Atividade do Comando de greve dos professores em Gaurulhos
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sexta-feira, 5 de junho de 2015
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
A ameaça fascista na Venezuela

Atilio A. Boron
A escalada desestabilizadora atualmente sofrida pela Venezuela bolivariana possui um objetivo inquestionável: a derrota do governo de Nicolás Maduro. Não existe nenhuma outra interpretação de quem escreve esta afirmação. Foi expressa em reiteradas ocasiões não apenas por manifestantes da direita nas ruas, mas por seus principais líderes e instigadores locais: Leopoldo López (ex-prefeito do município de Chacao, em Caracas, e chefe do Partido Voluntad Popular) e María Corina Machado, deputada pelo Súmate na Assembleia Nacional da Venezuela. Em mais de uma ocasião referiram-se às intenções ansiadas em seus protestos, utilizando uma expressão em que, regularmente, apelam ao Departamento de Estado: "mudança de regime", forma amável e eufemística que substitui o desprestigiado termo "golpe de estado". O que se busca é precisamente isso: um "golpe de estado" que ponha um ponto final na experiência chavista. A invasão à Líbia e a derrocada e linchamento de Muammar El Gadafi são exemplos de "mudanças de regime". Há meio século os Estados Unidos propõem, sem êxito, algo similar em Cuba. Agora o estão tentando, com todas as suas forças, na Venezuela.
Esta feroz campanha contra o governo bolivariano - na realidade, um processo de fascistização de longa data - tem raízes internas e externas, intimamente ligadas e solidárias num objetivo comum: acabar com o pesadelo instaurado pelo Comandante Hugo Chávez desde que assumira a presidência em 1999. Para os Estados Unidos, a autodeterminação venezuelana afirmada sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a derrota da ALCA e dos avanços dos processos de integração e unidade na América Latina e no Caribe – a UNASUL –, o Mercosul ampliado, a CELAC, Petrocaribe, entre outros, impulsionados como nunca antes pelo líder bolivariano, são desafios intoleráveis e inadmissíveis, merecedores de um castigo exemplar. Para a oposição interna, o chavismo significou o fim das regalias e negociações que obtinha por sua colaboração com o governo dos Estados Unidos e as empresas norte-americanas no saque e pilhagem da receita petrolífera, e que encontrou nos líderes e organizações políticas da Quarta República seus sócios menores e imprescindíveis operadores locais. Tanto Washington quanto seus peões estavam certos de que o chavismo não sobreviveria ao desaparecimento físico de seu fundador. Porém, com as eleições presidenciais de 14 de abril de 2013, suas esperanças se esfumaçaram: Nicolás Maduro venceu Henrique Capriles por uma porcentagem muito pequena, mas suficiente e indiscutível, de votos. A resposta destes oligarcas travestidos em notáveis figuras da república foi, primeiro, desconhecer o veredito das urnas e, depois, desencadear violentos protestos que tiraram a vida de mais de uma dezena de jovens bolivarianos, deixando cerca de cem feridos, além da destruição de numerosos edifícios e propriedades públicas. Cabe lembrar que até o dia de hoje, dez meses após as eleições presidenciais, Washington não reconheceu formalmente a vitória de Nicolás Maduro. Em contrapartida, o inverossímil Prêmio Nobel da Paz demorou poucas horas para reconhecer como vencedor das eleições presidenciais hondurenhas de 24 de novembro passado – viciadas até o indizível e fraudulentas como poucas – o candidato da "embaixada", Juan O. Hernández. O imperialismo não erra ao eleger seus inimigos: os Castro, Chávez, agora Maduro, Correa, Morales. Contrariamente ao que alguns ingenuamente defendem, não existe uma direita que seja "oposição leal" a um governo genuinamente de esquerda. Menos ainda quando se trata de uma direita manipulada por controle remoto pela Casa Branca. Caso se comporte com lealdade é porque esse governo já foi colonizado pelo capital. Em que pese a violência dos militantes da Mesa de Unidad Democrática, que defendia a candidatura de Capriles, o governo conseguiu restabelecer a ordem nas ruas. Contribuíram para isso a clara e enérgica resposta governamental e, além disso, a certeza que tinha a direção do MUD de que as eleições municipais de 8 de dezembro – que a direita caracterizou como um plebiscito – permitiriam derrotar o chavismo para depois exigir a imediata renúncia de Maduro ou, no pior dos casos, convocar um referendo revocatório antecipado, sem ter que esperar até meados de 2016, tal como estabelece a Constituição. Porém, a jogada acabou mal, porque foram amplamente derrotados por quase um milhão de votos e nove pontos percentuais de diferença.
Atônitos ante o resultado inesperado que, pela primeira vez, oferecia ao governo bolivariano a possibilidade de gerir durante dois anos os assuntos públicos e administrar a economia sem ter que envolver-se em campanhas eleitorais agressivas e com o objetivo de distrair, os antichavistas peregrinaram a Washington para redefinir sua estratégia em função das necessidades geopolíticas do império e receber ordens, dinheiro e ajudas de todo tipo para sustentar seu projeto desestabilizador. Derrotados nas urnas, agora a prioridade imediata era, como fez Richard Nixon no Chile de Salvador Allende, em 1970, “fazer ranger a economia”. Daí as sabotagens, as campanhas de desabastecimentos programados e a especulação cambial desenfreada (segundo recomenda em seu manual de operações o especialista da CIA, Eugene Sharp), os ataques na imprensa, onde as mentiras e o terrorismo midiático não conhecem limite ou escrúpulo moral algum e, depois, como conclusão, “esquentar a rua” buscando criar uma situação similar à da cidade de Bengasi, na Líbia, capaz de desbaratar por completo a economia e desatar uma gravíssima crise de governabilidade que torna inevitável a intervenção de alguma potência amiga, que já sabemos quem é, para que acuda em auxílio dos venezuelanos para restaurar a ordem quebrada.
Uma após outra, todas estas iniciativas terminaram em fracasso, porém nem por isso a direita abandonará seus propósitos sediciosos. Leopoldo López acaba de se entregar a justiça e é de se esperar que esta faça cair sobre ele e sobre sua copincha, María Corina Machado, todo o peso da lei, já que carregam várias mortes em suas mochilas. O pior que poderia acontecer com a Venezuela seria o governo ou a justiça não perceber o que está escondido dentro do ovo da serpente. Em situações como estas, e diante de inimigos como estes, qualquer tentativa de “reconciliação nacional” ou de “linha branda” é o caminho seguro para a própria destruição. Os fascistas e o imperialismo só entendem a linguagem da força. López e Machado deverão receber um castigo exemplar, sempre dentro do marco da legalidade vigente. Não se devem descartar violentas manifestações para sua imediata libertação e, tampouco, se devem descartar a hipótese de que, em seu desespero, a direita possa apelar a qualquer custo, por mais absurdo que seja. Porém, o julgamento e castigo dos instigadores de tanto derramamento de sangue não serão suficientes para evitar o risco de uma brutal derrocada do governo bolivariano. A única garantia está na ativa mobilização e organização das massas chavistas para sustentar “sua revolução”, com seus muitos acertos e, também, seus erros. Apenas isso permitirá evitar o perigo de um assalto fascista ao poder que colocaria um sangrento fim à gestão bolivariana, desencadeando uma onda reacionária que repercutiria por todo o continente. Assim, o que está em jogo nestas horas não é somente o futuro da Venezuela, mas o de toda Nossa América.
Fonte:http://www.atilioboron.com.ar/2014/02/la-amenaza-fascista-en-venezuela.html
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
quinta-feira, 18 de julho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Desaparecido político durante a Ditadura, deputado pernambucano do PCB tem livro biográfico lançado
Nesta segunda-feira, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, aconteceu o lançamento da segunda edição do livro "David Capistrano - Entre Teias e Tocaias", um dos 20 volumes da coleção "Perfil Parlamentar Sec. XX" de biografias de deputados pernambucanos. A autoria é do jornalista e escritor Marcelo Mario Melo.
Segundo a "versão oficial", divulgada pelo Estado brasileiro durante a Ditadura, David Capistrano foi sequestrado em 16 de março de 1974 e está desaparecido desde então.
Segundo informações de Claudio Guerra, no livro Memórias Reveladas, Capistrano teria sido visto na casa da morte em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Em 1992, Marival Chaves, ex-agente do DOI-CODI, afirmou à Revista Veja que David foi preso, torturado, morto e esquartejado no Rio de Janeiro, sendo os restos mortais jogados num rio, fato que também é objeto de investigação da Comissão Pernambucana da Verdade.
Ele foi deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro, eleito em maio de 1946, o segundo deputado mais votado de Pernambuco, tendo o mandato cassado em 1948, pelo decreto que colocou o PCB na ilegalidade.
Nesta terça-feira (4), a filha do deputado desaparecido, Cristina Capistrano, aproveita a estadia no Recife para conceder oitiva pública à Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara. O evento acontece no auditório do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, no campus da UFPE, Cidade Universitária.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
NOVO CADERNOS DO ICP Nº 2: Economia Política para Trabalhadores
O Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais Caio Prado Jr. (ICP) é um centro de estudos, pesquisas, reflexão e ação educacional. Entidade civil sem fins lucrativos, reúne professores universitários, intelectuais e pesquisadores de diferentes vertentes e posições teórico-políticas, além de dirigentes sindicais e militantes políticos, todos ligados ao pensamento progressista e emancipador. O ICP, com sede em São Paulo, dedica-se ao estudo de problemas sócio-econômicos gerais, problemas do mundo do trabalho e da cultura, além de questões relacionadas à realidade brasileira nas suas dimensões locais, estaduais e internacionais, mantendo sua vocação de espaço plural de debates e formação.
Entre seus objetivos estratégicos mais específicos, pode-se destacar: 1) realizar, patrocinar ou promover pesquisas e estudos relativos a problemas que constituem objeto do conhecimento das Ciências Sociais, Históricas, Políticas e Econômicas, em suas diferentes ramificações; 2) organizar cursos de extensão, graduação e pós-graduação, bem como realizar, patrocinar ou promover conferências, seminários e encontros em geral para a consecução dos seus objetivos; 3) publicar revistas, livros e trabalhos de divulgação científica na área de atuação do Instituto, bem como os resultados das pesquisas e estudos desenvolvidos na entidade; 4) assistir tecnicamente, nas áreas das Ciências Sociais, História, Política e Econômicas e, mediante convênio, a instituições públicas e privadas por meio da realização de pesquisas, consultorias e da elaboração de projetos de interesse das organizações contratantes, desde que tal assistência esteja, por sua natureza, em conformidade com os fins, objetivos e atividades do instituto.
Suas atividades incluem projetos de pesquisa, seminários, encontros e workshops, realização de cursos, consultoria, uma linha de publicações em que se destaca a revista Novos Temas, Cadernos do ICP e a promoção de eventos em conjunto com fundações culturais, centros de pesquisas, órgãos e Universidades públicas e privadas. O desenvolvimento desse conjunto de atividades consoante os seus compromissos confere ao ICP um perfil institucional que o qualifica como interlocutor de múltiplos segmentos da sociedade, de setores da administração pública em todos os níveis, de parlamentares e dirigentes políticos, membros dos movimentos comunitários, do mundo do trabalho, acadêmico e da comunidade científica.
O ICP é dirigido por uma Diretoria Executiva, composta por 06 (seis) membros eleitos quadrienialmente pelo Conselho Deliberativo. Os objetivos e a política científica da instituição são definidos pelo Conselho Deliberativo. A estrutura administrativa do ICP conta ainda com um Conselho Consultivo, composto por membros da comunidade científica nacional e internacional
O Instituto Caio Prado Jr. (ICP) acaba de lançar o número 02 dos Cadernos do ICP:Economia Política para trabalhadores. Trata-se de um estudo profundo e didático da professora e pesquisadora Sofia Manzano com o foco na formação dos trabalhadores para enfrentar, com convicção teórica, as demandas das lutas de classe. Estamos no campo aberto da crise do capital, portanto, compreender a economia política marxista e a vulgata burguesa é um discernimento necessário para aqueles que lutam pela revolução.
José Paulo Netto
Mauro Iasi
Angélica Lovatto
Edmilson Costa
Ricardo Costa
Antonio Mazzeo
Milton Pinheiro
P.S: Pedidos pelo e-mail icaioprado@gmail.com
Mauro Iasi
Angélica Lovatto
Edmilson Costa
Ricardo Costa
Antonio Mazzeo
Milton Pinheiro
P.S: Pedidos pelo e-mail icaioprado@gmail.com

Palestras do camarada José Paulo Netto reúnem cerca de mil pessoas na Paraíba

Nos dias 29 e 30 de abril cerca de mil pessoas participaram das atividades organizadas pelo Núcleo do PCB e UJC da Paraíba com a presença do Professor José Paulo Netto.
Foram duas conferências: uma, em Campina Grande, iniciando as atividades do recém criado Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Estadual da Paraíba; e outra, em João Pessoa, envolvendo os profissionais de serviço social do estado e a comunidade acadêmica vinculada ao pensamento marxista da Universidade Federal da Paraíba. Outra atividade foi um debate, que aconteceu em João Pessoa, envolvendo movimentos sociais e partidos que se colocam no campo da esquerda no estado. Este último contou com a participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Consulta Popular, PSOL, PSTU, bem como de camaradas da UJC do estado vizinho, Pernambuco.
A atividade é fruto de uma articulação com o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPB e com o Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba.

Para o Núcleo do PCB na Paraíba, estas atividades se constituíram em um marco na história da reconstrução do partido neste estado, apontando o PCB como uma opção à militância que se envolve com as lutas dos trabalhadores e fortalecendo a relação das organizações participantes com o partido.
Núcleo do PCB e UJC da Paraíba
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quarta-feira, 13 de março de 2013
UJC homenageia Karl Marx
Em 14 de março de 2013 completam-se 130 anos do desaparecimento físico de Karl Heinrich Marx, um dos maiores revolucionários da história, o formulador e sistematizador do socialismo científico, da compreensão dialética e materialista da história, o homem que contribuiu de forma decisiva e imensa para a construção da revolução proletária e do socialismo. Nós da UJC, como frente de massa revolucionária e comunista, portanto, devemos fazer nossa homenagem.
Devemos, porque a UJC é a frente de massa de juventude do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, histórico e heroico partido protagonista das lutas operárias pelo socialismo no Brasil desde 1922. O PCB nasce inspirado pela primeira revolução política que tinha pretensões de avançar historicamente à revolução social, claramente e profundamente influenciada pela produção prática e teórica de Karl Marx.
Não nos é possível expressar em rasas e poucas palavras a grandeza que Marx representou, representa e representará para o desenvolvimento da história, e por isso usamos aqui as palavras ditas por seu camarada, companheiro e amigo Friedrich Engels quando da sua morte:
"Pois, Marx era, antes do mais, revolucionário. Cooperar, desta ou daquela maneira, no derrubamento da sociedade capitalista e das instituições de Estado por ela criadas, cooperar na libertação do proletariado moderno, a quem ele, pela primeira vez, tinha dado a consciência da sua própria situação e das suas necessidades, a consciência das condições da sua emancipação — esta era a sua real vocação de vida. A luta era o seu elemento. E lutou com uma paixão, uma tenacidade, um êxito, como poucos."

Aqui publicamos uma entrevista com o Camarada Antonio Carlos Mazzeo, buscando responder de forma sintética alguns questionamentos acerca da filosofia marxiana.
Devemos, porque a UJC é a frente de massa de juventude do PCB, o Partido Comunista Brasileiro, histórico e heroico partido protagonista das lutas operárias pelo socialismo no Brasil desde 1922. O PCB nasce inspirado pela primeira revolução política que tinha pretensões de avançar historicamente à revolução social, claramente e profundamente influenciada pela produção prática e teórica de Karl Marx.
Não nos é possível expressar em rasas e poucas palavras a grandeza que Marx representou, representa e representará para o desenvolvimento da história, e por isso usamos aqui as palavras ditas por seu camarada, companheiro e amigo Friedrich Engels quando da sua morte:
"Pois, Marx era, antes do mais, revolucionário. Cooperar, desta ou daquela maneira, no derrubamento da sociedade capitalista e das instituições de Estado por ela criadas, cooperar na libertação do proletariado moderno, a quem ele, pela primeira vez, tinha dado a consciência da sua própria situação e das suas necessidades, a consciência das condições da sua emancipação — esta era a sua real vocação de vida. A luta era o seu elemento. E lutou com uma paixão, uma tenacidade, um êxito, como poucos."
Aqui publicamos uma entrevista com o Camarada Antonio Carlos Mazzeo, buscando responder de forma sintética alguns questionamentos acerca da filosofia marxiana.
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quinta-feira, 7 de março de 2013
Comandante Chávez faleceu, e agora: o que fazer?
Milton Pinheiro
A cena política impactada pelo falecimento do presidente Hugo Chávez se torna extremamente tensa diante das trilhas e possibilidades que sinalizam as posições em confronto. Temos nesse momento de tratar das ações entre as diferentes esferas das relações sociais, entender quem são os atores em disputa, analisar as relações de força e as práticas políticas em movimento, com as suas cargas ideológicas ocultas.
Na Venezuela se constituiu um poder alternativo à lógica do capital, pautado na defesa dos direitos do povo e dos trabalhadores. Mas que sempre enfrentou dificuldades para empreender mudanças estruturais e profundas rupturas na ordem. Esse movimento de poder popular (difusamente chamado de chavismo) se confronta, até hoje, com uma burguesia articulada com o imperialismo estadunidense e sequiosa por vantagens que, para se estabelecer, será preciso atacar as vitórias das massas que passaram a ter educação, saúde, cultura, trabalho, lazer e a mais ampla participação popular.
A burguesia venezuelana dependente dos negócios do petróleo, historicamente corrupta e golpista, sempre teve na sua fração industrial um braço armado para colocar o povo e os trabalhadores na mais profunda miséria. No entanto, o poder popular na Venezuela advém de uma emergência organizativa contraditória que luta para fortalecer a presença dos de baixo para fazer o enfrentamento ao projeto contra-hegemônico da burguesia, que se encontra articulada numa bem elaborada campanha de contra-informação que distorce os fatos internamente e que mantém uma audaciosa peça ideológica para difamar o governo bolivariano no exterior. Trata-se de uma mega estrutura de informação que é distribuída para todo o mundo.
O país tem, apesar do frentismo chavista, por um lado, as massas conscientes de seu papel para garantir os avanços sociais e políticos e, por outro, uma classe dominante disposta a disputar a hegemonia política no fogo da conjuntura que se abriu. Ambas têm base social, enquanto classe, para operar o confronto.
A burguesia contrarrevolucionária na Venezuela faz a disputa nas forças armadas, congrega ideologicamente os setores da alta classe média, conta com o apoio dos EUA e de seus satélites na região (Colômbia). As massas populares, apesar das diferenças políticas, contam com seu poder de mobilização, tem ao seu lado a Guarda Nacional e faz a disputa nas forças armadas.
A ruptura da institucionalidade será o passo político do bloco contra-hegemônico e conservador, fomentado pela direita golpista. Eles apresentarão o discurso da democracia em geral que na verdade é a democracia de classe, ou seja, da burguesia. A mídia internacional será multiplicadora dessa postura política. O que fazer?
Vai se abrir uma vaga de confronto revolucionário. Os blocos históricos das classes em contradição se movimentarão. O bloco histórico dos trabalhadores, a partir dos seus segmentos mais conseqüentes, não pode contemporizar. Deve avançar dando demonstração de força nas atividades de rua, mantendo em estado de alerta a Guarda Nacional bolivariana e construindo pontes com as diversas organizações populares e proletárias. Além disso, os operadores políticos internacionalistas do campo revolucionário devem contribuir, em caso de luta aberta poder, com o mais amplo apoio internacional, e até mesmo com brigadistas, para sufocar o aparato da reação burguesa. O momento deve ser de organização revolucionária dos setores que lutam pelo socialismo na perspectiva de construir rupturas necessárias.
O cenário de crise pode se aprofundar e marchar para a luta em campo aberto, pois o inimigo de classe é forte e conta com o esquema político e militar do campo imperialista. Todavia, pela convicção e organização do campo proletário, podemos ter numa situação de dualidade de poder a manutenção da hegemonia popular e o avanço das forças revolucionárias.
A crise política está aberta, os blocos de classe se movimentarão e a transição será disputada. É difícil identificar qual campo sairá vitorioso e as conseqüências do processo. No entanto, a vanguarda bolivariana e os comunistas deverão ter papel de intenso protagonismo. A saída não está na capitulação das negociações palacianas ou parlamentares, é hora de radicalizar o discurso e se movimentar para realizar impactantes ações políticas. O avanço das lutas dos trabalhadores só será garantido pelo povo em movimento. E neste momento a democracia de novo tipo está na ponta do fuzil.
Hasta la victoria siempre, comandante!
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
A batalha que abriu caminho à grande vitória (fotos)
Svetlana Kalmykova
Há setenta anos, no dia 19 de novembro de 1942, o Exército Vermelho iniciou a sua contra-ofensiva na Batalha de Stalingrado. Essa operação resultou na derrota completa das tropas alemãs nazistas. A partir das ruínas de Stalingrado se inciou o caminho até à Grande Vitória da primavera de 1945.
Na manhã de 19 de novembro de 1942, milhares de peças de artilharia do Exército Vermelho despejaram uma tempestade de fogo sobre as posições inimigas e a ofensiva começou. Dias depois, as tropas soviéticas fecharam o cerco, no qual ficaram 330 mil soldados, oficiais e generais do exército hitleriano. Os combates encarniçados continuaram durante os três meses seguintes, mas todas as tentativas dos alemães de romper o cerco e sair foram infrutíferas.
Esta operação no Rio Volga, batizada de Uran, foi preparada durante dois meses. Junto à Stalingrado (atual Volgogrado) cercada, em condições de segredo rigoroso, se concentraram reforços provenientes da Sibéria Ocidental e foi criado um poderoso grupo de assalto.
Os historiadores consideram esse um momento culminante, um ponto de virada de toda a Segunda Guerra Mundial. Para a máquina de guerra alemã, que até esse momento tinha conquistado quase toda a Europa, isso foi um golpe devastador, do qual ela já não conseguiu recuperar, diz o perito do Instituto de História Geral da Academia das Ciências da Rússia Mikhail Miagkov:
“Foi precisamente aqui que se deu a virada moral na guerra. Não só porque os alemães concentraram aí as suas unidades principais e Hitler deva uma enorme importância política a essa cidade. Nesse momento se deu uma quebra moral do exército alemão e o exército soviético sentiu que o inimigo podia ser vencido.”
A contra-ofensiva foi precedida de meses de duros combates. As tropas do Terceiro Reich avançaram em meados de julho em direção a Stalingrado e estavam convencidas que até agosto a cidade iria cair, abrindo-lhes o caminho para as áreas petrolíferas do Cáucaso. Mas elas esbarraram na incrível resistência por parte dos defensores da cidade que lutavam até à morte.
Os defensores recordavam como a colina de Mamaev Kurgan e como decorriam combates por cada rua e por cada prédio. Todo o mundo seguiu, com o coração nas mãos, o decorrer dessa confrontação nas margens do Volga. O seu desfecho iria decidir o destino de toda a humanidade. Os defensores de Stalingrado não defenderam só a cidade, eles salvaram toda a Europa e todo o mundo do nazismo. A derrota das tropas hitlerianas junto a Stalingrado permitiu o desenvolvimento do movimento da Resistência nos países da Europa.
A batalha de Stalingrado, que durou 200 dias e noites na sua totalidade, foi a batalha de maior escala e a mais sangrenta da história da humanidade. Na defesa da cidade morreram e ficaram feridos cerca de um milhão de soldados e oficiais soviéticos. Os exércitos do bloco nazi-fascista perderam em Stalingrado um quarto das forças que combatiam na frente germano-soviética.
Sobre a Batalha de Stalingrado foram escritas montanhas de literatura, os acontecimentos foram reconstruídos literalmente ao minuto. Mas o trabalho continua, diz Elena Tsunaeva, historiadora de Volgogrado, um dos autores da enciclopédia dedicada à Batalha de Stalingrado:
“Sim, se sabe muito, mas se começarmos a analisar os detalhes, ainda muito está por descobrir. Há pouca informação sobre determinados destacamentos militares, é difícil encontrar documentos de arquivo, visto que muito foi destruído durante a guerra. Falta informação mesmo sobre alguns comandantes. Ou seja, nós sabemos quem foram heróis, quem foram os condecorados, mais é muito complicado encontrar a descrição detalhada do seu feito. Quanto ao fato de terem sido escritos muitos livros, posso dizer que alguns episódios são simplesmente copiados. Por isso seria errado dizer que o estudo da Batalha de Stalingrado terminou.”
A continuação do estudo da Batalha de Stalingrado deverá receber o contributo da quinta edição da enciclopédia, assim como da nova edição biográfica Batalha de Stalingrado e os seus Habitantes. Ela irá descrever o contributo que os habitantes da cidade deram para a vitória tanto na retaguarda como na frente de combate. Pois se olharmos para a vitória, esta foi tecida de milhões de feitos e vitórias das mais diversas.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Morre hoje Eric Hobsbawm, intelectual da revolução socialista
Camaradas,
faleceu, nesta segunda, um dos mais brilhantes historiadores marxistas do século XX e do começo do século XXI. O pesquisador que tinha como objeto empírico a presença dos trabalhadores, dos revolucionários e comunistas nas suas batalhas pela revolução socialista. Hobsbawm foi seminal na batalha das ideias, não contemporizando com a ideologia burguesa e seus aportes acadêmicos. Hobsbawm também deu uma enorme contribuição ao entendimento da música quando estudou o Jazz, e seu artigo sobre a extraórdinaria Billie Holiday é comovente. Figura ímpar dos tempos atuais, morre o historiador das revoluções e do marxismo. O mundo perde uma importante arma da crítica e os trabalhadores, um intelectual orgânico.
Abraços,
Milton Pinheiro.
![]() |
| Hobsbawn, no Brasil, recebe o jornal Imprensa Popular, Órgão do Partidão. |
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UJC
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A cultura marxista e a luta dos trabalhadores estão de luto com o falecimento de Carlos Nelson Coutinho
Crédito: lh4 | |
(Nota do PCB)
O Comitê Central do PCB lamenta profundamente o falecimento do intelectual marxista e militante comunista, Carlos Nelson Coutinho.
Carlos Nelson, que durante 20 anos foi integrante das fileiras do PCB, impactou a cultura política marxista ao introduzir no Brasil o pensamento clássico dos filósofos György Lukács e Antonio Gramsci, contribuindo para que a vanguarda brasileira tivesse acesso às formulações desses pensadores. Estudioso da formação brasileira e da sua cultura política, o professor da UFRJ, foi autor de uma polêmica e rica leitura de Gramsci, no Brasil.
Durante quase meio século esteve presente, contribuindo como intelectual orgânico da nossa classe para o avanço das lutas sociais, contra todas as formas de opressão e pela emancipação humana. Lutou no campo das ideias, combateu as trevas da repressão representadas pelo golpe militar de 1964, sempre ao lado das lutas dos trabalhadores do campo e da cidade. Esteve, sempre, na vanguarda das lutas políticas e ideológicas do nosso tempo. Formando militantes, prestando solidariedade, atualizando o pensamento marxista e se posicionando, firmemente, pelo socialismo.
Faleceu Carlos Nelson Coutinho, mas o conjunto da sua obra, bem como, o seu exemplo de luta pela revolução brasileira, servirá de inspiração para que novos combatentes façam tremular as bandeiras que, num futuro próximo, tornarão o Brasil um país socialista.
Vida longa aos que lutam!
Carlos Nelson Coutinho, presente!
Partido Comunista Brasileiro
domingo, 29 de julho de 2012
Almoção do Partidão em Guarulhos
Neste sábado aconteceu, em Guarulhos, o almoção do Partidão. Esta atividade teve a intenção de agregar a militância, recrutar novos camaradas e debater as concepções do Partidão acerca de Estratégia, Tática, Organização e sobre os diversos momentos dos 90 anos de História do PCB. Tivemos a presença dos camaradas da base de Guarulhos, do Guilherme, militante da UJC na Unifesp e do PCB, e do secretário político da UJC SP Thiago Loreto. Além dos camaradas militantes, pessoas próximas à organização compareceram, foram apresentadas à linha do PCB através de riquíssimas discussões e se sentiram mais confiantes para militar pelo Partido Comunista Brasileiro.
O prato servido foi um ótimo Strogonoff preparado por camaradas próximos ao Partido e que valeu a pena pelos cansativos debates, que foram das 10 da manhã às 17 horas. O saldo político desse almoção foi muito bom, segundo as avaliações dos camaradas presentes, e criam uma perspectiva muito boa para próximas atividades que tenham como fim agregar a militância e recrutar novas pessoas.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
A Reflexão Marxista Sobre os Impasses do Mundo Atual
José Paulo Netto
Este livro – importante, combativo, provocador, atual – trata-se de um conjunto de ensaios, redigidos por acadêmicos e intelectuais marxistas – embora alguns deles, bastante conhecidos, já disponham de créditos tais que, individualmente, dispensariam qualquer apresentação. São textos diferentes e diferenciados, no conteúdo e na forma. Esta característica, aliás, é frequente em volumes como este. E, à primeira vista, o livro parece enfrentar problemáticas muito variadas.
Nenhum dos temas aqui tratados é menor, nenhum é desfibrado (teórica e/ou politicamente), nenhum é pacífico (e/ou consensual), nenhum é anacrônico.
Sobretudo, cabe sublinhar que a diversidade temática (o “operador político”, a “crise sistêmica”, o “imperialismo”, a “Europa do euro”, “socialismo ou barbárie” etc.) e a diferencialidade dos registros (ora dominantemente teóricos, ora visivelmente políticos) não justapõe, neste livro, preocupações inarticuladas. Há um fio que unifica, sem subsumi-los numa identidade qualquer, todos estes textos: a sua referencialidade marxista. Uma referencialidade plural, com inspirações teóricas variadas e posições político-partidárias distintas (ou mesmo sem elas) – como, aliás, é próprio e saudável para um marxismo que há muito, factualmente e ao contrário do que sustentam falsamente os seus antagonistas, se reconhece e se quer infenso a doutrinarismos ou fundamentalismos.
Saudar uma unidade deste quilate aparece ao signatário desta apresentação quase como um dever. Que se cumpre com enorme prazer.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
OS COMUNISTAS DO PCB, O ESTADO E A CORRUPÇÃO
Robson de Moraes
Em uma sociedade marcada historicamente por uma brutal e sectária divisão social, os setores dominantes de nossa economia, habituaram-se a se locupletar com o dinheiro público. O estado brasileiro é uma extensão de seus interesses privados e a política um balcão de negociatas empresariais, metamorfoseadas em uma falsa linguagem desenvolvimentista, que eleva o Produto Interno Bruto e agrava a desigualdade social. Herança de uma composição monárquica de estado, o público e o privado, nunca se separaram, a República não proporcionou a separação do legislativo, do judiciário e do executivo, tal qual imaginaram os filósofos da Revolução Francesa. A Liberdade, Fraternidade e Igualdade, antes aprisionada pela carcomido medievalismo, hoje tem como carcereiro o poder econômico de uma elite egoísta e destrutiva, incapaz de perceber a urgência no atendimento às demandas populares.
A corrupção é apenas mais uma evidência do caráter de classe do estado brasileiro. Aqueles, que por um motivo ou outro, são surpreendidos em suas práticas, são meros operadores de uma dinâmica. A substituição do operador não elimina a operação. É preciso minar o sistema e sua lógica de operação presente hoje na Polícia, na Câmara de Vereadores e Assembléias Legislativas, no executivo e nos tribunais. A corrupção é forma privilegiada do fazer política das elites brasileiras, que se apoderando do aparelho do estado, transformou as leis e a adiministração pública em técnicas de enriquecimento e controle.
A disputa encarniçada entre poucos grupos empresariaias pelo “direito” de saquear a riqueza pública, vem possibilitando as denúncias de ações ilícitas e ilegítimas, contribuindo decisivamente para agravar a crise de legimtimidade, na qual atravessa o estado e seu sistema político representativo. A descrença e indiferença compõem o cenário da fragilizadas democracia, que leva os indivíduos ás urnas por força de legislação, o Direito foi convertido em um mero Dever de legitimar mandatos de operadores do velhaco sistema, em uma mudança que garante a permanência.
Diante da ilegitimidade da ação do estado, da falência do Direito, enquanto princípio do ordenamento social, da criminalização dos movimentos sociais em uma correlaçlão de forças desfavorável a luta direta, atuarmos na construção contra-hegemônica passa a ser uma tarefa central. As lutas específicas proliferam e passam a pautar, com sua pluralidade e singularidade as formas de contestação social. Os movimentos que tática ou estrategicamente firmaram compromissos com a máquina do estado, esvaziaram-se politicamente e vivenciam um processo de cooptação e domestificação de suas bandeiras de lutas e palavras de ordem.
A crise da política, no entanto, é um sintoma da grave crise social e da corrosão dos mecanismos de sociabilização formalmente estabelecidos. Estamos em dias que o Partido Político despolitiza, a Escola deseduca, a Igreja transforma a fé em mercadoria e o estado é o capitão do mato do mercado e seus vencedores. Na impossibilidade da reprodução da vida, o banditismo social salta aos olhos, como contorno da rebelião social em sua forma mais primitiva.
Fonte: PCB/GO
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Marx, a Comuna de Paris e o projecto Comunista*
Manuel Gusmão**
15.Mai.12 ::
A Comuna de Paris foi a primeira revolução na qual a classe operária era claramente reconhecida como a única que ainda era capaz de iniciativa social, mesmo pela grande massa da classe média parisiense. Essa mesma parte da classe média tinha participado no esmagamento da insurreição operária em Junho de 1848; e tinha sido de imediato sacrificada aos seus credores.
O ideal comunista é um projecto de transformação do mundo e da vida, que se alimenta da experiência revolucionária e das tradições de luta do proletariado e dos povos oprimidos. Transportando consigo aspirações e sonhos quase milenares e ideais modernos, o ideal comunista converte em esperança revolucionária os fracassos e os êxitos da luta do movimento operário. É um projecto longo cujo triunfo é uma possibilidade real na longa duração da história. Não trair a memória é condição de fidelidade no presente e no futuro.
Culminando as insurreições operárias que marcaram o séc. XIX europeu – 1830 e 1848, a Comuna de Paris, em 1871, é a última insurreição desse século e a primeira a triunfar, embora por escassas semanas, mais precisamente, a comuna dura de 26 de Março a 27 de Maio.
Levantando barricadas e resistindo heroicamente em combates de rua, a Comuna será afogada em sangue. Dezenas de milhares de homens e mulheres serão fuzilados e as execuções em massa prolongar-se-ão pelo mês de Junho. Entre 26 de Maio de 1871 e 31 de Dezembro de 1874, os 24 conselhos de Guerra criados pelo Governo de Versailles julgaram 80 crianças, 132 mulheres e 9.950 homens da Comuna, sem contar os «contumazes». Pronunciaram 13.450 condenações.
No dia 30 de Maio, Marx apresentava ao Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores um documento em que analisava a Comuna de Paris, A Guerra Civil em França: 1871 conhecem-se dois estados de redacção anteriores.
Dirigido a todos os membros da Associação na Europa e nos Estados Unidos, o texto do apelo, que foi aprovado por unanimidade, é uma admirável análise de história do presente em que se extraem da experiência concreta do movimento das massas operárias, consequências teóricas fundamentais para o futuro desse movimento.
O estudo da experiência dos revolucionários da Comuna terá um papel de relevo na elaboração, por Marx, Engels e Lenine, da teoria revolucionária.
1. Não basta apoderar-se do Estado
Como Lenine o destaca no Estado e a Revolução, a única «correcção» que Marx julgou necessário explicitar no prefácio de 24 de Junho de 1872, a uma nova edição alemã do Manifesto Comunista, tem a ver com a questão do Estado, tal como resulta da experiência da Comuna de Paris. «Mas a classe operária não pode contentar-se com o apoderar-se da máquina do Estado e fazê-la funcionar para os seus próprios fins».
1.1. O primeiro decreto da Comuna foi a supressão do exército permanente e a sua substituição pelo povo em armas.
1.2. A Comuna foi composta por conselheiros municipais, eleitos por sufrágio universal nos diversos bairros da cidade. Eram responsáveis perante os seus eleitores e por eles revocáveis, quer dizer, podiam ser destituídos por eles a qualquer momento. A maioria dos seus membros eram naturalmente operários ou representantes reconhecidos da classe operária. A Comuna deveria ser não um organismo parlamentar mas um corpo actuante, ao mesmo tempo, executivo e legislativo.
1.3. Em vez de continuar a ser o instrumento do governo central, a polícia foi imediatamente despojada dos seus atributos políticos e transformada num instrumento da comuna.
1.4. Assim aconteceu com outros ramos da administração. Desde os membros da Comuna até à base, a função pública devia ser assegurada mediante salários de operários, e os seus cargos e diferentes funções, incluindo os de juízes e magistrados, eram electivos e revocáveis.
1.5. Os serviços públicos deixaram de ser propriedade privada das criaturas do governo central. Não só a administração municipal, mas toda a iniciativa até então exercida pelo Estado foi colocada nas mãos da Comuna.
1.6. Um vez abolidos o exército permanente e a polícia, instrumentos materiais do poder do antigo governo, a Comuna deu-se como tarefa quebrar o instrumento espiritual da opressão, o poder dos padres, decretou a separação da igreja e do estado e a expropriação de todas as igrejas na medida em que constituíam corpos possidentes […] A totalidade dos estabelecimentos de ensino foram abertos gratuitamente ao povo e, ao mesmo tempo, desembaraçados de toda a ingerência da igreja e do Estado. […] Os funcionários da justiça foram despojados dessa fingida independência que não tinha servido senão para mascarar a sua vil submissão aos sucessivos governos.
2. “República social” e governo operário
A multiplicidade das interpretações a que a comuna foi submetida e a multiplicidade dos interesses que se reclamavam dela mostra que era uma forma política susceptível de expansão, enquanto todas as outras formas de governo tinham até então posto o acento sobre a repressão. O seu verdadeiro segredo é o seguinte:
2.1.“A república social” era essencialmente um governo da classe operária, o resultado da luta da classe dos produtores contra a classe dos apropriadores, a forma política finalmente alcançada que permitia realizar a emancipação económica do trabalho.
2.2. Uma vez o trabalho emancipado, qualquer homem se torna um trabalhador e o trabalho produtivo deixa de ser o atributo de uma classe.
2.3. A comuna foi a forma positiva dessa “República social”, que não devia apenas abolir a forma monárquica da dominação de classe, mas a própria dominação de classe.
3. Governo operário e alianças sociais
Pela primeira vez, simples operários ousaram tocar no privilégio governamental dos seus “superiores naturais”, ou seja ousaram formar, com os seus iguais, o seu próprio governo.
3.1. A Comuna foi a primeira revolução na qual a classe operária era claramente reconhecida como a única que ainda era capaz de iniciativa social, mesmo pela grande massa da classe média parisiense – lojistas e demais comerciantes e negociantes, e com a única excepção dos ricos capitalistas. Essa mesma parte da classe média tinha participado no esmagamento da insurreição operária em Junho de 1848; e tinha sido de imediato sacrificada aos seus credores. Mas esse não era o único motivo para agora se aliar à classe operária: - sentiam que só tinham uma alternativa: A Comuna ou o Império, fosse qual fosse o nome com que reaparecesse, era a opção.
3.2. A Comuna tinha toda a razão em dizer aos camponeses: “a nossa vitória é a vossa única esperança”.
3.3. Se a Comuna era assim a verdadeira representante de todos os elementos sãos da sociedade francesa, ela era ao mesmo tempo um governo operário, e a esse título, um campeão audacioso da emancipação internacional do trabalho; por isso, apelando à solidariedade internacional com a Comuna de Parias, Marx insiste que a questão da Comuna é uma questão internacional, uma questão que interessa universalmente à classe operária.
4. A Crítica do parlamentarismo
Lenine destaca também no texto de Marx uma notável crítica do parlamentarismo que, soterrada pelos comentários do oportunismo social-democrata, pertencia no momento em que escrevia, como se calhar também hoje, ao tesouro das palavras «esquecidas» do marxismo.
4.1. Marx critica o modo como o sufrágio universal é capturado e serve para eleger a cada três ou seis anos qual o membro da classe dirigente que “representará” e calcará com os pés o povo no parlamento.
4.2. A mais democrática das repúblicas baseada na representação, a mais ampla democracia representativa nunca conseguirá eximir-se a essa limitação de consequências devastadoras que é a separação entre representados e representantes. Separação que é, desde logo económica e social, e permite que os representantes manipulem os representados e construam o seu mandato de acordo com os seus próprios interesses e não segundo os daqueles que os elegeram seus representantes.
5. O “ASSALTO AOS CÉUS”
Marx, no Outono de 1870, tinha solenemente prevenido a classe operária francesa contra toda e qualquer acção prematura; na sua análise da Comuna não esconde os seus erros e fragilidades da Comuna de Paris, mas a sua análise é feita com um enorme entusiasmo. Pode parecer estranho, mas não há nisto qualquer contradição.
Trata-se simplesmente de uma manifestação da elevadíssima consciência revolucionária de Marx. Ele receava que qualquer acção irreflectida comprometesse o destino da classe operária, mas sabe reconhecer de imediato o alcance histórico da acção da Comuna e esclarece a sua significação profunda para todo o movimento internacional.
A atitude de Marx é um exemplo da firmeza e da coragem intelectual e política que se espera de um revolucionário. Ela permite fundar uma crítica do oportunismo e da cobardia política, mesmo daqueles que, hoje, por exemplo, criticam Lenine e os bolcheviques, por terem tido a iniciativa de tomarem o poder sem estarem reunidas todas as garantidas de que o poderiam manter com êxito.
Em carta de 12 de Abril a Kugelmann, Marx refere-se à acção dos operários parisienses como um “assalto aos céus”. E em face da resposta do seu correspondente, escreverá:
“seria evidentemente muito cómodo fazer a história se só se devesse travar a luta em condições infalivelmente favoráveis […]. Graças ao combate travado por Paris, a luta da classe operária contra a classe capitalista e o seu Estado capitalista entrou numa fase nova. De qualquer maneira que as coisas aconteçam no imediato, o resultado será um novo ponto de partida de uma importância histórica mundial.
Lenine, no Prefácio à tradução russa das cartas de Marx a Kugelmann (I5 de fev. de 1907), ESCREVE:
“Marx sabia também ver que, em certos momentos da história, uma luta sem tréguas das massas, mesmo por uma causa desesperada, é indispensável para a educação ulterior dessas próprias massas, para as preparar para a luta futura. […] “Os canalhas burgueses de Versailles, escreve Marx, colocaram os Parisienses perante uma alternativa – ou respondiam ao desafio ou sucumbiam sem combate. Neste último caso, a desmoralização da classe operária seria uma desgraça muito maior que a perda de um qualquer número dos seus chefes” (90).
E Lenine continua:
“Marx não se contentou em admirar o heroísmo dos communards subindo ao assalto dos céus” No movimento revolucionário das massas, embora ele não tenha atingido o seu objectivo, ele via uma experiência histórica de um alcance imenso, um passo em frente da revolução proletária universal, um passo real, bem mais importante que centenas de programas e de raciocínios.”(315)
No VII congresso extraordinário realizado de 6 a 8 de Março de 1918, Lenine apresenta uma resolução sobre a proposta de mudança de nome do Partido e de modificação do seu programa. A relação com a Comuna de Paris é nos dois casos de assinalar:
«O congresso decide que no futuro o nosso Partido (o Partido operário social-democrata bolchevique da Rússia), chamar-se á Partido Comunista da Rússia, tendo entre parênteses a adjunção da palavra “bolchevique”.
A modificação da parte política do nosso programa […] deve consistir na definição, de maneira o mais precisa e completa, do Estado de tipo novo, a República dos Sovietes, enquanto forma da ditadura do proletariado e continuação das conquistas da revolução operária internacional, inauguradas pela Comuna de Paris.» (II: 630)
*Comunicação proferida no Congresso Marx em Maio realizado em Lisboa em 3, 4 e 5 de Maio de 2012.
**Poeta, ensaísta, Professor da Universidade de Lisboa e membro do Comité Central do PCP.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
AS CONCEPÇÕES PÓS-MODERNAS DO ME
O medo individualista pós-moderno, expresso nas camadas pequeno burguesas despolitizadas, e a falta de tradição de lutas desses setores são fatores importantes para impulsionar formas de apreensão e percepção da realidade que tem sua conceituação voltada para trás.
Oque isso quer dizer?
Em primeiro lugar que o medo da greve, o receio de perder o semestre, a ânsia pela volta das aulas, demonstram que nessas cabecinhas, o poder instituído é eterno e imutável, aos moldes da divinização do progresso e do formato de Estado presentes na Ideologia hegeliana e no positivismo. Isso dá um medo, um “frio na barriga”, que nada mais é do que a sensação de pecar, o medo da punição eterna e torturante do pai divino.
Em segundo lugar, que o discurso fascista típico do CCC e do maccarthismo se torna presente quando as forças progressistas não conseguem se apresentar como alternativa confiável para as bases. Isso dá algumas tarefas aos companheiros que estão tocando a greve pra frente.
Ora, o próprio Marx na questão judaica nos alerta para que não atropelemos a base para não perder de vista o apoio das bases e das massas, o que implicava num tom mais ameno para o trato com consciências medrosas e despolitizadas, que não conseguiam se desvincular da visão religiosa, metafísica, divinista, irreal e que contribui para a manutenção do status quo.
Isso de maneira nenhuma significa tolerância ao machismo, à homofobia, ao elitismo, e a formas fascistas de apreensão da realidade.
Nesse sentido, é necessário um trabalho de base forte para politizar as pautas, o que significa articulá-las com o REUNI e, consequentemente, com o modo de produção hegemônico globalmente, discutir seriamente as táticas e estratégias do movimento, buscar ampliar nosso apoio e adesão para conquistar as pautas discutidas e deliberadas democraticamente, através de um amplo processo, que passou pelas plenárias do comando de greve, pelas assembleias de curso, e pela assembleia geral dos estudantes.
Os estudantes que seguem defendendo com veemência a burocracia, seja por puxa-saquismo, medo, falta de análise de conjuntura, oportunismo, carreirismo, ou por ter uma visão política direitosa e estreita convicta, devem ser combatidos politicamente, pois claramente representam um entrave aos interesses da nossa categoria – deliberados coletivamente, como já exposto acima – e defendem aos interesses da burocracia acadêmica, que quer retomar a ordem sem atender as reivindicações. Logo, fica claro – sem maniqueísmo – que assumem o papel de inimigos políticos.
Portanto, é importante demonstrar que as formas instituídas como estrutura de poder da universidade não são naturais, e que devem ser contestadas para que a correlação de forças fique favorável à categoria mais representativa e progressista da comunidade acadêmica, os estudantes.
A luta pela universidade popular passa pela estrutura de poder da universidade – que deve ser descentralizada -; passa pela demanda da extensão, da pesquisa e do ensino – que deve ser ditada pelos interesses políticos, econômicos e culturais das massas trabalhadoras – ; passa pela forma de organização do movimento estudantil – que deve organizar o DCE em conselhos de campus que elejam seus delegados, etc.
Por isso, estudantes, não tenham medo do bicho, ele pode te pegar, ele pode te matar, mas juntos e organizados ele corre de nós. Vamos fortalecer o comando de greve, preenchê-lo politicamente da forma adequada, assumir as práticas da crítica retificadora das concepções errôneas, reacionárias e pós-modernas, e realizar a auto-crítica quando for correto.
PELA UNIVERSIDADE POPULAR!
PELA AUTONOMIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL!
CONTRA OS PARASITAS ACADÊMICOS!
PELO DCE DE CONSELHOS!
TODA FORÇA A GREVE!
Em primeiro lugar que o medo da greve, o receio de perder o semestre, a ânsia pela volta das aulas, demonstram que nessas cabecinhas, o poder instituído é eterno e imutável, aos moldes da divinização do progresso e do formato de Estado presentes na Ideologia hegeliana e no positivismo. Isso dá um medo, um “frio na barriga”, que nada mais é do que a sensação de pecar, o medo da punição eterna e torturante do pai divino.
Em segundo lugar, que o discurso fascista típico do CCC e do maccarthismo se torna presente quando as forças progressistas não conseguem se apresentar como alternativa confiável para as bases. Isso dá algumas tarefas aos companheiros que estão tocando a greve pra frente.
Ora, o próprio Marx na questão judaica nos alerta para que não atropelemos a base para não perder de vista o apoio das bases e das massas, o que implicava num tom mais ameno para o trato com consciências medrosas e despolitizadas, que não conseguiam se desvincular da visão religiosa, metafísica, divinista, irreal e que contribui para a manutenção do status quo.
Isso de maneira nenhuma significa tolerância ao machismo, à homofobia, ao elitismo, e a formas fascistas de apreensão da realidade.
Nesse sentido, é necessário um trabalho de base forte para politizar as pautas, o que significa articulá-las com o REUNI e, consequentemente, com o modo de produção hegemônico globalmente, discutir seriamente as táticas e estratégias do movimento, buscar ampliar nosso apoio e adesão para conquistar as pautas discutidas e deliberadas democraticamente, através de um amplo processo, que passou pelas plenárias do comando de greve, pelas assembleias de curso, e pela assembleia geral dos estudantes.
Os estudantes que seguem defendendo com veemência a burocracia, seja por puxa-saquismo, medo, falta de análise de conjuntura, oportunismo, carreirismo, ou por ter uma visão política direitosa e estreita convicta, devem ser combatidos politicamente, pois claramente representam um entrave aos interesses da nossa categoria – deliberados coletivamente, como já exposto acima – e defendem aos interesses da burocracia acadêmica, que quer retomar a ordem sem atender as reivindicações. Logo, fica claro – sem maniqueísmo – que assumem o papel de inimigos políticos.
Portanto, é importante demonstrar que as formas instituídas como estrutura de poder da universidade não são naturais, e que devem ser contestadas para que a correlação de forças fique favorável à categoria mais representativa e progressista da comunidade acadêmica, os estudantes.
A luta pela universidade popular passa pela estrutura de poder da universidade – que deve ser descentralizada -; passa pela demanda da extensão, da pesquisa e do ensino – que deve ser ditada pelos interesses políticos, econômicos e culturais das massas trabalhadoras – ; passa pela forma de organização do movimento estudantil – que deve organizar o DCE em conselhos de campus que elejam seus delegados, etc.
Por isso, estudantes, não tenham medo do bicho, ele pode te pegar, ele pode te matar, mas juntos e organizados ele corre de nós. Vamos fortalecer o comando de greve, preenchê-lo politicamente da forma adequada, assumir as práticas da crítica retificadora das concepções errôneas, reacionárias e pós-modernas, e realizar a auto-crítica quando for correto.
PELA UNIVERSIDADE POPULAR!
PELA AUTONOMIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL!
CONTRA OS PARASITAS ACADÊMICOS!
PELO DCE DE CONSELHOS!
TODA FORÇA A GREVE!
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