quarta-feira, 9 de maio de 2012

FARC confirmam que têm Langlois em seu poder


imagemCrédito: Prensa Latina
Prensa Latina
Bogotá, 7 mai (Prensa Latina) O Secretariado do Estado Maior das Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC) confirmou que unidades da Frente 15 têm em seu poder o jornalista francês Romeo Langlois.
Em um comunicado de sete pontos e divulgado hoje pela Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), com sede em Estocolmo, a máxima autoridade da guerrilha sustenta que Langlois está retido como prisioneiro de guerra.
Da mesma forma o Secretariado assinala que os jornalistas que o Exército leva consigo em suas operações militares, não cumprem o propósito imparcial de informar sobre a realidade, senão o de manipular esta para que sirva ao projeto de guerra contra o povo.
As FARC também se perguntam qual seria a atuação das autoridades, se um jornalista que com seu critério informativo e que acompanhasse as unidades guerrilheiras fosse capturado pelo Exército regular após um combate.
"A concepção contrainsurgente do Estado colombiano leva ao envolvimento de todos no seu lado da guerra, incluindo a imprensa", expressa o Secretariado no documento, com data de 3 de maio.
Por sua parte, a guerrilha sustenta que as liberdades de pensamento, expressão e informação não podem operar apenas para o benefício dos donos do capital e da terra.
"Nossa página na internet é atacada e bloqueada permanentemente, nossas emissoras são destruídas com bombas", assinala.
Assim mesmo, o Secretariado denuncia que o governo colombiano assassina, ameaça, encarcera ou desterra jornalistas nacionais ou estrangeiros que tentam investigar ou se informar sobre a versão não oficial do conflito.
Por outra parte, esclarece que Langlois vestia uniforme militar do Exército regular no meio de um combate.
Achamos que o mínimo que se pode esperar para a recuperação de sua plena mobilidade é a abertura de um amplo debate nacional e internacional sobre a liberdade de informação, agrega.
As FARC manifestam que é um velho costume do Exército colombiano empreender aventureiras operações de resgate com o deliberado propósito de que a vida dos prisioneiros se perca.
Considera mais próxima a vitória caso jogue a imprensa contra nós. Esperamos que não seja este o caso, esclarece.
Langlois, de 35 anos e correspondente da televisão France 24, realizava uma reportagem sobre operações antidrogas das Forças Militares no último 28 de abril em Caquetá, quando se registraram combates com a guerrilha.
Diante dessa situação, de acordo com a versão de alguns militares, o jornalista despojou-se do capacete e do colete à prova de balas que portava e correu para onde se encontrava o grupo insurgente.
Desde então sua situação era desconhecida até que neste domingo a Frente 15 das FARC divulgou um vídeo no qual informou que Langlois está em seu poder.
No entanto, espera-se que sua libertação ocorra em breve, segundo foi anunciado através de uma conta na rede social Twitter atribuída à guerrilha.
"Informamos que o prisioneiro de guerra: Roméo Langlois, jornalista francês, logo será libertado são e salvo", assinala uma das mensagens na conta @Farc_colombia.
mgt/acl/es
http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=504362

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Prêmio Nobel da Paz


REFLEXÕES DO CAMARADA FIDEL CASTRO
QUASE não falarei do povo cubano, que um dia apagou de sua pátria o domínio dos Estados Unidos, quando o sistema imperialista tinha alcançado o ponto culminante de seu poder.
  Homens e mulheres das mais diversas idades desfilaram no 1º de maio pelas praças mais simbólicas de todas as províncias do país.
  Nossa Revolução surgiu no lugar menos esperado pelo império, em um hemisfério onde atuava como dono absoluto.
  Cuba passou a ser o último país a livrar-se do jugo colonial espanhol e o primeiro a sacudir a odiosa tutela imperialista.
  Penso hoje fundamentalmente na irmã República Bolivariana da Venezuela e sua luta heróica contra o saque desapiedado dos recursos com que a natureza dotou esse nobre e abnegado povo, que um dia levou seus soldados aos rincões afastados deste continente para pôr de joelhos o poderio militar espanhol.
  Cuba não necessita explicar por que temos sido solidários, não só com todos os países deste hemisfério, mas também com muitos da África e outras regiões do mundo.
A Revolução Bolivariana tem sido também solidária com nossa pátria, e seu apoio a nosso país se converteu em um fato de grande importância nos anos do Período Especial. Essa cooperação, contudo, não foi fruto de nenhuma solicitação por parte de Cuba, como tampouco estabelecemos nenhuma condição aos povos que requeriam nossos serviços educacionais ou médicos. Em qualquer circunstância, teríamos oferecido a máxima ajuda à Venezuela.
  Cooperar com outros povos explorados e pobres sempre foi para os revolucionários cubanos um princípio político e um dever com a humanidade.
  Fico enormemente satisfeito ao observar, como observei ontem, através da Venezuelana de Televisão e da Telesul, o profundo impacto que produziu no povo irmão da Venezuela a Lei Orgânica do Trabalho, promulgada pelo líder bolivariano, o presidente da República, Hugo Chávez Frias. Jamais vi nada parecido no cenário político de nosso hemisfério.
  Prestei atenção à enorme multidão que se reuniu em praças e avenidas de Caracas e, em especial, às palavras espontâneas dos cidadãos entrevistados. Poucas vezes vi, e talvez nunca, o nível de emoção e esperança que estes colocavam em suas declarações. Podia-se observar com clareza que a imensa maioria da população é constituída por trabalhadores humildes. Uma verdadeira batalha de ideias está sendo travada com força.
  Rafael Correa, presidente do Equador, declarou valentemente que mais do que uma época de mudança estamos vivendo uma mudança de época. Ambos, Rafael Correa e Hugo Chávez, são cristãos. Obama, porém, é o quê? Em que acredita?
  Ao completar-se o primeiro aniversário do assassinato de Bin Laden, Obama concorre com seu rival Mitt Romney na justificação daquele ato perpetrado em uma instalação próxima à Academia Militar do Paquistão, país islâmico aliado dos Estados Unidos.
  Marx e Engels nunca falaram em assassinar os burgueses. No velho conceito burguês os juízes julgavam, os verdugos executavam.
  Não há dúvidas de que Obama era cristão; em uma das vertentes dessa religião aprendeu o ofício de transmitir suas ideias, uma arte que significou muito para ele em sua acelerada ascensão dentro da hierarquia de seu partido.
  Na declaração de princípios da Filadélfia, em julho de 1776, afirmava-se que todos os homens nasciam livres e iguais e a todos seu criador concedia determinados direitos. Pelo que se conhece, três quartos de século depois da independência, os escravos negros continuavam sendo vendidos nas praças públicas com suas mulheres e filhos, e quase dois séculos depois, Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, teve um sonho mas foi assassinado.
  O júri de Oslo obsequiou seu prêmio e Obama tinha-se convertido quase em uma lenda. Não obstante, milhões de pessoas devem ter visto as cenas. O Prêmio Nobel Barack Obama viajou aceleradamente ao Afeganistão, como se o mundo ignorasse os assassinatos em massa, a queima de livros sagrados para os muçulmanos e os ultrajes dos cadáveres das pessoas assassinadas.
  Nenhuma pessoa honesta jamais estará de acordo com os atos terroristas, mas por acaso o presidente dos Estados Unidos tem o direito de julgar e de matar; de converter-se em tribunal e ao mesmo tempo em carrasco e levar a cabo tais crimes, em um país e contra um povo situado no lado oposto do planeta?
  Vimos o presidente dos Estados Unidos subindo a trote os degraus de uma empinada escada, em mangas de camisa, avançar a passos acelerados por um corredor e depois parar para impingir um discurso a um numeroso contingente de militares que aplaudiam com relutância as palavras do ilustre presidente. Nem todos aqueles homens nasceram cidadãos norte-americanos. Eu pensava nos colossais gastos que isso implica e que o mundo paga, pois quem se responsabiliza por esse enorme gasto que já ultrapassa os US$ 15 trilhões? É isso que o ilustre Prêmio Nobel da Paz oferece à humanidade.
Fidel Castro Ruz
3 de maio de 2012
19h50

O PCB nas eleições de 2012




imagemCrédito: PCB
(Comunicado Público do Comitê Central)
Antes do prazo de um ano para filiações partidárias para efeito de concorrer às eleições de outubro de 2012, a CPN do CC do PCB divulgou amplamente, através da nossa página e aos Comitês Regionais e Municipais o seguinte Comunicado Público:
“Aos Comitês Regionais, aos militantes do PCB em todo o país e aos interessados em geral.
Nos últimos meses, o Comitê Central (CC) do PCB destituiu, política e juridicamente, diversas direções estaduais em alguns Estados da Federação. Por outro lado, Comitês Regionais, por orientação do CC, adotaram o mesmo procedimento em relação a algumas direções municipais.
Todas essas direções destituídas não tinham qualquer vida orgânica partidária, existindo apenas para disputar eleições e/ou promover coligações espúrias, fora da linha política do PCB. Em alguns casos, elegeram-se vereadores, em nome do PCB, sem o conhecimento do CC. Ao invés de recrutarem militantes para o Partido, em verdade essas direções destituídas “filiavam” futuros candidatos ou “cabos eleitorais”. Em muitos casos, o nome do PCB foi usado para obscuras transações.
Em muitos desses Estados e Municípios, já reconstruímos verdadeiras organizações partidárias, nos moldes da linha política e orgânica do Partido e nos termos do nosso Estatuto.
Apesar disso, temos notícias de que, em alguns municípios, ainda há registros cartoriais de comitês e “filiados” em nome do PCB, reconhecidos pela justiça eleitoral local, mas não pelo Partido.
O presente comunicado é para informar que só terão a tarefa de serem candidatos às eleições de 2012 militantes reconhecidos e escolhidos pelo PCB, nos municípios onde julgarmos importante participar. A candidatura de um militante comunista não se dá por sua vontade, mas apenas por decisão partidária.
A urgência deste comunicado se deve ao fato de que no dia 14 deste mês se encerra o prazo legal para um candidato estar filiado juridicamente a um partido para que possa ser candidato por ele às eleições municipais de 2012.
Assim sendo, voltamos a recomendar a todos aqueles que, apesar de não militarem em nosso Partido, estejam registrados na sua zona eleitoral como filiados ao PCB, na expectativa de serem candidatos, que procurem imediatamente outro partido para se filiar, pois não serão candidatos pelo PCB. Caso sejam registradas candidaturas de não militantes e coligações em municípios em que o PCB não está organizado e/ou com partidos fora de nossa política de alianças, a direção do Partido vai imediatamente impugnar a candidatura e/ou a coligação e dissolver o comitêartificial.
Se, após este prazo legal, alguns desses filiados se considerarem comunistas de fato, podem contar com as direções e os militantes do nosso Partido em sua região, para que possam conhecernossa linha política e nossos princípios com vistas a militar no Partido Comunista Brasileiro”.
Apesar deste comunicado, objetivo e tempestivo, continuamos tomando conhecimento de que, em alguns municípios, em nome do PCB, se vêm construindo candidaturas e alianças fora da linha política e dos critérios estabelecidos no Comunicado acima transcrito.
Enganam-se aqueles que querem fazer do PCB um biombo para seus projetos pessoais e negociatas, como se o partido fosse uma legenda de aluguel. O PCB não terá candidato nem vereador eleito que não tenha vínculo militante com o Partido.
Assim sendo, o Secretariado Nacional, ouvida quando necessário a CPN, deve adotar todas as medidas disciplinares e jurídicas para garantir a identidade política do PCB e o respeito às suas instâncias de direção, antes, durante e mesmo após as eleições, nos casos em que o transgressor conseguir se candidatar a despeito da vontade do Partido, através de recursos na justiça eleitoral municipal.
Como as eleições municipais são pulverizadas, pedimos aos CRs e CMs e à militância em geral que fiquem atentos a notícias de transgressões da linha partidária, informando imediatamente à Secretaria Nacional de Organização ( pcb@pcb.org.br ), para que possamos adotar as providências necessárias.
Mas chamamos a atenção da militância para não cair no erro oposto, ou seja, na subestimação da participação no processo eleitoral, momento importante para apresentarmos nossa visão de mundo, nossas propostas de mudanças profundas, nossa luta pela construção da frente anticapitalista e anti-imperialista e, sobretudo, para fazermos um contraponto ao pensamento único que em geralprevalecerá na campanha e a denúncia das limitações da democracia burguesa.
A escolha dos nossos candidatos, nas cidades onde o PCB tiver existência real, deve recair sobre camaradas que têm mais ligações com as massas e que melhor expressam a nossa linha política. Devem ser candidatos de consenso, porque entre os comunistas não pode haver disputas por candidaturas que, em verdade, são tarefas partidárias.
É possível e desejável eleger parlamentares comunistas que se diferenciem do cretinismo parlamentar e que coloquem o mandato a serviço das lutas populares.
Mas não nos iludamos. Com as regras eleitorais elaboradas para beneficiar os chamados “grandes” partidos e sem conciliação e oportunismo, elegermos poucos e bons vereadores.
Só teremos mais parlamentares comunistas – sem ilusão nem objetivo de tamanho de bancadas – quando superarmos nossa principal insuficiência, o enraizamento do Partido entre as massas.
28 de abril de 2012
Comitê Central
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PS: vejam em anexo as resoluções da Conferência Política Nacional sobre “A luta no terreno eleitoral e a Frente de Esquerda”.

KKE: Na linha de frente das lutas de hoje contra a nova tempestade dirigida à classe trabalhadora




 
imagemCrédito: KKE
07/05/2012
Declaração da Secretária Geral do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia, Aleka Papariga, sobre os resultados eleitorais de 06 de maio de 2012
"O resultado das eleições mostram, em definitivo, uma reversão do cenário político com que estavamos familiarizados com a interrupção da rotatividade entre dois partidos, o PASOK e o ND. Estamos ingressando em uma fase de transição onde haverá uma tentativa de criar uma nova cena política com novas formações, novas figuras, com uma orientação de centro-direita ou com base em uma nova democracia social, que terá SYRIZA em seu núcleo, visando impedir o radicalismo crescente das pessoas que levaria à uma mudança em favor do povo. Como decorrência destas eleições, ou de eleições em futuro breve (NT: diante de um resultado eleitoral que não permita a formação de um novo governo, é possível, não provável, a convocação de novas eleições), haverá uma tentativa de formar um governo com a participação de todos os partidos, um governo de unidade nacional, ou um governo de coalizão que vise, justamente, evitar a criação de uma corrente majoritária que lute por mudanças.
Dirigimo-nos aos membros do partido, aos membros da KNE (juventude comunista grega), aos amigos, aos apoiadores, aos eleitores, às pessoas que colaboraram com o partido, a todos que estiveram conosco na linha de frente do movimento e da batalha eleitoral, para convocá-los a estarem de novo na linha de frente das lutas dos próximos dias porque são prementes as sérias questões  em andamento, tais como os acordos coletivos de trabalho, a proteção dos desempregados, a falência dos fundos de segurança social, as novas medidas  que implicam num montante entre 11,5 a 14,5 bilhões de euros que serão pagos através dos bolsos do povo. Não podemos perder tempo. As pessoas não devem perder tempo.
Apelamos aos eleitores do PASOK e do ND, em particular àqueles que pertencem à classe trabalhadora e a outros estratos populares, para estarem na linha de frente, também, conosco e com outras militâncias, nas lutas, nos locais de trabalho, nas escolas e universidades, nos bairros populares. Assim, juntos, teremos condições de dar um novo impulso e um caráter de massas para a luta. Chamamos a atenção  das pessoas para não serem enganadas pela tentativa de disfarçar o sistema político que terá lugar nos dias e meses a seguir. Os resultados das eleições, apesar dos votos estrem dispersos em ambas as direções, direita e esquerda, demonstram, objetivamente, uma tendência positiva: as mudanças radicais estão amadurecendo ou amadurecerão na consciência popular, o movimento por mudanças vai amadurecer e que esse movimento não estará longe, ou, mais ainda, não estará em oposição à proposta política do KKE sobre os problemas imediatos, para  a formação do poder popular, do poder aos trabalhadores.
Consideramos significativo, positivo e, ao mesmo tempo, um grande legado para o próximo período o fato de enfrentarmos, com nossas próprias forças, os pró-europeus, as forças pró-União Européiana sua totalidade, independentemente das posições que tomaram sobre o memorando (o acordo sobre as medidas de austeridade), o fato de lutarmos para promover a nossa própria proposta alternativa que dá uma resposta satisfatória aos interesses do povo. Consideramos que nossa proposta constitui um legado significativo para o povo e, claro, irá adicionar um novo impulso para as lutas do povo. Nós sentimos que as nossas responsabilidades e o nosso papel em relação ao povo e seus problemas devem ser reforçados e acreditamos, na verdade temos a certeza, que continuaremos a ser a força insubstituível que defende os interesses do povo.
Quanto ao resultado da eleição do KKE: é claro que o Comitê Central vai emitir uma avaliação mais profunda, depois de estudar os resultados como um todo e as tendências do eleitorado em cada região, de modo a tirar conclusões mais completas. Mas, podemos dizer que o KKE ultrapassou, literalmente, obstáculos em ambos os lados. De um lado havia a raiva, o protesto, a indignação,absolutamente justificadas, porém se manifestavam sem convergência, sem uma focagem e do outro lado havia as ilusões. Como os resultados mostram até agora, o KKE teve um pequeno crescimento eleitoral. Claro que gostaríamos de ter obtido um resultado melhor. No entanto, é preciso dizer que o CC e o Partido, como um todo, não tinham ilusões de que a votação do KKE cresceria exponencialmente, isto porque o desempenho do KKE nas eleições estava, acima de tudo, relacionado com a formação não só de um movimento de pessoas militantes, como também visava a formação de uma poderosa corrente majoritária que se livraria dos falsos dilemas bem conhecidos, como também das ilusões restauradas pelo Governo e a Troika.
O KKE havia tornado público, oportunamente e sem qulquer hesitação, antes das eleições, qual o seu posicionamento em relação a qualquer governo que surgissedas eleições, fosse de centro-direita, de centro-esquerda ou de "esquerda", ou, ainda, no caso de um governo de união nacional ou governo de todos os partidos como está sendo discutido agora.
Esclarecemos a nossa posição: temos a certeza de que nem o PASOK, nem o ND, nos oferecerá uma proposta de cooperação-coligação. Eles estão bem conscientes das diferenças profundas entre nós.Mas, gostariamos de responder, mais uma vez, a proposta que SYRIZA repetiu, após as eleições, relativas à formação de um governo de esquerda. Vamos responder com clareza, sem invocar o que todos nós podemos ver, ou seja, que os votos e as cadeiras não são suficientes. Talvez SYRIZA acredite que o número de cadeiras no Parlamento seja suficiente porque vai tentar ganhar apoio e votos de deputados de todos os outros partidos. Nós esclarecemos a nossa posição: continuamos a dizer não para essa coligação porque, em última análise, não chegamos a essa posição de não participar de coligação governamental em virtude de nossas eventuais expectativas, altas ou baixas, em relação aos resultados das eleições.
Ouvimos que o presidente do SYRIZA vai pedir uma reunião e que quer manter discussões reservadas sobre o programa do governo de coalizão. Logicamente quem faz uma proposta para um governo de coalizão deveria ter dito em detalhes, antes das eleições, o que irá fazer em junho, em julho, em relação a questões concretas, etc, em vez de slogans gerais e denúncias gerais do memorando. Pelo menos tais propostas deveriam estar prontas agora. O que eles querem exatamente? Apenas ouvimos falar sobre algumas compensações que podem ser asseguradas ou outras coisas que tais.
No entanto, um governo, independentemente de sua composição, deve lidar com todo o espectro dos problemas. Não deveria apenas denunciar o memorando, mas devolver ao povo os direitos, os benefícios que foram abolidos antes da ocorrência do memorando - porque a maioria desses direitos foram perdidos antes do memorando, bem como muitos outros foram abolidos após o memorando. Um governo tem que administrar tudo e não apenas o auxílio ao desemprego, como foi mencionado. Tem de gerir as questões da economia, a posição dos grupos empresariais em relação aos trabalhadores, a lista das privatizações adotada nos anos anteriores. Tem de lidar com questões de política externa, como os compromissos gerais com a UE, a NATO, a aliança estratégica com os EUA.Não se pode falar em governo que se reduza a rasgar, em pedaços, os acordos, faça uma política abstrata e só promova o pacote de medidas do dia seguinte.
Para concordar com tal governo, o KKE precisaria fazer uma volta de 180°, ou um salto mortal e não apenas um pequeno recuo, um pequeno desvio. Faria uma mudança radical. Acima de tudo, faria concessões inaceitáveis por​​que não dizem respeito com os interesses do povo. Talvez as pessoas não estejam interessadas ​​na pureza ideológica dos vários partidos, mas, sim, em um partido que, durante todos estes anos, desde o primeiro momento de sua fundação, tem estado na linha de frente da luta e não quer abandonar esta posição em troca alguns ministérios. As pessoas não precisam deste tipo de KKE ".
ATENAS
06/05/2012
A Assessoria de Imprensa do CC do KKE

COMO HÁ 90 ANOS, COMUNISTAS SE REÚNEM EM NITERÓI!




imagemCrédito: PCB
Niterói, capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, foi o cenário das atividades em comemoração aos 90 anos de PCB no dia 25 de março. Comunistas de todos os estados do país e representantes de delegações internacionais viveram momentos de intenso simbolismo - afinal de contas, o Partido Comunista foi fundado nesta cidade - no exato dia em que o PCB comemorava seu aniversário.
O local onde o PCB nasceu foi palco de uma manifestação na manhã daquele domingo. Bandeiras, trânsito parado, palavras de ordem, o ânimo e o orgulho dos comunistas ali presentes rememorava o heroico ato daqueles nove delegados presentes ao Congresso de Fundação, realizado em 1922. E eles estavam ali representados em uma placa comemorativa aos 90 anos que agora adorna a sede nacional do Partido, no Rio de Janeiro.
Após o ato, os comunistas se dirigiram para a Câmara Municipal de Niterói, na qual houve Sessão Solene em homenagem aos 90 anos promovida pelo vereador Renatinho (PSOL). Durante o ato, o camarada Frank Svensson recebeu a Medalha Dinarco Reis e dois próceres da Reconstrução Revolucionária do PCB, Horácio Macedo (in memorian) e Zuleide Faria de Melo, foram homenageados pelo legislativo niteroiense.
O ponto alto do evento, entretanto, foi a aprovação - por aclamação - da Declaração dos 90 anos, que emocionou a todos os presentes. Logo após o ato, houve um almoço de confraternização na cidade onde começaram a organizar esse patrimônio da classe trabalhadora brasileira e internacional que é o PCB

sexta-feira, 4 de maio de 2012

manifesto da ocupação


 

Nós, que asssinamos este manifesto, os que ocupam a Diretoria do campus Guarulhos, não temos rosto nem RG, mas somos o coletivo que responde aos ataques dessa burocracia universitária. Não temos apenas opiniões individuais, mas, sobretudo, essas opiniões individuais – tantas vezes conflitantes – constroem ações coletivas.  Bem vindos à OCUPAÇÃO.
Importante ressaltar que, se é preciso chegar a essa situação, é unicamente responsabilidade dessa Administração que além de criar campi com o interesse de gerar votos eleitorais a cada dois anos – mas que, em verdade, cria uma Universidade em ruínas, sucateada, desde o seu início – levando a contradições que essa burocracia não consegue aguentar. Além disso, os responsáveis por tal situação se negam a negociar as nossas reivindicações. Até agora, a Reitoria se nega a negociar com o movimento de greve, como fica explícito na reunião com o Pró-Reitor de Assuntos Estudantis, prof. Leduíno, no dia 03/05.
Desde 2007, a Reitoria, assim como a Diretoria do campus só negocia, quando o cacetete policial e as promessas ilusórias não consegue colocar “panos quentes” na situação. Essa política habilidosa leva, muitas vezes, a confundir a opinião pública, a criminalizar o movimento estudantil como deliquentes, arruaceiros, bandidos, etc. Contudo, foi o ex-reitor Ulysses Fagundes Neto que renunciou após pressões de todos os lados devido aos desvios de milhões de reais gastos no cartão corporativo (desde viagens à Disney até a compra de barbeadores de marfim!). Quem deveria ser enquadrado como formação de quadrilha: os estudantes que ocuparam a reitoria contra os desvios de verba, ou o ex-reitor que foi obrigado a renunciar para tirar de cena todos os elos da corrupção que assola a UNIFESP?!
Apesar do Reitor Albertoni não estar (ainda) cambaleando, é claro e notório que essa Universidade vive uma crise política sem precedentes. Os acontecimentos na Baixada recentemente, o descaso de Guarulhos, a situação de Osasco, os campi desestruturados e acorrida ao ouro da expansão de mais e mais campi expressam isso. Não podemos aceitar essa ausência de projeto. Aceitaremos, mais e outra vez, essa situação? Não!
A Diretoria Acadêmica do campus Guarulhos, em seu desespero latente, tem respondido às reivindicações? De que forma? Desfazendo os piquetes; trancando as salas da Universidade; fazendo B.O. contra os estudantes; dando queixa na Polícia Federal e na Procuradoria; abrindo uma sindicância por dia a cada ação que o movimento dos estudantes visa garantir a greve, que tem sofrido duros ataques. Ou seja: os estudantes fazem greve; a Diretoria ataca o direito de greve desobstruindo os piquetes e incitando alguns setores a atacarem a Greve. O movimento defende os piquetes tendo em vista fortalecer a greve. Abrem-se sindicâncias contra os “supostos casos de violência” do movimento estudantil.
Soa até mesmo como uma história fantasiosa. Mas a tragédia é que essa históriaesquizofrênica é real. No dia 03 de maio de 2012, a Congregação da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) aprovou um ataque aos estudantes: abertura de sindicância (processo administrativo interno da universidade, de investigação-punição) sob alegação de desrespeito, agressão verbal, desacato, insulto, danificação aos bens sob responsabilidade da UNIFESP, e impedimento do livre exercício do trabalho no campus. Diante da gravidade dos ataques, o movimento deu a resposta.
Resistir aos ataques da burocracia. É isso que estamos fazendo. Responder à altura é mostrar a força do movimento e que esses ataques tem o fim de não negociar as reivindicações legítimas do movimento. Portanto, exigimos a reunião de negociação com o movimento de greve e a Reitoria!
Estudantes: as ações ilegais da Diretoria Acadêmica mostram seu desespero, e também deixam em relevo que sua cabeça está por um fio. Quem o derrubará? O reitor ou o movimento estudantil? O tempo dirá…
LUTAR! OCUPAR! CONQUISTAR!
Reitor e Diretor, vocês têm total responsabilidade pela crise institucional em que se aprofunda.
Até quando abusarás da nossa paciência, Reitoria e Diretoria? Até quando?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Nota Oficial sobre a Ocupação da Diretoria Acadêmica



É de conhecimento de todos que os estudantes da Universidade Federal de São Paulo-Campus Guarulhos estão em greve há 42 dias. Também é conhecimento de todos os motivos que movem a nossa mobilização, que partem tanto dos problemas infraestruturais decorrentes de uma expansão sem qualidade, quanto da crise institucional e política que o Campus da Unifesp Guarulhos enfrenta hoje.
Estamos paralisados com o intuito de alcançar uma negociação efetiva no que tange as nossas pautas mínimas, estas que giram em torno de condições básicas de funcionamento de um ambiente universitário, como salas de aula suficientes, ampliação do espaço da biblioteca, laboratórios de pesquisa e informática, moradia estudantil, creche para estudantes e funcionários, etc., muitas dessas questões que poderiam ser sanadas com a construção do nosso prédio central. Entendemos, ainda, que essas condições refletem uma expansão universitária sem planejamento, em que espaços inicialmente provisórios se tornam permanentes, assim como a má gestão e falta de transparência dos responsáveis.
Além disso, nos mobilizamos contra a criminalização do movimento estudantil, que inicialmente se baseava nos processos enfrentados por 48 estudantes, mas que nesse momento tem ganhado maior expressão tendo em vista os últimos acontecimentos ocorridos. No Ato Unificado do dia 22 de abril em frente à Reitoria da Unifesp, fomos recebidos pela Tropa de Choque e aguardamos por quatro horas para conseguir entregar a nossa pauta de reivindicações ao reitor. Aqui no campus, cotidianamente, temos percebido ações frequentes por parte da Diretoria Acadêmica que caminham no mesmo sentido, como o fechamento de espaços da universidade antes do horário previsto, a utilização de e-mail institucional para campanha contra a greve, a vigilância da mobilização estudantil  e o encaminhamento de boletins de ocorrência contra o mesmo.  
Hoje, ainda, pudemos acompanhar na reunião da Congregação o encaminhamento de uma Comissão de Sindicância para avaliar a mobilização dos estudantes com um possível processo punitivo contra os alunos, o que consideramos uma incoerência diante da formação de uma Comissão de Intermediação com os estudantes em greve para a mediação dos atuais conflitos. No entanto, permanecemos abertos e dispostos a manter a reunião de amanhã prevista com a referente Comissão para melhor esclarecermos nosso posicionamento e intenções.
Isso pode ser verificado na prática quando nos mostramos dispostos a dialogar com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) hoje, em reunião solicitada pelos estudantes no campus. Consideramos um avanço a abertura com tal instância, mas após a solicitação de uma reunião de negociação com o Reitor para a próxima semana, fomos informados que o mesmo está disposto a se reunir com a Comissão de Negociação em São Paulo somente após o término da greve. No entanto, entendemos que a greve estudantil é um instrumento legítimo de reivindicação, e a saída da mesma anteriormente a qualquer negociação é não ter garantia que nossas reivindicações sejam atendidas, e tal ação é uma clara medida para desmobilizar o movimento dos estudantes.
Tendo em vista a atual conjuntura, avaliamos em Plenária do Comando de greve, instância legítima deliberada em Assembleia Geral dos estudantes, a necessidade de uma radicalização do movimento estudantil que pudesse responder aos recentes ataques e pressionar uma negociação urgente com a Reitoria. A alternativa proposta e deliberada foi a atual Ocupação da Diretoria Acadêmica, como forma de evidenciar o engessamento das estruturas de poder da Unifesp e paralisar as atividades do Campus Guarulhos no sentido de inverter a correlação de forças a nosso favor.
Por fim, reiteramos que constituímos aqui um movimento pacífico , mas que vê a Ocupação como instrumento político necessário para o encaminhamento de nossas conquistas visto a intransigência da Reitoria e Diretoria Acadêmica.
Comando de Greve dos Estudantes
Campus Guarulhos/Unifesp

Apoio militante à ocupação da Diretoria Acadêmica da Unifesp Guarulhos.


No dia 3 de Maio, em plenária do Comando de Greve dos estudantes da Unifesp, foi aprovada a ocupação da Diretoria Acadêmica. Essa ação foi posta em prática devido ao entendimento do movimento de greve de que a Congregação – espécie de parlamento do Campus presidida pelo diretor - ataca o movimento quando exige a abertura de sindicâncias contra os estudantes em luta.
A Congregação passa por cima da Pró reitoria de Assuntos estudantis (PRAE), que no mesmo momento em que a Congregação aprovava a repressão ao movimento, dizia aos estudantes que esses casos não seriam resolvidos por meios policiais, jurídicos ou disciplinares. Fica clara com isso a falácia proferida pela direita do Campus, da defesa da “democracia” e o combate à “violência” ou o “fascismo” atribuído aos lutadores, sejam de que categoria for.
Essa mesma direita é a que defende a saída do Campus da periferia, que defende o fim dos piquetes, que quer abrir sindicâncias, que quer aterrorizar os calouros para desmobilizar o movimento, que fura a greve, que faz provocações e ameaças para desagregar e romper a unidade. São esses setores que devem ser combatidos firmemente.
É nesse ponto tático que o movimento grevista é empurrado para um avanço no seu método e ocupa a Diretoria Acadêmica. Essa ocupação põe a nu o caráter privatizante, mercadorizado, precarizado do REUNI e do projeto burguês de educação no Brasil e no mundo como um todo. Põe a nu pois escancara as contradições que surgem nesse processo, expõe os setores descontentes com esse estado de coisas, e os limites do diálogo institucional - que acontece de cima para baixo, com respostas secas e negativas. Além disso, mostra o endurecimento do governo Dilma, como resposta a crise de superprodução que o Capital passa no mundo todo – e no Brasil não tem porque ser diferente, como se vê no Ascenso de greves operárias, estudantis e do funcionalismo.
Todas as alternativas de diálogo foram usadas, desde a pauta de reivindicações entregue na reitoria por um estudante delegado, a entrega da pauta para o diretor acadêmico, audiência pública com o diretor, entrega da pauta para o reitor em ato – recepcionado pela tropa de choque. No entanto, há sempre a resposta negativa já exposta.

Isso não deixou outras alternativas ao movimento, a não ser uma maior contundência em suas exigências. Que continuam as mesmas, a saber, que haja negociação da pauta de reivindicações com o reitor da Unifesp.

O Partido Comunista Brasileiro apoia o movimento estudantil combativo e suas lutas, entendemos que os métodos usados foram discutidos na base e aprovados democraticamente no comando de greve. Não se trata de uma ação oportunista ou aventureira, mas sim de uma articulação tática surgida no seio do movimento, trazida à prática pela compreensão coletiva de que as vias utilizadas já haviam se esgotado e que a ocupação era necessária para a conquista efetiva da pauta de reivindicações dos estudantes em luta na Unifesp.

Todo apoio à ocupação da Unifesp

 Ousar lutar, ousar vencer!

Hoje, os bravos venceram.




Milton Pinheiro*

Os dois últimos dias foram marcados pelo horror que vazou dos porões da ditadura, que se encontra em polvorosa diante da possibilidade da comissão da verdade se estabelecer. São informações colhidas pelos jornalistas que entrevistaram o verme Cláudio Antônio Guerra, delegado do DOPS do Espírito Santo, refugiado na aposentadoria que o Estado conivente lhe premiou, sobre o desaparecimento de presos políticos. 
Não estou preocupado se a confraria do crime matou o comparsa, Sérgio Fleury. Estou indignado pelo conjunto das informações que esse celerado, Cláudio Guerra, passou. São crimes contra a humanidade, são manifestações de bestialidade organizada pela classe dominante para manter os seus privilégios.
Hoje, 03 de maio, acordei com o compromisso de encontrar camaradas: homens e mulheres, na frente do ex-prédio do DOI-CODI na Rua Tutóia, para fazermos uma manifestação cobrando punição para os criminosos da ditadura burgo-militar de 1964.
Marchei para o ponto marcado, fazia frio nas cercanias do Ibirapuera e o dia estava cinzento. Lá estavam jovens indignados, ex-presos políticos que sobreviveram ao massacre da ditadura, e militantes. Ouvimos depoimentos dos sobreviventes do “porão do inferno”, visitamos o fundo do prédio onde muitos foram martirizados e foram assassinados, mais de 50 heróis do povo brasileiro, entre eles, os comunistas Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho.
A manifestação prosseguiu, os nomes dos bravos lutadores assassinados foram levantados, e tal qual a lança do guerreiro, o brado forte dos presentes cortou o vento gelado e fez surgir o sol entre nós. Um-a-um, o nome dos mártires foi saudado pelo grito forte de “presente, agora e sempre”.
Entre tantos nomes saudados pela memória dos presentes, bravos homens e mulheres, um, ecoou pelo pátio da delegacia e adentrou o meu pensar, “Nestor Veras: presente, agora e sempre”. Mas em tempos de combate, onde a terra ainda é tingida de sangue no Brasil, quem é esse homem que lutou ao lado dos trabalhadores e pelo futuro, entregou a sua vida?
Nestor Veras, líder camponês, nasceu em 19 de julho de 1915, em Ribeirão Preto, São Paulo. Era dirigente do CC do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e encarregado do trabalho no campo. Foi dirigente da ULTAB e da CONTAG, fundador e editor do jornal Terra Livre. Ao lado de Francisco Julião e Alberto Passos Guimarães, organizou o Congresso Camponês que ocorreu em Belo Horizonte, em 1961. Cassado pelo AI-I foi condenado a cinco anos de cárcere pela LSN – lei de segurança nacional, passou a viver na clandestinidade, mesmo tendo uma companheira e cinco filhos.
Esse bravo comunista foi preso em abril de 1975, quando passava na frente de uma drogaria, em Belo Horizonte. Estava desaparecido até ontem, quando ficamos sabendo, via um representante da escória da ditadura, que Nestor Veras “tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”
 Após ter participado da manifestação, pela tarde fui para meu rotineiro trabalho de pesquisa no arquivo do Centro de Documentação e Memória da UNESP, o CEDEM. Lá encontrei um jovem estudante da UNIFESP que trabalhava com um conjunto de caixas do arquivo que continham informações da luta camponesa e da reforma agrária no Brasil, todas com o nome de Nestor Veras. Examinei as caixas com os documentos e encontrei a presença do dirigente camponês em tudo: textos, recortes de jornais, artigos na Voz Operária, congressos, assembléias, conferências, resoluções, informes, análise sobre as lutas dos trabalhadores do campo e da cidade. Esse foi o camponês que pensou o Brasil e lutou pela revolução socialista. Nestor Veras, homem simples da classe trabalhadora que teve um texto seu, colocado em um livro da Brasiliense por Caio Prado Júnior. Homem de combate, mas que encontrava tempo para tocar clarineta para os filhos.
Comovido diante daquela cena, pude então compreender que os bravos que tombaram, de forma desassombrada, pelos interesses dos trabalhadores brasileiros, venceram.  Eles venceram o silêncio da repressão e a conivência do Estado, venceram o luto cínico das instituições e o papel asqueroso da imprensa burguesa. Eles venceram, porque estão presentes na vontade de saber da juventude, venceram porque marcham ao nosso lado na luta sem trégua pela revolução brasileira.
Hoje, mais do que nunca, os bravos venceram!
E nós, militantes em defesa da humanidade saberemos, quando chegar o momento, honrar o compromisso feito por Carlos Danielli (momentos antes de ser assassinado) ao escrever com o líquido vermelho das suas veias nas paredes do DOI-CODI: “o meu sangue será vingado”. Afinal, “por nossos mortos nem um minuto de silêncio, toda uma vida de combate”.


*Milton Pinheiro é professor e militante comunista.     

quarta-feira, 2 de maio de 2012

MANIFESTO DE FUNDAÇÃO DO BARRACÃO CARLOS MARIGHELLA


“É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer. Há aqueles que tem vocação para escravo. Mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.”

Marighella! Marighella! Marighella! Zumbi! Lamarca! Antonio Conselheiro! Maria Bonita! A Classe Operária!
Ficha de militância do Marighella no Partidão - PCB
Depredação do patrimônio público? Espaço! Vazio! Construção! Coletiva! Subversão! Cultura! Marginal! Tapumes? Parede! Lona? Teto! Madeira? Fogueira! Martelo! Prego! Calo: Resistência!
Revolução Barracão Carlos Marighella!

F106 MARIGHELLA (2)

Ato unitário do movimento estudantil da Unifesp na reitoria

Protesto contra os 52 Milhões de reias desaparecidos que deveriam ser destinados a construção de um prédio para o campus de guarulhos, contra a repressão a 48 estudantes que sofrem processos por denunciarem a corrupção que acontece na Unifesp e pautas de outros campus como Santos onde caiu o teto do prédio que estudam e ninguem tomou providencias.
Os estudantes em Guarulhos estão em luta há mai de um mês e a reitoria se nega a negociar. A luta continua, está forte e não tem pretensão de parar enquanto não houver vitória concreta e efetiv em relaçõ a conquista de sua pauta de reivindicações.

Por uma universidade popular!
Derruba os muros!
A Unifesp é de todo mundo!