segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Libertação dos heróis cubanos, uma vitória de todos os revolucionários


(Nota Política do PCB)
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) se associa a todos os revolucionários do mundo em sua alegria e felicidade pela libertação dos três heróis cubanos encarcerados há 16 anos nas masmorras do império norte-americano, em condições desumanas (outros dois já tinham sido libertados anteriormente). A libertação de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero y Ramón Labaniño representa uma vitória do povo cubano contra o imperialismo norte-americano, além de uma vitória dos movimentos de solidariedade em todo o mundo, que cumpriram um papel fundamental para a libertação.
A prisão desses heróis cubanos há mais de uma década e meia representa também a dupla moral do imperialismo. Esses camaradas estavam nos Estados Unidos cumprindo uma tarefa humanitária de evitar com que os terroristas gusanos, sediados em Miami, realizassem atentados contra alvos civis em Cuba, como aconteceu em diversas oportunidades, inclusive com a morte de um cidadão italiano. Enquanto prendiam os nossos heróis, deixavam livres Luis Posadas Carrilles, um terrorista profissional que colocou uma bomba em um avião civil cubano matando 73 pessoas em pleno vôo.
A luta pela libertação dos cinco camaradas representou um marco histórico e ficará na memória de todos os revolucionários como um exemplo de firmeza de um povo que, apesar das difíceis condições econômicas, fruto de um bloqueio criminoso que já dura mais de 50 anos, manteve alta sua moral revolucionária e foi capaz de despertar um movimento de solidariedade em todo o mundo, cujo resultado é a libertação dos três últimos heróis encarcerados nas masmorras do império.
Comemoremos essa vitória, mas sem esquecermos um só minuto de que nossa tarefa é dar continuidade à campanha pelo encerramento de vez desse bloqueio criminoso, que o próprio presidente dos Estados Unidos foi obrigado a reconhecer que não foi capaz de dobrar a moral revolucionária do povo cubano. Além do fim do bloqueio, os imperialistas devem devolver a Cuba seu território de Guantanamo, até hoje ocupado pelos Estados Unidos, e que tem servido de base para uma das mais abjetas prisões e práticas de tortura do mundo.
Viva o internacionalismo proletário!
Viva a liberdade dos heróis cubanos!
Comissão Política Nacional do PCB

FARC-EP declaram cessar unilateral ao fogo e às hostilidades por tempo indefinido


Quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 Escrito por FARC-EP
Havana, sede dos diálogos de paz, 17 de dezembro de 2014
Cessar-fogo
«Ódio eterno aos que desejam sangue e o derramem injustamente»
Simón Bolívar, 1820, na assintaura do armistício com o espanhol Pablo Morillo
O ano de 2014 aproxima-se do final, após dois anos e alguns dias de diálogos de paz ocorridos em Havana, Cuba, entre plenipotenciários do governo colombiano e da Delegação de Paz das FARC-EP. Durante o tempo assinalado, trocamos teses, propostas e conquistamos alguns acordos parciais, mantendo-nos, a todo o momento, em pé de igualdade e com os mesmos direitos e deveres emitidos para ambas as partes do Acordo Geral de agosto de 2012. Atualmente, encontramo-nos estudando e buscando saídas para questões e problemas difíceis, por razão da natureza complexa destes últimos, ou porque em mais de cinquenta anos de conflito interno as soluções que deveriam ter sido aplicadas para benefício coletivo foram adiadas.
Os diálogos colocaram em manifesto que a pátria colombiana requer uma honesta e profunda revisão. A desigualdade e a pobreza generalizada, a incompetência estatal em fazer prevalecer o bom governo, a justiça e a paz não permitiram semear concórdia nem construir as bases de uma reconciliação perdurável. O conflito social e armado continua vigentes; originado na chamada “violência partidária”, na injusta visão histórica sobre assuntos vitais relativos à terra, na conduta indigna com o dinheiro público, na concentração sem limite da riqueza nacional em mãos contadas, cada vez mais esfomeadas, e em uma institucionalidade pública inútil por ter sido desprezada por inescrupulosos detentores do poder, confirma que na Mesa de Conversações, o caminho que os plenipotenciários possuem adiante é de uma imensidade sem precedentes.
Para nós que temos o compromisso de montar o cenário a partir do qual se construirá uma nova República com a ajuda de todos e cada um dos homens e mulheres que formam o componente humano de uma mesma pátria, os meses por vir são fundamentais. Dito cenário é único; não é qualquer. Trata-se, nada mais, nada menos, do cenário do agora ou nunca. É o cenário imaginado por todos, pelo qual lutamos e padecemos tanto: é o cenário da paz, da reconciliação, da irmandade com justiça social.
Apelando ao sagrado e irrevogável direito à rebelião, que por razões que sempre emanaram da desumana existência daqueles que tudo necessitam por ter-se negado o mínimo vital em todos os terrenos, buscamos com as armas, como último recurso de expressão política, pelo menos nos colocamos em pé de igualdade com o implacável adversário de todos os tempos, para que nossa voz, que é a do povo excluído não continuasse sendo ignorada. Por isso, não desperdicemos a atual conjuntura que serve para expor com justos títulos uma enorme quantidade de reclamações acompanhadas de dezenas de soluções. Encontramo-nos em Cuba para continuar forjando a Pátria Construamos entre tudo o porvir. É nosso chamado.
Ontem, durante a última audiência de vítimas do conflito para escutar seus relatos, evocamos, com inevitáveis sentimentos, as outras vítimas que ninguém recorda, porém que as FARC-EP sempre honram levando-as em sua memória individual e coletiva e pelas quais continua buscando a reconciliação nacional, porém revestida de tudo que possa significar a palavra “justiça”. As vítimas da inescrupulosa violência partidária, as vítimas dos “cortes de flanela”, as vítimas da primeira geração de paramilitares da década de cinquenta e sessenta do século passado, as vítimas da ditadura militar de ingrata recordação, as vítimas da ingerência estrangeira tolerada por governos bipartidaristas, as vítimas dos desaparecimentos forçados, das remoções e das execuções extrajudiciais.
As vítimas de Marquetalia, Ríochiquito, El Pato e Guayabero; as mesmas vítimas que nós, em defesa das altas localidades, possivelmente provocamos por erro; as vítimas dos homens do Estado e da força pública as vítimas militantes da União Patriótica as produzidas pela nova geração de paramilitares em conivência com agentes das diversas armas oficiais. As dos fornos, dos massacres, das motosserras e as que repousam nas tumbas de indigentes; ou as que cujos corpos flutuaram rio abaixo até desaparecer; e as que nunca foram registradas; e as vítimas da miséria e da forme, da desigualdade e, em geral, aquelas vítimas, que somos todos os colombianos, nas mãos desse, o maior e mais funesto de todos os algozes: o Estado.
Conforme o anterior, inspirados no direito dos povos, tradição constitucional colombiana e homenagem a todas as vítimas ocasionadas em razão do conflito buscamos superar, em consideração ao trabalho que nos compromete cada dia mais com o espírito traçado na parte relevante da agenda de Havana, e em atenção ao fato de acreditarmos ter iniciado um caminho definitivo para a paz, acompanhado de um processo constituinte, declaramos um CESSAR UNILATERAL AO FOGO E ÀS HOSTILIDADES POR TEMPO INDEFINIDO, que deve transformar-se em armistício. Para a conquista de seu pleno êxito, aspiramos contar com a supervisão da UNASUL, CELAC, do CICV e da Frente Ampla pela Paz. Este cessar-fogo unilateral, que desejamos que se prolongue no tempo, se daria por terminado somente caso seja constatado que nossas estruturas guerrilheiras são objeto de ataques por parte da força pública. É nosso anseio que o povo soberano assuma também e de maneira protagonista esta supervisão, dado que com ela se busque o benefício da pátria lacerada e uma homenagem às vítimas de ontem e de hoje.
Seja a oportunidade para chamar a atenção de forma clara e direta do Presidente Santos por ter mostrado, mais uma vez, sua alegria no twitter, pela morte de alguns de nossos companheiros de armas e de ideais, no domingo anterior. A guerra não pode ser motivo de felicidade, mas de pena. Assim, apresentam resultados que podem beneficiar episódica e transitoriamente a alguma das partes. Precisamente, o respeito aos caídos é um principio universal da humanidade, independente do grupo representado. Não mais circo, não mais exibicionismo de força incontrolada, não mais cobrança de faturas com o sacrifício de vidas alheias.
Queremos contrastar. Queremos superar os episódios inúteis de sangue. Já manifestamos esta nossa vontade várias vezes sem sermos ouvidos. Dessa maneira, manifestamos que o mencionado cessar-fogo e de hostilidades entrará em vigor às 00:01 horas de 20 de dezembro de 2014, data que conta com a disposição de verificação de, ao menos, uma das organizações mencionadas.
A presente decisão está sendo comunicada formalmente pelo governo da Colômbia: às Embaixadas e sedes diplomáticas a nosso alcance; ao Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU); à União Europeia; ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV); à União das Nações Sul-americanas (UNASUL); à CELAC; ao Papa Francisco; às outras lideranças religiosas reconhecidas universalmente; ao Centro Carter e às ONG’s de reconhecimento mundial.
Estamos dispostos a convocar em Havana todas as organizações colombianas sem fins lucrativos, amigas do processo de paz, para apresentar um informe sobre a iniciativa aqui exposta e com o propósito de convidá-las a apoiarem esta iniciativa pela paz da Colômbia.
Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Fonte: https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/14a59f325ba7bbe1
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Cuba e a jogada de Obama


Os Editores de odiario.info
O que leva um desacreditado presidente dos EUA a negociar com Cuba, na fase final do seu segundo mandato, a troca dos últimos 3 heróis ainda presos nos EUA por alguns espiões norte-americanos, a acordar uma futura troca de embaixadores em substituição dos actuais escritórios de interesses e a comprometer-se a dar passos para o levantamento do criminoso bloqueio que há mais de 52 anos os EUA impõem ilegitimamente a Cuba?
Não se pode esquecer que, apesar de ter uma maior capacidade intelectual que a generalidade dos presidentes norte-americanos do último século, e de apresentar um discurso fluente, bem elaborado e ritmado, Barack Obama apresenta a mesma mentalidade imperial, e a crença fundada na fé que os EUA são o Estado eleito, pelo que podem intervir sempre que «os [nossos] interesses básicos o exigirem, quando o [nosso] povo for ameaçado, quando os [nossos] modos de vida estiverem em jogo, quando a segurança dos [nossos] aliados estiver em perigo», como ele próprio afirmou aos jovens oficiais saídos da Academia de West Point em 28 de Maio último.
É cedo para tirar conclusões.
Quem poderá hoje avaliar o efeito da multiplicação explosiva de turistas americanos em Cuba, por exemplo?
E como afirmou Raúl Castro fica por resolver o principal obstáculo à normalização das relações entre os dois países: o levantamento do bloqueio comercial, económico e financeiro a Cuba, que os EUA mantêm ilegal e ilegitimamente há mais de 52 anos, mas também a revogação da Lei de Ajuste Cubano, da Lei Torricelli e da Lei Helmes Burton, sem o que o bloqueio não é verdadeiramente levantado.
Estes factos e a nova realidade, no entanto, não podem apagar a importância do que já foi acordado nem, principalmente, o grande mérito de Fidel Castro que, perante a incredulidade e a descrença de quase todos, em Setembro de 1998, profetizou em jeito de promessa: «Voltarão»!
http://www.odiario.info/?p=3497

Greve geral na Itália: o governo do PD contra os trabalhadores


BDF-616 – Edição de 18 a 24 de dezembro de 2014 – Itália Pág 16 - Internacional
LUTA SINDICAL - No dia 12 de dezembro, 60% dos trabalhadores italianos cruzaram os braços. Mais de 1,5 milhão de pessoas participaram das 54 manifestações da greve geral promovida pela CGIL, UIL e FIOM.
Achille Lollo de Roma (Itália) — Na Itália, o dia 12 de dezembro tem um significado particular, porque foi nesse dia que, em 1969, os serviços secre­tos e a direita maçônica monitoraram os grupos neofascistas para fazer explodir a “Estratégia da Tensão”, primeiro degrau para provocar a intervenção golpista das Forças Armadas e enclausurar a esquer­da e, sobretudo, o movimento sindical na ordem direitista da Otan.
Por isso, os secretários confederais Su­sanna Camusso, da CGIL, e Carmelo Bar­bagallo, da UIL, juntamente a Maurizio Landini, secretário geral da Federação dos Metalúrgicos (FIOM/CGIL), decidi­ram que a greve geral de 24 horas deve­ria ser realizada no dia 12, para juntar o simbolismo político da luta contra o gol­pismo e o neofascismo, com a posição fir­me dos trabalhadores contra a nova Lei do Trabalho (Jobs Act), que ataca fron­talmente o artigo primeiro da Constitui­ção, segundo o qual “a Itália é uma repú­blica fundada no trabalho”.
1,5 milhão nas ruas
Esta greve geral – a primeira a ser re­alizada desde 2006 contra um governo que diz ser de centro-esquerda – reali­zou 54 manifestações nas principais ci­dades italianas, juntando trabalhadores, estudantes, aposentados, desemprega­dos, imigrantes e os movimentos sociais. Uma realidade política evidente que de­monstra a ruptura de Matteo Renzi com as bases do PD, que, dessa forma, não controla mais a principal confederação sindical, a CGIL, e a combativa federa­ção dos metalúrgicos, a FIOM. Isso sig­nifica que daqui por diante o PD de Ren­zi não poderá mais garantir ao mercado a necessária “paz social”.
Após esta greve, que foi caracterizada por enfrentamentos entre os batalhões de choque da polícia e os movimentos sociais em Roma, Bolonha, Torino e Mi­lão tornou-se evidente as rupturas entre o governo e os sindicatos e também en­tre o PD e os trabalhadores em geral. Isto porque os deputados e senadores da cha­mada “Esquerda do PD” e da “Tendên­cia Minoritária” mudaram seu posicio­namento político ao votarem a nova Lei do Trabalho como Matteo Renzi exigiu.
Infelizmente, os parlamentares dissi­dentes do PD se esqueceram do blá blá blá dos opositores e votaram o Jobs Act, para respaldar o novo grupo dirigente do PD. Porém, é preciso lembrar que antes dessa votação, Renzi foi muito claro ao di­zer aos deputados e senadores “dissiden­tes” que nas próximas eleições deveriam procurar outro partido – uma chantagem política e emocional que pesou bastante na consciência e, sobretudo, no bolso da maioria dos parlamentares do PD.
Dilema
Para muitos deles se apresentou o dile­ma: o que vou fazer sem o rico salário de parlamentar? Posso renunciar a podero­sa estrutura eleitoral do aparelho parti­dário do PD e renunciar a possibilidade de ser reeleito? Posso desistir dos benefí­cios materiais que o Parlamento propor­ciona, sobretudo agora que o PD está no governo, além de dirigir as principais re­giões e prefeituras?
É claro que a maior parte dos parla­mentares do PD, para segurar sua cadei­ra no Parlamento, preferiu baixar a cabe­ça ao “diktat” de Renzi.
Na realidade, somente o pequeno gru­po de senadores “dissidentes” do PD, li­gados ao ex- diretor do noticiário de TV RAINEWS, Corradino Minneo, votou contra e mais três deputados dissiden­tes que optaram não comparecer no dia da votação. Um comportamento que deu um basta às polêmicas sobre a expulsão dos dissidentes e a consequente forma­ção de um novo partido sob a direção de Massimo D’Alema. Aliás, o mesmo, no dia da greve geral, em Bari, foi vaiado e chamado de “vendido”.
Um contexto que a grande mídia, e em particular o jornal La Repubblica, acom­panhou com manchetes cubitais, dando sempre respalda a Renzi, que se apro­veitou disso para desafiar com muita ar­rogância as lideranças sindicais, apesar dessas terem pedido um encontro com o governo para tentar rever a nova Lei do Trabalho.
A resposta do governo veio logo para demonstrar aos sindicatos que não temia a greve geral. Por isso, o ministro do In­terior, Angelino Alfano, ordenou aos di­retores da polícia de choque reprimirem “qualquer manifestação não autorizada”. Assim, na semana que antecedeu a greve geral houve uma desagradável encena­ção do “poder policial” contra os piquetes de operários que, em Roma, Terni, Bolo­nha, Nápoles e Turim protestavam pelo fechamento de suas fábricas.
Nesse contexto, Alfano ordenou a re­tirada dos batalhões de choque das ru­as somente quando o secretário-geral da FIOM-CGIL, Maurizio Landini, amea­çou ocupar a capital com os metalúrgicos para interrogar e chamar a responsabili­dade do governo – ao participar em um desses piquetes e, portanto, ter presen­ciado os violentos espancamentos com cassetetes e os ataques com canhões de água e bombas de gás lacrimogêneo.
De novo os metalúrgicos?
A greve geral foi saudada por três li­deranças sindicais: Susanna Camusso, da CGIL; Carmelo Barbagallo, da UIL; e Maurizio Landini, da FIOM/CGIL. Po­rém, foi Landini quem mais se destacou na semana que antecedeu a greve geral e depois na grande manifestação de Roma. Uma ousadia e uma determinação políti­ca que tem tudo a ver com a história da federação dos metalúrgicos e a forma­ção política de Landini, que aos 15 anos, começou a trabalhar como soldador em uma “cooperativa vermelha”, sendo já militante da juventude do PCI e filiado à FIOM/CGIL.
De fato, as temáticas de Camusso e de Barbagallo foram muito “light”, não ar­riscando o enfrentamento político com o governo, para deixar aberta uma por­ta a eventuais negociações. Praticamen­te, debaixo dos tons e de certas frases proferidas com alterações verbais pa­ra acalmar a massa de operários, estu­dantes, aposentados, desempregados e, sobretudo, mulheres não havia uma es­pecífica vontade política de brigar com o governo, tal como aconteceu em 2002 contra Berlusconi.
O problema é que Camusso e Barba­gallo fizeram lindas intervenções, cheias de corados adjetivos e de críticas ao go­verno só porque, naquele momento, sen­tiram-se obrigados a fazê-las, pois, ca­so contrário, todo o comando político da greve geral passaria às mãos dos meta­lúrgicos da FIOM/CGIL, liderados por Landini, que, por sua vez, sempre mani­festou posições de esquerda.
Não podemos esquecer que esta gre­ve geral vem depois de anos e anos de conciliadora “concertación” por parte das direções da CGIL e da UIL que, pa­ra tentar salvar a histórica aliança com a CISL e, portanto, manter a chamada “unidade nas lutas”, na realidade, limi­taram a defesa dos trabalhadores aos mínimos termos. Tanto é que hoje, na Itália, o nível do desemprego atingiu 13%, também em função do “espírito conciliador com os empresários” dessas três confederações.
Por isso tudo, os metalúrgicos – que foram os mais atacados com o “contra­to FIAT” e com a desmobilização das fá­bricas para o exterior – voltaram a assu­mir no movimento sindical um papel di­rigente preponderante. De fato, não po­demos esquecer que o Estatuto dos Tra­balhadores – que agora o PD de Mat­teo Renzi acabou de desmontar – foi uma das grandes conquistas que os me­talúrgicos e a FIOM/CGIL lograram em 1970, após dois anos de duríssimas lutas e enfrentamentos contra os governos da Democracia Cristã.
“Essa luta ainda não acabou”, diz Maurizio Landini
Brasil de Fato — Como você avalia essa greve geral que mobilizou nas ruas mais de 1,5 milhão de pessoas?
Maurizio Landini: “...Essa é uma res­posta, sobretudo, para aqueles que não acreditavam no sucesso da greve e pa­ra aqueles que não queriam um enfren­tamento com o governo por ser um go­verno do Partido Democrático. Na rea­lidade, o sucesso da greve geral foi mui­to importante porque demonstra que somente com a luta é possível repre­sentar os interesses dos trabalhadores e melhorar as condições de trabalho, reivindicando um sistema de aposen­tadoria mais justo e com a redução da idade para se aposentar, reivindicando, também, o emprego para quem não o tem e, consequentemente, combater o trabalho precário e todas as formas ne­fastas de flexibilização. Essa greve ge­ral serviu, portanto, para recolocar es­sas questões na ordem do dia. É uma batalha que começamos e que continu­aremos a fazer juntos...”.
Brasil de Fato — Quando Matteo Renzi, estimulado pelo Banco Central Europeu e pela FIAT, de Marchionne, antecipou o projeto da nova Lei do Trabalho (Jobs Act) você logo assumiu uma posição crítica. Pode explicar os motivos?
Maurizio Landini: “...As normas que o governo colocou no Jobs Act são erradas e injustas. São nor­mas que não servem para criar novos empregos, não enfrentam o problema dos trabalhadores precários, não resol­vem outro grande problema que ó o de­semprego juvenil. Tampouco ajudarão a Itália a sair da crise econômica que, na prática, enterrou o crescimento do país, por conta de gastos inúteis, da corrupção e das múltiplas ilegalidades no mundo do trabalho e no social.
Brasil de Fato — Por qual motivo a “grande mídia” limita a greve geral a um protesto contra a cassação do Art. 18?
Maurizio Landini: “...Na realidade, existe uma clara posi­ção política de fechamento para dividir os trabalhadores e podê-los submeter a tudo. Com essa nova Lei do Trabalho, o governo optou pela redução dos direi­tos, após ter assumido as fórmulas de quem acha que os novos empregos se criam somente desempregando. Pois, essa gente esqueceu que o trabalho é a condição fundamental para os homens e as mulheres viverem e viverem com dignidade.
Brasil de Fato — A greve geral conclui um ciclo de mobilizações?
Maurizio Landini: “...Nada disso! Essa luta ainda não aca­bou. Com a votação no Parlamento do Jobs Act, nós continuaremos a lutar porque o governo deverá ainda imple­mentar essa nova lei e em algum mo­mento o governo deverá também deci­dir o rumo das opções da sua política econômica...”.
Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália e editor do programa TV “Quadrante Informativo”.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PCB PARTICIPA DO ENCONTRO MUNDIAL DOS PARTIDOS COMUNISTAS


O PCB se faz presente no 16º Encontro Mundial dos Partidos Comunistas, de 13 a 16 de novembro de 2014, na cidade de Quayaquil (Equador), com uma delegação composta pelos camaradas Ivan Pinheiro (Secretário Geral) e Edmilson Costa (Secretário de Relações Internacionais), que apresentou ao Plenário o documento preparado pelo Comitê Central do Partido, que publicamos abaixo:

INTERVENÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB), NO 16° ENCONTRO INTERNACIONAL DOS PARTIDOS COMUNISTAS E OPERÁRIOS (Guayaquil, 13 a 15 de novembro de 2014)

O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) saúda a todos os partidos comunistas e operários presentes neste evento e cumprimenta o partido anfitrião, o nosso querido Partido Comunista do Equador.

O sistema capitalista mundial vive uma das mais graves crises de sua história, que o vem castigando , há mais de seis anos, sem que os gestores do capital encontrem uma saída para a retomada do crescimento econômico e a superação da crise. Pelo contrário, as medidas que vêm sendo adotadas pelos governos centrais para manter os privilégios do capital, como o corte dos gastos públicos e a redução dos salários e pensões, aprofundam ainda mais a crise, pois aumentam o desemprego, reduzem a renda da população e levam à recessão.

Essa crise sistêmica que envolve a economia global - crise de superacumulação que se combina com manifestações de superprodução e anarquia das finanças - condensa o mesmo fenômeno analisado por Marx: quanto mais cresce o capital, mais ele produz a crise que é concernente à sua natureza. Como sempre, os efeitos dramáticos das crises são repassados aos trabalhadores, pois o capitalismo se reproduz promovendo novas formas de exploração da força de trabalho e renovando os mecanismos de dominação.

Reafirma-se categoricamente a contradição entre capital e trabalho em nível global como a contradição fundamental a exigir a organização da classe trabalhadora na luta contra o sistema dominante. A crise acirra as contradições interimperialistas, intensificando a corrida armamentista e a agressividade na disputa pelo controle dos recursos minerais e dos mercados.

Na Ucrânia, o conflito tem origem numa intervenção golpista dos EUA e da UE, que levou ao surgimento de um governo reacionário, nos marcos da competição com a Rússia capitalista. O Oriente Médio transformou-se num barril de pólvora, em razão da ofensiva dos EUA e da OTAN pelo controle do Iraque, da Síria, do território curdo, desta vez se valendo de mercenários a serviço das potências ocidentais, da Turquia, da Arábia Saudita e seus satélites.

Esta ofensiva tem como objetivos a captura das fontes de energia da região e a ocupação de posições estratégicas em relação ao Irã, à Rússia e à China. A escalada da agressão sionista à Palestina é parte desta guerra de posições imperialista, numa região em que Israel é a cabeça de ponte do imperialismo norte-americano.

Na América Latina, o Paraguai está se transformando numa plataforma estratégica da ação imperialista no Cone Sul. Na Venezuela, segue a ofensiva da direita. É preciso reforçar nossa firme solidariedade ao governo e às forças políticas que apóiam o processo, em especial ao Partido Comunista de Venezuela e ao proletariado venezuelano.

Segue o bloqueio a Cuba Socialista, apesar de rechaçado esmagadoramente, mais uma vez, pela Assembléia Geral da ONU. O êxito da Mesa de Diálogos de Havana não é apenas um problema dos colombianos, mas de todos os povos da América Latina. Os interesses do povo colombiano e da insurgência, que se fundem na mesa de diálogo, são de uma solução política com justiça social e econômica, consolidada através de uma Assembléia Constituinte soberana.

A vergonhosa ocupação do Haiti acaba de completar 10 anos. Governos latino-americanos, sob o comando do Brasil, se submeteram à determinação dos Estados Unidos e do Conselho de Segurança da ONU para ocupar militarmente o Haiti e respaldar o golpe executado pelo imperialismo em 2004.

Estudando o capitalismo brasileiro, o PCB chegou à conclusão de que a economia do país é plenamente desenvolvida, com uma industrialização integrada e instituições burguesas em pleno funcionamento. Com esta análise, chegamos à compreensão lógica de que a contradição fundamental da sociedade brasileira se dá entre o capital e o trabalho, o que nos leva a concluir que o caráter da revolução brasileira é socialista. Isto não significa que em nosso país o socialismo está à vista, pois se as condições objetivas estão dadas faltam ainda condições subjetivas, hoje profundamente dificultadas, entre outros fatores em função da hegemonia reformista e oportunista no campo que se define genericamente como ”esquerda”.

Na visão do PCB, não há contradições significativas entre a burguesia brasileira e o imperialismo. Este, no caso do Brasil, não é um inimigo externo a ser combatido pela nação, numa frente de conciliação de classe entre o proletariado e a burguesia “nacional”. Pelo contrário, o Brasil é parte do sistema imperialista mundial, apesar de suas contradições e de ser ainda um ator coadjuvante em ascensão.

O desenvolvimento dos monopólios e oligopólios, das fusões, da concentração e centralização dos principais meios de produção nas mãos de grandes corporações monopolistas, nos setores industrial, bancário e comercial, torna impossível separar o capital de origem brasileira ou estrangeira, assim como o chamado capital produtivo do especulativo, já que, nesta fase, o capital financeiro funde seus investimentos tanto na produção direta como no chamado capital portador de juros e flui de um campo para outro de acordo com as necessidades e interesses da acumulação privada, sendo avesso a qualquer tipo de planejamento e controle. Por isso, a luta anticapitalista no Brasil é hoje, necessariamente, uma luta anti-imperialista.

Do ponto de vista político, é preciso acabar com a ilusão de que o governo brasileiro é progressista e antiimperialista. O Partido dos Trabalhadores (PT) é hoje um partido da ordem capitalista. Ao longo de seus últimos 12 anos de governo, cooptou e desmobilizou os trabalhadores, despolitizou a sociedade, gerando um apassivamento político que tem sido profundamente prejudicial ao desenvolvimento da luta de classes. Esse quadro ainda se torna mais difícil pois o PT deixou intacta a hegemonia da mídia burguesa, que funciona como um forte poder político dirigido pelos setores mais reacionários do capital.

A política econômica e a política externa do Estado brasileiro estão a serviço do projeto de fazer do Brasil uma grande potência capitalista mundial, nos marcos do imperialismo.

Hoje, o governo brasileiro é o organizador da transferência da maior parte da renda e da riqueza produzida pelo país para a burguesia. Grande parte do orçamento se destina a pagar os juros e a amortização da dívida (externa e interna), para satisfação dos banqueiros internacionais e nacionais, assim como para os rentistas brasileiros (que não chegam a 1% da população). O consumo é aquecido pelo crédito farto e caro e não por aumentos salariais. O resultado é que as famílias brasileiras estão cada vez mais endividadas.

As alianças com o centro e a centro-direita para garantir a governabilidade institucional fizeram com que esse governo, em doze anos, governasse para o capital e proporcionasse à população mais pobre apenas políticas compensatórias, que não representam sequer 10% do pagamento dos juros da dívida. Ao contrário, promoveram contrarreformas. Não se pode chamar o governo brasileiro sequer de reformista: trata-se de um governo social-liberal que gerencia o capitalismo adotando medidas paliativas para aliviar a pobreza extrema.

Os resultados são a retomada das privatizações em grande escala, sob a forma de concessões ao setor privado, a entrega das reservas de petróleo, como o Campo de Libra, a opção pelos grandes monopólios, a desoneração de impostos para o capital, a precarização do trabalho (com mais e piores empregos), a política de superávit primário, com o sucateamento do serviço público, a banalização da corrupção, a falta de perspectiva para a juventude, o descrédito na política e nos partidos políticos.

Exatamente no auge da crise do capitalismo, em que as agressões do sistema aos direitos trabalhistas, sociais e políticos dos povos abrem possibilidades de mobilização e organização dos trabalhadores, seguimos carentes de um vigoroso movimento comunista internacional de orientação revolucionária.

As estratégias reformistas implicam em alianças com a burguesia, em privilegiar a luta no campo institucional. Transmitem aos trabalhadores a ilusão de que é possível humanizar o capitalismo e caminhar até o socialismo pela democracia burguesa, em etapas, por meio de avanços seguros e graduais e através de formas de luta exclusivamente pacíficas.

Os partidos reformistas que participam de governos socialdemocratas ou social-liberais não contribuem para conquistas dos trabalhadores e muito menos na construção do socialismo. Pelo contrário, participam da gestão do sistema e desmobilizam os trabalhadores, iludindo-os de que suas conquistas dependem do desenvolvimento do capitalismo.

O oportunismo reflete-se na crise política, ideológica e organizativa do movimento comunista internacional, que não pode ser reconstruído apenas na diplomacia, na busca de consensos, em declarações vazias, sem conteúdo de classe. Não podemos deixar de lado o debate das divergências, para manter uma unidade artificial. A unidade de que necessitamos tem que ser baseada nos princípios do marxismo-leninismo, do internacionalismo proletário.

Na América Latina, necessitamos uma articulação de partidos e forças revolucionárias, anticapitalistas e antiimperialistas, para fazer frente à hegemonia do Foro de São Paulo, que a cada ano aprofunda seu processo de institucionalização como instrumento para a governabilidade institucional dos chamados governos progressistas e a integração capitalista da América Latina, sob a hegemonia brasileira.

Percebe-se uma articulação do Foro de São Paulo e da versão européia do reformismo (o Partido da Esquerda Europeia), com o objetivo de constituírem uma alternativa internacional socialdemocrata, inclusive com partidos denominados comunistas, em contraposição ao movimento comunista internacional.

O PCB continuará atuando no sentido de fortalecer o bloco de partidos comunistas alinhados com a luta anticapitalista e antiimperialista, buscando contribuir para o desenvolvimento de uma luta sem tréguas contra o reformismo, que ainda impera em várias organizações que se reivindicam de esquerda ou comunistas, e construir um poderoso pólo comunista internacional que fortaleça ideologicamente as posições marxistas-leninistas e seja capaz de conduzir, em cada país, o movimento dos trabalhadores por sua completa emancipação.

Viva o marxismo-leninismo!

Viva o internacionalismo proletário!

Quayaquil, 14 de novembro de 2014

PCB (Partido Comunista Brasileiro)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Companhia Bueiro Aberto de Guarulhos lança seu longa, Democracídio. Cinema de combate na cidade.

Militante do partidão publica livro através do Selo Independente Jornal Dialética

O livro de poesias de combate  Rabiscos Surrados de Renato Queiroz foi publicado através do Selo Independente Jornal Dialética. Este Selo é iniciativa de poetas e artistas plásticos organizados no Coletivo Jornal Dialética, responsáveis pela publicação mensal do Zine e literatura Jornal Dialética e pela realização mensal do Sarau Carolina, evento que relembra a obra de Carolina Maria de Jesus, poetisa negra, periférica e lutadora.


PCB Guarulhos fechado com a marcha da periferia na cidade dia 20 de novembro






A Marcha da Periferia nasceu em 2006 através da iniciativa do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, entidade político-cultural que atua nos bairros da periferia maranhense desde 1989.
As Marchas das Periferias já acontecem há anos em várias capitais brasileiras como São Luís, São Paulo, Rio de Janeiro, Maceió, Salvador... Sempre na semana da Consciência Negra para lembrar a memória de Zumbi dos Palmares, Dandara e todos os negros e negras que tombaram por lutarem contra o Racismo e a Escravidão. Este será o primeiro ano em que a Marcha ocorrerá na cidade de Guarulhos.
A periferia é onde está a maioria dos negros e negras da classe trabalhadora brasileira. As periferias, morros e favelas são quilombos modernos onde resistem xs mais exploradxs e oprimidxs de nossa sociedade!
E por que marchamos? Marchamos porque a periferia existe e resiste! Marchamos contra o racismo! Marchamos contra o genocídio da população negra! Marchamos por Palmares e por todos os quilombos! Marchamos porque é difícil e perigoso ser pobre e pretx nesse país e no mundo! Marchamos pelas nossas irmãs e irmãos do Haiti! Marchamos pelo direito de existir sem ser oprimidx! Marchamos contra o sistema que nos explora e oprime! Marchamos pela nossa verdadeira emancipação!

Participe e ajude a construir a luta negra na cidade!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Partidão apresenta suas candidaturas




Camarada Wagner Farias 21

Camarada Mauro Iasi 21

Camarada Lenina Candidata a Deputada . nº2100
Foto
Camarada Edmilson Costa Senador 210
Camarada Ernesto Senador 212

Camarada Lígia 2199


Palestina Livre

Sarau pelo Poder Popular no Partidão

A sede do Partido Comunista Brasileiro recebeu diversos poetas, músicos e artistas comprometidos com uma sociedade mais justa. Muita poesia foi disparada! Camaradas do Coletivo Feminista e Classista Ana Montenegro; do Sarau Comungar; da UJC; do Canto Libre da Brigada Popular Valdomiro Jambeiro; do Sarau Carolina; do Jornal Dialética. Todos se fizeram presentes e se fizeram ouvir. A voz que falou foi a voz dos oprimidos, a voz dos sem voz, a voz daqueles que devem tomar o poder.
Mais Saraus pelo Poder Popular virão, mais luta e cultura se entrelaçará!


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Viva o cinquentenário das FARC-EP



As comemorações pelo aniversário de 50 anos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia –Exército do Povo (FARC-EP) coincidem com um momento em que ocorrem os Diálogos de Havana, em que a insurgência e o governo colombiano buscam caminhos para uma solução política para o conflito militar e social que marca esse país desde muito antes da constituição formal da guerrilha.
Surgiu como consequência da necessidade, muitos anos antes, que os camponeses colombianos tiveram de criar organizações de autodefesa armada, para enfrentar a violência dos latifundiários e da oligarquia colombiana na defesa de suas famílias, seus lares e suas pequenas lavouras que garantiam o seu sustento. Surgiu na esteira do assassinato do líder da luta contra os conservadores,o liberal Jorge Eliézer Gaitán e a consequente grande revolta popular que ficou conhecida como El Bogotazo, em 1948.
Na primeira década do presente século, o imperialismo e a oligarquia a seu serviço coincidiram em montar contra as FARC um aparato militar sem precedentes em nosso continente. Haviam resolvido exterminar a insurgência a qualquer custo e fazer da Colômbia um bunker militar na região, para exercer papel semelhante ao que Israel desempenha no Oriente Médio e seu entorno.
As Forças Armadas colombianas chegaram a um contingente de 400 mil efetivos; os Estados Unidos instalaram sete bases militares no país e o transformaram num dos principais destinos da “ajuda militar” norte-americana. O estado terrorista colombiano criou e armou bandos paramilitares, assessorou-se de agentes da Cia e do Mossad. Foram assassinados centenas de militantes dos movimentos sociais, expulsos de suas terras dezenas de milhares de camponeses. Até hoje, são mantidos 9.500 presos políticos no país.
Mas esse macabro plano do imperialismo fracassou. As FARC sobreviveram. Apesar de algumas perdas significativas, como a morte natural do Comandante Manuel Marulanda Vélez, o covarde assassinato de Raul Reys e as perdas em combate dos comandantes Jacobo Arenas, Ivan Rios, Alfonso Cano, Jorge Briceño e de centenas de heroicos guerrilheiros e guerrilheiras, a insurgência não se abateu. Resistiu de forma organizada e impôs duras baixas aos inimigos, mostrando se tratar de uma organização enraizada na massa, firme ideologicamente e com direção política coletiva. Entre perdas e ganhos em duras batalhas, mantém-se invicta na guerra.
O fato de o estado colombiano procurar sentar-se à mesa, em Havana, com uma delegação oficial das FARC significa o reconhecimento de sua força e da impossibilidade de resolver o conflito pela via militar. Em toda a história – e o Vietnã é o maior exemplo – o imperialismo e a burguesia só negociam com os que não se deixam derrotar.
Com o advento dos diálogos, as FARC se transformaram em porta-voz da pauta dos trabalhadores e proletários colombianos, o que contribuiu para o ressurgimento e crescimento do movimento de massas mais expressivo da história da Colômbia, quiçá da América Latina. O imperialismo e as oligarquias colombianas, ao que parece, fizeram um cálculo errado, achando que a guerrilha estava derrotada e a ponto de depor suas armas. Achavam que conseguiriam uma paz rápida e sem custos sociais, econômicos e políticos. E que depois exterminariam os insurgentes e militantes políticos e sociais, como fizeram nos anos 80, no genocídio da União Patriótica, quando o estado burguês traiu o acordo de paz que havia firmado.
A vitória do povo colombiano, no rumo ao socialismo, não depende do resultado eleitoral deste dia 25 de maio, mas da manutenção da capacidade de resistência das guerrilhas e da organização e do protagonismo das massas populares.
O PCB tem militado no apoio internacionalista à luta do povo colombiano, por entender que nesse país se joga uma batalha decisiva contra o imperialismo e pelo futuro da América Latina.
Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e membro da Presidência Coletiva do MCB (Movimento Continental Bolivariano)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Viva o dia Internacional do Trabalhador!


Trabalhadores(as)
O 1º de maio é o dia que a classe trabalhadora presta homenagens aos trabalhadores mortos em Chicago, no sangrento maio de 1886. É também o dia que homenageamos as heroicas lutas, vitórias e conquistas do movimento operário na luta de classes contra o capital e os crimes do imperialismo. É o dia que reafirmamos nossa decisão de seguir lutando nas batalhas do presente e do futuro, de seguir até a vitória final.
Para a Unidade Classista, este dia é um símbolo da luta da classe trabalhadora pela abolição da exploração do homem pelo homem, é um dia que nos convida a empunhar com mais força a bandeira pela unidade de nossa classe, e pela refundição dos movimentos dos trabalhadores com os movimentos populares, para criar condições de um contra-ataque que possa dar fim a situação atual.
Hoje em dia existem todas as condições para que todos nós tenhamos empregos e salários decentes, menos horas de trabalho e mais horas de tempo livre para outros afazeres necessários ao pleno desenvolvimento humano. Porém, o que vivemos é a perpétua ansiedade e insegurança pelo desemprego, o trabalho mal pago, o adoecimento e o empobrecimento.
O problema que nos tortura é o fato de que a riqueza gerada por milhões/ bilhões de trabalhadores e trabalhadoras, é apropriada por um punhado de capitalistas, ou seja, é o fato de que a produção não está voltada as necessidades do povo trabalhador, e sim, para o aumento da rentabilidade dos grandes grupos empresárias, dos grandes monopólios capitalistas.
Os gestores de plantão dos Estados burgueses, governos das mais variadas matizes, continuam oferecendo tremendos aumentos nos lucros e privilégios dos grupos monopolistas, dizendo ser esta a condição para superar a crise atual. Estes governos na verdade golpeiam a imensa maioria do povo, das classes trabalhadoras das cidades e dos campos.
No movimento sindical mundial, hoje largamente hegemonizado pelas orientações da Central Sindical Internacional (C.S.I.), no Brasil pela CUT, Força Sindical e suas sócias menores, campeiam o velho e o novo sindicalismo governamental-patronal, que ajudam a propagar o engodo de que somos afetados pelo resultado de uma má gestão dos governos, seriam apenas distorções no sistema.
Rechacemos este sindicalismo pelego que todos os dias nos submete às pretensões da burguesia. Denunciemos os sindicalistas traidores que se converteram nos melhores vendedores da exploração e ávidos partidários da competitividade, que vão semeando em cada lugar de trabalho, o corporativismo, o conformismo, a frustração e o derrotismo.
Este mesmo sindicalismo quer nos manter na obscuridade. De sua boca nada sai sobre a causa real, o único culpado pela destruição de milhões de vidas: o capitalismo, o caminho capitalista de desenvolvimento, os monopólios. Um sistema econômico-social apodrecido e caduco onde as crises vão e vem, e se aprofundam, este sim, o único culpado pela destruição de milhões de vidas.
Temos que derrotar o velho e o novo peleguismo, que tem como bandeira a colaboração de classes. Estes são os melhores e mais fiéis servidores dos patrões, para poderem multiplicar seus lucros sem obstáculos. O caminho para esta empreitada passa pela necessária organização das lutas nos locais de trabalho e nos sectores de produção, como nos mostraram as recentes lutas dos Garis da cidade do Rio de Janeiro, dos operários das obras do COMPERJ, dos trabalhadores do transporte da cidade de Porto Alegre, dentre outras.
Por isto, conclamamos aos companheiros e companheiras, de classe e de luta, que no próximo primeiro de maio, Dia do Trabalhador (e não do Trabalho, como a burguesia tenta se apoderar da data, para esvaziar de seu conteúdo de classe), enviemos uma sonora mensagem ao patronato, aos seus governos e ao sindicalismo pelego: Nos manteremos de pé e marchando, inflexíveis e incansáveis na defesa de nossos direitos, por nossas vidas, e por um futuro digno para nossos jovens e nossos filhos.
Gritemos em alto e bom som: Somos a classe que produz a riqueza!
Sem nossas forças físicas e intelectuais não se move nenhuma engrenagem no mundo. Para além dos fenômenos físicos o que move o mundo é o suor de nosso duro trabalho. Sem nós, a classe proletária, não pode haver riqueza. Porém, sem os capitalistas, que são um punhado de parasitas, pode haver.
Convertamo-nos em amos da riqueza produzida!
Lutemos por viver em um mundo onde nossas expectativas de trabalho e vida, se correspondam. Um mundo que não seja entremeado por guerras, pelo desemprego, pela insegurança. Onde se possa viver em paz, sem a propriedade privada dos meios de produção, sem a opressão e a brutalidade do sistema capitalista que vivemos.
Nos esforcemos pela reconstrução, em bases classistas, do movimento operário e sindical.
Somos a classe do presente o do futuro !
Sabemos que não estamos sós, e temos como aliados as forças populares.
Preparemos o caminho para um futuro socialista.
Viva a classe trabalhadora mundial !
Viva o 1º de maio !
UNIDADE CLASSISTA