quarta-feira, 23 de maio de 2012

PCdoB: a falsificação da história dos comunistas brasileiros


imagemCrédito: wikimedia

Anita Leocadia Prestes
O movimento revolucionário mundial socialista e comunista conviveu, desde o século XIX, com correntes reformistas de diferentes tipos. Os pais fundadores do marxismo – Marx, Engels, Lenin –, assim como teóricos do comunismo e dirigentes revolucionários da estatura de A. Gramsci e R. Luxemburgo, tiveram que levar adiante uma luta sem tréguas contra os reformistas do seu tempo.
Os reformistas precisaram justificar sempre a adoção de políticas de conciliação de classes, ou seja, de políticas baseadas em concessões às classes dominantes e no abandono dos objetivos revolucionários do proletariado e dos seus aliados; políticas de caráter evolucionista, marcadas pela negação do momento revolucionário, indispensável, segundo os marxistas, para a conquista do poder político pelos trabalhadores, única maneira efetiva de realizar as transformações revolucionárias necessárias para a construção de uma nova sociedade, livre da exploração do homem pelo homem.
Nesse esforço de justificação, os reformistas precisaram e ainda precisam recorrer à falsificação da História, inclusive da História do movimento operário e revolucionário, em busca de argumentos que contribuam para a aceitação de suas posições por amplos setores sociais, argumentos de prestígio, que sirvam de aval para sua atuação política.
A postura atual do PCdoB constitui exemplo edificante de semelhante tentativa de avalizar sua política atual recorrendo à falsificação da História dos comunistas brasileiros. Na medida em que o PCdoB passou a trilhar o caminho reformista da chegada ao poder sem revolução, tornou-se natural sua adesão às escolhas feitas por Lula e a direção do PT, na virada do século XX para o XXI, e agora mantidas por Dilma.
Foram escolhas reveladoras da capitulação de Lula e da direção do PT diante dos interesses do grande capital internacionalizado, em especial, do capital financeiro, ou seja, dos banqueiros internacionais. Tal capitulação ocorreu após três tentativas frustradas de alcançar o poder, nas eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998. Para conquistar a presidência, em 2002, foi escolhido o caminho mais seguro:
O governo do PT, sem coragem de afrontar os interesses constituídos, sem nenhuma disposição para arriscar uma mudança na postura do Estado que o tornasse capaz de enfrentar os problemas experimentados pelo país, escolheu a reafirmação da lógica perversa que já estava em curso e a entrega total do Brasil às exigências da acumulação privada. [1]
Da mesma maneira que nos governos de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, nos Governos Lula e Dilma o capital financeiro permanece hegemônico, embora esteja em curso uma reforma do neoliberalismo, voltada para a construção de uma “nova versão do modelo capitalista neoliberal”[2].
A adesão por parte do PCdoB a semelhante política de reforma do capitalismo o conduziu à tentativa de buscar no passado heróico dos comunistas brasileiros – embora eivado de erros provocados pela presença de falsas concepções - o aval para seu comportamento político atual. Tirando proveito do jubileu de 90 anos da fundação do Partido Comunista no Brasil, os atuais dirigentes do PCdoB divulgam uma versão falsificada da História desse partido. Distorcendo a realidade, apresentam a História do PC como uma sucessão retilínea de êxitos, cujo apogeu seria a política atual do PCdoB. Ao mesmo tempo, silenciam sobre as teses oriundas de uma falsa concepção nacional-libertadora da revolução brasileira, responsável pelas ilusões nas possibilidades de um “capitalismo autônomo”, cujo corolário foi o abandono, na prática, da luta pela revolução socialista no Brasil, concepção que esteve presente tanto na história do antigo PCB quanto na de quase todos os seus “filhotes”, inclusive o PCdoB.
São distorcidos os fatos relacionados com a cisão de 1962, quando um grupo de dirigentes do antigo PCB, discordando das posições políticas aprovadas no seu V Congresso (1960), usou o pretexto da mudança do nome do partido com vistas ao seu registro eleitoral, para criar outro partido – o PCdoB. Partido este que, durante várias décadas, combateu com violência o PCB e o seu ex-secretário-geral Luiz Carlos Prestes. Partido este que, durante toda a década de 1980, foi insistentemente criticado por Prestes pela postura oportunista de entendimentos espúrios com os governantes para alcançar o registro eleitoral e de apoio à candidatura de Tancredo Neves nas eleições indiretas de 1985 e, em seguida, de apoio ao governo de José Sarney. Segundo Prestes, tratava-se do abandono de todo compromisso com os interesses dos trabalhadores e com os ideais de verdadeiras transformações socialistas em nosso país.
É este partido, o PCdoB, que trata hoje de apropriar-se indevidamente do legado de Prestes para, tirando proveito do prestígio do Cavaleiro da Esperança, justificar-se perante amplos setores populares. Tal falsificação deve ser denunciada, pois a permanência de uma versão distorcida da trajetória dos comunistas brasileiros, difundida por um partido que se apresenta como comunista e fala em nome do socialismo, serve aos desígnios dos inimigos da emancipação social dos trabalhadores brasileiros, contribui para a manutenção da exploração capitalista em nossa terra, dificultando o caminho efetivo da construção de uma sociedade socialista no Brasil.

Greve da Unifesp: Avançar na luta rumo à Greve Geral estudantil e docente na instituição


O movimento amplia suas pautas, criticando o reuni, articulando-o à precarização e à mercantilização. Criticando o governo federal pela sua posição de capacho dos empresários e repressor do movimento, seja estudantil, seja docente. O movimento defende a Universidade Popular.

Os Alunos da UNIFESP – Guarulhos amargam 6 anos sem condições mínimas
para estudar. Não existe sequer um prédio para a instituição, e ainda
assim o Governo Federal gasta milhões em propaganda na TV falando das
“maravilhas” do REUNI.

Depois de 4 grandes greves e, pelo menos, 48 alunos sendo processados
na justiça por reivindicar seus direitos, o MEC, ao que parecia, finalmente tinha resolvido
ouvir as reivindicações e se predispor a uma conversa em
Audiência Pública. Afinal de contas, este é um ano de eleição, e o
ex-Ministro da Educação, Fernando Haddad, está pré candidato à prefeitura
de São Paulo




No entanto, o MEC não compareceu à ALESP para a audiência pública, o reitor correria da briga já sabia-se, no entanto, ele ainda teve o bom senso de se justificar, em carta ao Deputado Gianazzi (PSOL), que convocou a audiência, pelo sumiço - coisa que o MEC não fez.
Fica claro o conchavo da burocracia com o governo para que não se dê visibilidade ao movimento nacional contra a precarização da educação universitária federal que se levanta neste ano de 2012.
A lista de universidades em greve, seja docente ou estudantil, com reitorias ocupadas, ou em mobilização é enorme, até a própria Dilma teve que correr de Diadema para não ser alvo de protestos - ou ovos.
Antes da audiência, os estudantes realizaram um grande ato, saindo do DCE, fazendo uma parada na reitoria, e seguindo até a ALESP para realizar a audiência pública. Mas, antes de os estudantes entrarem na "casa do povo", tiveram que ser dispersos pela polícia e revistados, tendo que deixar diversos de seus pertences em caixas de papelão oferecidas pelos repressores, num episódio - no mínimo - pitoresco.

  
Apesar desses contratempos e da ausência do MEC, os estudantes garantiram a audiência, enfatizando a oposição ao REUNI, ao modelo mercantilizado de educação, e ampliando a voz do vigoroso movimento grevista, que defende bandeiras estratégicas do movimento estudantil de base, como a Universidade Popular. Falou pelo PCB/UJC - na audiência - o camarada Thiago Loreto, que também é estudante da Unifesp, chamando os estudantes à avançar no patamar da greve da Unifesp, convocando uma Assembleia Geral Intercampi e aprovando a Greve Geral Estudantil da Unifesp.

RUMO A GREVE GERAL DOCENTE E ESTUDANTIL NA UNIFESP!
PELO FIM DO REUNI!
PELA UNIVERSIDADE POPULAR!

terça-feira, 22 de maio de 2012

A necessidade de um alinhamento estratégico e tático para o movimento estudantil brasileiro.


O capitalismo hoje é completo, sua superação não pode acontecer por meio de reformas , mas apenas através de uma radical transformação revolucionária política e social. Suas relações tendem a reprimir toda organização da classe trabalhadora. A precarização dos serviços públicos essenciais à população, a privatização de todos os setores da sociedade, a intensificação do corpo coercitivo do Estado, toda a opressão contra os trabalhadores tem sido a base da formulação das diversas pautas dos movimentos de emancipação da classe trabalhadora, sendo os estudantes importantíssimos nesse processo.
O projeto do REUNI, implementado no governo Lula, avança a passos largos e deve ser amplamente combatido. O REUNI é um projeto de sucateamento das universidades federais que tem como interesse a ampliação de vagas sustentada pela argumentação da democratização do ensino, porém não é levada em consideração a estrutura das universidades, a qualidade de ensino, a logística, o corpo docente, e todas as condições necessárias para a excelência acadêmica. Como reflexo dessa política de precarização, diversas greves foram deflagradas ao longo desses anos, desde a paralisação dos funcionários administrativos, greves de estudantes e professores, manifestações contra o REUNI, a vitoriosa ocupação da reitoria em Santa Maria (RS) e outras universidades, as greves de 2010 e 2012 na UNIFESP, incluindo as ocupações da reitoria e da diretoria acadêmica do campus Guarulhos, tudo isso demonstra o grau de insatisfação em relação a essas políticas.    
A UJC entende que o movimento estudantil universitário tem caráter diversificado, ou seja, tem em suas bases expressões plurais e heterogêneas. Cabe aqui identificá-las, para propor nossa visão da conjuntura.
Nas bases governistas encontramos as forças que norteiam sua política na desmobilização da juventude. As práticas de aparelhamento, cada vez mais vigentes entre esses setores, têm contribuído com a falta de inserção dos estudantes nas lutas operárias, privando-os dos debates classistas, e assim transformam o movimento estudantil em um movimento de garrafa, parado. Além disso, tais setores se apóiam nos partidos da ordem através de um escancarado conchavo com o modelo burguês de universidade, cuja demanda é voltada para o mercado, tanto na produção intelectual quanto na formação de professores.
Há também no movimento estudantil nacional, esquerdistas infantis que fragmentam o movimento sob o discurso pseudo-revolucionário ortodoxo. Não entendem que o movimento estudantil e a juventude tem que exercer um papel de auxilio ideológico, cultural e político fundamental na luta dos trabalhadores, mas que no proletariado é que está a força transformadora da sociedade. “ É necessária a eliminação das concepções errôneas” já firmara Mao ao criticar certas posições dentro do partido comunista chinês, e obviamente que tais concepções devem ser combatidas em sua raiz. Pois bem, suas práticas divisionistas sustentadas na ortodoxia caem na desmobilização geral dos estudantes. Suas práticas de denuncismo e boicote, que caluniam as organizações combativas, tendem a visões movimentistas, sem estratégia definida, ou seja , baseiam sua organização através da auto-expressão estéril e o reformismo radical isolado das bases reais do movimento.
Além desses setores, devemos colocar também os setores mais atrasados desse todo, os reacionários e pós-modernos. Entendendo a disputa ideológica no seio do ME, as forças de esquerda devem combater as concepções direitistas do movimento, concepções que apoiam a exploração capitalista, os massacres militares imperialistas, as chacinas de operários, as demissões em massa, concepções que se apoiam no discurso individualista, e colocam como prioridade para o movimento a conquista do diploma, propõem“ formas alternativas de luta, que não a greve”, propõem uma metafísica política conivente com a precarização, mercantilização e até mesmo a privatização das universidades . Esses setores representam uma ideia-força que – se não for combatida pela esquerda – terá a adesão dos “analfabetos políticos”, como frisou belamente Brecht. Os “indiferentes”, odiados pelo camarada Antonio Gramsci, surgem, como numa pequena intentona, proferindo opiniões apoiadas no senso-comum, que tombam vezes após vezes como numa guerra real. 
É nesse contexto que a UJC rompe com algumas ilusões: Primeiramente, a UNE não é mais um fórum em que os comunistas devem depositar seus esforços, a entidade - aparelhada por setores governistas - não corresponde às demandas do movimento estudantil, pois faz o jogo burguês da cooptação, estagna a luta estudantil, é submissa as vontades do governo burguês dos grandes monopólios e bancos, ou seja, é capacho das políticas de precarização da educação e privatização do ensino, como o REUNI.
 Em contrapartida, os esquerdistas criam um paralelismo burocrático infantil, já diria Lênin, ao criar a ANEL, outra tentativa de aparelhamento das instâncias de representatividade. Não cabe aos jovens comunistas da UJC retomar uma entidade morta ou cair nos vícios divisionistas de uma entidade que nasce velha. Mas, na verdade, nosso foco é a reconstrução da estrutura do ME nacional pela base.
Por isso entendemos que a proposta de luta estratégica pela universidade popular é a mais coerente e democrática, pois vai além da formação intelectual crítica, alinhando-se com as demandas proletárias ao propor a destruição das antigas relações hierárquicas de poder na universidade e modificar a estrutura de representatividade dos estudantes.
Nesse sentido, devemos superar o modelo aparelhista do movimento estudantil universitário. A UJC entende que a formação de conselhos de entidades de base (CEB) em cada campus é passo tático firme rumo à universidade popular, pois constituirá um novo modelo para o DCE, em que conselhos de base elejam delegados para um conselho executivo de representantes do DCE (CR-DCE).
Na ótica da União da Juventude Comunista e do Movimento Universidade Popular, a universidade tem um papel central na formação e na produção de conhecimento. Deve, portanto, cumprir um relevante papel social, sendo a essência da universidade um espaço de ampla fluidez de idéias. A formação acadêmica e profissional não deve ser simplesmente para a reprodução ideológica do modelo econômico, político e social dominante, oferecendo nada além de subsídios ao mercado, mas deve, sim, ser instrumento de formação e fomento de agentes transformadores da atual realidade, contribuindo assim para a emancipação do pensamento humano. Ou seja, nossa luta vai além da universidade pública, gratuita e de qualidade. Por isso, defendemos que as demandas do ensino, da pesquisa e da extensão devem ser ditadas pelos interesses políticos e econômicos do Proletariado.
Ousar Lutar, Ousar Vencer!
Pela Universidade Popular!
União da Juventude Comunista

Moradia Popular, luta dos trabalhadores do Sítio São Francisco


Com o evento da copa de 2014 e as olimpíadas de 2016 vem a expectativa de um avanço no desenvolvimento do Brasil, tanto na indústria como na especulação imobiliária. Nosso país tornou-se um grande canteiro de obras pelos projetos do governo, como o PAC (Programa de aceleração do crescimento) e as obras de estádios de futebol. Para manter a demanda de vagas em hotéis as grandes imobiliárias entraram em uma corrida erguendo inúmeros prédios, mudando a estrutura das periferias.
Ao mesmo tempo, o governo faz políticas de higienização dos centros urbanos e periferias, onde acontecem muitas desocupações que, por um lado beneficia as grandes imobiliárias, e pelo outro tira moradia dos trabalhadores. Esse processo se encontra nas periferias de todo o Brasil, onde seus moradores se vêem obrigados a largar suas casas sem direção ou orientação do governo, se não um pequeno – e insuficiente - auxilio aluguel de menos de R$300.
A comunidade do Sitio São Francisco, em Guarulhos, está perdendo gradualmente seus moradores, através de desocupações, diferente do que houve em Pinheirinho, onde o processo de desocupação foi imediato e muito agressivo – inclusive com assassinatos e estupros de policiais contra moradores. No Sítio São Francisco, o prefeito preferiu retirar seus moradores um por um e com promessas de reestruturação do local, muitas famílias já perderam suas casas e estão desorientados, pois o auxilio é mínimo e não paga o aluguel de um bairro como os Pimentas, onde a especulação imobiliária avançou bastante.
Dentro do sistema capitalista a moradia não é uma necessidade básica do ser humano, mas uma mercadoria, com fins de a Burguesia aumentar seu lucro. Por isso as desocupações fazem parte do avanço no desenvolvimento neoliberal do Brasil, fazem parte da lógica perversa do Capital, e deixa clara a necessidade de os trabalhadores de organizarem para lutar pela Moradia Popular, através da ocupação do espaço que lhe é direito.
Morar é uma necessidade, ocupar é um dever!

Pela Moradia Popular!
Trabalhadores de todos os países, uni-vos!
Trabalhadores organizados e unidos contra a exploração do Capital!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Professores da Unifesp Diadema aderem à greve nacional convocada pelo ANDES - SN

Notícia – Adunifesp
Os professores do campus Diadema decidiram em assembleia entrar em greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (17). A paralisação é parte da greve nacional dos docentes das universidades federais deflagrada esta semana em dezenas de Instituições. Mais de quarenta professores participaram da plenária, que referendou a decisão tomada na assembleia do último dia 10, na qual quase cem docentes haviam deliberado pelo indicativo de greve no campus. Os professores de Diadema devem voltar a se reunir em assembleia na próxima segunda-feira (21), às 12 horas, para dar continuidade às mobilizações. Já os estudantes realizarão uma assembleia nesta sexta-feira (18), para deliberar um posicionamento em relação ao movimento docente.
Os demais campi da Unifesp realizam assembleias locais até o dia 21 de maio, e uma assembleia geral convocada pela Adunifesp para a terça-feira (22) decidirá a deflagração da greve em toda a Instituição. As assembleias acontecem quinta-feira (17) na Baixada Santista; sexta-feira (18) em São Paulo; e segunda-feira (21) em Osasco e São José dos Campos. Os docentes de Guarulhos farão uma reunião não deliberativa na terça-feira (22) na sede da Adunifesp.
A pauta central da greve é a carreira docente. Negociações entre entidades dos professores e representantes dos Ministérios do Planejamento e da Educação acontecem desde setembro de 2011 em um Grupo de Trabalho (GT) sobre o tema, mas não há avanços e o governo mantém basicamente a sua proposta inicial, um grande retrocesso para categoria e para as universidades federais. O ANDES-SN e o movimento nacional docente reivindicam negociações reais sobre a restruturação da carreira. Outras pautas também estão presentes na mobilização como melhores condições de educação e trabalho nas federais, em especial nas novas unidades, que muitas vezes carecem das demandas mais básicas.
Nesta sexta-feira (18), docentes e estudantes da Unifesp de Diadema realizariam um protesto vestindo-se de preto durante a inauguração no campus da Unidade José de Alencar, na antiga indústria metalúrgica, Conforja. A unidade é composta por dois novos prédios, que irão abrigar laboratórios de pesquisa e atividades de graduação. A solenidade estava marcada para o período da manhã e contaria com a presença de autoridades não só da Unifesp, como do município e do Estado, e do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e da presidenta Dilma Rousseff.
Entretanto, a solenidade acabou desmarcada de última hora devido, de acordo com a Diretoria Acadêmica do campus, a problemas de agenda da Presidente da República. A assessoria de Dilma teria avisado apenas tarde da noite de ontem e não houve tempo suficiente para comunicar a todos sobre o cancelamento. Estima-se que cerca de 200 pessoas compareceram à Instituição para a solenidade e encontraram os portões fechados. Após negociação, a entrada de professores e estudantes acabou liberada.
No ato de protesto que seria realizado durante a inauguração, os docentes entregariam uma carta ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, na qual apresentariam suas reivindicações acerca da carreira e explicariam os motivos que os levaram a entrar em greve. A íntegra do documento pode ser vista a seguir.
http://www.adunifesp.org.br/artigo/greve-docente-e-deflagrada-no-campus-de-diadema-da-unifesp


Mais um trabalhador vítima das contradições assassinas do Capital

(Nota do PCB)
No dia 17 de maio, numa obra da construção civil na rua Cabo Antonio em Guarulhos, o operário Francisco Jânio Araújo de 28 anos faleceu em seu local de trabalho devido a uma hemorragia causada por um corte profundo sofrido na perna do trabalhador.
Esse fato não é pontual ou isolado, mas faz parte da estrutura econômica e da formação política e social brasileira.
Segundo informações de trabalhadores dos arredores da obra, os operários trabalhavam em condições precárias, tanto no que se trata de segurança do trabalho - os companheiros não tem capacetes ou óculos de proteção disponíveis -, quanto de salários e direitos básicos - o companheiro vitimado vinha do Piauí para trabalhar pela metade do salário de um operário paulista.
Fica escancarado, com esse triste acontecimento, o caráter perverso do projeto burguês posto em prática pelo governo Dilma, e suas políticas de austeridade - que são fruto das políticas anticrise capitalista global. As greves operárias de Jirau e outros lugares, as denúncias recentes de trabalho escravo - subordinação real extrema do Trabalho ao Capital -, escancaram essas condições.
Nós, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), consideramos que a única culpada por essa situação é a classe exploradora burguesa, que precariza as condições de vida da classe trabalhadora para aumentar cada vez mais seus lucros. Mas, consideramos também a classe trabalhadora - se estiver unida e organizada - capaz de superar essas situações colocando o patrão em cheque, através de greves e manifestações dos operários contra a precarização do trabalho, pela estabilidade no emprego, por aumentos salariais, etc.
E dizemos mais, se a classe trabalhadora tiver consciência do seu potencial transformador e revolucionário, somos capazes de superar a opressão patronal de uma vez por todas, construindo uma sociedade sem exploração, uma sociedade possível, uma sociedade socialista.

Trabalhadores de todos os países, uni-vos!
Ousar lutar, ousar vencer!
Companheiro Francisco, Presente!

Novidades da greve da Unifesp Guarulhos 2012


GREVE GERAL 2012 – CAMPUS UNIFESP PIMENTAS GUARULHOS
Assim como a luta dos estudantes no Campus Unifesp Guarulhos, diversas categorias estão se organizando no país inteiro, sejam por salários, condições de trabalho ou ainda pela educação pública, gratuita, universal e de boa qualidade. Tudo isto pode ser constatado com uma rápida pesquisa na internet ou nos grandes veículos de comunicações.

O blog “Greve Unifesp 2012” traz todas as informações sobre os mais de 50 dias de greve em Guarulhos. Contem todas as contradições que envolvem os estudantes, docentes e técnicos, vítimas da precarizacão do Campus Guarulhos.
Na verdade tudo isto é resultado do Projeto Reuni que deve ser debatido e compreendido na sua totalidade, tanto do ponto de vista da sua origem e fim ate as consequências de uma expansão sem a necessária estrutura.
A ANDES – SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR recentemente convocou todas as entidades dos docentes que atuam nas universidades federais a exemplo da ADUNIFESP.
A ADUNIFESP convocou assembleia geral dos docentes em sua sede e, em Guarulhos, os docentes também estão se organizando para discutir os rumos desta convocatória, discutindo entre outros, a questão salarial, de carreira e condições de trabalho.
Os estudantes desde 22 de marco de 2012 após a aprovação da greve, realizaram numerosas atividades no Campus Guarulhos, na região dos Pimentas, em São Paulo e na sede da Unifesp, próxima ao Ibirapuera.
O momento e de unidade. Todos os sujeitos ou organizações que estão lutando no Campus Guarulhos devem aprofundar as questões organizativas, sem no entanto, deixar de construir uma frente que de uma linha política ao movimento, para alem dos grupos que surgem, originariamente contrários a greve.
O momento político e propenso para a constituição de uma ampla frente, construída a partir daqueles estudantes responsáveis pela autentica luta por melhorias gerais, espalhados nas diversas comissões que compõe o COMANDO DE GREVE.
Temos clareza de quais pessoas ou setores que são contrários a esta luta e, principalmente a burocracia que de forma desesperada, cometendo erros e mais erros, tentam a todo custo terminar com a greve, inclusive criando factoides com a clara intenção de provocar o movimento grevista, ameaçando individualmente os estudantes com aprovações na CONGREGACAO DE SINDICANCIAS, chamamento de policia no Campus, entre outros.
Neste sentido, dentro da luta interna do Campus, podemos dividir nossa pauta em 3 EIXOS CENTRAIS:
1. ANISTIA E LUTA CONTRA A REPRESSAO E CRIMINALIZACAO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
2. PARIDADE NA CONGREGACAO E DEMAIS ORGAOS REPRESENTATIVOS DO CAMPUS GUARULHOS, INCLUSIVE NO CONSU.
3. INFRAESTRUTURA
Quanto a COMISSAO DE NEGOCIACAO, esta deve ser eleita em ASSEMBLEIA GERAL, permitindo que todos os setores envolvidos na luta participem com suas representações, tais como: ESTUDANTES PROCESSADOS, ESTUDANTES QUE OCUPARAM A DIRETORIA, ESTUDANTES DA COMISSAO DE DIALOGO E ESTUDANTES REPRESENTANTES NA CONGREGACAO.
Quanto aos demais grupos organizados contra a GREVE, tudo indica que ao negar este instrumento de LUTA – A GREVE, com certeza, mantendo sua coerência, não terão interesse em participar de qualquer negociação.
Também destacamos a importância da participação de diversos setores externo a UNIFESP Campus Guarulhos, sejam partidos, sindicatos ou movimentos sociais diversos, inclusive da região dos Pimentas.
O próximo evento será a MARCHA DAS VADIAS, dia 18 de maio, em resposta ao machismo e preconceito demonstrado no dia a dia da greve, principalmente no blog da greve e, na próxima segunda-feira, dia 21 de maio às 13 horas o evento Doe sangue por uma Universidade Publica de Qualidade e, às 19 horas, será realizada AUDIENCIA PUBLICA na ALESP.
FICA O CONVITE A TODOS OS PARTIDOS E ESTUDANTES QUE COMPOE ESTA FRENTE NA GREVE DA UNIFESP 2012
Fica o CONVITE a todas as FORÇAS PROGUESSITAS através dos seus filiados e dirigentes: participem da AUDIENCIA PUBLICA NA ALESP, dia 21.05.2012, 19 horas!
Aos partidos, sindicatos; centrais, movimentos sociais diversos e que defendem ações transformações e concretas na SOCIEDADE, junte-se aos seus MILITANTES, PARTICIPANTES OU NÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL (ordem alfabética): ANARQUISTAS; ADUNIFESP; LER; MNN; MST; PCB; PCdoB; PCO; POR; PSOL; PT; PSTU outros, a lista é imensa!

Em memória de todos os que tombaram contra a ditadura


(Nota Política do PCB)
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A Comissão Política Nacional (CPN) do Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público saudar a Articulação Nacional pela Memória Verdade e Justiça - uma entidade que congrega organizações políticas, movimentos sociais, sindicatos, coletivos de juventude, grupos artísticos e familiares de mortos e desaparecidos - e manifestar seu apoio ao trabalho que vem sendo desenvolvido no sentido de construir um grande movimento de massas para que se apurem os crimes da ditadura, se estabeleçam as ligações entre os grupos empresariais, funcionários públicos e a máquina da tortura no Brasil e crie condições para que se possa punir os torturadores e assassinos de toda uma geração de jovens, trabalhadores, camponeses, sindicalistas e militantes sociais e políticos que lutaram contra a ditadura no Brasil.
A CPN avalia como positiva a instalação da Comissão da Verdade pelo governo. Lembramos, todavia, que foi preciso uma condenação do Brasil por parte da OEA para que o governo pudesse tomar essa medida, que protelava para não melindrar as Forças Armadas e os setores conservadores de sua base de sustentação. Mas alertamos que esta comissão tem uma composição heterogênea e não possui sequer representantes dos familiares dos mortos e desaparecidos. É um sinal de que a Comissão foi composta para uma conciliação nacional, ou seja, “virar esta página da história” e o Brasil seguir em frente na direção de se transformar numa potência capitalista.
Por isso, é necessária a organização de um grande movimento social, envolvendo organizações sindicais, estudantis e de bairro, manifestações de rua em todo o País, para que o resultado dos trabalhos não se transforme numa conciliação com os algozes de nosso povo. O PCB, como uma das organizações que mais brutalmente foi reprimida pela ditadura - basta dizer que um terço de seu Comitê Central foi assassinado na tortura e desaparecido - se compromete a levar esta luta até o fim, em homenagem não apenas aos nossos mortos e torturados, mas também a todos que sofreram e tombaram na luta contra a ditadura.
A CPN também avalia que este não é o momento de privilegiar o debate das divergências sobre as formas de lutas das organizações de esquerda durante a ditadura, até mesmo porque a ditadura prendeu, torturou e assassinou camaradas de todas as organizações. Este é o momento de reverenciar todos os que lutaram contra o regime militar, especialmente aqueles que rubricaram com sangue a luta contra a ditadura. São todos eles nossos heróis, desde os que se alçaram em armas nas cidades, os guerrilheiros de Caparaó e do Araguaia, até aqueles que desenvolveram silenciosamente um paciente trabalho de organização dos trabalhadores nas fábricas e nos sindicatos, aqueles que organizaram a população nos bairros, os jovens nas organizações estudantis, os intelectuais e o mundo da cultura em geral. Continuaremos a sua luta e não daremos trégua aos inimigos do nosso povo.
As recentes informações de um agente da ditadura de que os corpos de vários companheiros foram incinerados em um forno de uma usina de açúcar em Campos chocaram a opinião pública e mostraram a bestialidade com que os facínoras da ditadura agiam contra os prisioneiros políticos. Entre os corpos incinerados estariam os de quatro camaradas do PCB: Davi Capistrano, João Massena, Luiz Maranhão e José Roman.
Associamo-nos à correta iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no sentido de que esta fazenda de Campos seja desapropriada para fins de reforma agrária e que sua sede sejatransformada em um memorial da tortura e da brutalidade da ditadura. Ali se encontra o verdadeiro cemitério de nossos heróis, independente da organização a que pertenciam.
Para reforçar esta luta, achamos fundamental que a Articulação Nacional pela Memória Verdade e Justiça organize um expressivo e unitário ATO NACIONAL na fazenda onde foram incinerados os nossos camaradas, com ocupação de suas terras, para honrarmos a trajetória de lutas desses nossos heróis.
A Comissão Política Nacional do PCB manifesta sua solidariedade a todos os familiares dos presos, mortos e desaparecidos e às entidades que se constituíram para denunciar os crimes da ditadura e reafirma que esta luta não foi em vão e que todo trabalho de denúncia, investigação, de acúmulo e documentação realizado nestes anos será não só um precioso aporte para a memória dos nossos heróis mortos e desaparecidos, mas também um importante testemunho para as novas gerações.
Não silenciaremos enquanto toda a verdade não for apurada!
Não silenciaremos enquanto a justiça não for feita!
São Paulo, 13 de maio de 2012
(Comissão Política Nacional do PCB)

OS COMUNISTAS DO PCB, O ESTADO E A CORRUPÇÃO


Robson de Moraes
imagemA cada dia a grande mídia explora de forma sensacionalista e superficial, os inúmeros e variados casos de corrupção que habita, parasitariamente, as estruturas do aparelho de estado. Sua existência não é um mero desvio de caráter, um deslize de desonestidade, corrigido pelo simples afastamento do agente público envolvido. A corrupção é parte da estrutura da máquina estatal no Brasil. Não há a mínima possibilidade de eliminá-la, sem alterar o conteúdo e a forma do estado nacional, com seus viciados métodos de decisão e representação, sangue e oxigênio da apropriação privada do bem público.
Em uma sociedade marcada historicamente por uma brutal e sectária divisão social, os setores dominantes de nossa economia, habituaram-se a se locupletar com o dinheiro público. O estado brasileiro é uma extensão de seus interesses privados e a política um balcão de negociatas empresariais, metamorfoseadas em uma falsa linguagem desenvolvimentista, que eleva o Produto Interno Bruto e agrava a desigualdade social. Herança de uma composição monárquica de estado, o público e o privado, nunca se separaram, a República não proporcionou a separação do legislativo, do judiciário e do executivo, tal qual imaginaram os filósofos da Revolução Francesa. A Liberdade, Fraternidade e Igualdade, antes aprisionada pela carcomido medievalismo, hoje tem como carcereiro o poder econômico de uma elite egoísta e destrutiva, incapaz de perceber a urgência no atendimento às demandas populares.
A corrupção é apenas mais uma evidência do caráter de classe do estado brasileiro. Aqueles, que por um motivo ou outro, são surpreendidos em suas práticas, são meros operadores de uma dinâmica. A substituição do operador não elimina a operação. É preciso minar o sistema e sua lógica de operação presente hoje na Polícia, na Câmara de Vereadores e Assembléias Legislativas, no executivo e nos tribunais. A corrupção é forma privilegiada do fazer política das elites brasileiras, que se apoderando do aparelho do estado, transformou as leis e a adiministração pública em técnicas de enriquecimento e controle.
A disputa encarniçada entre poucos grupos empresariaias pelo “direito” de saquear a riqueza pública, vem possibilitando as denúncias de ações ilícitas e ilegítimas, contribuindo decisivamente para agravar a crise de legimtimidade, na qual atravessa o estado e seu sistema político representativo. A descrença e indiferença compõem o cenário da fragilizadas democracia, que leva os indivíduos ás urnas por força de legislação, o Direito foi convertido em um mero Dever de legitimar mandatos de operadores do velhaco sistema, em uma mudança que garante a permanência.
Diante da ilegitimidade da ação do estado, da falência do Direito, enquanto princípio do ordenamento social, da criminalização dos movimentos sociais em uma correlaçlão de forças desfavorável a luta direta, atuarmos na construção contra-hegemônica passa a ser uma tarefa central. As lutas específicas proliferam e passam a pautar, com sua pluralidade e singularidade as formas de contestação social. Os movimentos que tática ou estrategicamente firmaram compromissos com a máquina do estado, esvaziaram-se politicamente e vivenciam um processo de cooptação e domestificação de suas bandeiras de lutas e palavras de ordem.
A crise da política, no entanto, é um sintoma da grave crise social e da corrosão dos mecanismos de sociabilização formalmente estabelecidos. Estamos em dias que o Partido Político despolitiza, a Escola deseduca, a Igreja transforma a fé em mercadoria e o estado é o capitão do mato do mercado e seus vencedores. Na impossibilidade da reprodução da vida, o banditismo social salta aos olhos, como contorno da rebelião social em sua forma mais primitiva.
Fonte: PCB/GO

Debate 110 Anos de "O quê fazer", na Livraria Expressão Popular

Cecília Coimbra parabeniza o PCB por não se deixar cooptar


imagemHoje, mais do que nunca, assistimos perplexos e, mesmo chocados, às cooptações que os diferentes governos, em especial após FHC, fazem dos movimentos sociais e dos partidos políticos que se colocam como esquerda. É importante lembrar que poucos, muito poucos, resistem a estes "cantos de sereia" cada vez mais defendidos como naturais e até necessários.
Parabéns ao PCB pelos seus noventa anos de vida e, principalmente por sua postura ético-política de estranhar e não aceitar as perversas cooptações daqueles que gerem o capitalismo na contemporaneidade.
Pela vida, pela paz,
Tortura nunca mais.
Cecília Coimbra - Fundadora e atual presidente do GTNM- Rio

Tortura durante a ditadura, relato de MARIA LUIZA FLORES DA CUNHA BIERRENBACH


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Ele me disse: ‘Se você sair viva daqui, o que não vai acontecer, você pode me procurar no futuro. Eu sou o chefe, sou o Jesus Cristo [codinome do delegado de polícia Dirceu Gravina]’. Ele falava isso e virava a manivela para me dar choque. Ele também dizia: ‘Que militante de direitos humanos coisa nenhuma, nada disso, vocês estão envolvidos’. E virava a manivela. Havia umas ameaças assim: ‘Vamos prender todos os advogados de direitos humanos, colocá-los num avião e soltar na Amazônia’. Nos outros interrogatórios, eles perguntavam qual era a minha opção política, o que eu pensava, quem pagava os meus honorários, quais eram os meus contatos no exterior, o que eu pensava do comunismo. Para mim, fi cou muito claro que eles queriam atemorizar advogado de preso político. Havia uma mudança no tom das equipes. Eram três, e ia piorando. Durante o interrogatório da segunda equipe, eu levei uma bofetada de um e o outro me segurou: ‘Está bravinha porque levou uma bofetada?’. E os homens da terceira equipe diziam: ‘Saia disso, onde já se viu defender esses caras, gente perigosíssima, não se meta nisso!’. Eu estava formada havia menos de um ano, e trabalhava desde o segundo ano no escritório do advogado José Carlos Dias, defendendo presos políticos. Essa era a forma que eu tinha de resistir à ditadura militar, foi minha opção de participação na resistência. Eu fui presa sem nenhuma acusação, fiquei três dias lá sem saber porque estava presa. No terceiro ou quarto dia, eu descobri o motivo: teriam achado num ‘aparelho’ um manuscrito do Carlos Eduardo Pires Fleury, que tinha sido banido do país e que foi meu colega e cliente no escritório. Eu não fui das mais torturadas. Levei choque uma manhã inteira, acho que para saber se eu tinha algum envolvimento com alguma organização clandestina e paraque os advogados soubessem que não era fácil para quem militava.
MARIA LUIZA FLORES DA CUNHA BIERRENBACH era advogada de presos políticos quando foi presa em 8 de novembro de 1971, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é procuradora do Estado aposentada.

Marx, a Comuna de Paris e o projecto Comunista*


Manuel Gusmão**
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15.Mai.12 ::
A Comuna de Paris foi a primeira revolução na qual a classe operária era claramente reconhecida como a única que ainda era capaz de iniciativa social, mesmo pela grande massa da classe média parisiense. Essa mesma parte da classe média tinha participado no esmagamento da insurreição operária em Junho de 1848; e tinha sido de imediato sacrificada aos seus credores.
O ideal comunista é um projecto de transformação do mundo e da vida, que se alimenta da experiência revolucionária e das tradições de luta do proletariado e dos povos oprimidos. Transportando consigo aspirações e sonhos quase milenares e ideais modernos, o ideal comunista converte em esperança revolucionária os fracassos e os êxitos da luta do movimento operário. É um projecto longo cujo triunfo é uma possibilidade real na longa duração da história. Não trair a memória é condição de fidelidade no presente e no futuro.
Culminando as insurreições operárias que marcaram o séc. XIX europeu – 1830 e 1848, a Comuna de Paris, em 1871, é a última insurreição desse século e a primeira a triunfar, embora por escassas semanas, mais precisamente, a comuna dura de 26 de Março a 27 de Maio.
Levantando barricadas e resistindo heroicamente em combates de rua, a Comuna será afogada em sangue. Dezenas de milhares de homens e mulheres serão fuzilados e as execuções em massa prolongar-se-ão pelo mês de Junho. Entre 26 de Maio de 1871 e 31 de Dezembro de 1874, os 24 conselhos de Guerra criados pelo Governo de Versailles julgaram 80 crianças, 132 mulheres e 9.950 homens da Comuna, sem contar os «contumazes». Pronunciaram 13.450 condenações.
No dia 30 de Maio, Marx apresentava ao Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores um documento em que analisava a Comuna de Paris, A Guerra Civil em França: 1871 conhecem-se dois estados de redacção anteriores.
Dirigido a todos os membros da Associação na Europa e nos Estados Unidos, o texto do apelo, que foi aprovado por unanimidade, é uma admirável análise de história do presente em que se extraem da experiência concreta do movimento das massas operárias, consequências teóricas fundamentais para o futuro desse movimento.
O estudo da experiência dos revolucionários da Comuna terá um papel de relevo na elaboração, por Marx, Engels e Lenine, da teoria revolucionária.
1. Não basta apoderar-se do Estado
Como Lenine o destaca no Estado e a Revolução, a única «correcção» que Marx julgou necessário explicitar no prefácio de 24 de Junho de 1872, a uma nova edição alemã do Manifesto Comunista, tem a ver com a questão do Estado, tal como resulta da experiência da Comuna de Paris. «Mas a classe operária não pode contentar-se com o apoderar-se da máquina do Estado e fazê-la funcionar para os seus próprios fins».
1.1. O primeiro decreto da Comuna foi a supressão do exército permanente e a sua substituição pelo povo em armas.
1.2. A Comuna foi composta por conselheiros municipais, eleitos por sufrágio universal nos diversos bairros da cidade. Eram responsáveis perante os seus eleitores e por eles revocáveis, quer dizer, podiam ser destituídos por eles a qualquer momento. A maioria dos seus membros eram naturalmente operários ou representantes reconhecidos da classe operária. A Comuna deveria ser não um organismo parlamentar mas um corpo actuante, ao mesmo tempo, executivo e legislativo.
1.3. Em vez de continuar a ser o instrumento do governo central, a polícia foi imediatamente despojada dos seus atributos políticos e transformada num instrumento da comuna.
1.4. Assim aconteceu com outros ramos da administração. Desde os membros da Comuna até à base, a função pública devia ser assegurada mediante salários de operários, e os seus cargos e diferentes funções, incluindo os de juízes e magistrados, eram electivos e revocáveis.
1.5. Os serviços públicos deixaram de ser propriedade privada das criaturas do governo central. Não só a administração municipal, mas toda a iniciativa até então exercida pelo Estado foi colocada nas mãos da Comuna.
1.6. Um vez abolidos o exército permanente e a polícia, instrumentos materiais do poder do antigo governo, a Comuna deu-se como tarefa quebrar o instrumento espiritual da opressão, o poder dos padres, decretou a separação da igreja e do estado e a expropriação de todas as igrejas na medida em que constituíam corpos possidentes […] A totalidade dos estabelecimentos de ensino foram abertos gratuitamente ao povo e, ao mesmo tempo, desembaraçados de toda a ingerência da igreja e do Estado. […] Os funcionários da justiça foram despojados dessa fingida independência que não tinha servido senão para mascarar a sua vil submissão aos sucessivos governos.
2. “República social” e governo operário
A multiplicidade das interpretações a que a comuna foi submetida e a multiplicidade dos interesses que se reclamavam dela mostra que era uma forma política susceptível de expansão, enquanto todas as outras formas de governo tinham até então posto o acento sobre a repressão. O seu verdadeiro segredo é o seguinte:
2.1.“A república social” era essencialmente um governo da classe operária, o resultado da luta da classe dos produtores contra a classe dos apropriadores, a forma política finalmente alcançada que permitia realizar a emancipação económica do trabalho.
2.2. Uma vez o trabalho emancipado, qualquer homem se torna um trabalhador e o trabalho produtivo deixa de ser o atributo de uma classe.
2.3. A comuna foi a forma positiva dessa “República social”, que não devia apenas abolir a forma monárquica da dominação de classe, mas a própria dominação de classe.
3. Governo operário e alianças sociais
Pela primeira vez, simples operários ousaram tocar no privilégio governamental dos seus “superiores naturais”, ou seja ousaram formar, com os seus iguais, o seu próprio governo.
3.1. A Comuna foi a primeira revolução na qual a classe operária era claramente reconhecida como a única que ainda era capaz de iniciativa social, mesmo pela grande massa da classe média parisiense – lojistas e demais comerciantes e negociantes, e com a única excepção dos ricos capitalistas. Essa mesma parte da classe média tinha participado no esmagamento da insurreição operária em Junho de 1848; e tinha sido de imediato sacrificada aos seus credores. Mas esse não era o único motivo para agora se aliar à classe operária: - sentiam que só tinham uma alternativa: A Comuna ou o Império, fosse qual fosse o nome com que reaparecesse, era a opção.
3.2. A Comuna tinha toda a razão em dizer aos camponeses: “a nossa vitória é a vossa única esperança”.
3.3. Se a Comuna era assim a verdadeira representante de todos os elementos sãos da sociedade francesa, ela era ao mesmo tempo um governo operário, e a esse título, um campeão audacioso da emancipação internacional do trabalho; por isso, apelando à solidariedade internacional com a Comuna de Parias, Marx insiste que a questão da Comuna é uma questão internacional, uma questão que interessa universalmente à classe operária.
4. A Crítica do parlamentarismo
Lenine destaca também no texto de Marx uma notável crítica do parlamentarismo que, soterrada pelos comentários do oportunismo social-democrata, pertencia no momento em que escrevia, como se calhar também hoje, ao tesouro das palavras «esquecidas» do marxismo.
4.1. Marx critica o modo como o sufrágio universal é capturado e serve para eleger a cada três ou seis anos qual o membro da classe dirigente que “representará” e calcará com os pés o povo no parlamento.
4.2. A mais democrática das repúblicas baseada na representação, a mais ampla democracia representativa nunca conseguirá eximir-se a essa limitação de consequências devastadoras que é a separação entre representados e representantes. Separação que é, desde logo económica e social, e permite que os representantes manipulem os representados e construam o seu mandato de acordo com os seus próprios interesses e não segundo os daqueles que os elegeram seus representantes.
5. O “ASSALTO AOS CÉUS”
Marx, no Outono de 1870, tinha solenemente prevenido a classe operária francesa contra toda e qualquer acção prematura; na sua análise da Comuna não esconde os seus erros e fragilidades da Comuna de Paris, mas a sua análise é feita com um enorme entusiasmo. Pode parecer estranho, mas não há nisto qualquer contradição.
Trata-se simplesmente de uma manifestação da elevadíssima consciência revolucionária de Marx. Ele receava que qualquer acção irreflectida comprometesse o destino da classe operária, mas sabe reconhecer de imediato o alcance histórico da acção da Comuna e esclarece a sua significação profunda para todo o movimento internacional.
A atitude de Marx é um exemplo da firmeza e da coragem intelectual e política que se espera de um revolucionário. Ela permite fundar uma crítica do oportunismo e da cobardia política, mesmo daqueles que, hoje, por exemplo, criticam Lenine e os bolcheviques, por terem tido a iniciativa de tomarem o poder sem estarem reunidas todas as garantidas de que o poderiam manter com êxito.
Em carta de 12 de Abril a Kugelmann, Marx refere-se à acção dos operários parisienses como um “assalto aos céus”. E em face da resposta do seu correspondente, escreverá:
“seria evidentemente muito cómodo fazer a história se só se devesse travar a luta em condições infalivelmente favoráveis […]. Graças ao combate travado por Paris, a luta da classe operária contra a classe capitalista e o seu Estado capitalista entrou numa fase nova. De qualquer maneira que as coisas aconteçam no imediato, o resultado será um novo ponto de partida de uma importância histórica mundial.
Lenine, no Prefácio à tradução russa das cartas de Marx a Kugelmann (I5 de fev. de 1907), ESCREVE:
“Marx sabia também ver que, em certos momentos da história, uma luta sem tréguas das massas, mesmo por uma causa desesperada, é indispensável para a educação ulterior dessas próprias massas, para as preparar para a luta futura. […] “Os canalhas burgueses de Versailles, escreve Marx, colocaram os Parisienses perante uma alternativa – ou respondiam ao desafio ou sucumbiam sem combate. Neste último caso, a desmoralização da classe operária seria uma desgraça muito maior que a perda de um qualquer número dos seus chefes” (90).
E Lenine continua:
“Marx não se contentou em admirar o heroísmo dos communards subindo ao assalto dos céus” No movimento revolucionário das massas, embora ele não tenha atingido o seu objectivo, ele via uma experiência histórica de um alcance imenso, um passo em frente da revolução proletária universal, um passo real, bem mais importante que centenas de programas e de raciocínios.”(315)
No VII congresso extraordinário realizado de 6 a 8 de Março de 1918, Lenine apresenta uma resolução sobre a proposta de mudança de nome do Partido e de modificação do seu programa. A relação com a Comuna de Paris é nos dois casos de assinalar:
«O congresso decide que no futuro o nosso Partido (o Partido operário social-democrata bolchevique da Rússia), chamar-se á Partido Comunista da Rússia, tendo entre parênteses a adjunção da palavra “bolchevique”.
A modificação da parte política do nosso programa […] deve consistir na definição, de maneira o mais precisa e completa, do Estado de tipo novo, a República dos Sovietes, enquanto forma da ditadura do proletariado e continuação das conquistas da revolução operária internacional, inauguradas pela Comuna de Paris.» (II: 630)
*Comunicação proferida no Congresso Marx em Maio realizado em Lisboa em 3, 4 e 5 de Maio de 2012.
**Poeta, ensaísta, Professor da Universidade de Lisboa e membro do Comité Central do PCP.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Grupo fascista Águias Negras ameaçam a Marcha Patriótica




imagemCrédito: ConC
O grupo criminoso paramilitar conhecido como “Águias Negras" circulou um comunicado no qual ameaçam de morte os membros de várias organizações sindicais, sociais e políticas colombianas vinculadas à Marcha Patriótica. No comunicado, o grupo delinquente diz que os dirigentes do movimento devem suspender suas atividades políticas se não quiserem ser declarados objetivos militares.
O comunicado é atribuído ao Bloco Capital das Águilas Negras, no qual ameaçam a maior parte dos integrantes do movimento político Marcha Patriótica.
O comunicado começa advertindo a "todos os membros da União Patriótica, que não são mais do que auxiliares da guerrilha, terroristas, sapos filhos da puta amigos de Chávez, que participam em todas as marchas contra o estado legalmente constituído, e que entorpecem a ação das nossas gloriosas instituições militares e policiais".
O comunicado continua dizendo que os grupos mencionados atuam "sublevando as comunidades para que reivindiquem seus supostos direitos, que exijam terras, além de supostos benefícios por terem sido desalojados ou vítimas do estado, abusando da enorme boa vontade do nosso presidente Santos, e que se opõe ao sacrifício dos nossos heróis da pátria, que brindam suas vidas pelo bem estar da nossa nação, lutando contra os guerrilheiros filhos da puta e terroristas em todas as partes do nosso território."
Por essas razões declaram "objetivo militar as direções das organizações relacionadas abaixo, que são financiados pela guerrilha para fazerem o trabalho junto à população e a construção de seu novo movimento, a Marcha Patriótica, a qual eliminaremos como fizemos com outros movimentos nos anos anteriores: FENSUAGRO, ASOCAMNDES, CONAP, CND, ANDESCOL, REINICAR, FUNHASCOL, MANE, ANDAS, MESA NACIONAL, CASA DE AMISTAD CON VENEZUELA, FEDERACION NACIONAL SINDICAL NUEVO LIDERAZGO CAMPESINO."
Também advertem que os dirigentes da Marcha Patriótica foram declarados como ponta de lança da guerrilha, e quem continuar com as atividades políticas serão declarados, igualmente, objetivos militares deste grupo delinquente.
Além disso instam os ameaçados a abandonar a cidade de Bogotá em poucos dias. O comunicado foi assinado em maio pelo Bloco Capital das "Águias Negras", que opera na cidade de Bogotá.
Este comunicado tem uma relação direta com a denúncia feita pela ex-senadora Piedad Córdoba, acerca de ameaças a sua integridade física por causa da sua posição política.
Tradução: PCB – Partido Comunista Brasileiro

segunda-feira, 14 de maio de 2012

AS CONCEPÇÕES PÓS-MODERNAS DO ME


O medo individualista pós-moderno, expresso nas camadas pequeno burguesas despolitizadas, e a falta de tradição de lutas desses setores são fatores importantes para impulsionar formas de apreensão e percepção da realidade que tem sua conceituação voltada para trás.
Oque isso quer dizer?
Em primeiro lugar que o medo da greve, o receio de perder o semestre, a ânsia pela volta das aulas, demonstram que nessas cabecinhas, o poder instituído é eterno e imutável, aos moldes da divinização do progresso e do formato de Estado presentes na Ideologia hegeliana e no positivismo. Isso dá um medo, um “frio na barriga”, que nada mais é do que a sensação de pecar, o medo da punição eterna e torturante do pai divino.
Em segundo lugar, que o discurso fascista típico do CCC e do maccarthismo se torna presente quando as forças progressistas não conseguem se apresentar como alternativa confiável para as bases. Isso dá algumas tarefas aos companheiros que estão tocando a greve pra frente.
Ora, o próprio Marx na questão judaica nos alerta para que não atropelemos a base para não perder de vista o apoio das bases e das massas, o que implicava num tom mais ameno para o trato com consciências medrosas e despolitizadas, que não conseguiam se desvincular da visão religiosa, metafísica, divinista, irreal e que contribui para a manutenção do status quo.
Isso de maneira nenhuma significa tolerância ao machismo, à homofobia, ao elitismo, e a formas fascistas de apreensão da realidade.
Nesse sentido, é necessário um trabalho de base forte para politizar as pautas, o que significa articulá-las com o REUNI e, consequentemente, com o modo de produção hegemônico globalmente, discutir seriamente as táticas e estratégias do movimento, buscar ampliar nosso apoio e adesão para conquistar as pautas discutidas e deliberadas democraticamente, através de um amplo processo, que passou pelas plenárias do comando de greve, pelas assembleias de curso, e pela assembleia geral dos estudantes.
Os estudantes que seguem defendendo com veemência a burocracia, seja por puxa-saquismo, medo, falta de análise de conjuntura, oportunismo, carreirismo, ou por ter uma visão política direitosa e estreita convicta, devem ser combatidos politicamente, pois claramente representam um entrave aos interesses da nossa categoria – deliberados coletivamente, como já exposto acima – e defendem aos interesses da burocracia acadêmica, que quer retomar a ordem sem atender as reivindicações. Logo, fica claro – sem maniqueísmo – que assumem o papel de inimigos políticos.
Portanto, é importante demonstrar que as formas instituídas como estrutura de poder da universidade não são naturais, e que devem ser contestadas para que a correlação de forças fique favorável à categoria mais representativa e progressista da comunidade acadêmica, os estudantes.
A luta pela universidade popular passa pela estrutura de poder da universidade – que deve ser descentralizada -; passa pela demanda da extensão, da pesquisa e do ensino – que deve ser ditada pelos interesses políticos, econômicos e culturais das massas trabalhadoras – ; passa pela forma de organização do movimento estudantil – que deve organizar o DCE em conselhos de campus que elejam seus delegados, etc.
Por isso, estudantes, não tenham medo do bicho, ele pode te pegar, ele pode te matar, mas juntos e organizados ele corre de nós. Vamos fortalecer o comando de greve, preenchê-lo politicamente da forma adequada, assumir as práticas da crítica retificadora das concepções errôneas, reacionárias e pós-modernas, e realizar a auto-crítica quando for correto.
PELA UNIVERSIDADE POPULAR!
PELA AUTONOMIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL!
CONTRA OS PARASITAS ACADÊMICOS!
PELO DCE DE CONSELHOS!
TODA FORÇA A GREVE!

Wikileaks: EUA apoiou campanha contra Correa


imagemCrédito: Pátria Latina
Equador
Informações do Wikileaks revelam o apoio dos Estados Unidos em 2007 ao banqueiro Guillermo Lasso, atual presidente executivo do Banco de Guayaquil, em um plano estruturado para desestabilizar o nascente governo de Rafael Correa. Segundo os textos revelados pelo jornal público O Telégrafo, Lasso teve uma reunião em 12 de março de 2007 com esse objetivo, segundo informa a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Equador, Linda Jewell, em seu relatório do dia 20 do mesmo mês.
O banqueiro, que tinha se desempenhado como assessor do ex-presidente Lucio Gutiérrez, buscou apoio no próprio mandatário, em Jaime Nebot e Álvaro Noboa - que anunciou nesta semana sua postulação para presidente em 2013 - para executar seu plano.
"Um a um lhes chamou (Lasso) para inscrever em um esforço para combater as políticas de Correa (...) Disse que o enfoque da comunidade empresarial é desafiar a administração de Correa sobre princípios fundamentais e não para defender interesses particulares".
Segundo a nota que Lasso deu à embaixadora Jewell, "Gutiérrez está disposto a trabalhar com a comunidade empresarial, mas só em seus termos", mas agregou, "Noboa não compreende o que está ocorrendo no Equador", assegura.
"Nebot (atual prefeito de Guayaquil) é o mais inteligente dos três, mas optou exercer seu papel defendendo os interesses locais de Guayaquil", revela o informe da embaixadora dos Estados Unidos citando sua conversa com o banqueiro opositor.
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Finalmente Lasso revela à Embaixada que retiraria do ar uma campanha publicitária na qual vinculariam a gestão do presidente Correa com o da Venezuela, Hugo Chávez.
O informe indica que Lasso "colocou em marcha uma série de entradas na rádio, que inclui uma voz venezuelana discutindo sobre a situação no país e uma voz equatoriana lhe responde que não gostaria que o Equador estivesse na mesma situação".
"O setor privado equatoriano, geralmente rebelde, começou a desenvolver o que poderia se converter em uma resposta coerente às ameaças da administração de Correa", indica o documento e indica que a Embaixada mostrou seu interesse de apoiar o movimento com a condição de que "devem oferecer alternativas responsáveis".
A Embaixada dos Estados Unidos no Equador dá conta por essa via de todo um programa estruturado e desenhado pelas câmeras empresariais, desde campanha publicitária, contatos políticos, influência sobre deputados, até a solicitação à Embaixada de que jogue seu próprio papel.
Os vínculos com Estados Unidos dos de outrora e atuais opositores ao governo de Correa continuam chmando a atenção nacional que só conhecia algumas informações reveladas em diários privados sobre temas menos sensíveis que fato agora público.
Fonte: Prensa Latina