sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Piñera fascista nos lembra Pinochet e baixa lei de segurança


Chile baixa Lei de segurança nacional
imagemCrédito: PCB
João Paulo Charleaux
O ministro do Interior do Chile, Rodrigo Hinzpeter, declarou hoje (18/10) que a Lei de Segurança Nacional passará a vigorar a partir de amanhã (19/10) em todo o país, no segundo dia da paralisação nacional convocada pelos movimentos estudantis e sindicatos de trabalhadores que há cinco meses reivindicam uma ampla reforma educacional e constitucional.
A medida foi anunciada depois que 15 manifestantes queimaram um ônibus articulado e montaram dezenas de barricadas em chamas em diversos pontos do centro da capital, Santiago. A Lei de Segurança Nacional amplia os poderes da polícia para interpelar suspeitos e deter pessoas sem acusação formal. Também restringe direitos de associação e circulação dos cidadãos e deve ter impacto nos protestos marcados para a noite de hoje e a manhã de amanhã.
“O governo tomou esta decisão contra os que, hoje, interceptaram um ônibus, aterrorizaram e fizeram descer todos os passageiros e o motorista e, logo, incendiaram o coletivo. Como governo, não estaríamos cumprindo nossa obrigação se não apresentássemos esta lei”, anunciou Hinzpeter no palácio de governo. Pelo menos 60 pessoas haviam sido detidas até o fim da tarde de ontem. Para a noite, os estudantes convocaram um panelaço na Plaza Italia, tradicional ponto de manifestações públicas da capital.
O anúncio provocou críticas de diversos setores. O analista político Patricio Navia, acadêmico da New York University e da Universidade Diego Portales de Santiago do Chile, disse ao Opera Mundi que “esta é uma lei da ditadura, criada para reprimir o que se chama no Chile de terroristas sem muita base legal”. Segundo ele, a mesma lei já foi invocada em pelo menos três ocasiões desde a volta da democracia, em 1990 – duas delas durante o governo da Concertación, coalizão de centro-esquerda que esteve no poder por 20 anos antes da direita voltar ao poder, em março de 2010.
“É simbolicamente importante que a Lei de Segurança tenha sido invocada agora, no primeiro governo de direita desde o fim da ditadura. Trata-se de uma tentativa do presidente Sebastián Piñera de recuperar sua popularidade entre os setores de direita. Menos de 30% dos chilenos apoiam seu governo, apesar de que o eleitorado de direita no Chile é de tradicionalmente 40%”, disse Navia.
Esta semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) anunciou que investigará a ação da polícia chilena na contenção de distúrbios. Há dois meses, a tropa de choque matou um jovem em Santiago com um disparo de fuzil e centenas de jovens são detidos toda semana sem acusação formal. A polícia chilena tem o direito de deter pessoas para “checar documentos” por até 12 horas, incluindo menores de idade.
O governo enviou ao Congresso um Projeto de Lei que impõe pena de três anos de prisão para quem ocupar escolas ou universidades para protestar, ou quem desviar o trânsito ou desrespeitar a polícia no meio de um protesto.
Além da preocupação manifestada pela CIDH, o relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank La Rue, também pediu que o governo chileno autorizasse a visita de uma missão da organização ao país. Desde o início do governo Piñera, em março de 2010, 12 jornalistas de agências estrangeiras de notícias foram diretamente agredidos pela polícia. Hoje, foi a vez de um fotógrafo da agência de notícias France Presse ser preso. A ONG Repórteres Sem Fronteiras lançou um comunicado mostrando preocupação pela situação no Chile.
Tensão
Hoje, o clima foi de expectativa e tensão entre os milhares de jovens que há cinco meses estão mobilizados em todo o Chile pedindo mudanças no sistema educacional. Pelo menos 50 mil deles podem perder o ano letivo por engajar-se num movimento que não dá sinais de cansaço e entrou nos últimos dias num momento perigoso, com o governo decretando a Lei de Segurança Nacional.
O Opera Mundi esteve na Universidade do Chile na tarde de hoje. Dezenas de estudantes mobilizados se mostravam animados com o que consideram ser uma vitória na batalha pelo apoio popular. Hoje, o movimento estudantil entregou ao Ministério da Educação o resultado de um plebiscito nacional no qual quase 89% dos chilenos que participaram da proposta apoiaram a principal demanda do movimento, que é a educação gratuita. Pelo menos 1,5 milhão de chilenos votaram.

KHADAFI MORREU COMBATENDO COM DIGNIDADE E COERÊNCIA


Miguel Urbano Rodrigues
A foto divulgada pelos contra-revolucionários do CNT elimina dúvidas: Muamar Khadafi morreu.
Notícias contraditórias sobre as circunstâncias da sua morte correm o mundo, semeando confusão. Mas das próprias declarações daqueles que exibem o cadáver do líder líbio transparece uma evidência: Khadafi foi assassinado.
No momento em que escrevo, a Resistência líbia ainda não tornou pública uma nota sobre o combate final de Khadafi. Mas desde já se pode afirmar que caiu lutando.
A midia a serviço do imperialismo principiou imediatamente a transformar o acontecimento numa vitória da democracia, e os governantes dos EUA e da União Europeia e a intelectualidade neoliberal festejam o crime, derramando insultos sobre o último chefe de Estado legitimo da Líbia.
Essa atitude não surpreende, mas o seu efeito é oposto ao pretendido: o imperialismo exibe para a humanidade o seu rosto medonho.
A agressão ao povo da Líbia, concebida e montada com muita antecedência, levada adiante com a cumplicidade do Conselho de Segurança da ONU e executada militarmente pelos EUA, a França e a Grã Bretanha deixará na História a memória de uma das mais abjectas guerras neocoloniais do início do século XXI.
Quando a OTAN começou a bombardear as cidades e aldeias da Líbia, violando a Resolução aprovada sobre a chamada Zona de Exclusão aérea, Obama, Sarkozy e Cameron afirmaram que a guerra, mascarada de «intervenção humanitária», terminaria dentro de poucos dias. Mas a destruição do país e a matança de civis durou mais de sete meses.
Os senhores do capital foram desmentidos pela Resistência do povo da Líbia. Os «rebeldes», de Benghazi, treinados e armados por oficiais europeus e pela CIA, pela Mossad e pelos serviços secretos britânicos e franceses fugiam em debandada, como coelhos, sempre que enfrentavam aqueles que defendiam a Líbia da agressão estrangeira.
Foram os devastadores bombardeamentos da OTAN que lhes permitiram entrar nas cidades que haviam sido incapazes de tomar. Mas, ocupada Tripoli, foram durante semanas derrotados em Bani Walid e Sirte, baluartes da Resistência.
Nesta hora em que o imperialismo discute já, com gula, a partilha do petróleo e do gás libios, é para Muamar Khadafi e não para os responsáveis pela sua morte que se dirige em todo o mundo o respeito de milhões de homens e mulheres que acreditam nos valores e princípios invocados, mas violados, pelos seus assassinos.
Khadafi afirmou desde o primeiro dia da agressão que resistiria e lutaria com o seu povo ate à morte.
Honrou a palavra empenhada. Caiu combatendo.
Que imagem dele ficará na História? Uma resposta breve à pergunta é hoje desaconselhável, precisamente porque Muamar Khadafi foi como homem e estadista uma personalidade complexa, cuja vida reflectiu as suas contradições.
Três Khadafis diferentes, quase incompatíveis, são identificáveis nos  42 nos em que dirigiu com mão de ferro a Líbia.
O jovem oficial que em 1969 derrubou a corrupta monarquia Senussita, inventada pelos ingleses, agiu durante anos como um revolucionário. Transformou uma sociedade tribal paupérrima, onde o analfabetismo superava os 90% e os recursos naturais estavam nas mãos de transnacionais americanas e britânicas, num dos países mais ricos do mundo muçulmano. Mas das monarquias do Golfo se diferenciou por uma politica progressista. Nacionalizou os hidrocarbonetos, erradicou praticamente o analfabetismo, construiu universidades e hospitais; proporcionou habitação condigna aos trabalhadores e camponeses e recuperou para uma agricultura moderna milhões de hectares do deserto graças à captação de águas subterrâneas.
Essas conquistas valeram-lhe uma grande popularidade e a adesão da maioria dos líbios. Mas não foram acompanhadas de medidas que abrissem a porta à participação popular. O regime tornou-se, pelo contrário, cada vez mais autocrático. Exercendo um poder absoluto, o líder distanciou-se progressivamente nos últimos anos da política de independência que levara os EUA a incluir a Líbia na lista negra dos estados a abater porque não se submetiam. Bombardeada Tripoli numa agressão imperial, o país foi atingido por duras sanções e qualificado de «estado terrorista».
Numa estranha metamorfose surgiu então um segundo Khadafi. Negociou o levantamento das sanções, privatizou empresas, abriu sectores da economia ao imperialismo. Passou então a ser recebido como um amigo nas capitais europeias. Berlusconi, Blair, Sarkozy, Obama ,Sócrates  receberam-no com abraços hipócritas e muitos assinaram acordos milionarios , enquanto ele multiplicava as excentricidades, acampando na sua tenda em capitais europeias.
Na última metamorfose emergiu com a agressão imperial o Khadafi que recuperou a dignidade.
Li algures que ele admirava Salvador Allende e desprezava os dirigentes que nas horas decisivas capitulam e fogem para o exílio.
Qualquer paralelo entre ele e Allende seria descabido. Mas tal como o presidente da Unidade Popular chilena, Khadafi, coerente com o compromisso assumido, morreu combatendo. Com coragem e dignidade.
Independentemente do julgamento futuro da História, Muamar Khadafi será pelo tempo afora recordado como um herói pelos líbios que amam a independência e liberdade. E também por muitos milhões de muçulmanos.
A Resistência, aliás, prossegue, estimulada pelo seu exemplo.
Vila Nova de GAIA, no dia da morte de Muamar Khadafi

Mensagem antiimperialista de Gaddafi para o mundo


Nós os Pedimos para Formar uma Frente Mundial!



Uma Mensagem de Muamar Kadafi:

"Povos do mundo!

O inimigo está fugindo.
Eles estão com medo de um movimento de resistência que eles não podem ver nem prever.
Nós agora escolhemos quando, onde e como atacar. E como os nossos ancestrais acenderam a primeira chama de civilização, nós agora redefiniremos a palavra “conquista”.
Hoje nós escrevemos um novo capítulo nas artes da guerra urbana.
Nós não pedimos armas ou soldados, pois já temos muitos.
Nós os pedimos para formar uma frente mundial contra a guerra e a OTAN. Uma frente que seja governada por sábios. Uma frente que traria reforma e ordem e, também, novas instituições que substituiríam o que agora está corrompido.
Povos do mundo!
Estas palavras vêm à vocês por aqueles que lutam para sobreviver aos criminosos bombardeios massivos da OTAN.
Nossos apuros não têm cobertura da mídia corporativa Ocidental.
Nós somos pessoas simples que colocam princípios acima do medo.
Nós temos sofrido crimes e sanções, assassinatos em massa e saques, os que consideramos as verdadeiras armas de destruição em massa.
Temos sofrido semanas e meses de agonia e desespero, enquanto a maldita ONU negociava com as nossas receitas de petróleo em nome de “proteger os civis”.
Mais de 60.000 inocentes morreram enquanto aguardavam por uma luz no fim de um túnel que não tem fim, para salvar nosso país da colonização e o roubo dos nossos recursos.
Depois dos crimes das administrações da França e da Grã-Bretanha na Líbia, Nós escolhemos o nosso futuro. É o futuro de toda luta de resistência na história da humanidade.
É o nosso dever, assim como o nosso direito, lutar contra as forças colonizadoras e condenar suas nações, moral e economicamente pelo que seus governos eleitos roubaram e destruíram na nossa terra.
Nós não cruzamos oceanos e mares para ocupar a Grã-Bretanha ou a França. Nem somos responsáveis pela crise econômica européia, a qual eles tentam diminuir através do roubo da nossa riqueza soberana.
Esses criminosos têm tentado esconder seus verdadeiros planos para controle e monopólio dos recursos energéticos do mundo, em face da ameaça de um poder expansível na China e uma África forte e unida.
É ironico que os líbios devam suportar todo o peso deste conflito imenso e cada vez mais profundo em nome do resto do mundo, que está dormindo!
Nós não pedimos armas ou soldados, pois já temos muitos.
Nós os pedimos para formar uma frente mundial contra a guerra e a OTAN. Uma frente que seja governada por sábios. Uma frente que traria reforma e ordem e, também, novas instituições que substituiríam o que agora está corrompido.
Parem de fazer negócio com a França, os EUA, Inglaterra, Qatar e os Emirados Árabes Unidos. Reduza ou pare o consumo dos produtos e da propaganda deles. Coloque um fim neles antes que eles destruam o mundo inteiro.
Eduquem aqueles que estejam em dúvida sobre a verdadeira natureza deste conflito.
Não acredite nas mentiras da mídia corporativa deles.
As baixas nas suas forças especiais em solo e nas suas marionetes líbias são muito maiores do que eles admitem. Nós desejávamos apenas mais câmeras para mostrar ao mundo a sua verdadeira derrota. O inimigo está em fuga. Eles estão com medo de uma resistência que eles não podem ver nem prever.
Agora nós escolhemos quando, onde e como atacar. E como nossos ancestrais acenderam a primeira chama de civilização, nós agora redefiniremos a palavra “conquista”.
Hoje nós escrevemos um novo capítulo nas artes da guerra urbana.
Saiba que ajudando o povo Líbio, vocês estão se ajudando, pois o amanhã pode trazer a mesma destruição para vocês. Este conflito não é uma guerra localizada.
Ajudar o povo Líbio não significa fazer novos acordos com França, EUA, Inglaterra, Qatar e Emirados Árabes Unidos.

Isole-os.
O mundo também não pode se manter refém do controle deles sobre a ONU para cobrir seus crimes e roubos.
Nós faremos uma armadilha para eles aqui na Líbia, para drenar seus recursos, homens e vontade de lutar.
Nós os faremos gastar tudo o que eles roubaram, senão mais.
Nós iremos interromper e depois deter o fluxo do nosso petróleo pilhado, tornando assim, obsoletas as suas estratégias.
O quanto antes um movimento revolucionário nascer, mas rápida será a queda deles.
Aos soldados da OTAN nós dizemos: “Voltem para suas casas, famílias e entes queridos. Esta guerra não é sua. Vocês não estão lutando por uma causa verdadeira na Líbia”.
E para Sarkozy e Cameron nós dizemos: “mandem tudo, como nós nunca esperamos. Vocês possuem outro desafio antes do seu fim?” "

Muamar Kadafi

domingo, 16 de outubro de 2011

Contra a verdadeira corrupção e suas causas


imagemCrédito: PCB

(Nota Política do PCB)
As recentes manifestações de rua “contra a corrupção”, que vêm ocorrendo, principalmente, nas grandes cidades, têm recebido ampla divulgação da grande mídia e apoios de personalidades diversas. Os atos públicos, muito bem estruturados, com palanques e equipamento de som, vassouras (colocadas como símbolo da campanha, como fazia o ex-presidente e prefeito de São Paulo, Jânio Quadros) distribuídas generosamente não deixam dúvida quanto ao caráter não-espontâneo da movimentação.
Os “líderes” se mostram bem afinados em suas intervenções, fazendo, sem exceção, o discurso anti-corrupção com viés claramente moralista, fazendo lembrar o perfil da antiga UDN. Para eles, as causas da corrupção que assola o país são as pessoas sem “moral” ou princípios éticos, e os alvos são claros: os “políticos” em geral e alguns membros do governo. Nas manifestações não é permitida a presença de partidos – principalmente, é claro, das agremiações de esquerda.
Em nenhum momento, nos atos do movimento e nas declarações de suas lideranças, se fala nos grandes empresários, os corruptores beneficiados por licitações e favorecimentos fraudulentos – e agora, por conta da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, por obras contratadas sem licitação. São estes que, através do financiamento privado das campanhas, compram os mandatos de políticos, alguns até de origem popular, para os exercerem a serviço dos interesses dos capitalistas.
Se uma ação de um dirigente público ou parlamentar desperta suspeitas, o Ministério Público é imediatamente acionado (o que é correto) e o fato ganha, imediatamente, grande destaque na imprensa. Se um deputado “comprado” para votar pela aprovação de um projeto de lei que beneficia privilegiadamente uma empresa privada é denunciado, passa-se, nos meios de comunicação, a visão de que apenas ele é corrupto, como se a empresa que o “comprou” não existisse - o crime do corruptor é ignóbil tanto quanto o do corrompido.
Não se fala das ligações perenes entre o Estado e os interesses das empresas privadas, existentes nesse governo e nos anteriores, pois o Estado, no sistema capitalista, tem como função básica atender as necessidades dos empresários e patrões, lesando diretamente a grande maioria da população, a classe trabalhadora. Mesmo na hipótese de eliminação de todas as formas de corrupção formal, portanto, o Estado seguiria privilegiando os interesses da burguesia. Mas esta hipótese não existe, porque o capitalismo é intrinsicamente corrupto.
O “combate à corrupção”, na forma manipulada com que é alardeado e conduzido por este movimento, atende claramente a demandas da direita, dos setores mais retrógrados da sociedade brasileira, que, nos idos de 1964, marcharam em favor do golpe empresarial-militar e que, hoje, se articulam para restringir, o mais que puderem, o pouco espaço democrático de que dispomos, no Brasil, conquistado à custa de muita luta nas décadas passadas. O objetivo principal é afastar os trabalhadores e os setores populares dos partidos políticos e da própria política, para que o exercício desta seja privativo dos homens e mulheres de “bens”. A mídia burguesa buscará sempre a defesa da suposta “neutralidade” do Estado, ao mesmo tempo em que justifica, muitas vezes de forma descarada, a opção preferencial dos governos pela defesa dos interesses dos empresários e atribui a corrupção a “desvios de conduta” de indivíduos ou de grupos “incrustados” no aparelho estatal.
É claro que a corrupção tem que ser combatida: O PCB condena qualquer tipo de corrupção no executivo, legislativo, judiciário e no setor privado. Se não temos ilusão de que seja possível eliminar a corrupção sob o sistema capitalista, entendemos que, para mitigá-la, devemos lutar para que haja pressão organizada dos trabalhadores sobre o Estado, visando conquistar a mais ampla liberdade de organização partidária, de informação e expressão, o fim da impunidade para os crimes cometidos pelos donos do capital e do poder, a democratização do acesso à Justiça e o controle social sobre a mídia.
Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
outubro de 2011

Mais de um mihão de pessoas em manifestação antiimperialista na Síria


NOTA DOS EDITORES:
Apesar de nossa referência na Síria ser o Partido Comunista Sírio (Unificado), que defende o governo desde uma perspectiva antiimperialista mas não deixa de criticá-lo internamente e reivindicar reformas democráticas e sociais, achamos importante divulgar estes vídeos, como contraponto à manipulação da mídia hegemônica. Esta manifestação é uma vitória na luta contra a tentativa do imperialismo e do sionismo de invadir a Síria, por sua importância geopolítica, e inventar mais uma guerra. O texto de apresentação é de Jacob Blinder.

Será difícil, muito difícil os Estados Unidos aliados à OTAN desestabilizarem a Síria e substituir o governo legítimo que lá existe por outro mais subserviente. A Síria e o Irã (outro país sob assédio) possuem grande apoio popular, estão fortemente armados e contam com apoio internacional significativo. Os vídeos abaixo transcritos mostram imagens que nenhuma  mídia do Brasil mostrou. O imperialismo está desesperado e daí reside o perigo!
Jacob David blinder.
http://www.youtube.com/watch?v=W6QloARKbcM

http://www.youtube.com/watch?v=WIF8x2e2n4o

http://www.youtube.com/watch?v=uv8KzL2lXsM

Mentira do imperialismo e da mídia adestrada


EUA arma falso complô que “mataria” embaixador saudita em Washington e serviços de inteligência russo e chinês desmascaram plano da CIA e do FBI

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imagemCrédito: 1.bp.blogspot
Por KATHARINA GARCIA ( Madri ) e PAOLO GRAZZIANI ( Roma ) – Correspondentes.
MIDIA SEM FRONTEIRAS – NY \ MADRI \ ROMA: 14.10.11 – Armado por um dos mais de vinte núcleos de operações especiais (conhecido como divisões para o trabalho sujo) espalhados pelo mundo, e coordenados pela CIA, Agência Central de Inteligência, e com objetivo de criar uma situação de desvituar e distrair a opinião pública norte americana para os problemas econômicos e sociais com os mais de 30 milhões de desempregados e três milhões de indignados nas ruas dos EUA protestando contra o capitalismo e contra  Barack Obama, o governo estadunidesne tentou esta semana acusar o Irã de está por trás de um pseuso “atentado” que seria cometido contra o embaixador da Arabia Saudita naquele país. Posteriormente descoberto que seria uma montagem feita pelos serviços de inteligência norte americanos e agências de propaganda que trabalham para a CIA e o FBI e assim incriminar o regime iraniano.
Fontes da Inteligência russa e chinesa que não se indentificam, mas confirmam através de suas fontes extra-oficias na Europa afirmam que o pseudo atentado teria sido montado pela CIA e o FBI, ao que tudo indica combinado com o próprio governo saudita para incriminar o regime iraniano e assim iniciar uma campanha publicitária, paga pelo Pentagono e o Departamento de Estado para isolar Teerã no mundo arabe e tentar salvar o regime saudita cada dia mais isolado internamente com as diversas manifestações de opositores contra a monarquia ditatorial em Riad.
Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã,  Ramin  Mehmanparast, considerou falsa a afirmação do plano para assassinar o embaixador saudita em Washington e desmentiu veementemente esta noticia que chamou de "cenário pré-fabricado”.  De acordo com o Departamento de Imprensa do Ministério do Exterior iraniano, a denuncia é mentirosa e a considerou infundada, afirmando que a difusão da noticia pelas autoridades dos EUA sobre a participação do Irã em atos terroristas em solo norte-americano, e que esses atos e tais truques estão desgastados e  se baseiam em antigas políticas de hostilidade dos EUA e do regime sionista de Israel contra o povo iraniano. Que  são um espetáculo cômico no sentido de criar cenários fantasmagóricos pelos inimigos do Islã no Oriente Médio, visando semear  a desunião.
Ele ressaltou que os planejadores desses falsos cenários estão procurando criar a desunião e ajudar o regime sionista a sair de seu atual isolamento. O porta-voz salientou ainda que República Islâmica do Irã é um sistema baseado na moralidade e  nos valores islâmicos e sempre alertou sobre a conspiração dos  inimigos na região e que tais cenários repetitivos são apresentados quando a política dos EUA dentro do próprio país e na região está sendo seriamente ineficazes e enfrentando amplos  protestos dentro e fora dos EUA.  Ele concluiu que os laços entre o Irã e a Arábia Saudita são baseados pelo respeito mútuo em que estas falsas alegações não teriam  qualquer efeito sobre a opinião pública de ambos os países.
O governo estadunidense ainda tentou envolver a Korea do Norte no espisódio, tentando criar problemas para seus dois principais inimigos no extremo oriente, no entanto um dos agentes do FBI que teria participado do complô se embriagou na vespera do anuncio da divulgação do plano por uma agência de publicidade e diversas empresas de propaganda e de noticias constantes na folha de pagamento da CIA e do próprio FBI, foi preso e na prisão falou a diversos outros policiais sobre o assunto. O que terminou criando problemas interno pelo vazamento do plano e simultaneamente o mesmo ter sido descoberto pelos serviços secretos russo e chinês através de informantes na Europa.
MIDIA SEM FRONTEIRAS – KG \ PG  – 141011 – NY \ MADRI \ ROMA.
MÍDIA SEM FRONTEIRAS  - Sucursal Brasil - A maior rede de noticias do mundo - Abrangendo 150 países de  todos os continentes - 225 Agências de Noticias - 55 Redes de TV - 1.250 Jornais - 3.100 Rádios - 2.500 Sites  -  midia.sem.fronteiras@gmail.com

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Depois de muita luta, René Gonzalez, um dos cinco cubanos antiterroristas presos nos EUA, é libertado


Ainda faltam 4, e muitos outros!
Após 13 anos de prisão injusta, foi libertado na última sexta-feira (07) nos Estados Unidos o cubano René González. Mas o império ainda mantém sob cárcere os outros quatro heróis, presos políticos sob a falsa acusação de espionagem. González, que deixou a prisão federal de Marianna, no norte da Flórida, terá de permanecer nos EUA por três anos, sob regime de liberdade supervisionada. Seu pedido de retorno à ilha foi negado em fevereiro por uma juíza, Joan Lenard.
A libertação dele deve servir de reforço e estímulo a todos aqueles que lutam contra a opressão. Não podemos esmorecer na denúncia de Guantánamo, dos outros quatro presos políticos cubanos, dos milhares de palestinos nas masmorras israelenses. A luta continua!




Mensagem de René González
ao povo de Cuba
(Versões estenográficas do Conselho de Estado)
ESTAS palavras são para meu povo, a quem as devo desde o dia em que saí do cárcere e que não puderam ser enviadas pelas circunstâncias que existiam, pois havia necessidade de termos uma viagem segura, antes de que pudéssemos fazê-las chegar.
É difícil, realmente, dirigir-se, mediante a filmagem de uma câmera, a um povo que se quer tanto e do qual a gente sente que faz parte, porém necessitava comunicar-me com vocês e dizer-lhes quanta gratidão sentimos por tudo aquilo que fizeram, explicar-lhes que nos temos sentido muito acompanhados pelas milhares de mensagens, as cartas das crianças, de todos os coletivos de trabalho e de estudo que, de Cuba, nos têm enviado suas mensagens, o apoio que nunca nos faltou e que nos alimentou nestes anos de injustiça, que já são demasiados.
Para mim, este momento de felicidade que compartilhamos é, simplesmente, um parêntese em uma história de abusos na qual, ainda, não houve um mínimo de justiça. O fato de que eu esteja agora, fora do cárcere apenas significa que se esgotou a enxurrada de abusos à que tinha sido submetido; mas ainda temos quatro irmãos aos que temos que resgatar e que necessitamos que estejam junto a nós, com seus familiares; que estejam entre vocês, dando o melhor deles e não nesses lugares em que estão, onde se levantam, acordam cada manhã, vão a um refeitório no qual não devem comer, andam entre pessoas que não devem andar e, realmente, necessitamos continuar esta luta para levá-los a eles adiante.
Para mim, isto é somente uma trincheira, um lugar novo no qual vou continuar lutando para que se faça justiça e os Cinco possamos retornar junto a vocês.
Quero mandar uma saudação especial aos familiares dos outros quatro irmãos, que realmente me comoveram devido a sua alegria. Realmente, comove-me imenso quando falo pelo telefone com uma pessoa que sabe que tem seu filho preso, seu esposo preso e recebe a liberdade minha como se fosse a liberdade de um dos seus. A mim, realmente, isso me comove e me compromete, e temos que continuar travando esta luta, porque eles não merecem estar onde estão.
A todo meu povo, a todos os que nestes anos nos têm acompanhado no mundo todo, que foram milhares, através dos quais temos podido, aos poucos, ir rompendo este bloqueio informativo, ir rompendo o silêncio que as megacorporações da imprensa mantiveram neste caso, lhes transmito, de parte dos Cinco, meu mais profundo agradecimento, meu compromisso de continuar representando vocês como merecem, que, afinal, é o que estamos fazendo os Cinco, porque não somos somente Cinco, somos um povo todo que soube resistir durante 50 anos, e graças a isso é que nós ainda estamos resistindo, porque nos inspiramos em vocês, porque sabemos que os representamos e nunca vamos a falhar e sempre estaremos à altura que vocês merecem.
Um abraço para todos.
Os Cinco queremos vocês onde quer que estivermos. 




"PRONTO para continuar lutando até morrer"
 Foram as primeiras palavras que expressou René González depois de abraçar e beijar as filhas, Ivette e Irmita, que filmaram o emotivo encontro, na saída da penitenciária de Marianna, na Flórida, na madrugada da passada sexta-feira 7 de outubro, em que também estiveram Cándido e Roberto, pai e irmão do herói.

Com a filha mais velha, Irmita. Com a filha mais velha, Irmita.

René fala por telefone com a esposa Olga, que não teve licença dos EUA para viajar de Havana e estar junto a ele.René fala por telefone com a esposa Olga,
 que não teve licença dos EUA para viajar
de Havana e estar junto a ele.

Com o pai, Cándido, e a caçula Ivette.Com o pai, Cándido, e a caçula Ivette.
O programa Mesa Redonda, da Televisão Cubana, transmitiu o vídeo, que foi reproduzido também no site Cubadebate.
"Meu amor, meu tesouro. Como vai você? (...) dizem elas que estou muito bonito. Aqui está sua primogênita filmando-me. Estão muito lindas as duas", contou pelo telefone a sua esposa, Olga Salanueva — que não obteve licença dos Estados Unidos para viajar e estar ao lado de René.
Acrescentou que na véspera da saída do cárcere fui confinado ao "buraco" (a cela de punição) pelas autoridades carcerárias: "Passei no buraco o resto da noite, dormi bem e acordaram-me. Pulei como uma mola. Tudo muito rápido; desde que abriram o buraco até que saí: dez minutos", disse.
Poder ver-se a René cantando El Mayor, a cançaõ de Silvio Rodríguez, enquanto vai com suas filhas, seu pai e seu irmão no carro que o leva ao lugar onde residirá na Flórida, para cumprir a nova punição imposta pela juíza Joan Lenard.
Em 11 de outubro, o herói cubano apresentou-se, junto a seu advogado Philip Horowitz, perante o oficial de provatória da Corte Federal da Flórida, dando início assim, formalmente, a seu regime de liberdade supervisionada. 



















Declaração do Parlamento cubano denuncia nova injustiça contra René González e insta à solidariedade com os Cinco
NO passado 7 de outubro, foi liberado da penitenciária Marianna, ao norte da Flórida, Estados Unidos, o lutador antiterrorista cubano René González Sehwerert, após ter completado 13 longos anos de injusta prisão.
Desde seu encerro, em setembro de 1998, René González Sehwerert junto a seus companheiros Gerardo Hernández Nordelo, Ramón Labañino Salazar, Antonio Guerrero Rodríguez, e Fernando González Llort sofreram cruéis e degradantes condições de encerro e suportaram todo o tipo de pressões e abusos, incluída a separação das famílias. Todo o ódio de que foram vítimas não conseguiu quebrar suas convicções e com singular estoicismo e admirável inteireza mantiveram sempre uma conduta exemplar como reclusos.
Essa digna e brava atitude de nossos cinco companheiros, ao não abrirem mão de seus princípios, sob nenhuma circunstância, junto às motivações de revanche política que caracterizaram os processos judiciais nos que foram condenados, foi o que levou a juíza Joan Lenard a impor uma nova e injustificada punição a René, ao negar, no passado 16 de setembro, uma moção para que, ao sair da prisão, pudesse retornar a Cuba, ao seio de sua família e de seu povo.
A decisão da juíza, que reitera o requisito especial e adicional de proibir-lhe, após a saída do cárcere, "associar-se a/ou visitar lugares específicos onde se sabe que estão ou frequentam indivíduos ou grupos tais como terroristas...", incluído na sentença que lhe foi imposta, a pedido expresso do governo, é a prova inapelável de que os terroristas anticubanos continuam desfrutando de total impunidade e do apoio das autoridades norte-americanas.
Durante mais de 50 anos, as sucessivas administrações desse país ampararam o terrorismo contra Cuba e deram proteção a indivíduos e organizações terroristas em seu próprio território. Ali vivem em completa normalidade, com acesso priorizado à mídia e com total impunidade, para organizar e promover o terrorismo contra nosso país, os responsáveis por tanta morte e dor. Só o reconhecimento desta realidade por parte da juíza e do governo ratifica o Estado de Necessidade que obrigou a penetrar os grupos terroristas e demonstra que as severas sanções dos Cinco estiveram dirigidas a proteger os verdadeiros terroristas que, como Luis Posada Carriles, vivem tranquilamente na Flórida.
Não há dúvida de que o governo dos Estados Unidos conhece perfeitamente que o fato de que René tenha que residir em território desse país constitui uma séria ameaça para sua vida e integridade física. As autoridades norte-americanas serão responsáveis pelo que possa ocorrer.
A causa dos Cinco é cada vez mais conhecida no mundo. Milhares de homens e mulheres de todas as latitudes e todas as camadas sociais se somaram à luta por sua libertação, incluindo inúmeros parlamentares e órgãos legislativos. A todos e todas agradecemos, em nome dos Cinco e de suas famílias, vítimas também de tanta injustiça, o apoio para conseguir sua libertação.
Não foi, e não é, contudo, um caminho fácil, devido a que se opõem o revanchismo, o ódio e a obcecação que primaram sempre nos Estados Unidos em relação com Cuba por não ter podido submeter nosso povo. Opõe-se, também, a ferrenha censura deste caso na mídia, que só vezes contadas fez alusão a esta injustiça.
Acreditamos firmemente que a solidariedade pode com tudo e que as causas justas hão-de triunfar sobre a mentira e a injustiça. Por isso, instamos todos os parlamentos e membros destes, às forças e grupos políticos e sociais comprometidos com a verdade e a justiça, a todos os homens e mulheres dignos do planeta, a que exerçam toda sua influência para que o presidente Obama faça o que tem que fazer: permitir o retorno imediato de René ao seio de sua família e colocar em liberdade seus quatro companheiros de luta e cativeiro.
Tornemos possível, entre todos, que se faça justiça.
Comissão das Relações Internacionais
Assembleia Nacional do Poder Popular
Havana, 11 de outubro de 2011 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Discurso de Slavoj Zizek na Wall Street ocupada


Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.
Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.
Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.
Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?
Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…
Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.
Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…
Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?
Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.
Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

Ocupe Wall Street



Texto de Jefferson Choma

 
 
  Jovens marcham pelas ruas próximas a Wall Street 

• Wall Street, coração financeiro do capitalismo mundial, está ocupada por manifestantes desde o dia 17 de setembro. Milhares estão acampados no local em protesto contra as políticas do governo Obama que despejou bilhões de dinheiro público para salvar os bancos.

O movimento, denominado “Occupy Wall Street” (ocupe Wall Street), foi convocado pelas redes sociais e tem uma óbvia referência com a ocupação da Praça Puerta del Sol, em Madri, e da Praça Tahir, no Cairo.

O movimento surpreende pelo fato de se fortalecer a cada dia, apesar da dura repressão enfrentada pelos manifestantes. No ultimo dia 24, os manifestantes sentiram a mão pesada da repressão. O prefeito de Nova York, o republicano Michael Bloomberg, oitavo homem mais rico dos EUA, ordenou que a polícia reprimisse os acampados, o que resultou na prisão de mais de 80 jovens.

No último dia 2, o prefeito novamente apelou para a repressão e ordenou que a polícia investisse contra os manifestantes quando estes tentavam ocupar a Ponte do Brooklin. Cerca de 700 pessoas foram presas. Para prender tanta gente, a polícia usou redes numa verdadeira “pesca” humana. Mas por incrível que possa parecer, o protesto segue com força, e ganha a adesão de intelectuais e artistas, como o diretor de cinema Michael Moore, a atriz Susan Sarandon, Noam Chomsky e Amy Goodman.

“Venham todos ocupar Wall Street” , pediu Michael Moore em seu blog. “É a primeira vez que uma multidão de milhares toma as ruas de Wall Street” , prossegue o cineasta. A grande imprensa dos EUA, por sua vez, boicota escancaradamente os protestos.



A manifestação já começa a se estender para outras cidades dos Estados Unidos. Em Boston, Chicago, Los Angeles e Washington as mobilizações contra o sistema financeiro, a ganância e os cortes no orçamento federal americano vão surgindo, embora existam desigualdades. Em Boston, cerca de 3 mil pessoas participaram de uma passeata no dia 1°. Foram presas 24 manifestantes.

Seria o início da primavera norte-americana? Tal conclusão seria demasiadamente precipitada. Mas uma coisa é certa. A ocupação mostra que os EUA também estão conectados ao movimento mundial dos “indignados” que, em todo mundo, não para de crescer. 

Líbia: a urgente necessidade de intervenção humanitária em Sirte e Bani Walid





Leia a seguir carta de um médico do Hospital Público de Trípoli, sobre a necessidade de uma intervenção humanitáriaem Sirte e Bani Walid.

Caro Dr. Madam,
Estou escrevendo para informá-lo, independentemente de interesses políticos, sobre as situações desastrosas nas cidades líbias de Sirte e Walid Bani, que estão enfrentando genocídio, bem como a devastação de suas infra-estruturas.
A situação está se deteriorando gravemente a cada dia e cada hora que passa em Sirte e Bani Walid, uma vez que estas duas grandes cidades têm sido mantidas sob o cerco por meses e seus cidadãos estão sofrendo a falta de medicamentos e necessidades básicas. A Otan e os rebeldes estão bombardeando diariamente áreas civis, matando pessoas e famílias inocentes, destruindo casas, hospitais, escolas, hotéis e edifícios públicos (os links abaixo demonstram inúmeros casos).
O que temos visto em algumas áreas residenciais de Sirte, Bani Walid e Aljeaza, áreas que foram inúmeras vezes atacadas e bombardeadas pela Otan e rebeldes, esses ataques indiscriminados podem constituir crimes contra a humanidade: a destruição total de casas, o assassinato de vítimas que são na sua maioria crianças, idosos e mulheres, que não cometeram nenhum pecado, mas simplesmente querem viver em paz em sua terra natal. Mesmo aqueles que
têm tentado deixar as cidades têm sido maltratado e abusados pelos rebeldes do Conselho Nacional de Transição, que atuam em busca de vingança. Muitas vezes recusando-se a permitir-lhes que saiam, negando-lhes passagem, em função de seu título de filiação tribal ou conexão com o governo.
A situação humanitária na cidade de Sirte é trágica e extremamente terrível. Doentes e feridos, mulheres grávidas, vítimas dos atentados não têm acesso ao hospital e assistência médica, devido à falta de combustível para seus veículos e a trágica falta de medicamentos, médicos e oxigênio. O hospital está lotado, cheio de casos graves e críticos, muitos mulheres grávidas tiveram os bebês em suas casas, o que levou a complicações que causaram aumentos de mortes entre mães e bebês. A escassez de oxigênio e falta de materiais médicos necessários para as operações e cesarianas colocam em em perigo a vida daqueles que têm a sorte de chegar ao hospital.
O hospital em Sirte está em um estado deplorável. Adicionado à falta de saneamento básico, equipamentos e medicina, o hospital está sofrendo grave escassez de combustível que é vital para gerar a eletricidade necessária para operar máquinas essenciais dispositivos essenciais para cirurgias e tratamentos pós-operatório.
O intenso bombardeio da cidade e a destruição de sua infra-estrutura pela Otan e rebeldes, gerou uma situação catastrófica. Todas as obras de esgoto e redes de água em toda a cidade foram destruídas, e estão alimentando a
propagação de epidemias e doenças, especialmente em áreas densamente povoadas.
A perspectiva de fome e desnutrição grave é real, e há falta de alimentos básicos, especialmente para bebês, e falta de água potável.
Também queremos informar que há milhares de jovens em prisões secretas submetidos a torturas por milícias do Conselho, e há casos de seqüestros brutais e assassinatos violentos por causa da filiação política ou pessoal, familiar ou tribal, comprovando uma política de vingança.
Você deve ver que o que está acontecendo na Líbia é uma guerra civil e não um conflito entre o regime e as forças opostas.
Agora eu desejo que você queira tomar medidas concretas para o bem do povo e de forma tão rápida quanto possível. Precisamos de ajuda por via aérea ou terrestre, colaboração com os deslocados de residentes dos subúrbios.
Podemos ajudá-lo, assegurando uma ligação direta com os civis na cidade para avaliar suas necessidades fundamentais e para coordenar os melhores métodos de prestação de ajuda a eles.
Listamos a seguir uma série de material médico necessário para o funcionamento do nosso o hospital, para manter o mínimo de atendimento aos necessitados: oxigênio, antibióticos, medicação de alívio da dor e antipirético, tubos intratraqueal, anestésicos, materiais para cirurgia em geral, ataduras, medicamentos para diabéticos e doenças cardiovasculares, suturas e agulhas cirúrgicas, luvas eaventais, meicação para asma, alimentos, leite e fraldas para crianças.
O hospital também tem extrema necessidade de pessoal, em especial, médicos anestesistas e cirurgiões em geral.

Incluímos abaixo uma lista de links de vídeo mostrando inúmeros civis mortos pelo bombardeio indiscriminado das cidades pelas forças da Otan e do Conselho Nacional:
http://www.youtube.com/watch?v=EVhcHLJKSaI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=0rhgkqNk3U4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=hrrz0KQXrXg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=P4Sd68tq5OQ&feature=relate
http://www.youtube.com/watch?v=WeGxvS-E-iA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Oz1SKIwbSXk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=VgYCg73Zqog&feature=related
https://www.facebook.com/video/video.php?v=143483322413987
http://www.youtube.com/user/42alfatah#p/u

Estes são apenas algumas dos muitos exemplos e evidências filmadas, documentando as mortes de pessoas e a destruição de casas, mesquitas, escolas e outras infra-estruturas instalações da cidade.
Gostariamos também de destacar dois casos de graves e terríveis violações dos direitos humanos:

Caso 1:
Este vídeo mostra uma estudante da cidade de Aljmail que foi seqüestrada e torturada por rebeldes na cidade de Zwarah:
http://www.youtube.com/watch?v=A--YAUUgMrg

Caso 2:
Hatem Nasr Remaly (fotos acima) vivia na área Janzour em Trípoli. Ele foi preso no sábado, 24 de setembro pelo Conselho Militar (rebeldes) da cidade de Janzour. Remaly trabalhou para a segurança interna da cidade. Ele morreu
como resultado de tortura cruel e brutal.
Gamal Abdel-Salam Remaly nasceu em 1968, era casado e tinha três filhas. Ele também foi morto por um membro armado da milícia leal aos rebeldes.
Nasser Remaly, o irmão de Remaly Gamal e primo de Hatem Remaly também foi foi torturado e assassinado no domingo, 25 de setembro.

Mentira do conselho traidor de entrega e da mídia capacho.


Líbia: os ossos não eram humanos


O chamado Governo de Transição da Líbia convocou a imprensa ocidental para mostrar uma vala comum mas proximidades de uma famosa prisão, dizendo aos repórteres que tratava-se de ossos humanos de vítimas do regime de Kadafi. Imediatamente, milhares de jornais e canais de telvisão dos países ocidentais publicaram e divulgaram as fotos e os “fatos” como se fosse verdade, induzindo a opinião pública a condenar Muamar Kadafi e a acreditar nas boas intenções dos rebeldes líbios financiados e armados por potências imperialistas ocidentais.
Mas a mentira, nos dias atuais, não dura muito tempo. Consultado sobre a vala, Jamal Ben Noor, oficial sênior do Ministério da Justiça e Direitos Humanos afirmou que "Algumas investigações têm sido realizados sobre essa vala comum, especificamente, e não houve nenhuma conclusão ainda". Sobre o local da vala comum situado nos fundos da prisão de Abu Salim, em Trípoli, Ben Noor disse que "poderia ser outra coisa, porque os ossos encontrados aqui são maiores do que os restos humanos normais”.
Funcionários do Conselho Nacional de Transição - CNT, o movimento que depôs o governo líbio, disse no domingo que estava investigando uma vala comum encontrada atrás de Abu Salim. Grupos de direitos humanos ligados (financiados) à ONU, dizem que o governo de Muamar Kadafi reprimiu uma rebelião de presos em 1996 na prisão de Abu Salim, o que justificaria a existência da vala comum, e segundo autoridades do CNT a vala poderia conter até 1.270 corpos.
Entretanto, equipes da CNN e NTC que foram trazidas para filmar e fotografar a vala comum da prisão de Abu Salim encontraram apenas o que parecia ser ossos de animais. A NTC apelou aos governos internacionais para ajudar a investigar o local, que foi descoberto pelas forças rebeldes em 20 de agosto, disse Kamal el Sheriff, um membro do governo de transição.
Ben Noor disse que os funcionários "devem esperar e dar-lhes mais tempo até terminar a investigação." Ele disse que o Ministério da Justiça está investigando uma série de locais similares e podem formar um comitê especial de peritos para analisar os achados. Não seria de se admirar se o governo rebelde trouxesse corpos de líbios massacrados pelas bombas da Otan e depositassem em qualquer local para culpar o líder Muamar Kadafi.
Prisioneiros de Abu Salim se revoltaram em junho de 1996 por condições precárias e restrições nas visitas de familiares, iniciando um levante. Guardas nos telhados teriam respondido abrindo fogo contra prisioneiros em áreas abertas, afirmou o ex-prisioneiro Hussein Shafei à Human Rights Watch, em entrevista anos mais tarde.
O depoimento do ex-prisioneiro conta que autoridades de segurança ordenaram o fuzilamento dos revoltosos, mas os guardas do pelotão de fuzilamento teriam se recusado a disparar, disse Shafei. Depois os presos concordaram em retornar às suas celas, e alguns deles foram levados para áreas de prisão ao ar livre, tiveram os olhos vendados, foram algemado e baleado. Um pelotão de fuzilamento se recusando a atirar em prisioneiros é algo inédito e inverossímel.
Na época, Muamar Kadafi negou que qualquer crime tivesse ocorrido na prisão de Abu Salim. Quando algumas famílias apresentaram uma queixa contra o governo em 2007, a Human Rights Watch disse que o governo líbio ofereceu-lhes uma compensação em troca de seu silêncio, o que, teria impedidoa apresentação de provas sobre o alegado massacre de presos. É inacreditável que todas as famílias de prisioneiros tenham se sujeitado a isso.
A verdade é que as histórias que estão vindo à público após a derrubada de um governo legítimo por parte da Otan e dos governos dos EUA, França e Inglaterra, parecem mais peças publicitárias com objetivos explícitos de manipular a opinião pública mundial. Assim como no Iraque e Afeganistão, governos foram derrubados pela força das armas para que potências estrangeiras pudessem roubar as riquezas naturais dos países ocupados - e embora os governos ocidentais façam discursos sobre liberdade e democracia - os povos dos países ocupados sofrem com falta de água, alimentos, e até mesmo combustíveis. São países ocupados e saqueados, exatamente como no século passado. Os métodos são os mesmos: superioridade bélica e tecnológica, mas os resultados continuam os mesmos: destruição, fome, miséria. A única novidade é a participação direta da imprensa no apoio aos crimes de guerra cometidos por potências ocidentais.

Jornal àgua verde e blog terceira teoria universal: visões alternativas na cobertura da agressão imperialista na Líbia


Líbio casado com brasileira é morto após ataques da Otan




Os sucessivos e constantes ataques terroristas da Otan na Líbia causaram a morte do líbio Wael El Faresi, casado com a brasileira (de origem jordaniana) Manahll.

Os bombardeios da Otan na cidade de Trípoli, danificando a rede hospitalar, causaram a morte de centenas de civis inocentes líbios, entre eles o médico veterinário Wael El Faresi, formado na USP. Integrante da coordenação internacional do Movimento Democracia Direta, Wael visitava o Brasil quase que anualmente para manter contatos com movimentos locais, sindicatos e associações de trabalhadores.
Nas reuniões das quais participava em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, Wael falava sobre o modelo de democracia direta praticado na Líbia, através da Terceira Teoria Universal – O Livro Verde. O Poder Popular construído na Líbia é um sistema de governo onde o povo governa diretamente, sem intermediários, sem políticos. Cada bairro, sindicato, associação de moradores ou trabalhadores, tem sua participação nos Comitês e Congressos Populares, ensinava Wael em português fluente.
Dilma de Cássia Melo esteve na Líbia algumas vezes, e conta que quando passava na frente da sede da coordenação do Movimento Democracia Direta, “chegava a ser engraçada a forma como as pessoas cumprimentavam e saudavam o Wael, com muita alegria. Ele era muito querido por todos que o conheceram”.
José Gil conta que “o Wael era muito brincalhão, sempre estava de bom humor, mas tratava com seriedade os temas de libertação dos povos através da construção do Poder Popular, a necessária construção da Era das Massas, onde o povo tem o poder e as armas, e não uma minoria privilegiada a serviço de interesses estrangeiros”.
Wael morreu combatendo pela libertação da Líbia. Morreu praticando aquilo que defendia com ensinamentos e palavras.
Os covardes assassinos que o mataram (pilotos norte-americanos, ingleses ou franceses da Otan) tiveram o trabalho de apenas apertar um botão que disparou a bomba que matou dezenas de pessoas. Esse ato covarde de apertar um botão e espalhar a morte foi executado por mercenários a serviço do roubo das riquezas naturais da Líbia. Para defender seu povo do colonialismo, dos novos cruzados, das tropas estrangeiras que atacam a Líbia com apoio de traidores, Wael pegou em armas e lutou o combate dos justos, o combate dos heróis internacionalistas que doam a própria vida para libertar o povo.
Wael El Faresi tombou em combate, como fazem os homens honrados e valentes. Ele provou que é descendente da histórica e corajosa luta de Omar Moukhtar e de Muamar Kadafi.
Todos aqueles que conheceram Wael El Faresi sabem que ele era um homem especial, um homem bom, honrando, valente. Para honrar sua memória devemos reforçar a luta de solidariedade à luta de libertação na Líbia.
O país foi e continua sendo atacado por uma união criminosa de 40 países através da Otan, a serviço de interesses imperialistas dos governos dos EUA, França e Inglaterra. A luta de libertação na Líbia está apenas começando e Muamar Kadafi é o líder do povo líbio na luta contra as potências estrangeiras, que serão derrotadas, como foram derrotadas por Omar Moukhtar, pela Revolução Al Fateh e pelo líder Mumar Kadafi.

Nas fotos acima, Wael ao lado de Dilma de Cássia, e os filhos de Wael.

sábado, 8 de outubro de 2011

Independência?


No sétimo dia de setembro Deus, erguendo sua espada de fogo
declarou:
-Independência ou Morte. Fiat Brasilis - faça-se o Brasil.
Estava criado o Mundo Brasil. Viu Deus que era bom, e foi descansar.
Mas o negro na senzala encafifado com o fato, resolveu indagar:
-O que é independência?
Deus, sabichão, já com jeitinho brasileiro, respondeu:
Não se preocupe em saber. Depois a gente dá um jeitinho.
-Mas o que é independência? - insistiu o afro-descendente.
-Pode ser, por exemplo, tema para um samba-enredo - respondeu o bom
Deus, inventando o Carnaval. - Que tal a idéia? Não está mal.
-Mas eu preciso entender. O que é independência?
-Isso ainda não está à altura do seu entendimento - retrucou Deus,
já meio irritado, mandando o cafuzo esquecer o assunto confuso. - Deixe
isso de lado. Não é assunto para negro.
-Se não é para negro é para tupí - vociferou o índio, saindo da
mata vazia.
E Deus, com seu cajado, no cavalo de chefe de Estado, esbravejou:
-Isso não é coisa para índio. Isso é para o Primeiro Mundo,
civilizado.
-Se não é para índio, é para mulato - cantou o mulato, estupefato.
E Deus, no seu trono divino falou mais alto:
-Isso não é coisa para mulato. Isso é assunto complicado.
Aí vieram o operário, a dona de casa, o visionário, o artista com
sua arte Veio gente de toda parte, o moleque de rua, o caipira, o
pau-de-arara. Todos gritaram ao mesmo tempo, perdendo a paciência:.
-O que é independência?
-Independência, é, por assim, como diria, na verdadeira concepção
da palavra, assim, assim... Entenderam meus filhos? é...
E, saindo dos trilhos, conclui:
-Vão à merda. Isso não é coisa para vocês.
Encurralado, enraivecido, desesperado, emputecido; Deus então tomou
uma decisão, fazer um arranjo em sua invenção. Acabar com as dúvidas
eliminando a indagação.
Silêncio celestial (ou sepulcral?). Mas quem prestar a atenção,
atrás dos muros, ouve sussurros:
-Independência? Independência?


este texto foi elaborado em conjunto pelos poetas Daniel Neves e Castelo Hanssen para adaptação teatral em ''comemoração'' ao mês da independência nacional.