segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A ameaça fascista na Venezuela

Atilio A. Boron
A escalada desestabilizadora atualmente sofrida pela Venezuela bolivariana possui um objetivo inquestionável: a derrota do governo de Nicolás Maduro. Não existe nenhuma outra interpretação de quem escreve esta afirmação. Foi expressa em reiteradas ocasiões não apenas por manifestantes da direita nas ruas, mas por seus principais líderes e instigadores locais: Leopoldo López (ex-prefeito do município de Chacao, em Caracas, e chefe do Partido Voluntad Popular) e María Corina Machado, deputada pelo Súmate na Assembleia Nacional da Venezuela. Em mais de uma ocasião referiram-se às intenções ansiadas em seus protestos, utilizando uma expressão em que, regularmente, apelam ao Departamento de Estado: "mudança de regime", forma amável e eufemística que substitui o desprestigiado termo "golpe de estado". O que se busca é precisamente isso: um "golpe de estado" que ponha um ponto final na experiência chavista. A invasão à Líbia e a derrocada e linchamento de Muammar El Gadafi são exemplos de "mudanças de regime". Há meio século os Estados Unidos propõem, sem êxito, algo similar em Cuba. Agora o estão tentando, com todas as suas forças, na Venezuela.
Esta feroz campanha contra o governo bolivariano - na realidade, um processo de fascistização de longa data - tem raízes internas e externas, intimamente ligadas e solidárias num objetivo comum: acabar com o pesadelo instaurado pelo Comandante Hugo Chávez desde que assumira a presidência em 1999. Para os Estados Unidos, a autodeterminação venezuelana afirmada sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a derrota da ALCA e dos avanços dos processos de integração e unidade na América Latina e no Caribe – a UNASUL –, o Mercosul ampliado, a CELAC, Petrocaribe, entre outros, impulsionados como nunca antes pelo líder bolivariano, são desafios intoleráveis e inadmissíveis, merecedores de um castigo exemplar. Para a oposição interna, o chavismo significou o fim das regalias e negociações que obtinha por sua colaboração com o governo dos Estados Unidos e as empresas norte-americanas no saque e pilhagem da receita petrolífera, e que encontrou nos líderes e organizações políticas da Quarta República seus sócios menores e imprescindíveis operadores locais. Tanto Washington quanto seus peões estavam certos de que o chavismo não sobreviveria ao desaparecimento físico de seu fundador. Porém, com as eleições presidenciais de 14 de abril de 2013, suas esperanças se esfumaçaram: Nicolás Maduro venceu Henrique Capriles por uma porcentagem muito pequena, mas suficiente e indiscutível, de votos. A resposta destes oligarcas travestidos em notáveis figuras da república foi, primeiro, desconhecer o veredito das urnas e, depois, desencadear violentos protestos que tiraram a vida de mais de uma dezena de jovens bolivarianos, deixando cerca de cem feridos, além da destruição de numerosos edifícios e propriedades públicas. Cabe lembrar que até o dia de hoje, dez meses após as eleições presidenciais, Washington não reconheceu formalmente a vitória de Nicolás Maduro. Em contrapartida, o inverossímil Prêmio Nobel da Paz demorou poucas horas para reconhecer como vencedor das eleições presidenciais hondurenhas de 24 de novembro passado – viciadas até o indizível e fraudulentas como poucas – o candidato da "embaixada", Juan O. Hernández. O imperialismo não erra ao eleger seus inimigos: os Castro, Chávez, agora Maduro, Correa, Morales. Contrariamente ao que alguns ingenuamente defendem, não existe uma direita que seja "oposição leal" a um governo genuinamente de esquerda. Menos ainda quando se trata de uma direita manipulada por controle remoto pela Casa Branca. Caso se comporte com lealdade é porque esse governo já foi colonizado pelo capital. Em que pese a violência dos militantes da Mesa de Unidad Democrática, que defendia a candidatura de Capriles, o governo conseguiu restabelecer a ordem nas ruas. Contribuíram para isso a clara e enérgica resposta governamental e, além disso, a certeza que tinha a direção do MUD de que as eleições municipais de 8 de dezembro – que a direita caracterizou como um plebiscito – permitiriam derrotar o chavismo para depois exigir a imediata renúncia de Maduro ou, no pior dos casos, convocar um referendo revocatório antecipado, sem ter que esperar até meados de 2016, tal como estabelece a Constituição. Porém, a jogada acabou mal, porque foram amplamente derrotados por quase um milhão de votos e nove pontos percentuais de diferença.
Atônitos ante o resultado inesperado que, pela primeira vez, oferecia ao governo bolivariano a possibilidade de gerir durante dois anos os assuntos públicos e administrar a economia sem ter que envolver-se em campanhas eleitorais agressivas e com o objetivo de distrair, os antichavistas peregrinaram a Washington para redefinir sua estratégia em função das necessidades geopolíticas do império e receber ordens, dinheiro e ajudas de todo tipo para sustentar seu projeto desestabilizador. Derrotados nas urnas, agora a prioridade imediata era, como fez Richard Nixon no Chile de Salvador Allende, em 1970, “fazer ranger a economia”. Daí as sabotagens, as campanhas de desabastecimentos programados e a especulação cambial desenfreada (segundo recomenda em seu manual de operações o especialista da CIA, Eugene Sharp), os ataques na imprensa, onde as mentiras e o terrorismo midiático não conhecem limite ou escrúpulo moral algum e, depois, como conclusão, “esquentar a rua” buscando criar uma situação similar à da cidade de Bengasi, na Líbia, capaz de desbaratar por completo a economia e desatar uma gravíssima crise de governabilidade que torna inevitável a intervenção de alguma potência amiga, que já sabemos quem é, para que acuda em auxílio dos venezuelanos para restaurar a ordem quebrada.
Uma após outra, todas estas iniciativas terminaram em fracasso, porém nem por isso a direita abandonará seus propósitos sediciosos. Leopoldo López acaba de se entregar a justiça e é de se esperar que esta faça cair sobre ele e sobre sua copincha, María Corina Machado, todo o peso da lei, já que carregam várias mortes em suas mochilas. O pior que poderia acontecer com a Venezuela seria o governo ou a justiça não perceber o que está escondido dentro do ovo da serpente. Em situações como estas, e diante de inimigos como estes, qualquer tentativa de “reconciliação nacional” ou de “linha branda” é o caminho seguro para a própria destruição. Os fascistas e o imperialismo só entendem a linguagem da força. López e Machado deverão receber um castigo exemplar, sempre dentro do marco da legalidade vigente. Não se devem descartar violentas manifestações para sua imediata libertação e, tampouco, se devem descartar a hipótese de que, em seu desespero, a direita possa apelar a qualquer custo, por mais absurdo que seja. Porém, o julgamento e castigo dos instigadores de tanto derramamento de sangue não serão suficientes para evitar o risco de uma brutal derrocada do governo bolivariano. A única garantia está na ativa mobilização e organização das massas chavistas para sustentar “sua revolução”, com seus muitos acertos e, também, seus erros. Apenas isso permitirá evitar o perigo de um assalto fascista ao poder que colocaria um sangrento fim à gestão bolivariana, desencadeando uma onda reacionária que repercutiria por todo o continente. Assim, o que está em jogo nestas horas não é somente o futuro da Venezuela, mas o de toda Nossa América.
Fonte:http://www.atilioboron.com.ar/2014/02/la-amenaza-fascista-en-venezuela.html
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

ABAIXO A LEI “ANTI-TERRORISMO” FASCISTA!


NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DAS LUTAS SOCIAIS!
(Nota Política do PCB)
A Comissão Política Nacional do PCB vem a público denunciar a campanha histérica dos meios de comunicação visando a criminalizar os movimentos sociais, satanizar as manifestações de massa da população e afastar o povo das ruas, bem como alertar os trabalhadores e a juventude para a ofensiva dos setores fascistas com o objetivo de
aprofundar e legalizar o processo repressivo, com a chamada lei antiterrorista, abrindo espaço para maiores restrições às liberdades democráticas. Essa ofensiva generalizada vem sendo realizada em função da morte acidental de um cinegrafista da TV Bandeirantes em manifestação contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro.
O PCB entende que esta onda fascista, presente também em outras nações, a exemplo dos movimentos de direita na Ucrânia e nas violentas manifestações conduzidas pela oposição burguesa na Venezuela, vem na esteira da crise mundial do capitalismo e na tentativa dos setores reacionários, a serviço dos interesses do capital e do imperialismo, de barrar a participação popular nas manifestações contrárias aos efeitos perversos da crise e do aprofundamento das relações capitalistas, que sempre recaem sobre as costas dos trabalhadores.
O desespero das classes dominantes brasileiras é fruto da certeza de que a crise já chegou por aqui, provocando queda na produção industrial, redução das vendas no comércio e aumento do custo de vida. Como consequência desta situação, que só faz ampliar o descontentamento popular com as péssimas condições de vida nas cidades e no campo, explodem em todo o canto revoltas que colocam em xeque o discurso mistificador de que a sociedade brasileira estava muito bem com os quase 12 anos de governo do Partido dos Trabalhadores.
A população perdeu a paciência. Cansou-se da corrupção generalizada em todas as esferas governamentais, das obras superfaturadas, das remoções das comunidades em função da Copa do Mundo, dos péssimos serviços de transportes, do caos urbano, da saúde e educação precárias e privatizadas, da repressão permanente nos bairros populares, onde a polícia funciona como verdadeira tropa de ocupação. As classes dominantes compreenderam que, a partir das manifestações de junho de 2013, a população perdeu o medo de se manifestar. Prova disso são as revoltas espontâneas diárias contra a polícia, a queima de ônibus e de trens, o fechamento de ruas e rodovias, as manifestações dos sem teto, dos sem-terra e até da juventude adolescente mediante os chamados “rolezinhos”. O Brasil é um barril de pólvora prestes a explodir!
Por isso, as classes dominantes, com o apoio do governo a elas submisso, estão preparando uma verdadeira guerra contra os trabalhadores, a juventude e a população em geral por ocasião da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Recente orientação do Ministério da Defesa às Forças Armadas trata tratam os movimentos populares como “forças oponentes” e os manifestantes como “inimigos de guerra”. Além disso, o Senado está discutindo, com o apoio de setores do Partido dos Trabalhadores e de sua base aliada, uma lei “antiterrorista”, que visa a identificar todo manifestante como um inimigo de Estado, prevendo até 30 anos de prisão para quem atentar contra a ordem e o patrimônio público, numa vergonhosa retomada dos princípios orientadores da famigerada Lei de Segurança Nacional dos tempos de ditadura, simbolicamente às vésperas dos 50 anos do golpe de 1964!
Essa é a resposta que o governo de um partido que se diz dos trabalhadores oferece à população brasileira: truculência, repressão, cadeia, manipulação, infiltração policial nos movimentos populares e criminalização dos movimentos sociais e dos manifestantes. Um verdadeiro aparato militar para garantir os privilégios de uma minoria que vive nababescamente às custas da riqueza produzida pela classe trabalhadora. A classe dominante brasileira vai buscar manter, para além dos megaeventos deste ano e de 2016, o aparato repressivo anunciado pelo Estado, com todo o apoio da mídia burguesa e dos setores reacionários e o silêncio cúmplice e covarde de intelectuais e partidos reformistas.
A Comissão Política Nacional do PCB alerta a todos os militantes anticapitalistas, aos movimentos sociais e da juventude que não devem se intimidar diante das chantagens da direita, pois essa histeria que está sendo veiculada pelos meios de comunicação é a mais pura demonstração do desespero das classes dominantes diante do novo ciclo de lutas que se abriu com as extraordinárias jornadas de lutas do ano passado.
Recordamos que a morte do cinegrafista (que pode ter sido causada por agentes provocadores infiltrados) vem se juntar a dezenas de mortes de jovens e trabalhadores recentemente, como a de Cícero Guedes, do MST, do pedreiro Amarildo, ou das balas que cegaram um fotógrafo e feriram uma jornalista no rosto nas manifestações de junho em São Paulo, além das chacinas diárias cometidas pela polícia nos bairros populares das grandes metrópoles. Sem falar dos inúmeros casos jamais resolvidos pela Justiça e pela polícia de assassinatos de jornalistas por políticos burgueses que se livram, desta maneira, das denúncias de corrupção. Para estas mortes os meios de comunicações não lhes dão destaque nos noticiários, porque simplesmente todas elas foram provocadas por agentes da direita pelas forças da ordem, atuando em nome do Estado ou a mando dos estratos burgueses.
Diante de toda essa situação, conclamamos nossos militantes, amigos e simpatizantes, os trabalhadores e a juventude a não se intimidar diante dos fortes ataques aos movimentos sociais, tampouco ceder às pressões do governo, dos meios de comunicação, do aparato militar e das classes dominantes. Nenhuma força militar, por mais brutal e repressora que seja, é capaz de barrar a luta de classes. Esta é a hora de continuar as lutas e ampliar a organização – nos bairros, nos locais de trabalho e estudo, no campo e nas grandes metrópoles. Também esta não é hora para respostas individuais e voluntaristas dos que resistem. Quando mais desorganizadas e espontaneístas forem as manifestações, mais frágeis e mais sujeitas a infiltrações e provocações estarão, pois as classes dominantes e seu aparato militar farão tudo para deslegitimar as lutas sociais. É preciso buscar a mais ampla unidade de todas as forças anticapitalistas e anti-imperialistas do Brasil, no sentido de forjar um poderoso movimento, respaldado por uma rede de organizações sociais e políticas, com o protagonismo decisivo dos trabalhadores, capaz de construir um novo rumo para o País.
Viva a unidade de todas forças anti-imperialistas e anticapitalistas!
Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Abaixo o Ato Institucional nº 2 da era petista!
Barrar o avanço fascista com a organização do Poder Popular!
Comissão Política Nacional do PCB

ESCALADA FASCISTA NA UCRÂNIA


OS EDITORES DE ODIARIO.INF0
A situação na Ucrânia configura a crise politica e social mais grave ocorrida no Continente Europeu desde a guerra de agressão contra a Iugoslávia.
Uma aparente dualidade de poderes oculta um real vazio de poder.
A Rada (Camara de deputados) pretende controlar a situação. Oleksandr Turtchinov , do Partido Pátria, de Júlia Timoshenko, assumiu interinamente a presidência do país. Esse órgão legislativo destituiu o presidente Yanukovitch, restabeleceu a Constituição de 2004 e marcou eleições presidenciais para 25 de Maio.
A Ucrânia está à beira da bancarrota e muita água correrá pelo Dnieper até essa data.
Na prática os grupos extremistas da Praça Maidan que recusaram o Acordo firmado por Yanukovitch, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de países da União Europeia e pela oposição da Rada, forçaram o presidente (cujo comportamento foi indecoroso) a fugir para Kharkov, e emergem como poder real na caótica situação criada na Ucrânia Ocidental.
Júlia Timoshenko, vinda do hospital onde se encontrava em Kharkov sob prisão, compareceu na Praça numa cadeira de rodas e pronunciou ali em tom patético um discurso populista, carregado de ameaças. Mas não despertou o entusiasmo que esperava. Ela e o seu partido Pátria mantiveram ligações íntimas com a oligarquia corrupta que dominava o país.
Bem organizados, os grupos extremistas da Praça Maidan continuam a atuar como poder real. Um deputado do Partido das Regiões, de Yanukovitch, que afirmara a sua indisponibilidade para participar num governo de coligação, foi retirado da Rada e levado para a Praça algemado, com um cartaz onde se lia a palavra «Traidor!».
Na Rada a língua russa foi proibida e os canais de televisão que transmitiam também em russo passaram a emitir somente em ucraniano. Uma deputada do partido de extrema-direita Svoboda sugeriu num discurso impregnado de ódio que todos os russos da Ucrânia (mais de 20 milhões) sejam expulsos.
O líder de outro partido ultra nacionalista, neo fascista, pediu a expulsão dos «comunistas, dos judeus e da escumalha russa».
O deputado do Partido Radical Oleg Lyashko exigiu a execução publica de Yanukovitch.
Em Lvov, no Noroeste do país (província de maioria católica que era polaca em 1939), a perseguição aos comunistas é frenética, feroz.
Uma vaga de anticomunismo selvagem varre grande parte da Ucrania. Na capital e nas cidades da Ucrânia Ocidental, organizações de extrema-direita praticam crimes abjetos, perante a passividade do exército e das polícias. Desde o III Reich nazi que não acontecia algo comparável na Europa. O fascismo exibe na Ucrânia, com arrogância desafiadora, a sua face hedionda.
OS EDITORES DE ODIARIO.INF0

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

FARC, PCB e PCM se encontram em Havana


Em Havana, Cuba, realizou-se na semana passada um encontro informal entre Ivan Pinheiro, Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro, Pavel Blanco, Primeiro Secretário do Partido Comunista do México, e o Comandante Ivan Marquez, integrante do Secretariado das FARC-EP, que encabeça a Delegação de Paz, que participa nos diálogos com o governo colombiano na busca de uma solução política ao conflito social e armado da Colômbia.
Foram recebidos informes destes diálogos, das dificuldades e perspectivas.
Tanto o PCB como o PCM concordaram com as FARC-EP no sentido de que apenas a intensa participação popular garantirá que a solução política e, derivada dela, a paz, sejam alcançadas.
O PCB e o PCM também concordaram que é necessário impulsionar um forte movimento continental pela solução política e pela paz na Colômbia, contra a oligarquia e as pretensões imperialistas de continuar arruinando esse povo irmão para assegurar níveis intensos de exploração.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Etapa cubana do XV Congresso Nacional do PCB: nossa pátria é a humanidade!


Otávio Dutra*
Como internacionalista soy
Muy orgulloso me siento
Y a mi cuba represento
Por donde quiera que voy.
Todo mi esfuerzo lo doy
Como me enseñó Martí
Y puedo expresarlo así
Porque el regocijo encierra
Que hoy los pobres de tierra
Sienten orgullo por mí.
(…)
Así es mi patria querida
Que en su trayectoria muda
Materializa su ayuda
Sin condición ni medida
Pueblo que arriesga su vida
Sin vacilar ni un segundo
Y el sentimiento es profundo
Porque demuestra con hechos
Que también tienen derechos
Todos los pobres del mundo.

Nicolás Guillén – fragmento do poema Cuba Internacionalista

No dia 02 de fevereiro aconteceu a etapa cubana do XV Congresso do PCB. A base do partido em Cuba já possui 4 anos de existência, sendo constituída por estudantes da Escola Latino Americana de Medicina - ELAM.
Em sintonia com a cosmopolita Havana, a atividade ocorreu com marcado internacionalismo, contando com a presença de representantes da presidência coletiva do Movimento Continental Bolivariano-MCB, que se encontravam na cidade para uma reunião, que adornaram o dia de debates e confraternização com densas intervenções sobre a conjuntura do continente e do mundo - em especial sobre o México, sobre Venezuela e os diálogos de Paz entre FARC e governo colombiano que acontecem na capital cubana.
Num segundo momento o secretário geral do PCB - responsável por dar assistência à etapa cubana do XV Congresso - fez uma intervenção enfocada na realidade e nas perspectivas do PCB para o próximo período, enfatizando os nossos problemas, tarefas e desafios, fundamentalmente no sentido de fortalecer a organização interna e enfrentar as debilidades para qualificar e ampliar nossa presença nas lutas concretas da classe trabalhadora, sem falsos vanguardismos, mas como corpo real de organização, luta e orientação revolucionária. Assim que concluída a contribuição do camarada Ivan Pinheiro, foi realizado um debate profundo e amplamente participativo sobre as teses, centrado nos pontos que a base avaliou como medulares para a reconstrução revolucionária do PCB. Os debates finalizaram com reflexões sobre as perspectivas de atuação os militantes da base assim que regressem para o Brasil, já que a grande maioria dos camaradas deve retornar já em meados desse ano.
Posteriormente, a participação de camaradas chilenos, colombianos e mexicanos, foi feita uma singela e alegre confraternização, regada de boas conversas, música latino-americana e o delicioso rum cubano.
A etapa cubana do XV Congresso fortaleceu o princípio do internacionalismo proletário que caracteriza os comunistas, contribuindo com importantes debates para destacar a perspectiva continental e mundial da nossa luta pelo socialismo-comunismo, para aprofundar a compreensão da base sobre a realidade brasileira e o PCB, assim como para orientar a atuação dos jovens militantes do Partido que em breve estarão novamente em terras brasileiras, levando um pouco dos valores e da energia revolucionária aprendidos com o rebelde povo cubano para contribuir na construção do poder popular e do socialismo no Brasil.
não temos pátria/ camarada/
não existem fronteiras entre os justos/
a dor dos sofridos nos atrela
e linhas traçadas em mapas
jamais poderão nos apartar/
nem muros/ nem urros/ aferro/
não importa de onde vem o berro/
lá estaremos/ aqui estaremos/
como um só povo/ multidão/
como um só grito/ alvoroço/
como um só punho de resistência
e uma constelação brilhando
em olhos de esperança/
hoje o mundo não cabe na lágrima
de uma mãe palestina/
*Otávio Dutra é estudante de sexto ano de medicina na ELAM, membro da Coordenação Nacional da UJC e militante da base Paulo Petry do PCB em Havana-Cuba.

PCV: APÓIA AÇÕES DO GOVERNO QUE GOLPEIEM E ENFRAQUEÇAM A AÇÃO FASCISTA OPOSITORA


17 DE FEVEREIRO DE 2014 TRIBUNA POPULAR
Caracas, 17 fev. 2014, Tribuna Popular TP.- O Birô Político do Partido Comunista da Venezuela (PCV) expressou seu total e absoluto apoio às ações empreendidas pelo governo nacional contra a ofensiva fascista vivida pela Venezuela e espera que contribuam para golpear, isolar e enfraquecer os núcleos neofascista e paramilitares que estão atuando no interior da república.
Assim disse o Secretário Geral do PCV, deputado Oscar Figuera, que chamou o governo para reunir-se com as forças revolucionárias e avançar na ação unida de todo o povo.
Ver vídeo: Análises da situação do país
(http://www.youtube.com/watch?v=VWSBg5W3rWk).
Fonte: http://prensapcv.wordpress.com/2014/02/17/pcv-apoya-acciones-del-gobierno-que-lleven-a-golpear-y-debilitar-el-accionar-fascista-opositor/
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Todos à matriz dia 21/2 para lutar contra a copa dos ricos

O Comitê Popular da Copa de Guarulhos agrega movimentos sociais, sindicais, estudantis e partidos contra hegemônicos, comprometidos com a classe trabalhadora. Chamamos todos ao ato dia 21 de fevereiro na matriz às 17h contra os desmandos anti populares que o governo brasileiro faz para garantir um evento que só serve à grande burguesia internacional.










Ucrânia e o Renascimento do Fascismo


A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma expressão de raiva popular contra o governo. Em vez disso, ela é apenas o mais recente exemplo da ascensão da forma mais insidiosa do fascismo vista na Europa desde a queda do Terceiro Reich.
Nos últimos meses houve protestos regulares pela oposição política ucraniana e seus apoiadores - protestos aparentemente em resposta à recusa do presidente ucraniano, Yanukovich, em assinar um acordo comercial com a União Europeia, o que foi visto por muitos observadores políticos como o primeiro passo para a integração europeia. Os protestos permaneceram em grande parte pacíficos até o dia 17 de janeiro, quando manifestantes, armados com porretes, capacetes e bombas improvisadas, desencadearam a violência brutal contra a polícia, atacando prédios do governo, batendo em qualquer pessoa suspeita de simpatias pró-governo e, geralmente, causando estragos nas ruas de Kiev. Mas quem são esses extremistas violentos e qual é a sua ideologia?
A formação política é conhecida como “Pravy Sektor” (Setor Direita), que é essencialmente uma organização guarda-chuva para vários grupos ultranacionalistas (leia-se fascistas) de direita, incluindo os apoiadores do Partido “Svoboda” (Liberdade), “Patriotas da Ucrânia”, “Assembleia Nacional da Ucrânia - Autodefesa Nacional Ucraniana” (UNA-UNSO), e “Trizub”. Todas essas organizações compartilham uma ideologia comum que é veementemente antirussa, anti-imigrantes e antijudaica, entre outras coisas. Além disso, eles compartilham uma reverência comum pela chamada “Organização dos Nacionalistas Ucranianos”, liderada por Stepan Bandera, os infames colaboradores nazistas que lutaram ativamente contra a União Soviética e se envolveram em algumas das piores atrocidades cometidas por qualquer lado na Segunda Guerra Mundial.
Enquanto as forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuam negociando, uma batalha muito diferente está sendo travada nas ruas. Usando intimidação e força bruta mais típica de “camisas marrons” de Hitler ou “camisas negras” de Mussolini do que de um movimento político contemporâneo, esses grupos conseguiram transformar um conflito sobre a política econômica e as alianças políticas do país em uma luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados “nacionalistas” dizem amar tanto. As imagens de Kiev em chamas, ruas de Lviv cheias de bandidos, e outros exemplos assustadores do caos no país, ilustram, sem sombra de dúvida, que a negociação política com a oposição Maidan (praça central de Kiev e centro dos protestos) agora não é mais a questão central. E, ao invés disso, é a questão do fascismo ucraniano e, se é, ele será apoiado ou rejeitado.
Por sua vez, os Estados Unidos se colocaram fortemente do lado da oposição, independentemente de seu caráter político. No início de dezembro, os membros do establishment dominante dos EUA, como John McCain e Victoria Nuland, foram vistos em Maidan dando seu apoio aos manifestantes. No entanto, como o caráter da oposição tornou-se evidente nos últimos dias, os EUA e a classe dominante ocidental e sua máquina de mídia têm feito pouco para condenar o surto fascista. Em vez disso, seus representantes se reuniram com representantes do Setor Direita e não os consideraram uma “ameaça”. Em outras palavras, os EUA e seus aliados deram a sua aprovação tácita para a continuação e proliferação da violência em nome de seu objetivo final: mudança de regime.
Em uma tentativa de tirar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-OTAN, e não pela primeira vez, aliou-se aos fascistas. É claro que, durante décadas, milhões na América Latina desapareceram ou foram assassinados por forças paramilitares fascistas armadas e apoiadas pelos Estados Unidos. Os mujahideen do Afeganistão, que mais tarde se transformaram em Al Qaeda, também reacionários ideológicos radicais, foram criados e financiados pelos Estados Unidos para desestabilizar a Rússia. E, claro, há a realidade dolorosa da Líbia e, mais recentemente, da Síria, onde os Estados Unidos e seus aliados financiam e apoiam jihadistas extremistas contra um governo que se recusou a se alinhar com os EUA e Israel. Há um padrão perturbador aqui que nunca foi perdido pelos observadores políticos mais atentos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com os extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.
A situação na Ucrânia é profundamente preocupante, pois representa uma conflagração política que poderia muito facilmente despedaçar o país menos de 25 anos após a sua independência da União Soviética. No entanto, há outro aspecto igualmente preocupante para a ascensão do fascismo no país – não é só na Ucrânia.
A Ameaça Fascista pelo Continente
A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não podem ser vistas, e muito menos entendidas, de forma isolada. Em vez disso, isso deve ser examinado como parte de uma tendência crescente em toda a Europa (e mesmo no mundo) - uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.
Na Grécia, a austeridade selvagem imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) paralisou a economia do país, levando a uma depressão tão ruim, se não pior, do que a Grande Depressão nos Estados Unidos. É contra esse pano de fundo de um colapso econômico que o partido Aurora Dourada (orig. Gol;den Dawn) cresceu e se tornou o terceiro partido político mais popular do país. Defendendo uma ideologia do ódio, a Aurora Dourada – de fato, um partido nazista que promove chauvinismo antijudaico, anti-imigrantes, antimulheres - é uma força política que o governo em Atenas entendeu como uma séria ameaça para o próprio tecido da sociedade. É essa ameaça que levou o governo a deter a liderança do partido depois de um nazista da Aurora Dourada ter fatalmente esfaqueado um rapper antifascista. Atenas lançou uma investigação sobre o partido, ainda que os resultados desta investigação e julgamento permaneçam pouco claros.
O que torna a Aurora Dourada uma ameaça tão insidiosa é o fato de que, apesar de sua ideologia central do nazismo, a sua retórica anti-UE, anti-austeridade atrai a muitos na Grécia economicamente devastada. Tal como aconteceu com muitos movimentos fascistas do século 20, a Aurora Dourada culpa os imigrantes, muçulmanos e africanos, principalmente, por muitos dos problemas enfrentados pelos gregos. Em circunstâncias econômicas terríveis, tal ódio irracional torna-se atraente, uma resposta para a pergunta de como resolver os problemas da sociedade. De fato, apesar dos líderes da Aurora Dourada estarem presos, outros membros do partido ainda estão no parlamento, ainda concorrendo por grandes cargos, incluindo para prefeito de Atenas. Embora uma vitória eleitoral seja improvável, outra forte presença nas urnas vai tornar a erradicação do fascismo na Grécia muito mais difícil.
Se tal fenômeno fosse confinado à Grécia e Ucrânia, não constituiria uma tendência continental. Infelizmente, no entanto, vemos o surgimento de partidos políticos semelhantes, embora ligeiramente menos abertamente fascistas, por toda a Europa. Na Espanha, o Partido Popular pró-austeridade governante transformou-se para estabelecer leis draconianas que restringem a liberdade de expressão e de protesto, e dando poder e sancionando táticas policiais repressivas. Na França, o Partido Frente Nacional, de Marine Le Pen, que culpa veementemente os imigrantes muçulmanos e africanos, ganhou quase vinte por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Da mesma forma, o Partido da Liberdade na Holanda - que promove políticas antimuçulmanos, anti-imigrantes – já é o terceiro maior no parlamento. Por toda a Escandinávia, os partidos nacionalistas, que antes operavam em completa irrelevância e obscuridade, são agora players importantes nas eleições. Estas tendências são preocupantes, para dizer o mínimo.
Deve-se notar, também, que, para além da Europa, há uma série de formações políticas quase fascistas que são, de uma forma ou de outra, apoiadas pelos Estados Unidos. Os golpes de direita que derrubaram os governos do Paraguai e Honduras foram tacitamente e/ou abertamente apoiados por Washington em sua busca aparentemente interminável para suprimir a esquerda na América Latina. Claro, deve-se também lembrar que o movimento de protesto na Rússia foi encabeçado por Alexei Navalny e seus seguidores nacionalistas, que defendem uma ideologia racista virulentamente antimuçulmanos que vê os imigrantes do Cáucaso russo e ex-repúblicas soviéticas como abaixo dos “russos europeus”.
Estes e outros exemplos começam a pintar um retrato muito feio da política externa dos EUA, que tenta usar as dificuldades econômicas e agitação política para expandir a hegemonia dos EUA pelo mundo.
Na Ucrânia, o "Setor Direita" levou a luta da mesa de negociações para as ruas, na tentativa de realizar o sonho de Stepan Bandera - uma Ucrânia livre da Rússia, de judeus, e de todos os outros "indesejáveis", como eles os veem. Estimulados pelo apoio contínuo dos EUA e da Europa, esses fanáticos representam uma ameaça mais séria à democracia do que Yanukovich e o governo pró-russo jamais poderiam ser. Se a Europa e os Estados Unidos não reconhecem essa ameaça em sua infância, no momento em que, finalmente, o fizerem poderá ser tarde demais.

Junho é a materialização do Bloco Revolucionário do Proletariado


191213 Foto4Mauro Iasi além de membro do Comitê Central do PCB é professor da Escola de Serviço Social da Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com diversos livros e trabalhos acadêmicos publicados, sendo que foi presidente do sindicato dos docentes dessa mesma instituição durante o período 2011-2013.
Em longa entrevista exclusiva ao Diário Liberdade Iasi abordou sua pré-candidatura; a formação de uma Frente de esquerda com PSOL, PSTU e movimentos sociais; a reconstrução do Partido Comunista Brasileiro depois do fim da URSS; a construção do Poder Popular como alternativa de ruptura com a ordem burguesa; as Jornadas de Junho como materialização do Bloco Revolucionário do Proletariado e a constituição de uma Frente anticapitalista e anti-imperialista a nível nacional e internacional. Também falou sobre os 10 anos de governos do PT e do rompimento do seu partido com o governo Lula em 2005.
Além disso, salientou que o Brasil já realizou sua revolução burguesa, não clássica, parecida com que Lênin chamou de via prussiana e Gramsci de revolução passiva. Ou seja, pela fala do professor não resta dúvida que a tarefa do proletariado como classe no Brasil é fazer a revolução socialista.
Mas nossa conversa com o cientista social não parou por aí. Ainda conversamos sobre a conjuntura latino-americana, a crise do capitalismo, o fim da URSS e a transição socialista no mundo.
Diário Liberdade (DL): O PCB já definiu seu nome como pré-candidato à presidência da República para as eleições de 2014 no Brasil. Isso significa que a frente de esquerda eleitoral, como houve em 2006, está descartada desde já?
Mauro Iasi (MI): Para o PCB, a Frente de esquerda não é, ou não deveria ser, uma frente eleitoral, mas representar a unidade na luta daqueles que se opõem ao atual rumo político no Brasil imposto pelos governos petistas e o bloco conservador, espaço no qual temos nos encontrado não apenas com o PSOL e o PSTU, mas com várias organizações e movimentos sociais.
Eleitoralmente, nem sempre, é possível marcharmos juntos uma vez que uma construção programática e política não pode ser feita em cima da hora e por conveniências eleitorais, até porque falamos de partidos de esquerda que prezam suas convicções e formulações.
DL: O PSOL definiu em seu 4º Congresso o nome do senador Randolfe Rodrigues como pré-candidato do partido a presidência da República. Esse fato dificulta as alianças do PCB com o PSOL nas eleições de 2014?
MI: Respeitamos as instâncias internas dos partidos amigos. A decisão sobre o melhor nome para representá-los no pleito de 2014 cabe aos militantes do PSOL.
Ao nosso ver, não é um nome de candidato (seja qual for) que ajuda ou atrapalha a unidade, mas a ausência de uma construção política tal como propusemos em 2010 quando afirmamos que uma verdadeira opção de esquerda aos governos petistas deveria partir de um amplo debate com os partidos, movimentos sociais e entidades dos trabalhadores que chegando a pontos programáticos mínimos se dispusessem a construir uma alternativa de poder de caráter socialista no médio e longo prazo em nosso país.
Infelizmente, motivos de natureza mais imediata acabaram inviabilizando esta proposta e nós, desde o encerramento das eleições de 2006, avisamos que não faríamos alianças meramente eleitorais.
DL: O PCB tem chamado a formação de frentes (anticapitalista e anti-imperialista) e a construção de um Bloco Revolucionário do Proletariado, além das eleições. Como que anda as iniciativas, esforços e conversas do PCB, de outros partidos da esquerda e dos movimentos sociais sobre esta questão?
MI: Acreditamos que houve uma inflexão na conjuntura brasileira desde junho de 2013 com as manifestações de massa que expressam as grandes contradições que amadureciam em nossa sociedade.
A luta contra o aumento das passagens dos transportes urbanos, rapidamente generalizada por uma pauta que incluía educação, saúde, a luta contra os gastos com os grandes eventos esportivos e suas conseqüências como as remoções, assim como contra a violência policial, são, para o PCB, a materialização daquilo que chamamos de Bloco Revolucionário do Proletariado, porque ele não é um movimento ou uma instituição, mas sim a capacidade da classe trabalhadora através de sua ação e identidade política independente se contrapor ao bloco conservador que hegemoniza a política brasileira.
Procuramos atuar decisivamente neste campo, junto aos movimentos sociais, sindicatos, partidos de esquerda, mas também organizações e coletivos que tem tido papel importante na manutenção das lutas de rua.
DL: Em 1992 a “seção brasileira” da III Internacional comunista dividiu-se em duas: PPS e PCB. Você pode explicar para nossos leitores, principalmente galegos e portugueses, com se deu o fato descrito acima?
MI: Em verdade, não se tratava da seção brasileira da III Internacional, há muito já inativa. A divergência baseava-se na leitura sobre a crise que levou ao desmoronamento da União Soviética.
Houve uma tentativa de liquidar o PCB em 1992 que faz parte de um processo mais amplo de crise dos PCs em todo o mundo. Aqui havia o discurso que o PCB estava antiquado e deveria se “renovar”, apresentar um perfil democrático distanciando-se da meta socialista e anticapitalista que sempre caracterizou sua história para ter espaço na política brasileira. Aqueles que assim pensavam formaram o PPS que, desgraçadamente, acabou se tornando uma linha auxiliar da direita em nosso país, ao lado do PSDB e do DEM.
Graças à resistência de vários camaradas o PCB sobreviveu, resistiu e empreendeu um difícil caminho de reconstrução, mantendo seus princípios e convicções socialistas e revolucionárias.
DL: O PCB participou do bloco político que elegeu Lula em 2002. Em 2005 rompeu com o governo. Por quê?
MI: A eleição de Lula em 2002 significava o culminar de um longo processo de luta e resistência contra a alternativa chamada de neoliberal apontando para reformas de caráter popular e democráticas.
Entretanto, o governo Lula optou por um tipo de governabilidade que os jogou em alianças ao centro e depois à direita com legendas como o PMDB de Sarney, o PP de Paulo Maluf, o PTB de Roberto Jefferson. Manteve todos os elementos de uma macroeconomia que visava garantir as condições para a acumulação de capitais, como a política fiscal e monetária, o controle da inflação, o saneamento financeiro do Estado, a formação de superávits primários, etc; ao mesmo tempo em que impunha contra-reformas, como o desmonte da previdência pública, não fez a reforma agrária necessária, deu continuidade as privatizações diretas ou indiretas através das parcerias público privadas e aprofundou a flexibilização e perda de direitos para os trabalhadores.
Isso nos levou ainda em 2005, portanto, antes dos escândalos do chamado “mensalão” que envolveu o desvio de recursos para comparar a base de sustentação do governo, a romper com o governo petista.
DL: Como o partido, em resumo, explica o projeto do desenvolvimentismo lulista, em curso desde 2002, no Brasil?
MI: O PT caminhou para uma alternativa de pacto social com a grande burguesia monopolista, fundado na idéia que a base para um chamado desenvolvimento social é o crescimento da economia capitalista, do mercado e da ordem institucional burguesa. Procura diferenciar-se da alternativa neoliberal, que apregoa a prioridade do mercado, afirmando a necessidade do Estado no apoio e subsídio à economia de mercado, numa aparente oscilação entre neoliberalismo e um tipo de neodesenvolvimentismo.
Sabemos que esta é uma disjuntiva falsa. O capitalismo sempre exigiu em seu sociometabolismo a presença do mercado e do Estado, trata-se da ênfase em um ou outro pólo que são os dois elementos essenciais para a acumulação de capital. Mais mercado, ou mais Estado para garantir o bom funcionamento da economia capitalista.
Neste caminho a prioridade é dada às ações que garantam o crescimento da economia capitalista, seja através de subsídios e transferências vultuosas à economia privada, seja através de ações indiretas como as políticas de controle financeiro e inflacionário. O que sobra é destinado ao combate às manifestações mais gritantes da pobreza absoluta, numa política fragmentada e focalizada sob os moldes do Banco Mundial.
O resultado disso é que se há uma diminuição da pobreza absoluta, com os 20% mais pobres que viviam com menos de U$ 1,00 /dia, passando a viver com algo perto de U$2,00 /dia, ou seja, com renda que varia entre R$ 90,00 e R$ 200,00 (no máximo um terço do salário mínimo real); os 10% mais ricos que em 1990 acumulação 53% da riqueza nacional, hoje abocanham 74,2% desta riqueza.
O desenvolvimento gerou enorme acumulação de propriedades e riquezas no agronegócio e estagnou a reforma agrária para os assentamentos e pequenos camponeses; gerou milhões para bancos, grandes monopólios industriais, comerciais, de construção, transporte e outros, ao mesmo tempo precarizou as condições de trabalho retirando ou flexibilizando direitos dos trabalhadores, sucateou os serviços públicos como educação, saúde, saneamento e outros agravando a situação já explosiva dos grandes centros urbanos.
DL: O PCB tem defendido que temos condições objetivas para a revolução socialista e que a fase de etapas da revolução brasileira está superada. Isso significa que o Brasil já fez sua revolução burguesa (anterior a socialista)? E se fez, quando foi? Ou a leitura que o PCB faz do processo histórico brasileiro é guiada por conceitos gramscianos (revolução passiva, transformismo conservador, etc.)?
MI: A Revolução Burguesa no Brasil já se realizou de maneira não clássica consolidando uma ordem burguesa moderna e inserida de forma dependente na ordem do capital imperialista mundial. Temos hoje um capitalismo completo, isto é, que possui todos os elementos necessários para proceder à acumulação de capitais, um Estado Burguês consolidado e uma sociedade civil burguesa sólida.
Este processo se estendeu no tempo, desde o período Vargas, entre as décadas de 1930 e 1950, com a inserção dependente em relação ao imperialismo no período Juscelino Kubitschek (1955-1960), com a ditadura burguesa estabelecida com o golpe de 1964 e consolidado com o atual processo de Democracia burguesa.
Estamos diante de uma via não clássica, mas é mais que isso, quero dizer, uma forma particular de expressão daquilo que Lênin chamava de Via Prussiana e Gramsci de revolução passiva. Não temos dúvida de que neste processo o PT expressa um claro exemplo de transformismo, ou seja, “absorção gradual, mas contínua, e obtida com métodos de variada eficácia, dos elementos ativos surgidos dos grupos aliados e mesmo dos adversários e que pareciam irreconciliáveis inimigos”, nas palavras de Gramsci.
DL: Quais grandes marxistas brasileiros influenciam teoricamente o PCB hoje?
MI: Estamos vivendo um rico processo de florescimento do pensamento marxista no Brasil, mas isso só foi possível porque houve uma geração de marxistas que resistiram ao canto de sereia da pós-modernidade e souberam manter, em tempos muito difíceis, os princípios e a clareza teórica que nos caracteriza. São muitos os intelectuais marxistas brasileiros que contribuem para nossas atuais reflexões, sejam aqueles que hoje são quase clássicos entre nós, como de uma nova geração que apresentado produções de altíssima qualidade
Procuramos utilizar todos, tendo ou não vinculo orgânico com o PCB e independente de suas preferências políticas, desde que contribua qualitativamente em nossas reflexões. O PCB hoje não define nenhuma linha como doutrina oficial. Somos marxistas.
DL: Parece que o PCB tem procurado usar contribuições de marxistas clássicos além do marxismo-leninismo (Luckács, Luxemburgo e Gramsci) para sua formação política. E Trotsky não contribui?
MI: Para nós o caminho dos clássicos sempre é o caminho mais correto, sem um fundamento consistente nas obras de Marx, Engels e Lênin, nenhum estudo do marxismo pode frutificar. Mas o marxismo, ou os marxismos, hoje se tornaram um rico e complexo campo, plural e múltiplo, enriquecido com as obras e reflexões que vão desde Lukács à Gramsci, passando por Trotsky, Mao, Che, Fidel, Rosa, Kollontai e de todos os revolucionários e pensadores do século XX, como Mariategui, Amilcar Cabral, Álvaro Cunhal e tantos outros.
Leon Trotsky foi um grande revolucionário e tem contribuições inestimáveis ao pensamento marxista, seria um erro desconsiderar suas contribuições. Não é preciso ser trotskista para utilizar Trotsky, da mesma forma que ser trotskista não é garantia que o utilize corretamente.
O PCB se considera, hoje, um partido marxista e se a identidade marxista-leninista persiste se dá pela nossa convicção nas formas de organização e princípios políticos que daí derivam e não como cânone indiscutível que funciona como critério de validação de verdades teóricas. Como dizia Fidel, o marxismo não é uma propriedade privada registrada em cartório, é uma teoria revolucionária, feita por revolucionários, desenvolvida por revolucionários e para revolucionários; aqueles que forem capazes de dar interpretações corretas da realidade triunfarão os que não conseguirem serão suplantados. Pensamos ser este nosso critério.
DL: Na Europa, também em Portugal, Galiza e no Estado Espanhol se têm a imagem que os governos Latino-americanos que subiram ao aparelho de estado de seus países a partir, entre outras coisas, da crise neoliberal são todos de esquerda. Vocês têm diferenciado seus projetos em duas categorias. Teria os progressistas - de esquerda - (Venezuela, Equador e Bolívia) e os conservadores – de centro e até de direita - (Chile, Peru, Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina). Quais elementos os progressistas têm para serem classificados em uma categoria em separado?
MI: Nós prezamos muito o termo esquerda para utilizá-lo sem critérios mais precisos. Para nós o compromisso e a posição de esquerda, ainda mais em um mundo como o nosso, se justifica pelo claro posicionamento ao lado da classe trabalhadora contra a barbárie do capital. Existem setores de esquerda, ainda que não marxistas ou mesmo revolucionários, isto é do campo do reformismo, assim como existem posições que, ainda que tendo origem neste campo, se distanciaram e hoje, infelizmente, assumem uma posição de centro-direita que favorece os interesses do capital contra os trabalhadores, como foi classicamente o desenvolvimento da socialdemocracia européia.
Na América Latina, procuramos diferenciar processos que, mesmo não sendo imediatamente socialistas, levam à frente reformas que tencionam a ordem do capital, dinamizam a luta de classes e ajudam a formar um bloco de forças populares contra os ataques do capital e do imperialismo. Parecem-nos claramente os casos da Venezuela e Bolívia e em menor medida do Equador.
Não podemos caracterizar desta forma o Brasil ou o Chile sob o governo de Bachelet. Ficaram aquém das reformas e optaram por governabilidades que viabilizam a continuidade dos governos, mas não o avanço das demandas populares; pelo contrário, tornaram-se o meio pelo qual a ordem burguesa legitima suas contrarreformas.
DL: Qual a relação do partido com Cuba e sua posição em relação às reformas que estão acontecendo na ilha?
MI: Nós temos uma história e um compromisso de solidariedade com Cuba e prezamos muito sua autodeterminação. Nossa solidariedade é incondicional, mas nos resguardamos o direito de afirmar que isso não implica em alinhamento político incondicional.
Vemos com certa preocupação os rumos da revolução cubana e as reformas em curso, ainda que compreendamos a grave situação na qual aquele país se encontra, por conta do brutal bloqueio imperialista, que já dura meio século. Mas confiamos que não haverá retrocesso no processo socialista em Cuba, em que decisões complexas são tomadas após amplo debate popular. Como disse Silvio Rodriguez em uma de suas composições mais recentes: “A desencanto, opóngase deseo. Superen la erre de revolución. Restauren lo decrépito que veo, pero déjenme el brazo de Maceo y para conducirlo, su razón.”
DL: Qual é o balanço que o senhor e PCB fazem das experiências socialistas do século XX, com destaque para o do Leste Europeu e da URSS?
MI: Antes de tudo consideramos a experiência de transição socialista do século XX, inaugurada pela Revolução Russa de 1917, nosso patrimônio histórico e o principal fato da história recente da humanidade que iniciou nossa construção do futuro emancipado do gênero humano. Com suas vitórias e com suas derrotas, com acertos e erros, é nossa história. E consideramos que o saldo foi positivo.
Foi um momento no qual os trabalhadores de todo o mundo puderam contar com uma retaguarda política e um equilíbrio de forças que produziu, inclusive, vitórias e conquistas na Europa, nos EUA e em todos os povos, até como concessões para evitar a ruptura revolucionária que o bloco socialista representava. Para aqueles que viviam nestes países o início de uma transição socialista, também, tivemos inegavelmente uma alteração qualitativa quanto à vida e suas possibilidades fora do mercado e do domínio do capital.
Em seu XIV Congresso, o PCB debateu o tema da transição socialista e chegamos à conclusão que não cabe a um partido resolver na forma de uma resolução um debate histórico com tantas implicações. Não se trata de dizer apenas se era ou não socialismo, de aceitar passivamente as formas que ali se expressaram de maneira a justificar todas suas conseqüências. Trata-se de uma polêmica política e teórica em aberto, para qual o PCB oferece textos e reflexões, mas não resoluções a serem burocraticamente repetidas.
A experiência de transição socialista ocorrida na URSS e no leste europeu, assim como na Ásia e em Cuba, para nós confirma, ainda que tragicamente, as previsões teóricas de Marx, tanto quanto à potencialidade da revolução, a necessidade da ruptura revolucionária, da destruição do Estado burguês e constituição de um Estado Proletário, a necessidade de socialização dos meios de produção com o fim da propriedade privada e da apropriação privada da força de trabalho.
Ao mesmo tempo, confirma-se tragicamente, que apenas isso, ainda que essencial, não é suficiente. É necessária a superação da escravizante subordinação do indivíduo à divisão do trabalho, a superação da contradição entre trabalho manual e intelectual, superar o trabalho como mero meio de vida e permitir o desenvolvimento dos indivíduos sociais em todas as dimensões até que cada um possa trabalhar de acordo com a capacidade e receber de acordo com a necessidade. Estes aspectos que Marx enuncia em sua Critica ao Programa de Gotha, são a natureza mesma da transição.
O que vimos nas experiências do século XX foi o início desta transição que não se completou, ficando, por assim dizer, no meio do caminho. Ocorre que estes elementos não superados permitiram que, através de uma contrarrevolução, a experiência fosse interrompida e restabelecida a ordem do capital com todos os efeitos trágicos que hoje presenciamos entre aqueles povos. A contradição entre a ousadia da mudança política e as condições objetivas em que se deram produziram como efeito o processo de burocratização.
Houve, portanto, uma combinação de fatores objetivos (grau de desenvolvimento das forças produtivas, correlação de forças mundiais, etc.) e fatores políticos próprios da condução do processo; a resultante foi uma derrota, não definitiva, das forças socialistas.
A história destas formações sociais e o próprio desfecho das experiências socialistas e a atual crise do capitalismo, nos autorizam a afirmar a validade e, mais que isso, a necessidade de uma alternativa socialista para o mundo contemporâneo.
DL: Seja na mídia, seja na academia, divulga-se que a crise econômica que vivemos é mais uma crise cíclica do modo de produção capitalista. Porém autores como István Mészáros vem falando em crise estrutural do capital. Como você entende o processo.
MI: Concordamos com Mészáros que vivemos algo muito distinto de uma mera crise conjuntural do capitalismo e que o capital, em suas palavras, ativou os limites estruturais de suas contradições. No entanto, a característica da crise cíclica apontada por Marx persiste, isto é, como o próprio Mészáros indica, é necessário distinguir o caráter estrutural da crise de seu “desfecho último”, como se o capital não tivesse mais saída.
Uma coisa que aprendemos é que o capital sempre encontra uma saída se não for derrotado politicamente pelos trabalhadores e estes forem capazes de contrapor à sociedade do capital uma alternativa socialista. A crise torna possível a mudança revolucionária, mas não inevitável; esta depende da capacidade política das classes revolucionárias.
DL: O capitalismo no mundo é global, nesse sentido é mais do que necessário uma revolução mundial. Assim como defendeu Hugo Chávez, o PCB defende a construção de uma V Internacional?
MI: Apontamos para isso em nossa concepção de uma Frente anticapitalista e anti-imperialista. Hoje, qualquer luta por mínima que seja se choca com a ordem do capital monopolista e esta está incontornavelmente associada ao capital imperialismo. Lutar contra as formas que impedem a vida em nossos países é lutar contra o capitalismo e lutar contra o capitalismo é lutar contra a ordem internacional na qual ele opera a acumulação, ou seja, a ordem imperialista.
Este quadro nos obriga a pensar a revolução como revolução mundial e cremos que estamos já operando nesta situação, ainda que o grau de consciência, organização e unidade das forças revolucionárias em marcha seja muito incipiente. Neste sentido toda forma de tentar dar um caráter internacional à luta seria muito importante. Não sabemos se na forma de uma Internacional nos moldes com as experiências ate então realizadas se deram, mas de alguma forma temos que dar um salto organizativo rumo a uma forma universal contra o capital que se tornou um entrave universal à humanidade.
DL: Se o PCB ainda considera socialismo como etapa transitória ao comunismo – sociedade de trabalhadores associados e livres – o que seria realmente o estágio socialismo no Brasil e no mundo?
MI: Mais que nunca nossa meta comunista está atualizada. Não se trata de transformações que tornem possível a vida no Brasil, mas até pelo que dissemos antes, ao lutar contra o capitalismo no Brasil estamos enfrentando o capitalismo mundial e as condições para uma verdadeira emancipação humana só pode vir dos esforços e recursos combinados de todo o planeta.
O segundo elemento de nosso propósito comunista é o fim do Estado. É preciso hoje ressaltar este aspecto diante do moderno culto ao Estado como forma insuperável da sociabilidade humana. A destruição do Estado Burguês não cria as condições imediatas para tanto, mas deve criá-las no processo de transição, caso contrário, podemos cair no impasse das transições ocorridas no século XX. Temos que resgatar alguns elementos pertinentes do alerta que o pensamento anarquista já formulava há muito tempo sobre este risco.
O socialismo no Brasil é uma alternativa e uma necessidade. Ele é uma alternativa perfeitamente viável. Um dos mitos que alimentam o reformismo rebaixado e o oportunismo de toda espécie é a afirmação que o socialismo se tornou inviável, seja pela correlação de forças, seja pelo poder militar e ideológico da burguesia.
Vamos por partes. O socialismo é uma necessidade porque o capitalismo ameaça a vida da humanidade com a forma mercadoria, a produção destrutiva e a destruição ambiental. É possível e necessário que passemos a produzir valores de uso que satisfarão necessidades e que possam ser acessados sem a intermediação do mercado. Ora, não há nenhum empecilho de ordem material ou tecnológica para atingirmos este fim, o que impede isso é a forma mercadoria, a propriedade privada e as relações sociais de produção burguesas. Nós podemos mudar estes aspectos e as revoluções provam isso.
Com a natureza disponível se bem cuidada, a quantidade e qualidade da força de trabalho existente e o nível de desenvolvimento tecnológico existente e em potencial, poderíamos satisfazer o conjunto das necessidades da população do Brasil (e no conjunto da humanidade do planeta). O problema são as atuais relações sociais de produção de tipo burguesa, a acumulação privada da riqueza socialmente produzida.
Devemos começar por garantir o caráter não mercantil e radicalmente público de todos os bens e serviços necessários à vida como educação, saúde, assistência e previdência, energia, transporte, água, etc. Para tanto é fundamental que nenhum recurso público seja destinado a fins privados e o Estado dos trabalhadores tenha os instrumentos para iniciar a constituição das bases de uma economia socializada o que é possível através de uma radical reforma agrária que dê condições para os pequenos camponeses e assentamentos, ao mesmo tempo que desenvolva iniciativas para a produção de alimentos, matérias primas essenciais e outros produtos, controle o subsolo e as riquezas minerais, estatize o sistema financeiro e revertam as privatizações fraudulentas de empresas essenciais como mineradoras companhias hidroelétricas, telecomunicações, estradas, ferrovias, portos e aeroportos.
Evidente que isso exige uma ruptura com a dominação e os privilégios hoje existentes. Por isso, a precondição para tanto não é uma mera vitória eleitoral, mas a constituição de um Poder Popular forte o capaz de resistir, enfrentar e derrotar os poderosos instrumentos de poder das classes dominantes. Isso implica, em grande medida, uma batalha quanto aos valores, idéias e concepções de mundo próprias desta ordem e que a legitima e naturaliza, implicando um grande trabalho político e cultural.
Esta ruptura que pode ou não se combinar com vitórias eleitorais, mas certamente vai muito além delas, se choca com o poder dos aparatos repressivos do Estado e do imperialismo. Não desconhecemos esta correlação de forças desfavorável, no entanto, não a mitificamos. Não há força que detenha os processos históricos porque ele é fruto das contradições que esta própria ordem gera. Saberemos desenvolver os meios para que o poder popular seja uma alternativa real de poder em direção ao socialismo.
Aqui e no mundo o projeto socialista está na fase de uma radical negação da ordem capitalista em defesa da vida humana e precisamos reafirmar que nós, comunistas e revolucionários, temos uma alternativa, que não fazemos parte desta corja de oportunistas que bateu em retirada para o conforto das incertezas pós-modernas ou para as experiências reformistas de baixa intensidade que acabam por garantir a ordem burguesa. Como disse certa vez: “lá no passado tínhamos um futuro; lá no futuro temos um presente pronto para nascer... só esperando você se decidir”.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Liberdade imediata aos presos no Paraguai!


Na noite do dia 03 de janeiro, durante uma manifestação pacífica contra o aumento da tarifa de transporte público, a polícia paraguaia repreendeu com tremenda brutalidade os manifestantes, deixando inúmeros feridos e 13 presos, lembrando os mais lamentáveis anos da ditadura de Strossner. Essa é apenas mais uma demonstração das duras medidas contra os trabalhadores que vêm sendo promovidas pelo governo Cartes e de sua política de repressão aos movimentos sociais.
Entre os presos políticos estavam militantes da nossa irmã Juventude Comunista Paraguaia (JCP), entre eles seu secretário Nacional Fabricio Arnellas e seu secretário de organização Miguel Lo Bianco, que já foram soltos.
A UJC – Brasil repudia veementemente os ataques cometidos ao povo paraguaio e se solidariza com sua luta, assim como se mantém em estado de alerta contra qualquer tentativa de ataque que ponha em risco a liberdade de nossos camaradas da JCP.
Contra o aumento do preço da passagem!
Pela imediata libertação de todos os presos!