanimidade. As potencialidades da América Latina e do Caribe unidos, como o sonhou o Libertador Simón Bolívar, estão demonstrados e é o desejo da maioria, como podemos notar através da UNASUR, da CELAC, ALBA e outras formas de integração regional sem a tutela gringa. Aqui há demasiados recursos, que se podem colocar numa bolsa comum latinoamericana e caribenha para negociar de igual para igual com o Norte, incluindo a Europa. Os TLC são instrumentos coloniais e formas desiguais de mercado. Dá vantagens às economias poderosas que pretendem nos trazer à força suas transnacionais cheias de voracidade. A Colômbia tem que colocar-se neste caminho dos processos democráticos e emancipadores. É o desafio que tem a esquerda.
P. Que opinião merecem os indignados? A Europa está em crise?
R. O capitalismo está em crise. É uma crise sistêmica e histórica, o que não quer dizer que esteja à beira do abismo. Pode superar a crise, mas está demonstrado que o capitalismo fracassou historicamente. Nas condições da unipolaridade não foi capaz de resolver os conflitos sociais porque, é óbvio, sempre se inclina a favorecer os sujos, os capitalistas. Na Europa pretendem resolver a crise às expensas do povo e dos trabalhadores. É indignante. Apareceram os Indignados como expressão da inconformidade. Rechaçam o capitalismo, extravasam sua raiva contra o setor financeiro, o pior de todos no capitalismo, parasitas e exploradores como cafetões, exercendo a resistência civil através da ação de massas, mas não têm alternativa. Os resultados eleitorais na Espanha e Grécia, favoráveis à direita, responsáveis pela crise, são decepcionantes. De alguma maneira os Indignados com seu discurso antipolítico fazem o jogo do capital que tanto depreciam. Mas é um movimento importante, que reflete a ira e o desespero popular ante os abusos do capital.
Bogotá D.C. 06 de agosto de 2012
(1) – Esta entrevista é anterior à decisão do Pólo Democrático Alternativo de expulsar os membros do PCColombiano de suas fileiras, alegando “dupla militância”, em função de o Congresso do Partido ter decidido pela participação na Marcha Patriótica.

A troca de nome do Engenhão para Estádio João Saldanha mobiliza o futebol do Rio



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Nota do PCB:
O Partido Comunista Brasileiro soma-se à campanha pela troca de nome do Estádio Olímpico João Havelange, para Estádio João Saldanha, que, além de ter sido membro do PCB ao longo de sua vida, sendo um destacado defensor dos interesses das classes populares, foi um importante jornalista e técnico de futebol, apaixonado por este esporte e pelo Botafogo, atual administrador do Estádio, conhecido como Engenhão. A troca de nome de João Havelange para João Saldanha, além do abismo entre os significados políticos e éticos envolvendo os dois nomes, tem um forte apelo simbólico, já que na ocasião da demissão de João Saldanha pelos generais da ditadura do cargo de técnico da seleção Brasileira, o presidente da CBF que participou dessa articulação espúria era ninguém menos que João Havelange.
Desta forma, o Partido Comunista Brasileiro integra-se a esta mobilização e contribuirá de forma militante na divulgação da campanha e de adesões.
Viva João Saldanha, Viva o João Sem Medo!
Secretariado Nacional do Partido Comunista Brasileiro - PCB

Desde a divulgação, há um mês, do documento da Suprema Corte da Suíça que comprova que o ex-presidente da Fifa, João Havelange, e o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, receberam propina da empresa suíça de marketing esportivo ISL para facilitar a aquisição de direitos de transmissão de partidas, um novo movimento político ganha força no Rio de Janeiro. Consequência da denúncia de que Havelange teria recebido indevidamente 1,5 milhão de francos suíços, nasceu e já tem muitos adeptos a ideia de trocar o nome do Estádio Olímpico João Havelange – o popular Engenhão – paraEstádio João Saldanha.
A reportagem é Maurício Thuswohl e publicada pela Rede Brasil Atual , 14-08-2012.
O movimento se iniciou quando o Núcleo de Estudos e Projetos de Esporte e Cidadania, colegiado que debate e elabora políticas para o esporte há quatro décadas, lançou um abaixo-assinado na internet para pedir à prefeitura do Rio de Janeiro a troca do nome do estádio, que é administrado pelo Botafogo em regime de concessão. Em pouco tempo, a mobilização em torno do nome de Saldanha ganhou a adesão de jornalistas, políticos, advogados e botafoguenses ilustres. Apesar de nenhuma pesquisa ter sido ainda realizada, percebe-se nas ruas do Rio que também a torcida alvinegra apoia em peso a ideia da troca.
Profundo conhecedor da história do Botafogo e escritor de quatro livros sobre o clube da Estrela Solitária, Roberto Porto se diz favorável à ideia porque Saldanha, segundo ele, é um símbolo do Botafogo: “Desde o momento em que chegou ao Rio de Janeiro, vindo do Rio Grande do Sul, ele foi um homem sempre ligado ao Botafogo. Ele chegou a jogar algumas vezes pelo clube, mas realmente não era um jogador de futebol. Depois, ele se ligou ao clube de todas as maneiras possíveis e imagináveis, transformou-se em dirigente, foi técnico do time campeão estadual em 1957, reabilitando o Botafogo, que não era campeão estadual desde 1948. Foi sempre um defensor do Botafogo em todos os níveis”, diz.
Porto, companheiro de redação de Saldanha em “uma equipe gloriosa” no Jornal do Brasil na década de 1970, que contava ainda com outros renomados jornalistas botafoguenses, como Sandro Moreyra e Oldemário Touguinhó, ressalta que a ligação do “João sem Medo” com o Botafogo transcende as quatro linhas: “Como jornalista, o João  cobriu as coisas ocorridas com o Botafogo e sempre escreveu defendendo o clube nos assuntos polêmicos. Nunca tentou esconder o fato de que era botafoguense. Nunca tentou disfarçar sua simpatia pelo clube que torcia – coisa que muitos jornalistas fazem hoje em dia e faziam também no passado. Era um homem extremado em relação ao Botafogo. A troca do nome do Engenhão seria uma homenagem fantástica a um dos maiores nomes da história do clube”, opina.
Sobrinho de Saldanha e integrante do Núcleo de Estudos e Projetos de Esporte e Cidadania, o historiador Raul Milliet Filho avalia que o nome do tio, que também foi técnico da Seleção Brasileira, é bem aceito também pelas outras torcidas do Rio de Janeiro e do país: “O nome de João Saldanha é supraclube. Ele teve grandes ideais em relação ao futebol, como a defesa da ética e do futebol-arte e o combate ao excesso de mercantilização”, disse, em entrevista ao jornal Lance!.
'De todas as torcidas'
Autor da biografia João Saldanha: Sobre Nuvens de Fantasia, o jornalista João Máximo, mais um que trabalhou ao lado de Saldanha no JB, também concorda com a mudança, mas faz uma ressalva: “Seria bem legal o Engenhão um dia vir a se chamar Estádio João Saldanha. Nenhum outro mereceria mais dar seu nome ao estádio do Botafogo. Por outro lado, acho que essa justa homenagem poderia acontecer mais para frente, em um momento oportuno, pois não é muito humano esse caráter de punição em relação ao João Havelange que o movimento pela troca adquiriu. Ele é um homem de mais de 90 anos e que atravessa dificuldades de saúde”, diz.
Outro biógrafo, autor de João Saldanha – Uma Vida em Jogo e co-autor – ao lado deBeto Macedo – do elogiado filme documentário “João”, o jornalista André Iki Siqueira se vale do Twitter para apoiar o movimento pela troca do nome do Engenhão: “Quero ler a manchete: o Engenhão trocou de João. Seria um justo acerto de contas da história”, escreveu. Siqueira, que é torcedor do Vasco, também acha que Saldanha agrada a todas as torcidas: “O Engenhão não é só do Botafogo, é do Rio e de todas as torcidas. João Saldanha era Botafogo e de todas as torcidas”.
Repúdio a Havelange
A força do movimento pela criação do Estádio João Saldanha cresce aliada a um sentimento de repúdio ao ex-presidente da Fifa: “O futebol, que é um dos pilares da nação brasileira, não pode ter em um dos seus maiores símbolos o nome de alguém que não tem mais credibilidade”, diz Raul Milliet Filho. Por sua vez, André Iki Siqueira é irônico: “Se for para deixar o nome do Havelange no Engenhão, poderiam também batizar um estádio de Demóstenes Torres e outro de Paulo Maluf”.
Roberto Porto lembra que Saldanha “não gostava de Havelange” e conta uma história curiosa: “Chamar o Engenhão de João Havelange é um absurdo, pois ele sempre se declarou torcedor do Fluminense. O Havelange nunca teve nada a ver com o Botafogo, apesar de ter jogado pólo aquático no antigo Clube de Regatas Botafogo (que se fundiu ao Botafogo Futebol Clube em 1942, dando origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas), já que o Fluminense não tinha na época esportes aquáticos. Mas o João [Saldanha] dizia que o Havelange detestava o Botafogo. Quando se fundiram os dois Botafogos, o João, que era da diretoria do clube de futebol, foi voto vencido. Sempre polêmico, ele dizia que era contra porque o Clube de Regatas Botafogo estava repleto de tricolores, entre eles Havelange”.

Mercosul, Venezuela e luta de classes



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(Nota Política do PCB)
A recente entrada da Venezuela no Mercosul – pedida, oficialmente, ainda em 2006, por aquele país – além de alterar profundamente a estrutura, o funcionamento e o potencial econômico do bloco, pode representar uma virada nas relações políticas e econômicas entre os países da América Latina e tem repercussões diretas na luta de classes.
O Mercosul foi criado, em 1991, com a assinatura do “Tratado de Assunção”. O Tratado foi assinado sob a influência da herança de governos ditatoriais recém findos nos países signatários e seu “entulho” autoritário, que incluía acordos assinados e não assinados que favoreceram a repressão e beneficiaram segmentos das respectivas burguesias, como no caso das terras de brasileiros no Paraguai. A criação do Mercosul se deu no início de uma década de fortíssima hegemonia neoliberal, refletindo, assim, as políticas de governo então predominantes.
Foi criado um mercado comum, para bens e serviços e, naquele ano, o comércio do Brasil com os demais membros do bloco alcançou a cifra de 4,5 bilhões de dólares, tendo atingido, em 2010, a casa de 39,2 bilhões (com superávit de 6 bilhões para o Brasil). O bloco mantém, ainda, como Estados Associados, desde 2004 – com direito a algumas regalias – o Chile, o Peru, a Bolívia, a Colômbia, o Equador e a Venezuela, esta agora como membro pleno.
Com a exceção de Brasil e Argentina, que apresentam alguma complementariedade nas estruturas produtivas e são de porte relativamente próximo – o PIB da Argentina equivale a pouco mais de 1/3 do PIB brasileiro –, as desproporções econômicas e sociais entre estes dois países, Uruguai e Paraguai são imensas. Some-se a este fator a falta de tradição em planejamento – interno e internacional –, nos planos econômico e social, as grandes diferenças nas leis, outras dificuldades e a história recente de grande instabilidade política no Paraguai.
Ganharam, com o Mercosul, as grandes empresas, que puderam especializar suas linhas de produção e ampliaram seus mercados e que puderam, no caso dos grupos brasileiros e argentinos, pagar salários aviltados com a entrada de muitos imigrantes uruguaios e paraguaios (e dos demais países vizinhos), obtendo, assim, maior exploração da força de trabalho. Ganhou a burguesia, cujos interesses estavam representados nos respectivos governos.
Por outro lado, com o tempo, houve um certo amadurecimento nas relações entre os membros do bloco, consolidou-se o Conselho do Mercado Comum, seu órgão superior, e outras instâncias administrativas. Muitas dificuldades foram superadas. Pode-se afirmar que a existência do Mercosul fortaleceu os países membros no campo da política internacional e, de certa forma, reduziu a vulnerabilidade das economias da região à crise e às oscilações das economias mais fortes do sistema, como a européia e a norteamericana.
A entrada da Venezuela, como declarou, recentemente, o presidente Mujica, do Uruguai, não se deu por motivações de governantes, mas sim por razões de Estado, em que pesem as diferenças significativas nas visões políticas presentes nos atuais governos. O Mercosul forma agora um bloco de quase 270 milhões de habitantes, com um PIB conjunto de cerca de 2,8 trilhões de dólares, capaz de enfrentar, em melhores condições, como um pólo econômico e político mais forte, as disputas políticas no plano internacional e as dificuldades do mercado mundial.
É certo que o Mercosul segue existindo como uma forma de organização da exploração capitalista e que, na condução do bloco, predominam os interesses dos grandes grupos econômicos capitalistas, em especial os interesses das grandes empresas brasileiras, de diversos setores, incluindo desde as grandes construtoras, a indústria de bens de consumo duráveis e muitos outros. É certo que esta tenha sido a principal motivação do Brasil e seu governo social-liberal para apoiar a entrada da Venezuela, além do reforço das pretensões hegemonistas brasileiras na região.
Mas, ao mesmo tempo, abre-se o espaço para o combate aos golpes de Estado, amplia-se o leque de possibilidades para que governos progressistas, como os da Venezuela, Bolívia e do Equador, possam também se fortalecer para enfrentar as ameaças de boicotes econômicos, intervenções e agressões armadas que caracterizam a política dos EUA para a América Latina. Estando no Mercosul, a Venezuela não mais dependerá comercialmente da Colômbia, um estado terrorista, o maior aliado do imperialismo norte-americano na América do Sul.
A hora é de propor a entrada do Brasil na ALBA, para, fortalecendo-se esta iniciativa, sejam reforçados seus aspectos antiimperialistas e sejam criadas as condições para uma integração soberana de todos os países latinoamericanos, rompendo de vez com o isolamento imposto a Cuba pelos Estados Unidos e apontando para a sua transformação num grande bloco comum latinoamericano. O momento exige a proposição de bandeiras de luta comuns aos trabalhadores de todos os países da região, exige o acirramento da disputa pela hegemonia ideológica e política no plano continental, apontando para a superação do capitalismo.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

‘A solidariedade do PCB é marcante. Isso é fruto de uma correta estratégia anticapitalista e anti-imperialista’



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Imprensa Popular
Imprensa Popular conversou com Ammar Bagdash, secretário-geral do Partido Comunista Sírio, que esteve no Brasil por conta do aniversário de 90 anos do PCB. Após proferir palestra sobre a realidade do país árabe, ele manifestou o permanente acompanhamento do PC sírio às resoluções dos comunistas brasileiros.
Imprensa Popular - Ammar, que leitura o PC Sírio faz da conjuntura internacional e das posições que o PCB tem levado ao Movimento Comunista Internacional?
Ammar Bagdash - O último congresso de vocês se realizou já com a crise do capitalismo exposta, quadro que se agravou neste ano de comemorações dos 90 anos do PCB. Assim é possível observar que vocês conseguiram estabelecer uma linha política adequada ao momento internacional e também do Brasil.
IP – Pode ser mais claro?
AB - É nítido para nós que visitamos seu país e transitamos por eventos ao redor de alguns países que existe uma maior presença do Brasil no cenário global, algo que democratiza as relações internacionais, mas dentro dos marcos do capitalismo. Há vários negócios do Brasil não apenas na América Latina mas também com países da minha região e também da África. Isso demonstra o acerto das avaliações de vocês.
IP – E como isso se congrega com a luta de seu povo pela autodeterminação contra a intervenção direta do imperialismo?
AB – A imprensa internacional mantém cerrados ataques ao nosso país e nosso povo. Falseia informações e dá inequívoco apoio, às vezes até pressiona, por ações militares mais incisivas do imperialismo. Nesse sentido a solidariedade do PCB é marcante. Isso é fruto de uma correta estratégia anticapitalista e anti-imperialista. Precisamos reforçar isso, através dos partidos comunistas e operários, reforçar o conteúdo anticapitalista. Por outro lado, na atual situação de nosso país, é inegável que necessitamos da solidariedade também daqueles que são democratas e progressistas, mesmo que não comunistas.
IP – É possível obtê-la?
AB – Sem dúvidas, e já a possuímos. Ocorre que precisa ser reforçada, articulada, permanente. Até mesmo porque a sanha imperialista não vai se contentar com as agressões ao nosso povo. A crise faz com que eles se lancem em mais e variados graus de intervencionismo.
IP – Sua região, nesse sentido, é alvo permanente...
AB - E se divide entre os interesses dos EUA e da Europa, por um lado; com os de Rússia e China, por outro. Além disso, vimos justas e massivas revoltas populares contra as ditaduras do Egito e da Tunísia.
IP – Permanecem outros, como a Arábia Saudita...
AB – E outro, como o do Catar, que inclusive financiam atos de sabotagem e terrorismo de mercenários em vários pontos da Síria. Além deles, é preciso registrar que a Turquia tem se comportado como uma base da Otan na região, além de apoiar setores reacionários, principalmente os que usam o disfarce religioso.
As tarefas fundamentais
Reunido em fins de maio, o Comitê Central do Partido Comunista Sírio estabeleceu três tarefas fundamentais para a atual conjuntura do país. São elas:
1- Defesa da independência nacional e da soberania, enfrentando as conspirações imperialistas e os movimentos reacionários árabes e locais. Mobilização das massas nessa direção, sob a grande palavra de ordem nacional “A Síria não vai se ajoelhar!”. Ativação das atividades e relações internacionalistas do partido de modo a mobilizar a opinião pública em diversos países progressistas do mundo no apoio à unidade e firmeza nacional Síria.
2- Enfrentamento da política econômica liberal em todas as suas formas e manifestações, de modo a defender a produção nacional e os interesses dos produtores, propondo alternativas concretas, com ênfase na orientação geral adotada pela 11ª Conferência de fortalecimento do setor público e do papel intervencionista do Estado, nos marcos de um capitalismo de Estado nacional que tem tarefas a cumprir e uma natureza social.
3- Firme defesa dos interesses das massas trabalhadoras, no sentido de elevar o patamar de suas lutas reivindicativas. Ênfase em elevar essa tarefa à prioridade máxima das organizações partidárias, levando em conta as condições objetivas de cada província e as demandas específicas de suas populações, bem como as demandas públicas de grupos de trabalhadores em nível nacional. Independentemente do quadro de liberdades democráticas, independentemente do nível de efetividade das lutas reivindicativas de massas, defender os interesses do povo é a essência da essência do Partido Comunista Sírio.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acaba a greve operária na Cummins com a garantia do pagamento do PLR


Os operários da Cummins, multinacional que fabrica motores, cruzaram os braços quando souberam que a fábrica pretendia não pagar o PLR de mais de 1000 reais que os trabalhadores tinham direito. Os trabalhadores passaram por cima da intransigência patronal e do peleguismo da direção do sindicato dos metalúrgicos de Guarulhos e aprovaram a greve em Assembleia com mais de mil trabalhadores.

A paralisação durou quatro dias e atingiu 100% das atividades produtivas. Assim, a direção da fábrica não pôde segurar a bronca e teve que garantir o pagamento do PLR, além de compensar os dias parados. Isso mostra que com unidade e organização os trabalhadores podem conquistar mais direitos.

Essa greve deve ter um saldo político e organizativo que demonstre à classe trabalhadora que organizada e com combatividade, pode-se superar os entraves do sindicalismo chapa-branca e a intransigência patronal. Se organizando nos locais de trabalho, identificando as contradições que afligem-nos e preparando a luta de forma consciente, os trabalhadores podem derrubar seus inimigos. A principal tarefa para a Unidade Classista, corrente sindical do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, é politizar as lutas dos trabalhadores e ampliar suas consciências para que sua análise consiga abranger a totalidade das contradições, entendendo que o problema não está nessa ou naquela fábrica, mas sim no modo como a sociedade produz a riqueza e na forma como ela se organiza politicamente, o capitalismo.

Apesar de o sindicato permanecer nas mãos dos pelegos, que querem desmobilizar e alienar os trabalhadores, afim de garantir altas taxas de lucro aos patrões e os benefícios da pelegada, os trabalhadores deram uma demonstração da força que o proletariado tem, sabe-se já que munidos de organização e ideologia, os trabalhadores podem e vão avançar à conquistas estratégicas rumo ao socialismo.

Ousar lutar, ousar vencer!

Viva a luta operária!

SINDICATO DOS PROFESSORES DO ENSINO PRIVADO DE GUARULHOS (SINPRO) CONSEGUE ACORDO DE RECOMPOSIÇÃO SALARIAL COM A ANHANGUERA EDUCACIONAL



Os megaempresários da educação tiveram nesta semana que engolir um grande sapo em Guarulhos. O SINPRO Guarulhos, do qual a UC participa, obteve em uma rodada de negociações no Ministério Público do Trabalho estabelecer uma proposta de recomposição salarial dos professores da antiga Faculdades Torricelli (FIT) adquirida em 2011 pela Anhanguera. Quando da aquisição, o valor da hora-aula recebida pelos professores da FIT era inferior à média paga pela Anhanguera aos seus professores. Por estarem fora dessa média, os professores viam-se também alijados do plano de carreira da instituição, além de propiciarem lucros excepcionais. Esta recomposição salarial é o primeiro acontecimento do tipo no estado, pois tanto a Anhanguera como outras empresas educacionais como UNIESP, UNIP, etc. não estabelecem nas instituições adquiridas a elevação do valor da hora-aula quando este é inferior ao que paga aos seus professores. Valores inferiores na hora-aula compõem também um atrativo para a aquisição de instituições menores pelos megaempresários da educação. Além da recomposição salarial, em um prazo de um ano, acontecerá a diminuição de diferentes níveis de remuneração que chegavam entre os especialistas a 13 e entre mestres a 10. Com o acordo haverá uma única faixa para especialistas e mestres, com isso, será desinteressante à Anhanguera praticar as frequentes demissões massivas, pois novos professores contratados passarão receber os mesmos valores que os demitidos. O acordo foi precedido de intensa mobilização dos sindicalistas com a presença junto a professores em assembleias, decretação de estado de greve, propaganda e agitação.
O SINPRO Guarulhos é filiado à Conlutas e sua diretoria é formada por militantes de diferentes tendências sindicais e partidárias e conta entre seus diretores com um membro da Unidade Classista-SP, ainda que divergindo da orientação da central, atua no plano da base do sindicato.

domingo, 12 de agosto de 2012

Assembleia decidirá rumos da greve operária na Cummins

Pelo quarto dia consecutivo, os mais de mil metalúrgicos da Cummins Guarulhos mantiveram a paralisação contra o corte de R$ 1.115,00 na Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR).




Na tarde desta quinta, houve audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em São Paulo, com o sindicato dos metalúrgicos. Após quase três horas de reunião, conduzida pela desembargadora Anélia Li Chun, chegou-se a uma proposta que será apreciada pelos metalúrgicos da Cummins em assembleia a ser realizada segunda-feira (13), às 7 horas.


O vice-presidente do Sindicato, Josinaldo José de Barros, diz: “A negociação foi feita. Agora, vamos levar a proposta para assembleia e os trabalhadores decidirão se aceitam ou não”. Os trabalhadores não devem cair em provocações dos burocratas sindicais, que tem o rabo preso com a patronal e defender de forma independente seus intteresses


Por conta de redução da jornada, não há expediente nesta sexta (10). Por isso, a assembleia será às 7 horas da segunda (13).
 


A Unidade classista defende a autonomia e liberadade dos trabalhhadorese apoia a greve dos operários da Cummins.

AS FARC RESISTEM E LUTAM CONTRA UMA OLIGARQUIA NEOFASCISTA



imagemCrédito: 2.bp.blogspot
Miguel Urbano Rodrigues
Influentes media norte-americanos manifestaram nas ultimas semanas inquietação com a situação político-económica e militar na Colombia, o aliado preferencial dos EUA na América Latina, apresentado habitualmente como modelo democrático para o Hemisfério.
Para essa súbita preocupação contribuíram noticias sobre divergências agora inocultáveis entre o presidente Juan Manuel Santos e o seu antecessor Álvaro Uribe, a denuncia publica de envolvimento de generais Santoyo e César Pinzon com a rede narco paramilitar, o agravamento da crise económica, os efeitos dos Tratados de Livre Comercio impostos pelos EUA e pela União Europeia, o avolumar do descontentamento popular e, sobretudo, uma serie de derrotas infligidas pelas FARC EP a forças do Exercito e da Policia Nacional.
Julho foi um mês desastroso para a oligarquia colombiana e a engrenagem de comando das forças armadas mais numerosas e bem equipadas da América Latina (quase 400 mil homens)
O discurso pronunciado a 22 de Julho por Juan Manuel Santos foi uma peça oratória que deixou transparecer a decomposição do estado oligárquico. O sucessor de Uribe já não faia agora do paísparadisíaco que não tinha sido atingido pela crise mundial. As suas promessas populistas são a cada semana desmentidas pela desindustrialização, os elevados índices do desemprego e da violênciaurbana, o aumento da repressão.
Iniciativas de Santos, como a tímida reforma tributária, a «lei de vítimas», a prisão de alguns narcotraficantes e o esforço para normalizar as relações com a Venezuela, desagradam a Álvaro Uribe e àmáfia narco paramilitar. Mas, no fundamental, o actual presidente apresenta-se como continuador da chamada politica de «segurança democrática» -o eufemismo que serve para designar a brutalmilitarização do país. O sistema mediático, controlado pelo Poder não consegue, contudo, ocultar que as coisas estão a correr muito mal para a oligarquia. Até, Facho Santos, um primo do presidente, reconheceu num artigo (in El Pais, de Cali, 17.07.20121) que a situação no departamento do Cauca se assiste uma «ressurreição das FARC». Alarmado, teme já a atomização da nação.
Na realidade, as FARC-EP estiveram sempre activas no Cauca. Mas o Governo enfrenta agora ali uma situação inédita. As comunidades indígenas da regiao, numerosas, expulsaram unidadesmilitares e destacamentos da polícia de alguns pueblos e a adesão de jovens camponeses e índios à organização revolucionária é indesmentível. Obviamente , sem base social as FARC não estariam fortemente implantadas no Departamento.
O embaraço oficial é compreensível. Os êxitos das FARC- EP no combate ao aparelho militar-policial ridicularizam o discurso triunfalista de Santos. Agora o general Miguel Perez, ex-comandante chefe no Cauca, já declara numa entrevista a um jornal de Cali, que o plano estratégico para a Região é «a longo prazo». É útil esclarecer que esse plano, intitulado «Espada de Honor de la Task ForceApolo», foi financiado pelos EUA.
DAS CALUNIAS À REALIDADE
A grande Marcha Patriótica, promovida pelo Movimento Colombiano para a Paz com o apoio de dezenas de organizações democráticas, demonstrou o repúdio do povo colombiano por um sistema de poder que, sob uma fachada institucional democrática, actua como neofascista.
Juan Manuel Santos orgulha-se do papel que desempenhou -com a cumplicidade da CIA, da Mossad e do Pentágono – na montagem da operação genocida que foi o bombardeamento do acampamento no Equador do comandante Raul Reyes. Crimes como os assassinios dos comandantes Jorge Briceño y Alfonso Cano são apresentados em Bogotá como acções «patrióticas», assimcomo o sequestro, em Quito, do comandante Simón Trinidad (depois extraditado para os EUA) e em Caracas do comandante Rodrigo Granda.
O desrespeito pela soberania de estados vizinhos é prática rotineira do governo de Bogotá. Sequestros e extradições sumárias têm contado por vezes com a colaboração da Policia e do poder judicial da Venezuela.
Particularmente chocante foi a prisão em Caracas do jornalista Joaquin Perez Becerra, director da Agencia Anncol, e a sua imediata entrega ao governo colombiano que o mantem ate hoje encarcerado e ameaçado de extradição para os EUA.
Uma campanha de calúnias contra o jornalista Dick Emanuelsson, actual subdirector da mesma agência, precedeu ameaças concretas a esse prestigiado intelectual sueco, acusado de solidariedade com «o terrorismo».
A prisão ilegal na Venezuela, a pedido de Juan Manuel Santos, do cantor-guerrilheiro Julian Conrado suscitou a nível internacional, como a de Perez Becerra, uma vaga de protestos, mas foi aplaudida com entusiasmo pela oligarquia colombiana.
A Marcha Patriótica não significou somente a condenação popular de um regime neofascista pelas multidões que nela participaram. Ela veio demonstrar a necessidade de novas formas de luta contra aengrenagem politica e económica que domina o país ´
As FARC-EP expressaram bem essa realidade ao defenderem a criação de uma ampla frente de resistência capaz de unificar na luta as forças que combatem o regime oligárquico, e mobilizar os trabalhadores contra o sistema em grandes acções de massas.
A lenda negra, forjada pelo imperialismo, que difunde da guerrilha a imagem de uma organização terrorista ligada ao narcotráfico, tem dificultado muito a concretização desse objectivo.
AS FARC são acusadas de radicalismo e o governo repete exaustivamente que o seu programa é maximalista e utópico.
É falso.
AS FARC-EP defendem a unidade na luta do movimento operário, camponês, de sindicatos, de indígenas, negros, desempregados, mineiros, estudantes, pequenos e médios empresários, comerciantes, intelectuais, professores, partidos e movimentos de esquerda.
O seu programa não é radical.
Que pretendem?
No seu comunicado de 22 de Julho pp. o secretariado do Estado-maior Central das FARC-EP sintetiza num parágrafo esse programa:
«Um governo democrático, amplo, pluralista poderá, finalmente, cortar as amarras que atam os colombianos à horrível noite da violência. Possibilitar acordos de paz, construir umas forças armadas que defendam o interesses de todos os cidadãos e não os da casta antipatriótica, materializar uma existência democrática na qual a voz das maiorias seja a que determine o caminho a seguir, encaminhar o país para um desenvolvimento económico baseado na produção e no trabalho de todos os colombianos, zelar pela saude, a educação, o emprego e o bem estar geral, sem favoritismos, entregar a terra aquem a queira e possa trabalhar, apoiados na sua actividade e crescimento, usar os recursos naturais para o bem comum, resgatar as nossas culturas e encontrar solução justa para os mais graves problemas sociais».
Por que recorreram as FARC-EP à luta armada, conscientes de que essa opção somente é hoje possível em condições históricas, geográficas e sociais excepcionais?
O secretariado do seu Estado-maior responde:
«Queríamos, sonhávamos com uma mudança pela via pacífica e democrática, mas todas as portas nos foram fechadas violentamente uma e outra vez desde o governo de Guillermo Leon Valencia.Hoje podemos garantir que
Um dialogo distante e nas costas do país, como pretende Santos, solo contribuiria para intensificar mais a confrontação. Permanecemos atentos ao avanço da rebeldia popular e à organização dos debaixo.Com eles estaremos em todos os cenários a que os conduza a sua acção pela paz e a mudança. Seja qual for o rumo que o destino ofereça ao esforço para democratizar a Colombia, hoje imensamente renovado e latente, as FARC-EP estarão sempre ao lado do nosso povo. Venceremos com ele, juramos».
A linguagem expressa bem o espírito de uma guerrilha-o partido que se declara marxista-leninista, na fidelidade ao legado de heróis como Manuel Marulanda, Jacobo Arenas, Raul Reyes, JorgeBriceño e Alfonso Cano. Uma guerrilha que se bate há meio século contra a oligarquia mais reaccionária da América Latina, aliada do imperialismo.
Vila Nova de Gaia, 9 de Agosto de 2012

PARTIDO COMUNISTA PERUANO CONDENA O VIL ASSASSINATO DO CAMARADA RUBEN SOBERON ESTELA



imagemCrédito: PCP
O Partido Comunista Peruano (PCP) eleva sua mais enérgica condenação frente ao vil assassinato do nosso querido dirigente regional lambayecano, camarada Rubén Esnell Soberón Estela, que foi assassinado na manhã do dia 7 de agosto de 2012, na cidade de Chiclayo, quando se dirigia desde sua casa para cumprir com suas responsabilidades sindicais como Secretário-Geral Adjunto do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil.
Demandamos a falta de responsabilidade política do Estado sobre a questão de acabar com a violência organizada que alcança o sindicato da construção, onde operam o lúmpen a vista e paciência das autoridades policiais, judiciais e até das autoridades do ministério do trabalho, que outorgam legalidade ao paralelismo sindical e criminal, cujos elementos no caso de Chiclayo e do país, forma denunciados publicamente pela Federação de Trabalhadores da Construção Civil do Peru (FTCCP).
Este fato se soma às recentes mortes dos camaradas Armando Viera e Guillermo Yacila, de Callao, o que demostra uma seletiva direcionalidade contra a militância do Partido Comunista Peruano e os mais honestos e combativos expoentes do sindicalismo classista, para favorecer aos obscuros interesses do crime organizado e da exploração capitalista.
O PCP perde um jovem militante que deixa esposa e dois filhos, frente a este fato inclinamos nossas bandeiras e lhe rendemos nossa homenagem e propomos ao movimento sindical peruano render-lhe o merecido tributo como herói do trabalho, ao mesmo tempo que exigimos investigação e severa sanção aos criminosos assassinos.
Lima, 07 de agosto de 2012
Comissão Política do PCP
Roberto De la Cruz Huamán
Secretário-Geral
Partido Comunista Peruano
Tradução: PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Terceiro dia de greve na Cummins


Passando por cima da patronal e dos pelegos, os trabalhadores da Cummins se mantém em luta, chegando agora ao terceiro dia de paralisação geral das atividades. Os trabalhadores exigem a garantia do PLR de mais de 1500 reais que a multinacional pretendia não pagar. 
Os trabalhadores devem estar atentos aos golpes e cantos de sereia da pelegada da Força Sindical que dirige o sindicato e se manter em luta até o verdadeiro atendimento das suas reivindicações. A ausência de alternativas sindicais alternativas aos pelegos não permite que o saldo político e organizativo dessa greve sejam positivos, mas o alcance efetivo de suas reivindicações pode educar os trabalhadores na perspectiva de que só a luta muda a vida.

Toda força aos trabalhadores em greve!
Fora pelegada da direção do sindicato!

Marcha Patriótica em Guarulhos

- Debate: ´´Conflito social e armado e o movimento popular na Colômbia – com a presença de membros da Marcha Patriótica“. 19:00hrs no CA ou Sala 8 (À confirmar).

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Apoio à luta dos operários da Cummins


Os metalúrgicos da Cummins, em Guarulhos, cruzaram os braços nesta segunda-feira (6). A greve acontece em resposta ao ataque da direção da multinacional, que anunciou um corte de R$ 1.115,00 que a empresa promoveu na PLR (Participação nos Lucros e/ou Resultados) dos cerca de 1,4 mil funcionários.
A empresa norte-americana, fabricante de motores, nos últimos anos, a Cummins, há duas semanas começou a reunir grupos de trabalhadores insinuando que as regras tratadas em mesa seriam revistas. Em Assembleia, o operários votaram por paralisar o trabalho até que o PLR seja garantido para a categoria.
Aumentou a adesão dos trabalhadores da Cummins (Guarulhos) no segundo dia de greve. A produção está parada 100%.A Cummins entrou em contato com o Sindicato, marcando reunião para as 14 horas de terça nas dependência da empresa. Devem participar Sindicato e Comissão de Trabalhadores. 
O PCB e sua Corrente Sindical, a Unidade Classista (UC) entendem que este ataque faz parte do conjunto de agressões que o Capital vem cometendo contra a classe trabalhadora, visando que estes paguem pela crise econômica internacional criada pelos próprios capitalistas em sua superexploração dos trabalhadores. 
Apoiamos todas as lutas dos trabalhadores contra a exploração capitalista e trabalhamos nas bases para levar a consciência dos trabalhadores para além das reivindicações econômicas, compreendendo os desdobramentos político e o alcance que uma greve operária, ainda mais numa multinacional do setor automobilístico, tem na luta de classes.
No entanto, temos clareza que a direção do sindicato, controlado pela força sindical, fará de tudo para conciliar a situação e se vangloriar disso para enganar a classe trabalhadora, apresentando um acordo rebaixado como vitória do movimento. Repudiamos a direção do sindicato e conclamamos os trabalhadores a se organizarem nas bases para impedir as manobras e enganações desses verdadeiros aristocratas, ligados diretamente aos patrões e aos políticos oportunistas que aprovam, incentivam e participam da superexploração do povo.

Todo apoio à luta dos trabalhadores da Cummins!
Fora pelegos da direção do sindicato!
Ousar lutar, ousar vencer!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Duas poesias de Camilo, militante do PCB em Guarulhos


Caminho

Ladeiras sem asfalto,
Rios córregos abertos
Fedidos, levando todo
Mau cheiro do sistema.

Crianças jogam bola
A vida é a mesma porem desigual.
A cada dia as trevas retornam
E os corpos estáticos se movem.

Céu aberto
O sol vai indo
Olhares voltados para cima,
Um bale encantador
Pairam e rasgam os céus.

Na orquestra crianças batem figuras
Nas calçadas e esquina,
Rap na periferia
Cervejas nos botecos
Operário que se liberta.

Na descida a vida continua,
Nas vielas e becos
A existência!
Nas paredes mensagem
A resistência prossegue.

Maquinas em movimento
Vão e vem.
As mercadorias não param
Viadutos cortam o céu
A grande floresta negra.

Concretos e pedras,
Capitalismo selvagem.
Destrói tudo
Consome a existência!

Mais e mais
Elas não param
Sempre mercadorias.


Camilo.




Modernos

Templos modernos
Cavernas modernas
Jaula move
Nada é real.

Rios artificiais
Córregos fedidos
Podridão do capitalismo
Avanço industrial
Destruição total.

Periferias cortadas
Auto-estradas
Terra coberta de pixe
Liquido mortal.

Devastação total
Avanço industrial
Abrem florestas de pedra
Consome a vida em flor
A existência acabou.

Consumiu!
Cuspiu vomitou
Homem moderno
Só consome!

Camilo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Notícias da Unidade Classista





Unidade Classista e posse na FENTECT
A corrente sindical Unidade Classista fará parte da gestão da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) que tomou posse na última quinta-feira, 26 de julho, em Brasília.
A corrente será representada por José Rodrigues Filho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Correios do Piauí e militante do PCB. Eleito no XI Congresso da entidade, realizado durante o mês de junho em Fortaleza (CE), José ocupará a Secretaria-Geral da Federação.
O coordenador nacional da Unidade Classista, Sidney Moura, prestigiou a posse em Brasília e afirma que a luta da categoria está na pauta da corrente sindical:
"a ECT é uma empresa estratégica, por isso os militantes que estão na direção da federação e na base da categoria estarão na linha de frente em defesa dos interesses imediatos e gerais dos trabalhadores dos Correios. A luta contra a privatização está entre os eixos de ação mais relevantes para a nova direção, além da luta por melhores salários e melhores condições de trabalho".
Sidney afirmou ainda que, entre as principais tarefas para a diretoria que nos próximos anos estará à frente da luta dos trabalhadores da ECT estão a luta pela jornada de seis horas, pelo fim do viés bancário (banco postal), contra a sobre carga de trabalho, e a defesa da contratação de pelo menos 30 mil trabalhadores, contra a lógica de gerenciamento Toyotista (produtividade sob stress, banco de horas e PLR).
A eleição e as lutas
O bloco unificado de oposição, da qual a Unidade Classista fazia parte, venceu a disputa pela direção da Federação. Agora, a luta é por melhores condições de trabalho e por aumento salarial.
José Rodrigues afirma, aliás, que a nova diretoria espera que a Campanha Salarial deste ano reverta o acordo imposto pelo TST no ano passado e conduza os mais de 110 mil trabalhadores dos Correios à conquista de suas reivindicações. E elas são:
- Campanha Salarial por 43,7% de aumento (33,7% referente a perdas + 10% reajuste inflacionário + 200,00 linear para todos os trabalhadores); - Anistia aos trabalhadores demitidos;
- Pela construção de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) com progressão salarial, melhores condições de trabalho e contratação de mais trabalhadores.



Mantega, capacho e serviçal da GM? 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que o Governo Federal deve se manter distante das demissões de trabalhadores pela GM em São José dos Campos (SP). Segundo Mantega, a General Motors (GM) está "com saldo positivo de empregos" e que "não cabe ao governo entrar nos detalhes, é (um assunto) da organização interna da empresa". O ministro deveria responder se também é assunto interno da empresa passar o pires no Governo Federal em busca de verbas do BNDES e redução de impostos toda vez que sua taxa de lucros é reduzida e sempre conseguir benesses. Como representante do Governo, suas declarações deixam claro: se lixam para os trabalhadores em prol de seus patrões; não é por outro motivo que a cada 1 real dado de incentivos fiscais às montadoras, elas remetem R$ 3,3 para suas matrizes no exterior, evitando a falência desses verdadeiros "gigantes com pés de barro". Mantega afirmou que há saldo de empregos na GM, desconsiderando o fechamento de 1189 postos de trabalho e 356 demissões, e tampouco os dois mil cortes que a GM ameaça fazer, só em São José dos Campos foram 1044 postos de trabalho, em São Caetano, 349 postos a menos. De acordo com o SINDICATO DOS METALÚRGICOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS a empresa está em um momento de aumento de suas vendas e batendo recordes de faturamento e lucro em suas unidades no Brasil, em particular na unidade de São José dos Campos, responsável por 35% do faturamento da GM em nosso país.
Afirma o sindicato:
Garantir a manutenção de postos de trabalho é, sim, papel do Governo Federal, principalmente quando este mesmo governo beneficia as indústrias com bilhões de reais do dinheiro público, repassados em forma de isenção fiscal.
Há meses o Sindicato vem apresentando à GM várias propostas para evitar as demissões, sem que esta demonstre a mínima disposição de negociar. Há tempos estamos alertando o governo federal para as demissões que vem ocorrendo na montadora, mas até agora o ministro Mantega não se dignou a receber a representação dos trabalhadores para ouvir nosso ponto de vista. Deveria fazê-lo antes de se manifestar da forma que o fez no dia de hoje (31 de julho).


Fim da greve dos caminhoneiros
A greve dos caminhoneiros foi suspensa no dia 31 de julho, após negociação entre governo federal e representantes da categoria. O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Nélio Botelho, disse que a desmobilização da categoria foi gradativa e concluída na manhã de 1 de agosto.
A medida de desmobilização gradual foi tomada por segurança para evitar acidentes nas estradas.
Segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sergio Passos, o primeiro ponto do acordo foi a constituição de mesa de negociações, que começará no dia 8 de agosto, com prazo de 30 dias para discutir e dar encaminhamento às reivindicações da categoria.
Passos destacou que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) fará nos próximos 30 dias fiscalização educativa sobre a Lei 12.619/2012 que regulamenta o descanso de 11 horas entre duas jornadas e a parada de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas. O objetivo é dar mais tempo para que os caminhoneiros se acostumem com as novas regras. Uma reunião entre os líderes da categoria e o Contran já está marcada para quinta-feira (2).
Apesar da alternativa encontrada pelo governo federal, o ministro ressaltou que a lei não será revogada. Para o presidente do MUBC, a solução para o impasse pode ser a separação das jornadas – de curta e longa duração – e adequação do descanso à carga horária. “No formato atual, não se permite que o caminhoneiro cumpra a determinação. Saiu uma lei defeituosa”, declarou Nélio Botelho.
O ministro Paulo Passos anunciou que o governo federal vai estender às empresas com frota acima de quatro veículos o pagamento eletrônico de frete (PEF). Anteriormente, a taxa era cobrada apenas aos caminhoneiros autônomos e às empresas com até três veículos. De acordo com ministro, a categoria questionou o “tratamento diferenciado das outras empresas e a falta de igualdade”.
Também foi definida na reunião a suspensão da emissão de novos cadastros no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTC), o tema está na pauta de negociações entre a categoria e o governo federal. Na prática, a norma ampliava a variedade de condutores que poderiam atuar como caminhoneiros, o que de acordo com entidades de caminhoneiros, aumentou em 600 mil o número de transportadores e teria elevado a oferta e diminuído o valor do frete.


Sem Serra, candidatos mostram planos para educação a sindicato
 Sem a presença de José Serra, do PSDB, quatro candidatos apresentaram suas propostas para a educação na última terça-feira, 31 de julho, em evento do Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo (SINESP). O candidato tucano enviou ao evento seu vice, Alexandre Schneider (ex-secretário municipal de educação). O primeiro a falar foi Fernando Haddad, candidato do PT e ex-ministro da Educação do governo Lula, que defendeu parcerias com o governo federal na educação, como cursos em universidades públicas para melhorar a capacitação dos professores. O candidato do PMDB, Gabriel Chalita, teve reações mais intensas do público. Ao defender convênios com instituições privadas para reduzir o déficit nas creches, o ex-secretário de educação do governo Alckmin foi vaiado. Carlos Giannazi, ex-diretor de escola pública, foi aplaudido em diversas ocasiões pelos presentes. O candidato do PSOL-PCB caiu nas graças do público ao prometer saldar uma dívida trabalhista da gestão Paulo Maluf (PP-SP) na cidade, ao criticar a aliança de Haddad com o ex-prefeito, e mais ainda ao criticar o governo José Serra (PSDB). O candidato do PRB, Celso Russomanno, fez uma leitura da parte de educação de seu programa de governo, comentando item por item, destacando a ronda escolar e não problemas dos trabalhadores em educação.