quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nota de repúdio do Partido Comunista Paraguaio ao massacre de sem terras acontecido em Curuguaty


Camarada Ivan Pinheiro - secretário gral do PCB - com os camaradas do PCP


As balas atingem os pobres, enquanto a impunidade protege a oligarquia mafiosa.
É um fato lamentável e preocupante o massacre em Curuguaty que custou vidas de camponeses e policiais humildes, em luta pela recuperação de terras ilegais, roubadas do Estado por Blas Riquelme.
Em primeiro lugar queremos expressar nossos sentimentos de solidariedade e de pesar com as vítimas deste conflito e com seus familiares.
Exigimos uma investigação a fundo do ocorrido para castigar os culpados de crimes contra nosso povo.
É hora de terminar já com o sistema do latifúndio, da impunidade dos usurpadores e senhores de terras em nosso país, como Blas N. Riquelme e as transnacionais de soja, que fazem e desfazem o que querem na contramão das necessidades e reivindicações do povo.
Já basta de criminalizar as lutas sociais dos camponeses que lutam pela terra. Chega de impunidade para os responsáveis dos crimes contra nosso povo trabalhador, como os Favero e outros coletores, monopolizadores de terras estatais, cuja lista com e nome sobrenome, localização das propriedades ilegais e extensão dos espólios do Estado figura documentadamente no Tomo IV do Informe Final da Comissão da Verdade e Justiça.
Agora os ruralistas, que ameaçam com impeachment e tratoraços, assim como representantes e cúmplices “sabaneros”, querem desviar a atenção, transferir a responsabilidade do ocorrido, da morte de camponeses e policiais, ao Presidente Fernando Lugo e Carlos Filizzola, requentando o projeto golpista de impeachment.
Sem negar a enorme irresponsabilidade e negligência do Governo em prevenir esta situação, não nos prestaremos a um jogo político que signifique um regresso a um passado de signos autoritários, como propõem os parlamentares.
Os culpados desta crise sangrenta são os que negam princípios elementares de justiça como a reforma agrágia, mediante a recuperação das terras ilegais, a expropriação dos latifúndios improdutivos e a distribuição gratuita de terra aos camponeses trabalhadores e índios, os quais são os verdadeiros proprietários das terras, para que as façam produzir.
Com a democratização da propriedade da terra, entre outras medidas democráticas e populares, terminará a falta de trabalho, o empobrecimento e a fome de nosso povo.
Aqui faz falta uma intervenção maior. A Constituição Nacional, sobretudo no capítulo dos direitos humanos e garantias aos interesses da maioria dos paraguaios, estabelece claramente medidas para dar soluções de fundo, entre elas a convocatória a uma Assembleia Nacional Constituinte, para que crie uma nova Carta Magna que assegure a posse do Poder pelo povo, mediante eleições livres e limpas, sem as fraudes tradicionais das ditaduras e das oligarquias que usurpam o poder e as riquezas.
Responsabilizamos o Presidente e o Ministro do Interior pela integridade da vida das famílias camponesas, que estão sendo vítimas de uma vingança policial contra os camponeses, com uma prática claramente terrorista.
Esse evento trágico faz aumentar a lista dos que morreram na luta pela terra no Paraguai.
Mantemo-nos atentos e mobilizados, unidos e dispostos a lutar contra os conspiradores reacionários e seus planos para desestabilizar as possibilidades de progresso no processo de luta por mudanças aberto em 20 de abril de 2008.
É imperativo cumprir as promessas de mudanças democráticas, patrióticas e populares.
O essencial é ganhar as ruas, praças e estradas para defender e desenvolver os direitos do povo e manter sob controle os reacionários e conspiradores da contra-reforma e da contra-revolução, funcionários e sócios de interesses mesquinhos e de potências estrangeiras.
CESSEM IMEDIATAMENTE COM A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA SOCIAL!
POR UMA REFORMA AGRÁRIA INTEGRAL!
Partido Comunista Paraguaio
Assunção, 15 de junho de 2012
http://www.pcparaguay.org/

Prisões ilegais, tortura e repressão ao movimento operário de Jirau


Operários da obra de Jirau estão desaparecidos!
Governo Dilma\Lula\PT: fascismo e submissão a grande burguesia!

Desde o dia 4 de abril, há mais de dois meses, 7 operários da obra de Jirau, em Rondônia, estão desaparecidos!   Em 3 de abril os alojamentos dos operários do canteiro de obras de Jirau foram incendiados. Imediatamente o Consórcio Energia Sustentável Brasil, responsável pala obra, formado pela construtora Camargo Corrêa e a francesa Suez Energy acusou os operários de terem provocado o incêndio. A “gerente” federal do Estado brasileiro Dilma Roussef (PT), e o “gerente” estadual Confúcio Moura (PMDB) enviaram mais de 250 policiais, 113 da Força Nacional de Segurança, 80 PMs da COE e 60 policiais do serviço ordinário da PM, que ocuparam o canteiro de obras para reprimir a greve. Com escopetas e submetralhadoras, ocupam o canteiro de obras de Jirau e agindo como feitores, coagem os operários a aceitar calados  a “ordem” da exploração!

REPRESSÃO ASSASSINA OPERÁRIOS
Em 13/2/2012, o operário da Construtora Camargo Corrêa, Josivan França Sá, 24 anos, foi mortalmente atingido por um tiro disparado pela polícia nas proximidades do terminal de Jaci Paraná, em Porto Velho. Era início da madrugada e os operários aguardavam há horas o transporte para os alojamentos. A demora provocou insatisfação e os operários protestaram contra o desrespeito da construtora, quando a polícia foi chamada e os reprimiu violentamente.
O operário Francisco Lima, pedreiro, amazonense, morreu durante a incursão policial. Sua filha, Soraia, contestou a versão da polícia de que ele teria sido “vítima de um infarto”, pois apresentava diversos hematomas na região dos braços e pernas. Além disso, ainda existem casos de mortes nas obras por excesso de exploração.

AS PRISÕES E AS ARBITRARIEDADES CONTRA\OS OPERÁRIOS
Em 9 de abril,   a polícia civil iniciou a Operação Vulcano e prendeu operários qualificando os de “indivíduos baderneiros” que “atentaram contra a ordem pública’’.  Que “não respeitam a vontade da maioria em voltar ao trabalho, tampouco à lei e a ordem". O secretário da Presidência da República, Gilberto Carvalho, criminalizando os operários , cobrou punição para os grevistas. Mais de mil operários foram demitidos por “justa causa” ou forçados a pedir demissão.
Em seguida, 24 operários foram arbitrariamente encarcerados no presídio Urso Branco, em Porto Velho (presídio este condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, por repetidas violações dos direitos humanos). Depois de torturados e humilhados, foram jogados naquela masmorra, recebendo o mesmo tratamento dado aos que são considerados pelo Estado como criminosos da pior espécie. Tudo isso pelo crime de participação na greve por condições dignas de trabalho e melhores salários. Foram retirados algemados dos alojamentos ou pensões, sequestrados e mantidos por 2 dias sem alimentação. Estiveram em cárcere privado dentro do canteiro de obras de Jirau e depois levados para o presídio onde foram obrigados a dormir no frio chão de cimento e sem materiais de higiene e limpeza.
A visita de familiares foi restringida. O operário Julimilson Souza estava enfermo, sangrando pelo nariz e não teve acesso a qualquer tratamento médico, assim como os demais. Devido as péssimas condições carcerárias a que foram submetidos, todos esses trabalhadores estão ainda com diversos ferimentos espalhados pelo corpo, debilitados e deprimidos pela opressão.
OPERÁRIO TORTURADO
O operário Raimundo Braga, preso dentro da obra da Camargo Corrêa e espancado por horas pela polícia , foi obrigado a deixar tudo que tinha e foi levado algemado para o Urso Branco, onde, com outros, ficou dias nas piores condições.   A Camargo Corrêa, que tem todo o apoio do governo, queria que Raimundo e os outros assinassem a demissão por “justa causa”, dentro do presídio, o que, além de absurdo, é ilegal.

SETE O PERÁRIOS ESTÃO DESAPARECIDOS
Além de todas as prisões ilegais, torturas, espancamentos, ilegalidades e arbitrariedades cometidas contra os operários que lutam por seus direitos, dos 24 presos em Jirau, com prisão reconhecida pela “justiça”, SETE estão desaparecidos, desde a ação das forças de repressão. As famílias dos trabalhadores, advogados voluntários e entidades que defendem os direitos do povo buscam notícias e o paradeiro deles. No site YouTube foi postado um vídeo em que aparece um operário baleado e sem identificação. Denunciamos os gravíssimos fatos ocorridos e exigimos:

  • A imediata apresentação e libertação dos operários presos!
  • A imediata retirada das forças policiais de dentro das obras de Jirau!
  • O cumprimento imediato dos acordos trabalhistas firmados com os trabalhadores!
  • A investigação dos crimes contra os operários de Jirau e a punição dos responsáveis!

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo)
Defender o direito do povo defender os seus direitos!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Balanço do movimento de greve da UNIFESP


 
1.       O cenário nacional nas universidades federais é de profunda crise, as contradições das políticas do REUNI impulsionaram os docentes a deflagrar um movimento nacional de greve que conquistou unidade entre estudantes e agora técnicos administrativos, paralisando mais de 50 federais pelo país. Antes mesmo da greve dos docentes, o movimento estudantil já estava em luta em algumas universidades como UFSM, UFF, UFSJ, UNIFESP, demonstrando a combatividade dos estudantes em oposição à politicas de precarização e mercantilização do projeto educacional petista.

2.       O movimento estudantil na UNIFESP deliberou greve geral estudantil em todos os campi, contando inclusive com a adesão dos estudantes de medicina e Osasco, demonstrando a força do movimento de greve nas federais. A UJC tem atuado de forma incisiva no comando de greve do campus São Paulo, defendendo a sua composição formada pelas entidades de base; a paralisação de todas as atividades acadêmicas até o atendimento da pauta de reivindicação deliberada pela base estudantil; paridade nos conselhos deliberativos da UNIFESP e na congregação dos campi; contra a criminalização do movimento estudantil e a repressão policial na universidade.

3.       Os estudantes do campus Guarulhos estão em greve desde o dia 22 de março construindo um amplo e intenso processo de lutas que passou por vitórias e derrotas políticas. O movimento vem se formando com diversos problemas que devem ser identificados para que haja um alinhamento correto que o direcione à vitória decisiva.

4.        A UJC entende como vitórias do movimento: o ato do dia 20 de maio em frente à reitoria, recepcionado pela tropa de choque; a marcha das vadias, em oposição ao machismo; a participação do comando de greve de Guarulhos na marcha nacional pela educação em Brasília; a representatividade das assembleias de campus, com a participação em média de mil e quinhentas pessoas; a adesão de professores e técnicos administrativos, embora tenha acontecido depois da deliberação do ANDES e FASUBRA; duas ocupações, sendo a primeira apenas da diretoria acadêmica e a segunda de todo o campus, incluído o restaurante universitário – que foi gerido pelos estudantes por onze dias.  A primeira ocupação não teve a amplitude da segunda, inclusive não foi deliberada em assembleia geral, e não durou nem três dias. Ao contrário, a segunda foi deliberada pela base em assembleia geral, durou treze dias, trouxe discussões estratégicas para o movimento estudantil como a universidade popular; abriu espaços de inserção e participação da comunidade na universidade, com cineclubes e oficinas; trouxe visibilidade para o movimento – cobertura da imprensa, audiência publica na ALESP – o que pressionou a reitoria a participar de uma audiência publica no campus, e chamou a atenção do MEC para as condições precárias do campus.

5.       As derrotas sofridas pelo movimento foram duras e estão ligadas tanto a gestão da UNIFESP, quanto a equívocos do movimento. A reitoria e a diretoria acadêmica mostram aversão ao diálogo e se valem de diversas ferramentas de coerção para resolver a profunda crise institucional em que a UNIFESP está afundada. Na tentativa de barrar o movimento, o setor mais conservador dos professores, através da congregação, ameaçou os estudantes com pedidos de abertura de sindicâncias para punir os grevistas; a reitoria se valeu de uma intimação judicial que determinava o pagamento do valor de trinta mil reais por dia se o comando de greve de Guarulhos tomasse a atitude de ocupar a reitoria da Unifesp; para dar fim à segunda ocupação, a tropa de choque invadiu o campus e prendeu 46 estudantes; após o ato do dia 14 de junho a PM volta a entrar no campus e prende 26 estudantes, acusados de diversos crimes – esse caso tem a particularidade de escancarar a política repressora da gestão da UNIFESP e também as concepções errôneas do próprio movimento, que devem ser identificadas e retificadas.

6.       Essas concepções errôneas causam diversos problemas para o direcionamento adequado do movimento, começando pela composição do comando de greve, que nega qualquer tipo de representação ao se organizar exclusivamente em plenárias abertas, isso caracteriza um democratismo liberal e pequeno-burguês, que retira o dinamismo deliberativo do comando de greve. O movimento só tem a perder se for pautado em ações paralelistas e espontaneistas, que inconscientemente, ou não, fazem o jogo da direita e fortalecem a diretoria acadêmica, além de descolar o comando da base com suas concepções isoladas, apressadas e esquerdistas. Há também setores atrasados que têm como norteamento politicas conciliadoras e legalistas, tais são as concepções que a UJC terá que se opor no processo de greve em Guarulhos.


7.       A marcha pela educação em Brasília deu um passo importante na articulação do movimento nacional de greve: a formação do comando nacional. Mas, esse processo tem alguns problemas a serem identificados, o maior deles é a ausência de comandos de greve estaduais ligados ao nacional, o que acarreta no descolamento dessa ferramenta da base real das lutas nas universidades. Esse problema tem sua causa em concepções equivocadas de alguns setores do movimento estudantil.

8.       Nesse sentido, a UJC entende que o movimento de greve na UNIFESP deve se pautar em alguns eixos políticos:
                . Articulação entre os comandos de greve de campus através de um comando de greve intercampi;
                . Formação de um comando de estadual de greve, a fim de construir unidade de ação com outras federais em São Paulo;
                . Reformulação da composição do comando de greve em Guarulhos, com eleição de representantes em assembleias de curso;
                . Fortalecimento das entidades de base, a fim de construir organicidade do movimento para além da greve;
                . Resgate da pauta de reivindicações deliberada pela base como norte do movimento de greve;
                . “Fora Marcos Cézar!”, renuncia do diretor acadêmico de Guarulhos como contraposição as politicas repressoras de uso do aparato policial como forma de resolução para problemas políticos e pela paridade nos conselhos deliberativos da instituição e congregação do campus.
                

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os três porcos.



Eu estava sentado, sozinho, na frente de casa. Era final de julho, mas isso não importa. O mal-estar insistia sem parar. Acho até que era crônico. Tarde da noite, na minha boca um cigarro apagado, em minhas mãos uma caixa de fósforos. Ali onde eu estava soprava um vento fraco e chatíssimo que insistia em apagar os palitos que eu acendia, um por um. Uma tosse me atormentava a algumas semanas, cada vez mais frequente. A frequência era diretamente proporcional a intensidade, parecia até a porra de um cálculo de física.
Aproveitava a monotonia daquela madrugada para secar uma velha garrafa de cachaça da boa que tinha guardado. Depois disso, com certeza passaria mal, vomitaria, desmaiaria em algum canto inapropriado da casa, como a cozinha, ou ao lado da privada, se não na rua mesmo.
Enfim, é por ali que se aproxima uma viatura da força tática com três porcos. Passam bem devagar, com os faróis apagados e a cabeça dos dois que não dirigem pra fora, um na esquerda do banco de trás e o outro na direita do banco da frente. Eles estão procurando motivo pra arrastar com alguém, pra dar um choque, como diziam. Eles já estavam calibrados. Tinham dado alguns tiros depois de descolar uma branca num esquema certo que tinham feito numa biqueira pertinho dali.
Não demora veem um cara sentado na calçada com uma garrafa do seu lado, dão uma encarada bem dada e veem seus lábios dizerem, logo depois da viatura passar: “perdeu o cu na minha cara, coxinha viado do caralho”. Um vira para o outro rapidamente e diz:
                               - você viu isso?
                               - Lógico.
                               - Que cusão, cara!
       - Vamos voltar, ou vai deixar quieta essa porra?
                           - Não, ele tá tirando, vamos voltar lá e trocar uma ideia com
                                  aquele arrombado.

A viatura para e dá a ré, um dos porcos me pergunta:
                                - O que é que você disse aí?
                                - Nada.
                                - Nada?
                                - Não falei nada, não!
                               - Como não falou? Eu ouvi malandro, como que você fala que        não disse nada, hein? Seu bosta, você chamou nós três aqui de coxinha.

Eu me levanto e quase caio, balbucio, não falo, devido ao efeito da cachaça de boa qualidade que eu saboreava naquele momento, mas também por causa do medo e nervoso que eu sentia.

                                - O que que você tá falando aí?
 não estou entendendo porra nenhuma. Esse porra tá chapado,
                                    tá muito louco.

É nessa hora que os três saem da viatura e me cercam, sinto logo um soco na minha têmpora esquerda, me tonteia e eu caio. Olho pra cima e vejo os três porcos me olhando, em embaixo humilhado e eles três rindo de mim. Um deles me levanta bruscamente e começa a realizar o procedimento de um enquadro.

- Encosta na parede, Afasta as pernas
                                       mais um pouco, vai caralho!

Aí ele chuta uma das minhas pernas para afastar da outra. Me revista, me bate, me pergunta o número do meu RG, me pergunta se tenho passagem, me pergunta onde morava. Digo para ele cada número do meu RG, respondo que tenho uma passagem por desordem pública e que morava na casa cuja calçada eu fui abordado.
É justamente no fim dessa revista que um dos porcos me surpreende com 9 pinos de cocaína em sua mão estendida, dizendo que tinha encontrado no meu bolso. Fodeu, eles iriam tentar me forjar um doze, diriam que eu estava passando na frente da minha casa, só pra clientela autorizada, mas que embriagado acabei desacatando a autoridade dos porcos e caí, descoberto pelos honrosos suínos.
Aqueles 9 pinos eram parte dos 45 que eles descolaram no tal esquema certo, uma parte que valeria a pena perder para curtir a brisa surrando, ameaçando, humilhando e prendendo um otário que quis tirar com eles e se fodeu.
Um deles me pergunta quem morava comigo, respondo que era meu pai, minha mãe e minha irmã. Um deles bate palmas e me pergunta o nome do meu pai, respondo.
Ele sai logo em seguida, de pijama e um pouquinho alto da caninha que tomara a pouco no bar.
           - Senhor, eu gostaria de lhe dar a triste notícia
             que seu filho está aqui fora, bêbado, desrespeitando
             os cidadãos que trafegam pela redondeza, inclusive
             xingou agente, que tava passando por aqui, agente
             revistou ele e encontrou uma quantidade de entorpecente
que é enquadrada como tráfico, então nós vamos ter que prendê-lo.

Meu pai escutava tudo aquilo e me fitava com um olhar tão castrador quanto o da minha infância, mas ao mesmo tempo era castrado. Eu olhava para o ranger de dentes do porco e o seu nariz que deixava um líquido escorrer enquanto falava com meu pai, seu olhar era sádico, e seus olhos arregalados, suas pupilas dilatadas, seus movimentos e seu falar agressivos e acelerados.
Tudo isso expandiu meu mal-estar, trouxe à tona tantas memórias, meu superego praticamente não existia, meu pai, os porcos, a cadeia, a farsa, a cachaça de ótima qualidade que eu tomava. De súbito agarrei a 38 que estava meio solta no coldre do porco e tomei-lhe a arma, não titubeei, pensei duas vezes ou vacilei, mas sim disparei três vezes, três tiros em cada cabeça de porco. Um feito incrível dada minha embriaguez.
Pronto, a merda estava feita e na frente da minha casa tinham três corpos de porcos jogados e sem vida. Minha primeira reação foi soltar a arma no chão, gritar e chorar dizendo que não tinha feito nada, que eles queriam forjar um flagrante e que tinha feito aquilo por reflexo. Meu pai calmamente responde:

- nós tem que dar um fim nesses porra. Vamos
queimar porco, viatura e o caralho a quatro.
 - E depois, porra. Eu matei três porcos na frente
                               de casa.
                             - Cala a boca e joga eles no banco de trás.

E lá estavam eles, três porcos amontoados, um em cima do outro, gelados pedaços de carne suína. Eu iria desová-los, como eles fizeram com tanto moleque cheirador de cola dormindo nas quebradas e batendo carteira à noite. Matavam por vício e diversão, sumiam com o corpo e foda-se. Agora eles tinham que sumir, e logo.
A chave da viatura estava no contato – que sorte da porra – disse o velho. Eu entrei no carro e subi os vidros, meu pai também. Torcíamos pra não ter nenhum problema que nos denunciasse, e não teve.
Chegamos a um terrenão baldio num canto abandonado e apodrecido da cidade, eu só pensava em ligar pra minha mãe e minha irmã. Meu pai fazia um esquema com uma mangueira e uma garrafa PET e tirava a gasolina da própria viatura, enchendo a garrafa até a boca, ele espalha por toda superfície do carro, encharca os porcos e o interior do carro. Enquanto isso, acendo um cigarro com um bom isqueiro que eu achei no bolso do porco que tinha me dado o soco na têmpora, arremesso o cigarro no carro, ainda pela metade pois não me aguentava de ansiedade pra ver o que vi.
A viatura queimava, o fogo ia alto, a cor era linda, o calor era aconchegante. A imagem dos porcos ali dentro queimando e derretendo me dava uma sensação de glória, vitória, desprezo, remorso, medo, incerteza e insegurança. Eu só pensava em ligar pra minha mãe e minha irmã.
Saímos de lá, buscamos a caranga velha do meu pai, acendi um cigarro, liguei o rádio, pus uma fita K7 antiga, esperei o velho chegar e ligar a caranga. Nunca liguei pra minha mãe e minha irmã, nunca mais voltei pra casa.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

COMITÊ CENTRAL DO PCB DECIDE PRIORIZAR A CONSTRUÇÃO DE SUA CORRENTE UNIDADE CLASSISTA


imagem
(Nota Política do PCB)
O Comitê Central do PCB, reunido em São Paulo, considerando a necessidade de priorizar a construção de nossa corrente sindical UNIDADE CLASSISTA e de poder contribuir de forma mais efetiva para a recomposição do campo político da Intersindical e sua ampliação com as demais forças do sindicalismo classista, resolve:
- formalizar, institucionalizar e fortalecer nossa corrente sindical Unidade Classista;
- tornar a Unidade Classista independente em relação a qualquer articulação intersindical hoje existente;
- tratar as duas atuais Intersindicais como parceiras nas mesmas condições, sem vínculos orgânicos com qualquer delas, interagindo também com outras correntes classistas com vistas à unidade de ação;
- para formalizar a decisão de priorizar a Unidade Classista e torná-la independente, uma delegação do CC do PCB teve hoje um encontro com a direção da Intersindical de que vínhamos participando para comunicar a decisão de se afastar organicamente da entidade, mas de manter nossas relações tanto no campo da unidade de ação como na unidade do movimento sindical classista;
São Paulo, 10 de junho de 2012
Comitê Central do PCB


domingo, 10 de junho de 2012

Fascismo ameaça dirigente comunista em Colômbia: “Los Urabeños” ordenam o assassinato de Carlos Lozano, diretor de VOZ




imagemCrédito: Pacocol
5 de junho de 2012 | 04:06 AM. | Notícias
Comunicado de Imprensa
Segunda-feira, 4 de junho, recebi, por fonte digna de todo crédito, a informação de que o grupo narcoparamilitar “Los Urabeños”, pertencente a “Don Mario”, ordenou o meu assassinato. Para executar este ato criminoso, contrataram um grupo de matadores profissionais, cujos integrantes estão presentes em diversas localidades de Bogotá, tendo recebido US$200 mil e a ordem de fazê-lo o quanto antes.
Não tenho dúvida de que esta grave denúncia está relacionada à onda de coerções e intimidações provenientes da ultradireita e dos inimigos da paz. A elas inclui-se a ameaça revelada há poucos dias pela ex-senadora Piedad Córdoba, dirigente de “Colombianas e Colombianos pela Paz”. Infelizmente, tais atos desesperados do terrorismo narcoparamilitar são estimulados pelas declarações viscerais dos altos funcionários do Governo e membros da cúpula militar, que acusam a Marcha Patriótica de ser agente da subversão e aliada das FARC.
Espero que o Governo Nacional se atente a essas denúncias. O caminho mais aconselhável é o de fortalecer a democracia, oferecer garantias aos opositores e aos críticos do regime, possuidores de todo o direito de buscar mudanças e transformações progressistas para o país.
Além disso, preciso advertir aos criminosos que ordenaram meu assassinato que as ameaças não me intimidam. Eles não poderão silenciar-me. Nós permaneceremos firmes ao lado dos colombianos e das colombianas que anseiam um amanhã melhor para nossa pátria.
Carlos A. Lozano Guillén
Diretor de VOZ
Bogotá, junho de 2012
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Toda solidariedade aos estudantes da Unifesp



A Comissão Política Regional do PCB (CPR-SP) de São Paulo manifesta a sua mais irrestrita solidariedade aos estudantes da Universidade Federal de São Paulo presos ontem (dia 6 de junho) no campus da Unifesp de Guarulhos. Os estudantes estão em greve desde o dia 22 de março e  ficaram 11 dias ocupando a diretoria acadêmica do Campus e o Restaurante Universitário. Suas reivindicações passam pela construção do prédio central da universidade, a moradia estudantil, alimentação e transporte de qualidade, além do fim dos processos contra 48 estudantes que ocuparam a reitoria da Unifesp em 2007 e 2008.
No final da tarde de ontem tropas de choque da polícia militar, acompanhadas de agentes da Polícia Federal, invadiram o campus da Unifesp de Guarulhos, desalojaram os estudantes,  prenderam 46 universitários e os levaram para a Polícia Federal em São Paulo, na região da Lapa. Trata-se de mais uma truculência da reitoria da Universidade e das forças do governo em São Paulo, a exemplo do que ocorreu na USP, em Pinheirinho e na Cracolândia, no sentido de criminalizar os movimentos sociais e impor a violência como forma de resolver os problemas políticos da universidade e mascarar sua incompetência administrativa. Um exemplo desta tendência foi o uso do ônibus contratado pela Unifesp - que seria para transporte diário para o Campus - para levar os estudantes presos em bloco.
Tão logo tomou conhecimento do ocorrido, a CPR-SP descolou vários companheiros do PCB e da UJC para a sede da Polícia Federal, além de advogados, no sentido de prestarem solidariedade ativa aos companheiros detidos. Esses companheiros ficaram na sede da Polícia Federal até a saída do último estudante preso, às oito horas da manhã de hoje (dia 7). 
A UJC e o PCB continuará na linha de frente da luta da Unifesp, que se iniciou em março, mas que está agora fazendo parte de uma greve nacional da educação que abarca todas as categorias das universidades federais.
Pelo fim da criminalização dos movimentos sociais!
Construir a greve geral em toda Federal!
Ousar lutar, ousar vencer!

Comissão Regional do PCB-SP


Vídeo do momento em que os estudantes foram levados presos no ônibus da instituição.





O movimento se dedicará a derrubar o diretor acadêmico de Guarulhos, Marcos Cezar. Repressor e incompetente.

sábado, 2 de junho de 2012

Nazi-sionismo se expressa violentamente no Estado assassino fascista de Israel


Africanos violentamente atacados em Tel Aviv
Violação dos Direitos Humanos e Fascismo: Os judeus de Israel imitam Hitler manifestando-se contra imigrantes humildes. – Milhares de israelenses, entre eles políticos de alto nível, assistiram a uma manifestação contra os africanos indigentes em Tel Aviv. A proposta tornou-se violenta, incluindo golpes brutais aos africanos pobres e quebra de janelas de lojas de alimentos africanas. A cruel manifestação, que aconteceu em Hatikva, bairro norte de Tel Aviv, desprezou os direitos humanos dos africanos que solicitam asilo, e foi organizada por Michael Ben Ari, um membro do Knesset (parlamento de Israel), e do partido União Nacional, que se uniu aos ativistas repressores de extrema direita Itamar Ben-Guir e Baruch Marzel. O próprio povo de Israel pediu ao governo, e a Benjamin Netanyahu, para não tomarem medidas contra os africanos.
Soldado israelense pisa em criança Palestina

Carro de imigrante africano tem suas janelas quebradas em Tel Aviv
Sem nenhum tipo de escrúpulos, políticos do partido governante e membros do Knesset – Regev, Miri e Danny Danon - participaram da violenta manifestação. Regev, inclusive, chamou os indigentes africanos de “câncer de nosso corpo”, e disse que os “infiltrados” deveriam ser imediatamente expulsos de Israel.
“Agora não é hora de temer a utilização das palavras ‘expulsão já’”, sentenciou Danon, enquanto os africanos eram golpeados com chutes, no chão.
A multidão levou cartazes dizendo: “Aqui não é a África” e “Deixem de falar, comecem a expulsar”.
Comportando-se da mesma maneira que Benito Mussolini, Adolf Hitler e Ku Klux Klan, os judeus cegaram-se de ódio ao anoitecer e atacaram violentamente, com paus e armas, mais de 12 homens e mulheres africanos, que desgraçadamente estavam perto do local. Os israelenses também destruíram as janelas das lojas de alimentos onde trabalham os imigrantes e, posteriormente, as saquearam.
Imigrantes africanos sofrem com as contradições do Estado capitalista e nazi-sionista de Israel
e dormem ao relento em parque de Tel Aviv
Como se fosse pouco, quebraram a janela de um taxi conduzido por um suposto trabalhador imigrante africano e fizeram uma fogueira no meio da rua.
O ódio dos judeus que participaram da manifestação reflete um aumento dramático na impunidade com que Israel é tratado pelo mundo. A injustificada intolerância contra os trabalhadores humildes africanos, que tão somente pedem asilo, foi incentivada por funcionários públicos que ocupam os mais altos escalões do poder e que participaram da violência.
Durante o domingo, o Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu disse a seus subordinados que o fenômeno de “infiltrados ilegais trabalhando” é “muito grave” e que “ameaça o tecido da sociedade”, “a segurança nacional de Israel e a identidade nacional”. Também advertiu que, se não tomarem medidas, os “sujos” imigrantes poderiam “inundar” o país e “anular a imagem do Estado judeu democrático”. Estas palavras foram efusivamente apoiadas pelo ministro do Interior, Eli Yishai, que pediu a deportação dos solicitantes de asilo.
Camila Daitch (judia anti-sionista)
BWN Argentina

Com sorriso no rosto

                                                                      (Artista desconhecido)

Com sorriso no rosto ja cansado,
busca da fila do onibus lotado,um não atraso.
Porque chegando atrasado,
o patrao disse que vai o matar,
a cada dia que passa tenta não chegar.

No almoço a comida desce com desgosto,
 sabendo que falta pouco  o sino solar para te reclamar.

Volta para casa com onibus lotado,
um cheiro de bosta ,
que mistuta a mistura, do cheiro de foça,
que outro encosta e encosta a parte da costas,
costa com costa não tendo lugar.

Com sorriso no rosto,
dorme sentado,
acorda deitado,
chora adoidado sonhando querer não acordar.
      (LORETO,Thiago;28/03/2012)

Justiça nega pedido de reintegração de posse, CRISE institucional declarada!


Matéria do blog da Greve na Unifesp Guarulhos
A justiça negou hoje, 01 de junho de 2012, o pedido de reintegração de posse emitido pela reitoria. A alegação da justiça é que o descaso das instâncias administrativas são as responsáveis pela situação do campus e que a reintegração de posse nesse momento não é a solução dos problemas.
Diante disso, a crise institucional está escancarada. E A OCUPAÇÃO PERSISTE COM FORÇA TOTAL.

leia a nota oficial na integra Continue lendo

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Prefeito Almeida continua com sua política intransigente de capacho da especulação imobiliária


Cerca de 40 policiais militares, unidade do Samu, técnicos da Bandeirante energia, Saae, além de integrantes da tropa de choque da Polícia Militar estavam a postos na manhã de ontem para reintegrarem uma área na região de Cumbica, por volta das 8h. Máquinas retro escavadeiras estavam prontas para derrubar as casas quando uma liminar na Justiça conseguida pelos advogados e os próprios moradores suspendeu a ação.
"A oficial de Justiça estava com a ordem de reintegração e já estava mandando cumprir a ordem quando chegou a liminar. Não sei quanto tempo mais ficaremos aqui, mas enquanto for possível vamos ficar", disse um dos moradores do local, Edmilson Lins.
A área particular está ocupada há 18 anos e tem uma população de aproximadamente 300 pessoas. "São mais de 32 famílias que serão retiradas daqui. Estamos conversando com elas há três meses. Elas sabem que uma hora ou outra terão de sair definitivamente. Infelizmente cumprimos ordens", disse o tenente coronel responsável pela área. A polícia cumpre o papel de braço armado do Estado, que nada mais é do que um comitê para gerenciar os negócios da burguesia
Essa política demonstra, mais uma vez, que a prefeitura do PT em Guarulhos está mais preocupada com os interesses da especulação imobiliária do que com a garantia de moradia para os trabalhadores da cidade.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Moção de apoio à ocupação do Campus Guarulhos e repúdio à criminalização do ME.



Os estudantes da Unifesp, reunidos em Assembleia de todos os campi no dia 31 de maio de 2012, declaramos apoio total e irrestrito à ocupação do Campus Guarulhos da Unifesp.
Essa ocupação escancara as contradições que surgem com o projeto mercadológico do governo federal, o REUNI. Um projeto que dá primazia às demandas do mercado, do Capital, precarizando e sucateando a educação pública.
O movimento, em Guarulhos, se valeu de todos os métodos institucionais de diálogo, mas a reitoria e a diretoria acadêmica foram intransigentes e se negaram a negociar, além de usar de ameaças e sindicâncias como praxe – isso fica claro na questão dos 48 estudantes processados.
Assim, se fez necessária a ocupação do Campus, incluído aí o Restaurante Universitário. A reitoria diante dessa situação manteve sua postura de criminalização e perseguição dos estudantes em luta.
A Universidade é antidemocrática, desde a sua postura  diante de movimentos reivindicatórios , até aos seus conselhos de representação, como o CONSU, que mantém a lógica dos 70% de representatividade para professores e 30% divididos igualmente entre estudantes e técnico-administrativos.
Essa Assembleia, portanto, declara seu apoio à luta em Guarulhos; declara também repúdio à intransigência e à criminalização do movimento estudantil, como forma de mascarar a incompetência administrativa dos burocratas da Unifesp.

Todo apoio às lutas da Unifesp!
Repúdio à criminalização dos movimentos sociais!
Estudante não é criminoso!

Assembleia Geral Intercampi aprova articulação dos estudantes de todos os Campi e de universidade Federais de todo Brasil

Em Assembleia Geral, os estudantes da Unifesp aprovaram indicativo e Greve Geral, sendo que já são 4 campi paralisados dos 6 existentes. Os estudantes pretendem unificar as lutas contra o REUNI, contra a precarização da educação pública, contra a criminalização dos movimentos sociais.
Assim, ficaram aprovados um comando de greve estadual, que articule todos os campi da Unifesp e, inclusive, outras federais que estejam paralisadas; a participação no comando de greve nacional das federais em greve; a participação no ato nacional em Brasília dia 5 de junho; além de uma moção de apoio à ocupação do Campus Guarulhos e de repúdio à criminalização do movimento estudantil.

Abrem-se perspectivas de avançar na luta e construir uma forte unidade, inclusive com a categoria dos professores, afim de contrapor fortemente a política precarizadora e mercadológica do REUNI, e vencer as políticas repressivas que a reitoria e a diretoria acadêmica de Guarulhos vem empregando no trato com o ME.

Jornal Água verde acerca da morte de Bin Laden


A verdade sobre a morte de Bin Laden finalmente apareceu

As ações cinematográficas – e mentirosas – do imperialismo norte-americano não sobreviveram mais que alguns meses. Finalmente acaba de ser revelada a verdade sobre a morte de Bin Laden, o saudita que se transformou em inimigo público número 1 dos EUA, embora no passado a Al Qaeda tenha sido financiada e recebido armamento dos norte-americanos.
As mentiras de Obama e CIA sobre a morte de Bin Laden estavam cheias de lacunas, entre elas a falta de fotografias ou filmagens que comprovassem a ação dos norte-americanos violando o espaço aéreo e a soberania do Paquistão. A falta de provas sempre levantou suspeitas sobre a verdade dos fatos.
O líder da Al Qaeda morreu de causas naturais na Chechênia, cinco anos antes dos EUA anunciarem que o haviam assassinado para melhorar a imagem de Obama na atual campanha presidencial nos EUA. A revelação partiu de um ex-agente da CIA na Chechênia, Bekan Yashar, durante entrevista ao Canal Um da Rússia na semana passada.
Ele confirmou que conheceu pessoalmente três guarda-costas de Bin Laden na Chechênia, que o protegeram até sua morte, e foram testemunhas de seu falecimento em 26 de junho de 2006.
“Inclusive se todo o mundo acredita na versão norte-americana, eu não posso acreditar, porque conheço pessoalmente os chechenos que o protegiam, são eles: Sami, Mahmood e Ayub, e o acompanharam até o final de sua vida” O ex-agente da CIA detalhou que “somente esses três chechenos, seguindo sua última vontade, o enterraram nas montanhas fronteiriças entre Paquistão e Afeganistão”.
Yashar disse que a CIA sequestrou um dos quarda-costas de Bin Laden, Sami, e o torturou para que revelasse o local onde estava sepultado o ex-chefe da Al Qaeda. “Não houve nenhum assalto à residência de Bin Laden por militares. Eles apenas encontraram a tumba, desenterraram Bin Laden e, na impossibilidade de apresentar fotografias do corpo em avançado estado de decomposição – o que seria revelado por peritos -, montaram uma farsa e apresentaram à opinião pública mundial como uma grande vitória”, afirmou.
Segundo o governo dos EUA, forças norte-americanas realizaram uma operação bem sucedida em 2 de maio de 2011 para capturar e assassinar Bin Laden em sua residência em Abottabad, no Paquistão

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Manifesto dos estudantes da Unifesp aos moradores do bairro dos Pimentas



Nós, estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estamos em greve há quase setenta dias e, mais recentemente, ocupamos a diretoria de nossa faculdade. Estamos lutando por melhores condições de ensino, pois a universidade não possui um prédio para abrigar todos os alunos e tem instalações precárias. A biblioteca, por exemplo, não comporta os livros que foram comprados pela instituição.
O problema que vivenciamos não é algo isolado. A situação de calamidade das instituições de ensino superior não se diferencia das escolas públicas, onde faltam condições mínimas para que as atividades sejam realizadas. Pior do que isso, este estado de coisas é o reflexo na educação pública de uma política dos diferentes governos, sejam os governos locais ou federal, que agem em defesa de um pequeno grupo de exploradores que ganham dinheiro à custa da exploração da população.
Além disso, na Unifesp há uma política ineficiente para ajudar os estudantes a se manterem na universidade. O que acarreta na desistência de uma parcela significativa de alunos e quem mais sofre com isso são os estudantes mais pobres. Justamente aqueles que mais têm dificuldade de entrar na universidade, uma vez que o vestibular funciona como um mecanismo de elitização do ensino superior público.  
Nós, neste sentido, não lutamos apenas por melhores condições de ensino para os que já estão dentro da universidade.  Lutamos, entre outras coisas, para que a universidade seja aberta a toda população. Foi por este motivo que surgiu a ideia da Universidade Popular do Pimentas. Uma universidade gerida pelos próprios estudantes em aliança com os trabalhadores e a comunidade local.
Desta forma, a universidade passaria a cumprir sua verdadeira função social, ou seja, ajudaria a difundir o conhecimento e servir para desenvolver o País. Algo que ela não cumpre atualmente, seja porque atende os interesses de grandes empresários e banqueiros ou por excluir a população das mais diferentes formas.
Ao lutar contra a política do governo e dos empresários para o ensino, os estudantes se unem a classe operária e têm como objetivo colocar a universidade a serviço da luta pelo fim da exploração. Tudo seria transformado nesta nova universidade: do conteúdo ensinado à relação com os moradores do bairro, que passariam a poder frequentar e, mais do que isso, a estudar na Unifesp, renomeada como Universidade Popular dos Pimentas. Este é o nosso objetivo e chamamos todos os moradores do bairro dos Pimentas a conhecer e tomar parte deste movimento que estamos realizando.

Todos à Assembleia Geral Intercampi

Diário da ocupação da Unifesp - atual universidade Popular dos Pimentas


UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO: Estudantes ocupam a universidade e abrem à comunidade em protesto a péssima qualidade da educação superior no Brasil.



Durante o dia 27 de maio de 2012 foram realizadas diversas atividades no campus OCUPADO pelos alunos e aberto a comunidade. Rolou atividades infantis para crianças da comunidade (pintura no rosto, brincadeiras, oficinas de brinquedos, jogos), reconstrução do espaço Marighella (agora no pátio) e abertura do restaurante universitário Solano Trindade com refeição para todos.
Na Ocupação do Bandejão (Restaurante Popular Solano Trindade), uma surpresa: precarização, fruto das terceirizações do REUNI.