quarta-feira, 21 de novembro de 2012

FARC-EP: uma história das lutas sociais do povo colombiano



Entrevista concedida pelo comandante da FARC-EP, Iván Márquez, ao Semanário Voz.
Por  Semanário VOZ
2012-11-16-abpnoticias-semanário VOZ
É evidente a discrepância de posições entre o Governo Nacional e as FARC-EP sobre a flexibilização ou não da agenda, como apontado na Reflexão I. Até onde é flexível a agenda do ponto de vista das FARC-EP, no que se refere às questões por ela levantadas?
- O problema não está em se a agenda é flexível ou não. Ela contém o essencial para iniciar um processo de diálogo que aborde os problemas fundamentais do país. No entanto, de nosso ponto de vista, é importante garantir espaços para que a participação popular estabeleça os rumos definitivos desta agenda. Pensamos que a estreiteza não está no Acordo Geral de Havana, mas na visão que o governo possui sobre as causas e consequências do confronto. É um absurdo que, por exemplo, a institucionalidade insista em negar a possibilidade de discutir as políticas neoliberais que hoje aprofundam o conflito social na Colômbia.
-Existem contradições quanto ao tempo. O governo considera até sete meses e ameaça levantar-se da mesa porque diz não ser refém do processo. Qual o tempo necessário para as FARC-EP?
- O documento acordado pelas partes em Havana diz textualmente: “Acordamos iniciar as conversações diretas e initerruptas sobre os pontos da agenda aqui estabelecida”. Em outro de seus pontos, indica que existe um compromisso de “concluir o trabalhos sobre as questões da agenda de maneira rápida e no menor tempo possível”. Em nenhum momento se fala de tempos específicos. Podem ser mais ou menos de sete meses. Isso dependerá da dinâmica que a participação popular, que é o principal, imprima no processo. Torcemos para que as soluções sejam encontradas de forma ágil, mas, caso contrário, ninguém deve se sentir refém de um assunto tão transcendental como este para a paz na Colômbia. É muito melhor empenhar-se, sem contradições, em um esforço de paz, que fazê-lo em função da guerra, como parece ser o caminho decidido pelo governo para ser tomado. Se, para o governo, é impossível colocar fim à sua visão militarista, que nega à população um lapso de sossego em seus padecimentos, deve ao menos acordar com as FARC normas mínimas de regularização da guerra, por razões de humanidade. Francamente, o ideal seria que nenhuma das partes se levante e nem apresentem ameaças ao funcionamento da mesa, que é um espaço em que o povo colombiano pôs toda sua fé.  Só por esse fato merece todo o máximo empenho.
O ponto de chegada
-Paz com democracia e justiça social: o que significa este ponto na chegada do final do conflito?
- Esse é o genuíno sentido do fim do conflito e não a capitulação, como pretendem alguns. É óbvio que, se as causas da miséria, da desigualdade e da exclusão política de que padecem as maiorias nacionais fossem superadas, o uso das armas não teria razão de existir. Seria ilusão pretender que a resistência ao terrorismo de Estado pudesse ser desarmada com base em promessas.
- Como fazer para que a mesa de diálogo gere confiança entre os trabalhadores e o povo? O governo diz querer a paz, mas continua promovendo “pacotes” antipopulares, como a reforma tributária e a nova reforma previdenciária, entre outras, permanecendo a violação dos direitos humanos. No marco do modelo de acumulação capitalista vigente, o que é considerado imóvel ou intocável?
- Efetivamente, o governo, ao mesmo tempo em que, de forma mesquinha, fala de paz e coloca obstáculo e restrições ao necessário protagonismo do movimento popular na mesa, eleva o pressuposto militar, acelera sua máquina bélica, aprova um pacto de leis que esmagam qualquer possibilidade de melhorar as condições de existência dos colombianos. As medidas econômicas que apontam para a consolidação da política neoliberal são um verdadeiro decreto de guerra contra o país. Existe muita inconformidade por parte da população com a política neoliberal, como se pode observar nos imensos protestos estudantis contra o projeto de reforma da Lei 30, que visa privatizar ainda mais a educação. E este é apenas um exemplo, já que o objetivo maior é fazer de todos os serviços públicos um negócio para as transnacionais e os setores apátridas das elites colombianas. Acabamos de assistir, em meados de outubro, a uma grande jornada de protesto nacional contra a dinâmica de privatizações e abusos do poder, que complementam a entrega sistemática do nosso território nacional para que as transnacionais desenvolvam seus projetos extrativistas.
- Muito se especula sobre as divisões e rupturas nas FARC. Até onde a coesão em torno da decisão de adiantar este processo de solução política dialogada do conflito é total?
- Essas especulações são uma constante na programação das táticas e da estratégia contrainsurgente da inteligência militar. Assim, não nos surpreendem. O fato é que o conjunto dos combatentes e comandos das FARC-EP, como todo o espectro da militância clandestina no seio do PC3, das milícias e do Movimento Bolivariano, está em total acordo com o início e a defesa de um processo de diálogo em função da justiça social e da reconciliação dos colombianos.
Chegam otimistas
- Como você se sente diante do 15 de novembro? Otimista? Pessimista? Entusiasmado? O que espera deste diálogo difícil e complexo?
- O conjunto da organização tem um profundo otimismo quanto ao bom curso que deve pautar este novo empreendimento de paz para a Colômbia. Esperamos, com muita firmeza, que desta vez o governo não busque desculpas para levantar-se da mesa. O certo é que, em meio à confrontação, por mais delicadas que sejam as situações apresentadas, o objetivo de estabelecer a justiça social, como chave do término do conflito, deve ser entendido como um imperativo acima de qualquer interesse particular ou das partes. O que deve primar é o imenso desejo que existe no povo colombiano em obter a paz estável e duradoura.
- Uma das Reflexões faz um questionamento sobre os grandes meios de comunicação que cobrem o diálogo. O que vocês esperam da imprensa, sobretudo da “grande imprensa”, que conta com recursos de fazer a cobertura ao vivo e direta, enquanto a imprensa alternativa o faz com enormes esforços e em desvantagem, por conta das dificuldades e da falta de apoio estatal?
- De todos os meios esperamos equilíbrio, veracidade, imparcialidade, sensatez, que informem e não que desinformem, que orientem e não que manipulem, que vislumbrem o conjunto da sociedade e não o benefício dos donos da mídia. Infelizmente, é muito difícil que os grandes meios deixem de responder aos interesses daqueles que o financiam. Vejamos o simples exemplo do que ocorreu com o jornalista Daniel Pardo. Ele foi demitido da Kien&ke por ter adotado uma posição crítica contra a publicidade feita pelas reportagens a favor da transnacional petroleira Pacific Rubiales. Em solidariedade, a diretora desse meio de comunicação, María Elvira Bonilla, renunciou ao cargo. Alguém disse por aí que os comunicadores empresários são os empresários comunicadores. Isso significa que se dedicam a lavar com publicidade a face imunda dessas transnacionais que saqueiam as riquezas naturais do país. Existe um cordão umbilical entre as empresas mineiro-energética e a grande mídia, que os comprometem indissoluvelmente. Basta observar como Francisco Solé, que era vice-presidente da casa editorial El Tiempo, agora é membro da junta dirigente da Pacific Rubiales, e que nessa mesma junta está incluído o ex-ministro das Minas, Hernán Martínez. Também, entre muitos outros, está o caso María Consuelo Araújo que, depois de ser Chanceler do governo de Uribe, passou à presidência da transnacional Gran Colombia Gold. Hoje existe no país uma discussão sobre esta miscelânea indecente de interesses, que se traduzem em atos de traição à pátria. Por isso, sem dúvidas, mídias como VOZ e todo o espectro dos meios alternativos estão convocados a serem os porta-vozes da consciência nacional, de forma unificada, para que, como uma só força, possam fazer o contrapeso patriótico necessário contra esses juízes tiranos convertidos em carrascos, que se congregam na grande imprensa colombiana. Especialmente neste processo de paz, os meios alternativos devem jogar papel fundamental, abrindo o espaço, antes de tudo, para a participação popular.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Basta de crimes contra os palestinos



imagemSTP
A Comissão Política Nacional do PCB vem a público condenar a nova onda de agressão contra o povo palestino na Faixa de Gaza, cujo resultado tem sido a morte de mulheres, crianças e civis na Faixa de Gaza. Trata-se de mais uma demonstração do terrorismo de Estado de Israel, mas, ao mesmo tempo, significa a tentativa de generalizar a guerra na região para favorecer os interesses do imperialismo norte-americano. O povo palestino, mais uma vez, é vítima do sionismo que quer literalmente exterminá-lo, como vem fazendo há várias décadas, mediante a tomada de casas, vilas, bairros, fontes de água e plantações, visando se apoderar de todo o território.
Diante deste novo massacre, o PCB conclama todas as forças progressitas do mundo a cerrar fileiras na denúncia dessa ação criminosa e ampliar as manifestações em todos os países para deter essa agressão brutal. O mundo não pode se calar diante dessa barbaridade e desse genocídio.
Além disso, o PCB exige do governo brasileiro a interrupção da cooperação militar e econômica com o governo de Israel, para que o Brasil não se torne cúmplice dos crimes contra o povo palestino.
O PCB se solidariza com o povo palestino de Gaza em seu legítimo direito à resistência, inclusive armada, diante do agressor imperialista. E apoia de forma irrestrita a luta pela demolição do muro construído por Israel, a volta dos palestinos às suas casas, o fim dos assentamentos de colonos nas terras palestinas, a suspensão do bloqueio a Gaza e a Cisjordânia, a libertação dos presos políticos e a retirada dos territórios ocupados em 1967, de forma a que os palestinos possam construir em paz o seu futuro.
Comissão Política Nacional do PCB

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A batalha que abriu caminho à grande vitória (fotos)


imagemm.ruvr.ru
Svetlana Kalmykova
Há setenta anos, no dia 19 de novembro de 1942, o Exército Vermelho iniciou a sua contra-ofensiva na Batalha de Stalingrado. Essa operação resultou na derrota completa das tropas alemãs nazistas. A partir das ruínas de Stalingrado se inciou o caminho até à Grande Vitória da primavera de 1945.
Na manhã de 19 de novembro de 1942, milhares de peças de artilharia do Exército Vermelho despejaram uma tempestade de fogo sobre as posições inimigas e a ofensiva começou. Dias depois, as tropas soviéticas fecharam o cerco, no qual ficaram 330 mil soldados, oficiais e generais do exército hitleriano. Os combates encarniçados continuaram durante os três meses seguintes, mas todas as tentativas dos alemães de romper o cerco e sair foram infrutíferas.
Esta operação no Rio Volga, batizada de Uran, foi preparada durante dois meses. Junto à Stalingrado (atual Volgogrado) cercada, em condições de segredo rigoroso, se concentraram reforços provenientes da Sibéria Ocidental e foi criado um poderoso grupo de assalto.
Os historiadores consideram esse um momento culminante, um ponto de virada de toda a Segunda Guerra Mundial. Para a máquina de guerra alemã, que até esse momento tinha conquistado quase toda a Europa, isso foi um golpe devastador, do qual ela já não conseguiu recuperar, diz o perito do Instituto de História Geral da Academia das Ciências da Rússia Mikhail Miagkov:
“Foi precisamente aqui que se deu a virada moral na guerra. Não só porque os alemães concentraram aí as suas unidades principais e Hitler deva uma enorme importância política a essa cidade. Nesse momento se deu uma quebra moral do exército alemão e o exército soviético sentiu que o inimigo podia ser vencido.”
A contra-ofensiva foi precedida de meses de duros combates. As tropas do Terceiro Reich avançaram em meados de julho em direção a Stalingrado e estavam convencidas que até agosto a cidade iria cair, abrindo-lhes o caminho para as áreas petrolíferas do Cáucaso. Mas elas esbarraram na incrível resistência por parte dos defensores da cidade que lutavam até à morte.
Os defensores recordavam como a colina de Mamaev Kurgan e como decorriam combates por cada rua e por cada prédio. Todo o mundo seguiu, com o coração nas mãos, o decorrer dessa confrontação nas margens do Volga. O seu desfecho iria decidir o destino de toda a humanidade. Os defensores de Stalingrado não defenderam só a cidade, eles salvaram toda a Europa e todo o mundo do nazismo. A derrota das tropas hitlerianas junto a Stalingrado permitiu o desenvolvimento do movimento da Resistência nos países da Europa.
A batalha de Stalingrado, que durou 200 dias e noites na sua totalidade, foi a batalha de maior escala e a mais sangrenta da história da humanidade. Na defesa da cidade morreram e ficaram feridos cerca de um milhão de soldados e oficiais soviéticos. Os exércitos do bloco nazi-fascista perderam em Stalingrado um quarto das forças que combatiam na frente germano-soviética.
Sobre a Batalha de Stalingrado foram escritas montanhas de literatura, os acontecimentos foram reconstruídos literalmente ao minuto. Mas o trabalho continua, diz Elena Tsunaeva, historiadora de Volgogrado, um dos autores da enciclopédia dedicada à Batalha de Stalingrado:
“Sim, se sabe muito, mas se começarmos a analisar os detalhes, ainda muito está por descobrir. Há pouca informação sobre determinados destacamentos militares, é difícil encontrar documentos de arquivo, visto que muito foi destruído durante a guerra. Falta informação mesmo sobre alguns comandantes. Ou seja, nós sabemos quem foram heróis, quem foram os condecorados, mais é muito complicado encontrar a descrição detalhada do seu feito. Quanto ao fato de terem sido escritos muitos livros, posso dizer que alguns episódios são simplesmente copiados. Por isso seria errado dizer que o estudo da Batalha de Stalingrado terminou.”
A continuação do estudo da Batalha de Stalingrado deverá receber o contributo da quinta edição da enciclopédia, assim como da nova edição biográfica Batalha de Stalingrado e os seus Habitantes. Ela irá descrever o contributo que os habitantes da cidade deram para a vitória tanto na retaguarda como na frente de combate. Pois se olharmos para a vitória, esta foi tecida de milhões de feitos e vitórias das mais diversas.

CONGRESSO MANOEL FIEL FILHO:


A Unidade Classista homenageia um militante comunista na resistência operária

No enfrentamento à ditadura burguesa sob a forma militar, o PCB construiu uma alternativa de luta que orientava suas bases e informava a frente democrática, para as mais amplas ações de massa e articulações políticas, como forma de reagir ao regime de exceção que se estabeleceu no Brasil, em 1º de abril de 1964. 
Essa política de frente única dava sinais de firmeza em 1973 e se consolidou em 1974. A ditadura, percebendo o avanço dessas formulações na atuação da oposição e dos movimentos de resistência, organizou a “operação radar” para liquidar o PCB. O aparelho de repressão partiu para cima do Partido em todo o Brasil. De 1973 a 1976, dirigiu o grosso dos seus esforços para o inimigo número 1 da ditadura naquele momento: foram milhares de prisões, centenas de militantes torturados, dezenas de exilados e 39 militantes e dirigentes assassinados sob tortura. A desarticulação do PCB era a condição da ditadura para transitar o seu projeto de “abertura lenta e gradual”.
Dentro da política de enfrentamento ao regime fascista, o PCB deliberou por uma ação que movimentasse a classe operária para um papel protagonista diante da conjuntura de desgaste da ditadura. As formas de luta eram as reivindicações salariais, a luta por melhores condições de trabalho, a denúncia dos crimes da ditadura e a organização do Partido entre os trabalhadores.
Para cumprir esse último papel, a direção do PCB em São Paulo designou um operário comunista experiente, temperado nas lutas da nossa classe e convicto do nosso papel: Manoel Fiel Filho, nascido em 7 de janeiro de 1927, em Alagoas. Esse camarada ficou responsável pela distribuição do jornal A Voz Operária nas fábricas da Mooca e pelo trabalho de organização do Partido entre os operários daquela região fabril.
No dia 16 de janeiro de 1976, agentes do DOI-CODI prenderam Manoel Fiel Filho na fábrica onde trabalhava, a Metal Arte, na Mooca. Dois agentes da repressão levaram o líder operário por volta de meio-dia. No dia seguinte, 17 de janeiro, a repressão armava um teatro para dizer que o operário comunista havia se matado, por enforcamento, nas dependências do II Exército. Trata-se de mais uma armação, Manoel Fiel Filho tinha marcas de tortura na cabeça, pescoço e punhos. Tinha sido barbaramente torturado e não resistiu, morrendo nas dependências do Exército, o que criou uma crise política no governo autoritário.
O camarada Manoel foi Fiel até o seu último momento à luta pela emancipação dos trabalhadores. Lutou com seu Partido, ao lado da nossa classe, para derrotar a ditadura. 
Por determinação da repressão seu corpo foi enterrado rapidamente no dia 18, no cemitério da IV Parada, em São Paulo. Era o medo da ditadura diante da sombra de liberdade que começava a cobrir vastos segmentos populares na luta pela democracia.
A repressão continuaria perseguindo os familiares do operário comunista para que eles nada fizessem. As roupas com as quais havia sido preso foram jogadas na porta da sua casa, pelos agentes da repressão, quando do aviso de sua morte.
O movimento operário avançou, mostrou-se forte nas lutas de classe do final da década de setenta, do século passado. A ditadura foi derrotada e novas batalhas se colocam para os trabalhadores. A classe operária marcha para fazer a luta política diante da crise do capital, os comunistas estão construindo a sua organização para avançar no enfrentamento à burguesia. O camarada Manoel Fiel Filho é um símbolo dessa luta. Tombou em defesa da nossa classe e do nosso Partido. Aqui reunidos reafirmamos a sua presença entre nós. Seu exemplo e a sua lição de luta marcarão os passos da Unidade Classista, vanguarda dos trabalhadores na luta pela sociedade socialista.
Mas, neste momento de reorganizar a nossa luta, queremos afirmar: por nossos mortos nem um minuto de silêncio, toda uma vida de luta e combates.

Camarada Manoel Fiel Filho, Presente!
Viva o Partido Comunista Brasileiro!
Viva a Unidade Classista!

domingo, 18 de novembro de 2012

Facebook censura esculacho contra José Maria Marin



Pela segunda vez, o Facebook censurou o evento criado pela Articulação Estadual pela Memória, Verdade e Justiça para divulgação do escracho contra o atual presidente da CBF, José Maria Marin. Não seremos os primeiros, nem os últimos a serem vítimas desta prática. 
Na sociedade contemporânea, cuja superexposição é valorizada, os espaços privados se fundem com os espaços públicos, contraditoriamente vê-se uma censura generalizada, principalmente referente a discussão de questões políticas. A exposição no mundo virtual/real parece só ser válida se para corroborar com um status quo de uma sociedade conformista, consumista e preconceituosa. Sob a falsa prerrogativa da "liberdade de expressão" preconceitos de gênero, etnia, orientação sexual são disseminados, ao mesmo tempo em que se abafa as vozes dos oprimidos que vêem no meio virtual uma forma de articulação de resistência.
Em um mundo pautado pelas redes sociais, que serviram como plataformas de discussão e organização para diversas frentes de resistência no mundo todo, como o movimento Occupy Wall Street e a Primavera Árabe, somos surpreendidos pela censura neste ambiente, que ao que parece em um movimento retrógrado tem organizado suas políticas e termos de uso para servir aos interesses de grandes corporações - nossas informações privadas são dadas a grandes empresas para que propagandas sejam direcionadas exatamente de acordo com o nosso perfil, mas não podemos nos posicionar politicamente - afinal é uma "violação aos termos de uso".
O Facebook tem uma política de segurança no mínimo, passível de crítica - para não dizer duvidosa.  Esta política de segurança exclui fotos da Marcha das Vadias, porque são fotos de seios nus - dentro de um contexto político e claramente não sexual e não objetificado - ao mesmo tempo que permite fotos de violência explícita, ou fotos de corpos femininos objetificados. Considera fotos de mães amamentando seus filhos fotos de conteúdo explícito. As charges de Carlos Latuff uma "violação aos termos de uso", ao mesmo tempo que memes preconceituosos e reacionários surgem cada vez em maior frequência e velocidade. E agora, de alguma forma, o escracho contra José Maria Marin foi considerado "impróprio" pela censura do Facebook.
A censura na rede social ainda é praticada do jeito mais sujo possível, através da delação. Uma pessoa que discorde politicamente de uma página pode denunciá-la, criando uma patrulha da moral e dos bons costumes no meio virtual - qualquer semelhança com o passado não é mera coincidência. 
Deste modo, repudiamos a atitude do Facebook, que cada vez mais não esconde a faceta de ser uma grande corporação, voltada para proteger os interesses de poucos em detrimento da liberdade de muitos. A rede social é uma mídia e assim como outros meios não pode sofrer censura. Assim como os outros meios de comunicação deve ser regulamentada e democratizada.
 
Por isto, não importe quantas vezes o Facebook nos cale, dia 11/11 VAMOS ESCRACHAR JOSÉ MARIA MARIN!

“Pode censurar, nos prender, nos matar, não é assim governador que a guerra vai acabar”.



José Maria Marin é hoje presidente da CBF. Poucos sabem que é também que é um dos responsáveis pela morte de Vladimir Herzog, conhecido pelos Comunistas por Camarada Vlado, então diretor de Jornalismo da TV Cultura, cruelmente torturado e morto nas dependências do DOI-CODI em São Paulo. Em seus discursos na Assembleia Legislativa, o então deputado estadual pela ARENA José Maria Marin, pedia investigação contundente de elementos de esquerda na TV Cultura, dias antes do seu diretor de jornalismo ser "suicidado pela Ditadura". A União da Juventude Comunista compondo a Articulação pela Memória Verdade e Justiça com outras organizações politicas realizou dia 11/11/12 um Esculacho na frente da mansão do atual Presidente da CBF. Por que o esculacho? Porque entendemos que denunciar e mostr
ar a todo os trabalhadores e trabalhadores que possivelmente seu vizinho possa ter sido um dos Torturadores da Ditadura civil/militar e fascista que imperou no Brasil de 1964 á 1988, e que muitos destes Torturadores ocupam cargos públicos. Atualmente vivemos um ditadura decorada de democracia. Nós da União da Juventude Comunista, organização histórica que lutou contra a ditatura e teve vários membros desaparecidos e torturados.

Viemos a público saudar as organizações que compõem a Articulação pela Memória , Verdade e Justiça.

Ousar lutar, ousar vencer! - União da Juventude Comunista.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

PCB e UJC apoiam a chapa "Vez da Voz!" para o DCE da Unifesp

A Chapa Vez da Voz foi formada em um contexto de intensa mobilização nacional nas universidades federais, reivindica as pautas estudantis que não foram atendidas e é composta por estudantes com atuação efetiva na base do movimento estudantil da Unifesp. Nossa chapa se propõe a ouvir, de fato, o conjunto dos estudantes, e a fortalecer o DCE como instrumento das lutas do movimento estudantil.
Temos como objetivo principal integrar forças de cada campus, combatendo a burocracia universitária e abrindo espaço para os estudantes da Unifesp: para suas vozes.


Contra a repressão às lutas!

Contra as opressões!

Pela paridade nos Conselhos deliberativos da Universidade!

Pela mobilização dos estudantes!

Rumo ao Congresso dos estudantes da Unifesp!

Greve Geral Internacional!

O CONFLITO NA SÍRIA



imagemDiário Liberdade
(DECLARAÇÃO DE PARTIDOS COMUNISTAS)
O imperialismo, disfarçando sua face sob a bandeira de "oposição síria", iniciou um ataque sangrento ao povo sírio. Depois de um breve período de confusão a respeito dos incidentes na Síria, a fumaça baixou. Agora não há dúvida de que o grupo rebelde, o chamado "Exército Livre Sírio" (ELS), que está envolvido em uma luta armada contra o governo sírio, é patrocinado pelo imperialismo liderado pelos EUA, a sua contraparte da União Europeia e seus clientes regionais, incluindo a Arábia Saudita, Qatar e Turquia. Estes não só endossam politicamente o ELS, mas também financiam suas atividades, treinam suas milícias e  fornecem armas para a sua "santa" luta.
Embora o povo sírio tenha suas próprias razões para se opor ao regime de Assad, a campanha em curso contra o governo sírio não reflete a vontade e as exigências do povo sírio. O atual conflito na Síria não pode ser simplesmente definido nos termos do modelo  "povo versus ditador”. Mudanças de regime recentes no mundo árabe e principalmente a notória queda do governo líbio mostrou que os imperialistas vêm explorando esse modelo para embasar o apoio à intervenção imperialista no Oriente Médio. Seu objetivo é encenar um cenário semelhante na Síria.
Os acontecimentos na região expressam a intensificação da agressividade imperialista e o aprofundamento da competição inter-imperialista pela aquisição de novos mercados e pela exploração dos recursos naturais da região. A agressão dos EUA, da OTAN, da UE e seus aliados contra a Síria serve ao objetivo de impor um governo que cumpra totalmente com os ditames imperialistas e lealmente sirva aos seus interesses. Estas forças imperialistas dizem abertamente que, através de uma mudança de regime na Síria, pretendem também isolar e enfraquecer o Irã. Neste sentido, não é uma coincidência que os planos para uma ofensiva militar contra o Irã tenham mais uma vez, recentemente, vindo à tona.
Uma vez que o ataque contra a Síria é parte de um grande plano estratégico dos Estados Unidos em relação ao Oriente Médio, outros atores internacionais estão inevitavelmente se envolvendo na questão. A Rússia, confiante na capacidade do regime sírio de resistir contra a agressão em curso, já tomou partido do governo Assad.
Na região, o governo dos EUA trabalha em estreita colaboração com a Arábia Saudita, Qatar e Turquia. Estes fazedores de guerra têm despejado dinheiro, armas e até mesmo importado jihadistas internacionais para a Síria. Sob essas circunstâncias, os povos da Síria que têm diferentes identidades étnicas e religiosas estão preocupados com o seu futuro e com o futuro da Síria como país secular e multi-étnico.
A Turquia, que partilha fronteiras com a Síria, não só organizou reuniões para estabelecer uma oposição sunita unificada contra o regime sírio, mas também implantou as milícias sunitas islâmicas em cidades fronteiriças. Nos campos de refugiados construídos dentro das fronteiras da Turquia, as milícias estão vivendo entre os refugiados civis, numa aberta violação das normas internacionais em matéria de campos de refugiados. Além disso, em campos militares distintos, a CIA e o MOSSAD, ao lado das forças de inteligência turcas, estão treinando as milícias sírias. Ressaltamos que a tensão na fronteira turco-síria é particularmente perigosa e destacamos que a maioria do povo na Turquia é contra qualquer intervenção na Síria.
Além disso, durante o curso dos eventos recentes no Oriente Médio, os imperialistas e sua mídia corporativa e porta-vozes acadêmicos rotulam as forças pró-imperialistas de "revolucionárias". Fazendo isso, eles esperam ser capazes de justificar as intervenções imperialistas no Oriente Médio aos olhos das pessoas.
A este respeito, como partidos comunistas e operários, condenamos todo tipo de intervenção imperialista na Síria, seja efetuada através do apoio de grupos dentro da Síria para lutar contra o regime, seja através de operação militar direta. Reconhecemos que qualquer método que tenha sido adotado ou que possa vir a ser colocado em prática por parte do imperialismo na Síria viola o direito do povo sírio à auto-determinação.
Declaramos que toda esta propaganda imperialista, a assim chamada "revolução" e a intervenção tornaram-se indissoluvelmente atreladas. Condenamos os apologistas da intervenção imperialista que louvam as forças pró-imperialistas, incluindo os islamistas que agora lutam contra o povo sírio como "revolucionários".
Este é um chamado dos partidos comunistas e operários para todos os reais revolucionários e forças amantes da paz, aos povos da região, pela elevação do nível de luta contra a agressão imperialista na Síria e as ameaças contra o Irã.
Partido dos Trabalhadores da Bélgica
Partido Comunista da Grécia
Partido Comunista dos Trabalhadores Húngaros
Partido Socialista da Letônia
Partido Comunista de Luxemburgo
Partido Comunista do México
Partido Comunista Operário da Rússia - Partido Revolucionário dos Comunistas (RKRP-RPC)
Partido Comunista dos Povos da Espanha
Partido Comunista da Turquia
União dos Comunistas da Ucrânia
Partido Comunista da Venezuela
Partido Comunista Brasileiro
PADS, Argélia
Partido Comunista das Filipinas [PKP-1930]
Novo Partido Comunista da Iugoslávia

domingo, 11 de novembro de 2012

Acampamento na usina Cambahyba consolida a ocupação e derruba ordem de despejo



imagemMarcelo Cavalcanti
do Boletim do MST RJ
O acampamento montado após a ocupação da usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, segue em seu processo de consolidação e organização das famílias. A área foi ocupada no madrugada do dia 2 de novembro por 200 militantes do MST. Além de estar desde 1998 classificada como improdutiva pelo INCRA, a fazenda foi palco de horrores durante a ditadura civil-militar brasileira: 10 presos políticos foram incinerados no local.
Nesta segunda-feira (5), uma juíza de plantão assinou uma reintegração de posse com liminar de despejo, a pedido dos proprietários. No entanto, no dia seguinte a decisão foi revogada, e o resultado já foi considerado a primeira vitória do acampamento. No mesmo dia, os acampados entraram com uma denúncia na polícia contra um pistoleiro que ameaçava as famílias. O batalhão local se comprometeu a colocar rondas pela região todos os dias.
Nos próximos dias os acampados devem escolher o nome da ocupação. Os nomes mais cotados são os dos militantes da luta contra a ditadura que foram incinerados no local. São eles: João Batista Rita, Joaquim Pires Cerveira, Ana Rosa Kucinsk Silva, Wilson Silva, David Capistrano, João Massena Melo, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, Eduardo Collier Filho, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho.

DEZESSEIS DIAS DE ATIVISMO DE 25 DE NOVEMBRO A 10 DE DEZEMBRO



imagemCMAM
Campanha dos 16 dias de ativismo contra a violência de gênero
25 de Novembro - Dia da Não Violência contra as Mulheres
Em 1991, em um congresso feminista latino-americano, com o objetivo de promover debates e denunciar as várias formas de violência de gênero, foi lançada a campanha dos 16 dias de ativismo, dias de lembrança e ação na luta contra toda forma de preconceito, opressão e discriminação sofridos pela mulher, sendo essa uma iniciativa de âmbito nacional e internacional ocorrendo, simultaneamente em cerca de 120 países com um trabalho educativo, de sensibilização e de lutas pela não violência contra as mulheres.
A Campanha dos 16 dias de ativismo contra a violência de gênero tem como marco inicial a data de 25 de Novembro - Dia da Não Violência contra as Mulheres – e final no dia 10 de dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos-, estabelecendo-se, portanto, um elo simbólico entre violência de gênero e classe e direitos humanos. No Brasil as feministas incorporaram, dentro dos 16 dias, outras datas como o 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra, buscando a inclusão da cultura negra, as lutas contra a tripla discriminação sofrida pela mulher negra (gênero, raça e classe social) e ainda, os dias 01 de dezembro ( Luta contra a Aids), 06 ( massacre em Montreal) e  18 de Dezembro data em que a ONU, em 1979, aprovou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, o CEDAW.
O dia 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra - É um dia de denúncia, protesto e resistência em memória do martírio e morte de Zumbi dos Palmares, símbolo da inteligência e resistência da população negra, ocorrida em 1695. A data enseja a denúncia contra a ideologia da democracia racial e o espírito de resistência contra as desigualdades perpetuadas sob o pretexto da diferença racial. Refere-se, também, à defesa e promoção da identidade e dos valores étnicos.
25 DE NOVEMBRO
O dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, foi escolhido para lembrar o assassinato brutal das irmãs Mirabal, Minerva, Pátria e Maria Tereza, pela bravura de “Las Mariposas”, ou Borboletas, como eram conhecidas, já que utilizavam este nome secreto nas atividades clandestinas, nas lutas pela busca da liberdade política do país, em oposição a Rafael Leônidas Trujillo, ditador sanguinário da República Dominicana, uma das mais violentas da América Latina, entre o período de1930 a 1961. Em função da ação política as irmãs foram presas junto com seus maridos mas, a prisão delas provocou uma comoção popular obrigando o ditador a libertá-las, para, em seguida, simular um acidente automobilístico matando-as quando voltavam da prisão de uma visita aos maridos. Seus corpos foram encontrados no fundo de um vale, estranguladas e com os ossos quebrados. Pouco tempo depois em 30 de maio de 1961, Trujillo é assassinado e com ele cai a ditadura.
Em 1º de dezembro de 1988, por ocasião do Encontro Mundial de ministros de Saúde de 140 países, que ocorreu em Londres, foi criado o Dia Mundial de Combate à Aids, data que se aproveita para apontar as estatísticas e formas de combate à feminização da AIDs.
O dia 06 de dezembro, foi assinalado como o Dia internacional da Não Violência contra a Mulher marcado pelo massacre de mulheres em Montreal no Canadá, no dia 6 d dezembro de 1989, no qual Marc Lepine, invadiu armado uma sala de aula da Escola Politécnica, ordenou a saída da sala dos 48 homens presentes, permanecendo no recinto somente as mulheres. Lepine atirou e assassinou 14 mulheres, à queima roupa. Em seguida, suicidou-se. Em uma carta deixada por ele, justificava seu ato dizendo que não suportava a ideia de ver mulheres estudando Engenharia, um curso tradicionalmente voltado para os homens. O massacre tornou-se símbolo da injustiça contra as mulheres e inspirou a criação da Campanha do Laço Branco, mobilizando homens e mulheres pelo fim da violência contra as mulheres. No Brasil, a partir de 2007, é o dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo fim da Violência contra as Mulheres consagrado pela Lei 11.489/07.
A Campanha dos 16 dias de Ativismo é encerrada por uma das datas mais Importantes, O Dia Internacional dos Direitos Humanos. Em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela ONU, como resposta à barbárie praticada pelo nazismo contra judeus, comunistas e ciganos e ainda às bombas atômicas lançadas pelos EUA sobre Hiroshima e Nagazaki, matando milhares de inocentes. Até hoje os artigos da Declaração fundamentam inúmeros tratados e dispositivos voltados à proteção dos direitos fundamentais.
O COLETIVO ANA MONTENEGRO relembra esses momentos de importantes lutas das feministas, porém, entende que no Brasil, temos que sair dessa lógica da ruptura por dentro do sistema como temos feito nas últimas décadas. No contexto do capitalismo atual no nosso país, nossas lutas têm que superar o caráter reformista, se pretende avanços das conquistas das mulheres.  Temos que travar lutas, tendo como elemento a questão da centralidade do trabalho, rompendo com o sistema e esse rompimento passa pela luta das mulheres, claro, contra a violência de gênero, mas também contra a violência do estado capitalista que aí está, numa luta por salário igual para trabalho igual, contra a exploração cada vez mais intensa do capital, contra o assédio moral, contra o financiamento de guerras, a venda de armas pelo Brasil, sabendo que as mulheres no mundo são, juntamente com as crianças, as mais prejudicadas com as mesmas. Reafirmamos nossos compromissos com a ideologia revolucionária, daí a nossa recusa com os projetos governamentais que, na verdade, estão atendendo as reivindicações do capitalismo e, portanto, não as nossas, tudo sem qualquer ilusão quanto aos limites da democracia liberal.
COLETIVO DE MULHERES ANA MONTENEGRO

Vitoriosa manifestação em defesa dos índios Guarani-Kaiowá em Guarulhos


terça-feira, 6 de novembro de 2012



PCB saúda o MST: Terras da Usina Cambahyba ocupadas: Reforma Agrária já!



imagemfmanha.com.br
Durante a madrugada de sexta-feira (02/11), o MST - com apoio de outras organizações -  ocupou as terras pertencentes à extinta Usina Cambahyba. O complexo de fazendas (7) não cumpre função social e acumula dívidas de milhões com a União. O processo de desapropriação está parado há mais de10 anos, desde que o Incra  considerou as terras improdutivas e apontou para a possibilidade de desapropriação para fins de Reforma Agrária.
O PCB saúda o MST e apoia a ocupação das terras da Usina Cambahyba. É chegada a hora de cobrar das autoridades ações concretas que garantam justiça social. As sete fazendas pertencentes ao complexo foram consideradas improdutivas por decisão do juiz federal Dario Ribeiro Machado Júnior, em decisão divulgada em 17 de junho do corrente ano.
O complexo de fazendas de Cambahyba tem violado a lei das mais variadas formas, tais como: exploração de trabalho infantil, não pagamento de indenizações trabalhistas, crimes ambientais e outros.
Entretanto, a dívida da usina não para por aí. Recentemente, a confissão do ex-delegado do Dops Cláudio Guerra em livro causou comoção nacional . As denúncias que constam na obra “Memórias da uma guerra suja” revelam que os fornos da Cambahyba foram usados para incinerar corpos de 10 militantes políticos durante a ditadura empresarial-militar brasileira. Dentre eles, quatro eram dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Neste momento histórico, de ocupação das terras da extinta Usina Cambahyba, lembramos dos militantes e dirigentes do PCB que tombaram na luta durante o período da ditadura militar e tiveram seus corpos incinerados naqueles fornos:
Luís Maranhão, José Roman, João Massena e David Capistrano: presentes!

MST ocupa fazenda da Usina Cambahyba em Campos de Goytacazes




imagemMST
2012-11-01
Cerca de duzentas famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam na madrugada desta sexta-feira (2) o parque industrial da Usina Cambahyba, no município de Campos dos Goytacazes. A usina é um complexo de sete fazendas que totalizam 3.500 hectares. Esse latifúndio foi considerado improdutivo, segundo decisão do juiz federal Dario Ribeiro Machado Júnior, divulgada no último dia 17 de junho. A área pertencia ao já falecido Heli Ribeiro Gomes, ex-vice governador biônico do Rio, e agora é controlada por seus herdeiros.
Além de não cumprir a função social da propriedade, as fazendas da Usina Cambahyba acumulam dívidas de milhões com a União e seu processo de desapropriação está paralisado há 14 anos – desde que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) considerou aquelas terras improdutivas e passíveis de desapropriação para fins de reforma agrária.
Porém, a dívida da usina não se limita ao aspecto financeiro. No último mês de maio, os brasileiros ficaram estarrecidos com a revelação de que os fornos de Cambahyba foram usados para incinerar corpos de 10 militantes políticos durante a ditadura civil-militar brasileira. A confissão do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Cláudio Guerra, consta no livro “Memórias da uma guerra suja” e foi divulgada por toda a imprensa.
“A história da Usina Cambahyba ilustra o poder do latifúndio em nossa sociedade. É inaceitável que essa violência continue. Por isso, exigimos a imediata desapropriação daquelas terras para assentamento das famílias”, disse o dirigente do MST no Rio, Fernando Moura.
Além deste fato, o complexo de fazendas tem sido palco de todo tipo de violência: exploração de trabalho infantil, exploração de mão de obra escrava, falta de pagamento de indenizações trabalhistas, além de crimes ambientais.
Até hoje, porém, a Justiça Federal impede a desapropriação da área e já determinou despejos violentos de famílias que reivindicam a terra. Essa é a segunda vez que o MST realiza uma ocupação na área da usina. A primeira foi em 2000, e seis anos depois, as Polícias Federal e Militar, por decisão da Justiça Federal de Campos, despejaram as 100 famílias que haviam criado o acampamento Oziel Alves II. Houve agressões e prisões arbitrárias, demolição de casas e destruição de plantações.

domingo, 4 de novembro de 2012

Pela Unifesp nos Pimentas! Abaixo o burocratismo corporativista!



Posição da União da Juventude Comunista sobre a proposta a ser votada pela Congregação do campus Guarulhos da Unifesp, referente à realização de consulta pública sobre sua permanência no bairro dos Pimentas.
04/11/2012


 A burocracia acadêmica da Unifesp tem dado sucessivas demonstrações de seu caráter anti-democrático, muitas vezes por meio da mais evidente demagogia barata.
  Estão praticando ações paralelas para dar a aparência de legitimidade a ações isoladas, que não refletem o que deseja a maioria da universidade e da população de Guarulhos, pra não falar de todo o país, que se mobiliza ano a ano (professores, técnicos, docentes, estudantes e trabalhadores das mais variadas faixas etárias e categorias profissionais) pela universalização do direito à educação superior pública, com plenas condições para a formação.
  Por um lado, aprovam na congregação uma medida sem correspondência real com a discussão que é feita no campus e com a mobilização que há em Guarulhos por iniciativa da própria população, a favor de uma universidade federal na cidade.
  Doloroso para qualquer estudante consciente é ver o argumento que estes oportunistas utilizam para defender a saída do campus do bairro dos Pimentas, de que a população de Guarulhos não o quer na cidade, de que determinada pesquisa demonstrou que preferiria um campus da área de medicina, ou recorrendo ao argumento corporativista da dificuldade de acesso ao campus. São como generais que traem a própria pátria, desmerecem o próprio esforço e preferem, a conceber um projeto que se articule com as necessidades da população a nível local (formação de professores e pesquisadores que morem na região e com ela se identifiquem, mesmo que em determinada conjuntura sejam uma minoria), tirar o campus de um bairro periférico e transplantá-lo para um lugar mais ao gosto elitista do intelectual brasileiro, distanciado da realidade da maioria da população. Tanto os argumentos depreciativos ao bairro dos Pimentas, presentes em um dossiê elaborado pelo departamento de Filosofia, quanto os da dificuldade de acesso, demonstram o corporativismo presente nos argumentos, como se o propósito de uma universidade se encerrasse nela própria e nos desejos de ascensão profissional dos estudantes da área de Humanidades que peregrinam das mais variadas regiões até a EFLCH. Conseguem convencer com seus argumentos baratos uma parcela dos estudantes em estado de consciência servil, verdadeiros bajuladores que tratam suas aulas como se fossem missas e os professores padres, muitas vezes interessados ainda em benefícios como bolsas de iniciação científica.
  Mas aqui ainda estamos no ponto em que se busca dar a aparência de legitimidade para a burocracia acadêmica. Para agradar ao CONSU, até o momento contrário à saída da Unifesp de Guarulhos (ou do bairro dos Pimentas), propõem uma consulta à comunidade acadêmica da EFLCH no conhecido formato 70-15-15, adotado em todos os órgãos da universidade com poder de decisão, que atribuem ao setor docente o peso de 70% nas decisões sobre a universidade. Trata-se de uma proposta do departamento de Ciências Sociais, que tem grande chance de ser aceita pelos demais, e pergunta aos estudantes se preferem que o campus fique no bairro dos Pimentas, no centro de Guarulhos ou no centro de São Paulo (nem é preciso perguntar o que preferem os setores mais retrógrados).
  Para os estudantes não tão subordinados, mas que não têm solidez de opinião quanto à questão da permanência do campus, tentam dar a aparência de legitimidade criando espaços de discussão a respeito da mesma. Um colóquio com formato imposto pela congregação, mas onde a maior parte dos professores, estudantes e técnicos que participaram (mesmo dos que compunham as mesas) se declararam contrários à saída do campus ou de qualquer de seus departamentos do bairro dos Pimentas, e um método de compartilhamento de artigos por meio de lista de e-mail institucional, por iniciativa da mencionada professora Christina Andrews.
  As conclusões a que se chega em semelhante situação, fazendo ainda um retrospecto de tudo o que tem ocorrido nos últimos anos em relação à educação superior federal brasileira, são tristes:

- A expansão do ensino superior federal de nove anos pra cá é um fracasso. O movimento de greve nacional que envolveu estudantes, professores e técnicos demonstrou que expandir vagas em universidades sem verbas e violar princípios socialmente legitimados quanto à negociação com sindicatos, entidades e movimentos organizados nas universidades, os quais representam setores diretamente afetados pela expansão sem verbas e planejamento, conduz a situações insustentáveis. O Governo Federal apóia as burocracias acadêmicas, especialmente nos campi onde esta tenha mais poder, porque elas são atreladas ao Estado e beneficiárias diretas deste, e fazem o possível para controlar as mobilizações dos setores universitários que se organizam. Há muitas vezes reitores que, em meio às mobilizações, podem se solidarizar com o movimento geral, sejam ou não progressistas. Mas qual atitude esperar da maioria quando o Governo Federal ameaça punir os que não cortarem o ponto de grevistas? No mais das vezes a burocracia capitulará, por não ser no geral quem se encontra à frente do movimento organizado do setor docente, além de ser atrelada ao Estado. Na Unifesp, tanto a Congregação da EFLCH quanto a reitoria declararam apoio ou efetivaram sindicâncias contra estudantes que participaram da última greve, defendendo o argumento individualista de que ´´greve é pra quem quer fazer greve``. Houve casos recentes de estudantes ameaçados de morte na ocasião da greve dos estudantes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em 2011, o que demonstra a que nível podem chegar os setores da sociedade ou do Estado que tentam sustentar um modelo insustentável de educação superior.
- Apesar de o regime político brasileiro ser distante da maioria da população, no que o caso das universidades federais é apenas um dos exemplos, o mesmo também se alicerça em algumas práticas ´´descentralizadas``, abertas a interesses corporativistas. No contexto da crise do ensino superior federal, onde parte da burocracia está se chocando diretamente com o Governo Federal, a primeira pode muitas vezes se utilizar destas mesmas práticas para se contrapor ao segundo. Daí surgirem propostas unilaterais que expressam as vontades de setores reduzidos, isoladas das necessidades gerais da população.
  Nós da UJC entendemos que neste momento é fundamental e urgente a rearticulação do movimento estudantil no campus Guarulhos da Unifesp. Não se pode permitir que um único setor, contrário à educação brasileira, contrário ao povo e alienado de sua realidade, tome a dianteira no debate sobre sua permanência no bairro dos Pimentas. Devem estar na ordem do dia a retomada das assembléias de estudantes, a rearticulação de atos massivos pela permanência do campus e a coesão do movimento estudantil, que deverá avançar em termos de organização e descobrir os melhores meios para lutar contra as práticas reacionárias na Unifesp. Reivindicamos uma Universidade Popular, concebida pela e para a maioria da população brasileira, por isso consideramos que no campus Guarulhos é fundamental a luta por sua permanência, como um ato de defesa da autonomia universitária com democracia, sem burocratismo nem corporativismo.
Ousar lutar, ousar vencer!

Alameda Carlos Marighella, Já



 

Hoje, mais vez, comparecemos à Alameda Casa Branca, ao local onde foi assassinado o líder comunista Carlos Marighella, para prestar-lhe mais uma homenagem. É um ato coberto por um grande simbolismo, com a presença de históricos militantes da causa revolucionária em nosso país, mas também, com a presença daqueles que representam, nos dias atuais, a luta e o desejo da nossa classe em prosseguir fazendo história e perseverando na luta pela revolução socialista.  
Marighella, heróico combatente contra a ditadura burgo-militar, tombou nesta data pela cilada covarde da repressão, em 1969. No entanto, não tombaram seus sonhos e ideias. Homens e mulheres, juventude aguerrida e trabalhadores, continuam em marcha para confeccionar no palmilhar do dia-a-dia, a esperança do mundo emancipado da exploração do homem pelo homem.
Fiz uso da palavra, no ato político realizado, sugerindo que se faça uma campanha para que o prefeito eleito, Fernando Haddad, modifique o nome da Alameda Casa Branca para Alameda Carlos Marighella, e que os logradouros públicos que tenham o nome de torturadores sejam renomeados, e substituídos pelo nome de algum herói ou heroína que tombaram na luta contra a ditadura.

Tod@s nesta luta!

Abraços,
Milton Pinheiro (Professor da UNEB e diretor do ICP).

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Fidel rebate mídia imperialista novamente


FIDEL CASTRO (NÃO) ESTÁ AGONIZANDO



Bastou uma mensagem aos formandos do primeiro curso do Instituto de Ciências Médicas “Victoria de Girón”, para que o galinheiro da propaganda imperialista se alvoroçasse e as agências informativas se lançassem com infâmia voraz para as mentiras. Não só isso, mas em suas notícias adicionaram ao paciente as mais absurdas estupidezes. 

Por Fidel Castro, no CubaDebate


Alex Castro
Fidel
Fidel exibe o jornal O Gramma do dia 19 de outubro
O jornal ABC da Espanha publicou que um médico venezuelano radicado em ninguém sabe onde, revelou que Castro sofreu um derrame na artéria cerebral direita, “posso dizer que não voltaremos a vê-lo publicamente”. O suposto médico, que se é abandonaria primeiro seus próprios compatriotas, qualificou o estado de saúde de Castro como “muito perto do estado neurovegetal”.

Apesar de muitas pessoas no mundo serem enganadas pelos meios de comunicação de massa – quase todos em mãos dos privilegiados e ricos, que publicam estupidezes – os povos acreditam cada vez menos neles. Ninguém gosta de ser enganado; até o mais incorrigível mentiroso espera que lhe digam a verdade. Todo mundo acreditou, em abril de 1961, nas informações publicadas pelas agências de notícias, que os invasores mercenários de Girón ou Baía dos Porcos, como queiram chamar, estavam chegando a Havana, quando na realidade alguns deles tentavam chegar infrutiferamente em botes até os navios de guerra ianques que os escoltavam.

Os povos aprendem e a resistência cresce diante da crise capitalista que se repete cada vez com maior frequência; nenhuma mentira, repressão ou armas novas poderão impedir a queda de um sistema de produção crescentemente desigual e injusto.



Há alguns dias, perto do 50º aniversário da “Crise de outubro”, as agências indicaram três culpados; Kennedy, um recém-chegado à liderança do império, Khruchev e Castro. Cuba não tinha nada a ver com armas nucleares, nem com a matança desnecessária de Hiroshima e Nagasaki, perpetrada pelo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, que instituiu a tirania das armas nucleares. Cuba defendia seu direito à independência e à justiça social.

Quando aceitamos a ajuda soviética de armas, petróleo, alimentos e outros recursos, foi para nos defender dos planos ianques de invadir a nossa Pátria, submetida a uma suja e sangrenta guerra que este país capitalista nos impôs desde os primeiros meses, ao custo de milhares de vidas e mutilados cubanos.
Quando Khruchev propôs instalar mísseis de médio alcance semelhantes aos que os Estados Unidos tinham na Turquia – ainda mais perto da URSS que Cuba dos Estados Unidos – como uma necessidade solidária, Cuba não vacilou em aceitar tal risco. Nossa conduta foi eticamente irrepreensível. Nunca pediremos desculpa a ninguém pelo que fizemos. O certo é que transcorreu meio século e ainda continuamos de cabeça erguida. 

Gosto de escrever e escrevo; gosto de estudar e estudo. Há muitas tarefas na área dos conhecimentos. Nunca as ciências, por exemplo, avançaram em tão surpreendente velocidade.

Deixei de publicar as Reflexões porque certamente não é meu papel ocupar as páginas da nossa imprensa, consagrada a outras tarefas de que o país precisa. 

Aves de mau agouro! Não lembro sequer o que é uma dor de cabeça. Como evidência de quão mentirosos são, os presenteio com as fotos que acompanham este artigo.



Fidel Castro Ruz