segunda-feira, 18 de outubro de 2010

É preciso derrotar Serra

imagemCrédito: Brasil de Fato

Editorial Brasil de Fato ed. 398

A candidatura do demotucano José Serra surpreendeu não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível de sua campanha

13/10/2010

No início do processo eleitoral deste ano, um conjunto de forças populares e movimentos sociais decidiram empenhar esforços para eleger o maior número possível de parlamentares e governadores identificados com as bandeiras da classe trabalhadora. E, nesse cenário, sobre o pleito presidencial, a unidade se deu em torno da luta para evitar um retrocesso ao país. Ou seja, não permitir a vitória da proposta neoliberal, representada na candidatura do tucano José Serra. Assim, passado o primeiro turno, realizado no dia 3 de outubro, é importante fazer uma avaliação do que significou esse processo. Até porque a expectativa era de vitória da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno.

Importantes avanços

São boas as renovações que ocorreram nas assembleias estaduais, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, na eleição e reeleição de governadores progressistas. Nesse sentido, destacamos a vitória do povo gaúcho, que derrotou o mandato tucano de Yeda Crusius. Candidata à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul, Yeda se notabilizou no controle da mídia, na criminalização dos movimentos sociais e na repressão à luta dos trabalhadores.

Campanha presidencial

É importante ressaltar que, nesta campanha presidencial, os graves problemas do povo ficaram ausente do processo. Evidenciou-se que a falta de debates em torno de projetos políticos e dos problemas principais que afetam a população brasileira. Assim, a campanha de Dilma Rousseff buscou apenas divulgar o desenvolvimento econômico e as políticas sociais do governo Lula e apoiar-se na popularidade do atual presidente. Com essa estratégia, obteve quase 47% dos votos, mas insuficientes para vencer no primeiro turno.

A candidatura do demotucano José Serra surpreendeu não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível de sua campanha. Foi agressivo, tentou interferir em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), espalhou mentiras e acusações infundadas. Independente de qualquer outro resultado, a biografia do candidato já é a maior derrotada nessas eleições.

Já as candidaturas identificadas com os partidos de esquerda, que utilizaram o espaço eleitoral para defender os interesses da classe trabalhadora, infelizmente tiveram uma votação baixa.

Outro elemento importante neste atual quadro é o descenso social de duas décadas em nosso país. A fragmentação das organizações da classe trabalhadora e a fragilidade da política de comunicação com a sociedade também influíram no resultado eleitoral.

Assim, as eleições deste ano demonstraram o poder nefasto e antidemocrático da mídia. Mas, por outro lado, potencializaram uma rede de comunicadores independentes, comprometidos com a liberdade de expressão, que enfrentaram o monopólio dos meios de comunicação. São avanços importantes rumo à democratização da informação e pelo controle social sobre meios de comunicação em nosso país.

Segundo turno

No dia 31, o povo brasileiro terá de fazer sua escolha. De um lado, o demotucano José Serra. E, como já dissemos aqui neste espaço, atrás da candidatura Serra estão as forças do capital mais atrasadas e subservientes ao império estadunidense, os grandes bancos, a grande indústria paulista, o latifúndio atrasado de Kátia Abreu e o agronegócio "moderno" do etanol. Seu programa é um só: a volta do mercado, benefícios para as empresas e a repressão para conter as demandas sociais. Seria a prioridade no programa dos PPPs já aplicado em São Paulo: privatizações, pedágios e presídios.

De outro lado, a candidatura de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT). Também como já dissemos, a candidatura Dilma representa continuidade do governo Lula e tem forças sociais entre a burguesia (temerosa da reação das massas), setores da classe média que melhoraram de vida e amplos setores da classe trabalhadora. Praticamente todas as forças populares organizadas têm sua base social apoiando a candidata petista.

Assim, o conjunto das forças populares e movimentos sociais, que mantêm o compromisso de defesa das bandeiras de lutas da classe trabalhadora e da construção de um país democrático, socialmente justo e soberano, defendem a candidatura de Dilma. Mas manterá a autonomia de luta independente do governo eleito.

Infelizmente, os avanços do governo Lula em direção às bandeiras democrático-populares foram insuficientes, em que pese o acerto de sua política externa. Também preocupa constatar que, no arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, há forças políticas que se contrapõem a essas demandas sociais.

Porém, fica uma certeza: José Serra, por sua campanha, pelo seu governo em São Paulo e pelos oito anos de governo FHC, tornou-se inimigo da classe trabalhadora e das nossas bandeiras de lutas. Pelo caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que compõem sua aliança e por sua personalidade autoritária, uma possível vitória sua significará um retrocesso para os movimentos sociais e populares em nosso país. Além disso, uma eventual vitória do demotucano será um retrocesso para as conquistas democráticas em nosso continente e representará uma maior subordinação aos interesses do império estadunidense.

Evitar o retrocesso

Por isso, frente a esse cenário, as forças populares e os movimentos sociais da Via Campesina declaram seu apoio e compromisso de lutar para eleger a candidata Dilma Rousseff. E o Brasil de Fato soma-se a essas organizações no sentido de derrotar o demotucano Serra e tudo o que sua candidatura representa. Ou seja, é preciso derrotar a candidatura Serra, pois ela representa as forças direitistas e fascistas do país.

Mas alertamos. É importante seguir organizando o povo para que lute por seus direitos e mudanças sociais profundas, mantendo a autonomia frente aos governos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Derrotar Serra nas urnas e Dilma nas ruas.


(Nota Política do PCB)

O PCB apresentou, nas eleições de 2010, através da candidatura de Ivan Pinheiro, uma alternativa socialista para o Brasil que rompesse com o consenso burguês, que determina os limites da sociedade capitalista como intransponíveis. As candidaturas do PCO, do PSOL e do PSTU também cumpriram importante papel neste contraponto.

Hoje, mais do que nunca, torna-se necessário que as forças socialistas busquem constituir uma alternativa real de poder para os trabalhadores, capaz de enfrentar os grandes problemas causados pelo capitalismo e responder às reais necessidades e interesses da maioria da população brasileira.

Estamos convencidos de que não serão resolvidos com mais capitalismo os problemas e as carências que os trabalhadores enfrentam, no acesso à terra e a outros direitos essenciais à vida como emprego, educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança, cultura e lazer. Pelo contrário, estes problemas se agravam pelo próprio desenvolvimento capitalista, que mercantiliza a vida e se funda na exploração do trabalho. Por isso, nossa clara defesa em prol de uma alternativa socialista.

Mais uma vez, a burguesia conseguiu transformar o segundo turno numa disputa no campo da ordem, através do poder econômico e da exclusão política e midiática das candidaturas socialistas, reduzindo as alternativas a dois estilos de conduzir a gestão do capitalismo no Brasil, um atrelando as demandas populares ao crescimento da economia privada com mais ênfase no mercado; outro, nos mecanismos de regulação estatal a serviço deste mesmo mercado.

Neste sentido, o PCB não participará da campanha de nenhum dos candidatos neste segundo turno e se manterá na oposição, qualquer que seja o resultado do pleito. Continuaremos defendendo a necessidade de construirmos uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, permanente, para além das eleições, que conquiste a necessária autonomia e independência de classe dos trabalhadores para intervirem com voz própria na conjuntura política e não dublados por supostos representantes que lhes impõem um projeto político que não é seu.

O grande capital monopolista, em todos os seus setores - industrial, comercial, bancário, serviços, agronegócio e outros - dividiu seu apoio entre estas duas candidaturas. Entretanto, a direita política, fortalecida e confiante, até pela opção do atual governo em não combatê-la e com ela conciliar durante todo o mandato, se sente forte o suficiente para buscar uma alternativa de governo diretamente ligado às fileiras de seus fiéis e tradicionais vassalos. Estrategicamente, a direita raciocina também do ponto de vista da América Latina, esperando ter papel decisivo na tentativa de neutralizar o crescimento das experiências populares e anti-imperialistas, materializadas especialmente nos governos da Venezuela, da Bolívia e, principalmente, de Cuba socialista.

As candidaturas de Serra e de Dilma, embora restritas ao campo da ordem burguesa, diferem quanto aos meios e formas de implantação de seus projetos, assim como se inserem de maneira diferente no sistema de dominação imperialista. Isto leva a um maior ou menor espaço de autonomia e um maior ou menor campo de ação e manobra para lidar com experiências de mudanças em curso na América Latina e outros temas mundiais. Ou seja, os dois projetos divergem na forma de inserir o capitalismo brasileiro no cenário mundial.

Da mesma forma, as estratégias de neutralização dos movimentos populares e sindicais, que interessa aos dois projetos em disputa, diferem quanto à ênfase na cooptação política e financeira ou na repressão e criminalização.

Outra diferença é a questão da privatização. Embora o governo Lula não tenha adotado qualquer medida para reestatizar as empresas privatizadas no governo FHC, tenha implantado as parcerias público-privadas e mantido os leilões do nosso petróleo, um governo demotucano fará de tudo para privatizar a Petrobrás e entregar o pré-sal para as multinacionais.

Para o PCB, estas diferenças não são suficientes qualitativamente para que possamos empenhar nosso apoio ao governo que se seguirá, da mesma forma que não apoiamos o governo atual e o governo anterior. A candidatura Dilma move-se numa trajetória conservadora, muito mais preocupada em conciliar com o atraso e consolidar seus apoios no campo burguês do que em promover qualquer alteração de rumo favorável às demandas dos trabalhadores e dos movimentos populares. Contra ela, apesar disso, a direita se move animada pela possibilidade de vitória no segundo turno, agitando bandeiras retrógradas, acenando para uma maior submissão aos interesses dos EUA e ameaçando criminalizar ainda mais as lutas sociais.

O principal responsável por este quadro é o próprio governo petista que, por oito anos, não tomou medida alguma para diminuir o poderio da direita na acumulação de capital e não deu qualquer passo no sentido da democratização dos meios de comunicação, nem de uma reforma política que permitisse uma alteração qualitativa da democracia brasileira em favor do poder de pressão da população e da classe trabalhadora organizada, optando pelas benesses das regras do viciado jogo político eleitoral e o peso das máquinas institucionais que dele derivam.

Considerando essas diferenças no campo do capital e os cenários possíveis de desenvolvimento da luta de classes - mas com a firme decisão de nos mantermos na oposição a qualquer governo que saia deste segundo turno - o PCB orienta seus militantes e amigos ao voto contra Serra.

Com o possível agravamento da crise do capitalismo, podem aumentar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a repressão aos movimentos populares. A resistência dos trabalhadores e o seu avanço em novas conquistas dependerão muito mais de sua disposição de luta e de sua organização e não de quem estiver exercendo a Presidência da República.

Chega de ilusão: o Brasil só muda com revolução!

PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

COMITÊ CENTRAL

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Apresentação do Rage Against the Machine é censurada pela globo



A Banda em demonstração de apoio ao MST
Tom Morello com o boné do MST



O Rage Against the Machine fez uma apresentação no Festival SWU, em Itu, na noite deste sábado. Zack de la Rocha, vocalista da banda, dedicou a música "People of the sun" ao MST. Ele disse o seguinte: "Esse som vai para os irmãos e irmãs do MST: People of the sun"

Durante a música "Wake Up", o guitarrista Tom Morello vestiu o boné do MST. Misteriosamente, a TV Globo cortou a transmissão que fazia ao vivo da apresentação.

Durante encontro com militantes do MST, Zack de la Rocha afirmou que vai doar parte do cachê da banda ao movimento. "O MST tem uma experiência muito importante de solidariedade humana e na criação de espaços fora do modelo capitalista, e é muito importante para muitos de nós que, nos EUA, estamos lutando pelas mesmas coisas. Eu acho que MST já criou um exemplo maravilhoso de luta por justiça social e econômica, é um grande exemplo para nós", declarou.

O Rage Against the Machine é uma banda de rock norte-americana, uma das mais influentes e polêmicas da década de 1990. Uma forte característica é a mescla de hip-hop, rock, funk, punk e heavy-metal, com letras enérgicas e politizadas.

Junto com a música de protesto, demonstraram a luta pela causa política, contra a censura, a favor da liberdade e em defesa dos mais pobres. O som do grupo é bastante diferenciado, devido ao estilo rítmico e vocal de Zack de la Rocha e as técnicas únicas de Tom Morello na guitarra.

Por fim, ainda que a tônica do SWU seja de sustentabilidade, o Rage Against the Machine não fez concessões em seu engajamento: dedicou a faixa "People of the sun" aos "nossos amigos" do Movimento Sem Terra brasileiro, disparou um trecho do hino da Internacional Comunista antes do bis - fechado com as clássicas "Freedom" e "Killing in the name" -, e se despediu dos fãs de punhos cerrados repetindo o gesto dos Panteras Negras sob uma salva de aplausos, urros e uma chuva de sapatos, chinelos e CDs atirados pelos fãs contra o palco.


A Internacional Tocada no show do Rage Against the Machine


Tradução de people of the sun

Desde 1516
Mentes são atacada e subjugadas
Agora rastejam no meio das ruínas desse sonho vazio
Com suas fronteiras e pisões sobre nós
Colocando saliências no chão
de suas metrópoles tóxicas
Mas como você vai ter o que você precisa ter?
Os comedores de tripas, sangue derramado fica ofensivo como aquele
O quinto por do sol volta para se aproveitar
O espírito de Cuahtemoc(último imperador Maia) está vivo e intocádo.
Agora a cara de medo agora estourando em seu ditador
Daquele Maya, Mexica
O abutre volta para tentar e lhe roubar o nome mas agora você encontrou arma
É, isso é para o povo do sol!sol

Está voltando na área de novo!
Isso é para o povo do sol!
Está voltando na área de novo! Uh!

É, nunca esqueça
que um sopapo quebre as suas costas
Sua espinha é quebrada por tabaco, oh Eu sou um homem Marlboro,
uh
Nosso passado estoura nos versos
Bandos de táxis rodeando a Broadway como se fossem cavalos
Tropas despindo zoots, tiros em neblina vermelha,
Sangue de marinheiros no convés, vem a resistência das irmãs
Da era do terror veja as lentes fotográficas,
Agora a cidade dos anjos faz a limpeza racial
Uh, cabeças são balançadas pelo medo de seu ditador
Daquele Maya, Mexica
O abutre volta para tentar e lhe roubar o nome Mas agora você encontrou arma
É, isso é para o povo do sol!sol

Está voltando na área de novo!
Isso é para o povo do sol!

Rage Against the Machine dedica música ao MST

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PCB Guarulhos apoia a greve dos estudantes da UNIFESP na baixada santista

Após uma vitoriosa assembléia dos estudantes, foi deliberada por unanimidade uma paralisação para a UNIFESP-BS.

Cansados de aguardar a burocracia institucional, os estudantes escolheram outro caminho para reivindicar as deficiências estruturais e organizacionais, que vão desde a instalação do campus definitivo, até as questões de apoio à permanência estudantil lutando contra a ausência de Bandejão,moradia, transporte, entre outras consequências a que somos submetidos por conta do REUNI.
A construção da paralisação aconteceu com a exibição do vídeo-denuncia em todas as salas de aula (em breve no youtube) e com a panfletagem convocatória para que todos os estudantes na manhã do dia 28/05 se concentrassem na unidade da ponta da praia para debater as reivindicações centrais de um ato, o qual foi definido como um "marmitaço" que sairia da unidade da pta. da praia e caminharia em direção a balsa.
A Paralisação

O início das atividades ocorreu as 8:30 da manhã, em que importantes pautas e reivindicações foram construídas, tais como:
  1. Pela construção imediata do campus definitivo.
  2. Pela necessidade de políticas de permanência estudantil apresentadas na forma de serviços na construção do bandejão, moradia, transporte, assistência a saúde no campus, entre outras.
  3. Pelo fim do Reuni, entendendo que os problemas a cima são consequências diretas desse projeto, logo por uma expansão de qualidade e não "uma expansão que é só fachada, que garante a vaga e não nos dá mais nada."(palavra de ordem do ato).
  4. Pela unificação da pauta nacional do movimento estudantil com a construção do congresso nacional de estudantes( 11 a 14 de Junho-UFRJ).


Durante o ato, cerca de 200 estudantes ecoaram pela avenida da praia e na região de acesso a balsa, palavras de ordem como "Ai que bom seria se a unifesp tivesse moradia!Ai como era bom, se a unifesp tivesse bandejão" ou ainda.."Nas ruas, nas praças quem disse que sumiu?Aqui está presente o movimento estudantil!" entre tantas outras como "não pago, não pagaria, educação não é mercadoria".

Após a ida até a balsa, os estudantes retornaram a unidade e entraram dentro do campus fazendo um panelaço,com a seguinte palavra de ordem:"vem, vem, vem pra luta vem, você também!"chamando os técnicos administrativos e professores, para que se incorporassem a luta dos estudantes.

Seguindo a mesma lógica e entendendo que precisamos da mobilização de todas as categorias, foi realizado um chamado para uma possível assembléia geral do campus para a articulação de uma pauta unificada dos três setores, no entanto, a categoria dos docentes não aderiu a idéia da assembléia geral, comprometendo-se inicialmente a pensar na possibilidade de referendar o movimento, ainda assim com ressalvas, já que não é viável, segundo a postura do colegiado de campus (órgão máximo do campus) referendar o pedido pela moradia estudantil, já que esse, segundo eles, não e uma política da unifesp.Em relação aos técnicos administrativos, estamos aguardando um posicionamento.


O período da tarde prosseguiu com discussões, principalmente envolvendo falas dos estudantes que acompanharam a visita do assessor de assuntos estudantis da reitoria da unifesp, que fizeram os repasses da visita e que pontuaram a necessidade de acompanharmos de perto todos os processos burocráticos a cerca da concretização das promessas feitas ao redor de nossas pautas;dessa forma foi colocada a possibilidade de formação de uma comissão fiscalizadora que faria esse trabalho de articulação com a reitoria.

Foram pensadas também, as táticas para um ato tirado em ultima assembléia, que se realizará no PIBIC (congresso de apresentação de trabalhos científicos da unifesp) o qual é realizado no cmapus da Unifesp-SP e nesse espaço exibiríamos nossos pôsters como "Trabalho de conclusão de Campus", ou "Os impactos da falta de políticas de permanência estudantil".. entre outros possíveis temas. A construção dos pôsters e panfletos para a manifestação de terça-feira 02/02, foi marcada para o horário de almoço na segunda-feira na pta da praia, para o mesmo dia ás 18h foi marcada também a reunião aberta do centro acadêmico para avaliação da mobilização e os próximos passos para o movimento.
Além disso foi relatado o espaço do Fórum do eixo do Trabalho em saúde, que acontecerá na próxima quinta feira, na pta da praia, ás 16h, um ótimo espaço pois, além de discutir o eixo e o projeto político pedagógico do campus, esse seria um importante momento para levar a discussão do movimento para a categoria dos docentes, visando a construção da assembléia geral do campus.
Acompanhe mais notícias sobre a mobilização em:
A luta está apenas começando...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PCB apoia a greve dos bancários em Guarulhos


Os trabalhadores de Itaú, Unibanco e Caixa Econômica Federal foram os bancos que aderiram o primeiro dia da greve. Agências do Itaú e Unibanco estavam fechadas e somente caixas eletrônicos funcionavam. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região, a Caixa Econômica Federal teve 90% de paralisação e uma agência da Nossa Caixa também aderiu à manifestação.

Entre as reivindicações dos bancários estão o reajuste salarial de 10%; o fim das metas abusivas para vendas de seguros e realização de empréstimo aos clientes; contratação de funcionários e PLR (participação nos lucros e resultados) de três salários mais R$ 3.850 fixos distribuídos a todos os bancários. "A pressão para bater as metas é tanta que os bancários chegam a sofrer de problemas psicológicos. Também queremos que mais pessoas sejam contratadas para melhorar o atendimento à população, pois só caixa eletrônico não resolve o problema", argumenta o presidente dos Sindicatos dos Bancários de Guarulhos e Região, Jessé Costa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DCE em luta - UNIFESP realiza importante debate com forças classistas,socialistas revolucionárias

Qual o papel da esquerda no processo eleitoral burguês ?
Esse foi o tema debatido no dia 30/09/2010 na Unifesp-Guarulhos por diversas forças contra-hegemônicas. Participaram do debate (na sequência da esquerda para a a direita) Magrão - Liga Operária, Fausto Arruda - A Nova Democracia, Igor Grabois - PCB, Carlos Renato - PSOL e João Zafalão- PSTU.
O tema do debate se pautou no papel da esquerda socialista e revolucionária diante do processo eleitoral burguês. Quais são as suas perspectivas e avaliações da atual conjuntura e o problema da unidade classista
Em geral, chegou-se a um consenso, a saber, de que o processo eleitoral atual, na maneira como ele funciona, é um jogo de cartas marcadas, caracterizado pela mercantilização da política, no marketing eleitoral e no isolamento das candidaturas e partidos políticos que não se aproximem dessa lógica do financiamento das campanhas por empresas privadas, isto é, pelos capitalistas.
Nesse sentido, os companheiros do PSOL e PSTU, além do PCB, consideram importante participar desse processo devido à amplitude que a agitação e propaganda de esquerda pode atingir, maior do que em outros períodos, entretanto, não há ilusões eleitoreiras nessa participação.
Já os companheiros da Liga operária e do jornal A Nova Democracia, apesar de compartilharem da avaliação acerca das eleições, não chegam à mesma conclusão, para eles, não há viabilidade em participar.
Foi muito importante a avaliação de que as forças de esquerda, contra-hegemônicas que se opõem ao regime do Capital, só terão sucesso em sua estratégia e tática se atingirem a unidade. O PCB, dentro desse contexto, trouxe à tona a proposta da frente anticapitalista e anti-imperialista, que foi muito bem aceita pelos companheiros, com destaque para o PSTU.
Conclui-se da mesma maneira que, tanto a candidatura do PT, quanto do PSDB e do PV, foram identificados como alternativas gerenciais do Capital, logo, inviáveis numa perspectiva estratégica socialista.
Já num contexto tático, isto é, no segundo turno, tanto PCB, quanto PSTU, declararam que, na ausência de uma alternativa classista, a tendência é anular o voto. Já o PSOL, não deu certeza da posição que o partido irá adotar, enquanto que a Liga Operária e o Jornal a Nova Democracia, estrategicamente boicotarão as eleições, tanto no primeiro, quanto no segundo turno.
Foram convidados o Movimento negação da negação, o partido da causa operária e o partido dos trabalhadores, que por seus motivos não puderam estar presentes.
O DCE em luta permanecerá como parte atuante do movimento estudantil, buscando maior combatividade e a construção dialética da unidade programática dos movimentos social, estudantil, sindical, popular, socialista, comunista e revolucionário. Em defesa da juventude proletária e da Universidade Popular.

PCB presta solidariedade ao Povo e Governo constitucional do Equador



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O Partido Comunista Brasileiro presta solidariedade ao bravo povo equatoriano que resiste a tentativa de golpe de direita contra o governo constitucional de Rafael Correia.

Segue noticia do Portal ALBA

O Povo do Equador se movimenta em defesa do seu governo

O povo equatoriano iniciou uma movimentação popular em apoio ao presidente Rafael Correia, e ao governo da revolução cidadã.

Uma multidão se juntou frente ao Palácio Presidencial de Quito, em resposta a tentativa de Golpe de Estado que se pôs em marcha no Equador.

A direita equatoriana iniciou uma tentativa de Golpe de Estado no Equador, onde um setor das forças aéreas tomou vários aeroportos do país, incluindo o de Quito, retém o avião presidencial, enquanto outros grupos golpistas impedem o acesso dos deputados da aliança país a sede do Parlamento.

A tentativa de golpe de estado iniciado por um grupo de policiais tem sido tensionada por uma campanha de desinformação empreendida por meios de comunicação da direita equatoriana, que tem mentido sistematicamente sobre as normativas salariais que beneficiam os integrantes dos corpos policiais.

Tradução: Heitor Cesar

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A EUROPA DOS TRABALHADORES SE LEVANTA NESTE 29 DE SETEMBRO


(Nota Política do PCB)

Mais uma vez na história, um fantasma ronda o continente europeu, onde a luta de classes parecia estar amortecida. Contra a Europa do Capital vem se afirmando com mais força e de modo mais espalhado uma Europa dos Trabalhadores, sobretudo a partir dos gregos, que no final de 2009 mostraram ao mundo o seu imenso poder de mobilização popular contra as medidas liberais para a crise capitalista internacional. Essa mobilização segue firme e vem dando demonstrações constantes de luta unitária contra o capital, como as greves realizadas em junho e em julho deste ano. Mais recentemente, no início de setembro, foi a vez dos trabalhadores franceses mostrarem também a sua força, com a manifestação de 2,5 milhões de pessoas nas ruas contra o aumento da idade mínima para a aposentadoria. Além disso, estão sendo construídas pautas unitárias para grandes mobilizações sindicais na Itália e na Inglaterra, países dos quais há tempos não chegavam notícias como estas.

Nesta quarta-feira, dia 29 de setembro,teremos uma grande demonstração dessa Europa dos Trabalhadores que está sendo constituída. Haverá grandes manifestações simultâneas em pelo menos quatro países: Espanha, Portugal, Grécia e Bélgica. Na Espanha, faz-se uma Greve Geral contra as duras medidas encaminhadas pelo governo Zapatero, medidas que visam atingir a previdência social, enfraquecer o poder de resistência dos sindicatos e facilitar a demissão de trabalhadores. Em Portugal, há uma Jornada Nacional de Luta pelo aumento real dos salários e pela defesa dos direitos trabalhistas.

Como afirma a secretária-geral do Partido Comunista Grego, em sintonia com o que o nosso partido vem afirmando, não pode haver nenhuma convergência de interesses entre o capital e o trabalho. Aqueles que insistem na conciliação e nas medidas supostamente intermediárias, como os social-democratas, são justamente os que vêm conduzindo as reformas antisindicais, antitrabalhistas e antissociais, como o governo do PASOK na Grécia, o governo do PSOE na Espanha, do PS em Portugal e do PT no Brasil.

É evidente que as crises capitalistas atingem mais e com mais força os trabalhadores, em especial aqueles mais precarizados. Estes não são os responsáveis, mas são os que acabam arcando com as chamadas medidas de “austeridade”, que implicam em redução dos já irrisórios gastos sociais e um comprometimento ainda maior dos orçamentos públicos com o pagamento de dívidas com o sistema financeiro. Mas a resposta à crise capitalista deve passar pela garantia de mais e melhores direitos, não o oposto!

Em nosso país, algumas categorias como a dos petroleiros, metalúrgicos, bancários e trabalhadores dos Correios vêm enfrentando duras lutas contra os patrões e o governo. Fazemos um chamado de unidade e luta para resistirmos a todos os ataques aos direitos trabalhistas e avançarmos em novas conquistas.

Toda a solidariedade aos trabalhadores europeus!

A luta de lá é a mesma daqui!

Preparar a luta da classe trabalhadora para resistir aos ataques que se anunciam!

Reforçar a UNIDADE CLASSISTA!

Construir a INTERSINDICAL!

Nenhum direito a menos, avançar em novas conquistas!

Construir a Frente Anticapitalista e Antiimperialista!

Partido Comunista Brasileiro

(Comitê Central)

Unidade Classista

Imperialismo e narco-governo da Colômbia assasinam lutador social das FARC-EP


Miguel Urbano Rodrigues

A morte do comandante Jorge Briceño, das FARC, foi apresentada pelo sistema mediático controlado pelo imperialismo como «grande vitória da democracia sobre o terrorismo» e festejada pelo presidente dos EUA e pela maioria dos governantes da União Europeia.

A mentira e a calúnia podem manipular a informação e enganar centenas de milhões de pessoas, mas não fazem História.

O comandante Jorge Briceño, nome de guerra de Victor Suarez, conhecido na Colômbia como Mono Jojoy – «homem branco», no dialecto das tribos amazónicas da Região – foi um estratego militar de prestígio continental e um revolucionário exemplar que dedicou a vida ao combate pela libertação do seu povo, oprimido pela oligarquia mais corrupta e sanguinária da América Latina.

A sua morte culminou numa operação de custo milionário em que participaram a Força Aérea, a Polícia, os serviços de inteligência, o Exército e a Marinha da Colômbia com a colaboração de Israel, da CIA e do Pentágono.

O crime começou a ser preparado cientificamente há quatro anos quando, numa bota de Mono Jojoy foi colocado um chip que permitia via satélite GPS acompanhar a sua movimentação nas densas florestas dos Departamento do Meta e do Caquetá, praticamente controladas pelo Bloco Oriental das Forças Armadas Revolucionárias – FARC, por ele comandado.

O cerco dos acampamentos do comandante Briceño, nas Serranias de La Macarena, principiou no dia 21 de Setembro. Segundo fontes oficiais, o bombardeamento das instalações, que abrangiam numerosas e profundas cavernas naturais nas escarpas da montanha, foi devastador. 20 Aviões e 37 helicópteros lançaram, no dia 22, sobre uma área reduzida, 100 bombas num total de 50 toneladas.

No ataque foram utilizadas armas e tecnologia que os EUA somente fornecem a Israel e à Colômbia.

A intervenção posterior de forças terrestres da VII Brigada do Exército encontrou, segundo o governo de Juan Manuel Santos, forte resistência das FARC. Nos combates que ainda prosseguem na Região, o Exército reconheceu ter sofrido numerosas baixas, entre feridos e mortos.

A TRAIÇÃO

Tal como ocorreu com a operação encenada cujo desfecho foi a mal chamada «libertação» de Ingrid Bettencourt, a traição de alguns guerrilheiros está na origem do assassínio do Jorge Briceño. Sem ela, a localização do acampamento e do lugar exacto onde se encontrava o comandante na hora do ataque, não teriam sido viáveis. Aliás, somente o segundo bombardeamento, realizado com bombas «inteligentes» de grande precisão, atingiu o objectivo: matar Jorge Briceño

Mono Jojoy sofria de uma diabetes avançada. Por suportar mal as botas da guerrilha, usava umas ortopédicas, especiais. Segundo informações divulgadas pelo Governo e pelo Exército, o responsável pela Intendência das FARC incumbido de comprar esse calçado entrou em contacto com os serviços de inteligência que introduziram o minúsculo chip numa dessas botas.

Cabe esclarecer que o Governo de Uribe – o anterior presidente – tinha criado um prémio equivalente a dois milhões de euros para quem contribuísse para a «captura ou morte» do chefe guerrilheiro.

A fixação da data para a operação – intitulada pelo governo «Boas Vindas às FARC» e «Sodoma» pelas Forças Armadas – foi antecipada porque nas últimas semanas a organização guerrilheira, desmentindo a propaganda oficial que a apresentava como moribunda, retomara a iniciativa em múltiplas frentes, numa demonstração da sua vitalidade.

Em Agosto e Setembro, em ataques de surpresa e embocadas, nos Departamentos do Caquetá e do Meta, foram abatidos em combate 90 elementos do Exército e da Polícia.

Simultaneamente, o Secretariado do Estado Maior Central das FARC reafirmava a sua disponibilidade para negociar com o novo governo a paz desejada pelo povo colombiano e dirigia-se à UNASUL, solicitando uma reunião em que pudesse expor e defender o seu projecto de uma verdadeira paz social para o País.

O presidente títere José Manuel Santos, com o aval de Washington, tomou então a decisão de montar o ataque à Serra de La Macarena cujo desfecho foi o assassínio do comandante Jorge Briceño e de alguns dos seus camaradas.

OS PARABÉNS DE OBAMA

Jorge Briceño é qualificado pelos media de Bogotá e dos EUA de assassino, terrorista feroz e narcotraficante. A linguagem costumeira para designar os dirigentes das FARC.

Essas calúnias e insultos estão desacreditados na América Latina. As forças progressistas do Continente e milhões de trabalhadores identificavam em Briceño um revolucionário de fibra, sabem que ele foi desde a juventude um comunista coerente. Ao oferecer um prémio gigantesco pela sua cabeça, o governo de Uribe demonstrou o respeito que lhe inspirava a capacidade de Mono Jojoy como estratego. Nas cordilheiras e nas selvas colombianas ele, combatendo, adquirira um prestígio quase lendário, emergindo como um símbolo da invencibilidade das FARC. Muitas vezes lhe anunciaram a morte para depois a desmentirem.

O general Padilla, quando comandante-chefe do Exército, dirigiu-lhe um apelo para que se rendesse, oferecendo-lhe garantias se o atendesse. Briceño, em resposta irónica, disse-lhe que uma organização revolucionária que lutava há quase quatro décadas somente deporia as armas quando o povo da Colômbia fosse libertado.

Em 2001, quando as FARC, na cidade de La Macarena, não longe da Serra do mesmo nome – libertaram unilateralmente cerca de 300 soldados e polícias capturados em combate, tive a oportunidade de conhecer e saudar Mono Jojoy. A troca de palavras foi breve porque ele era assediado por embaixadores ocidentais da Comissão Facilitadora da Paz então existente que admiravam o seu talento de estratego. Recordo que nessa jornada o interrogaram sobre a proeza militar que fora a tomada da cidade de Mitú na fronteira da Venezuela numa ofensiva fulminante de Briceño que humilhou os generais colombianos. As FARC combatiam então em 60 Frentes. Vi um vídeo do acontecimento. O discurso que na época dirigiu à população, concentrada na praça principal da cidade, foi uma peça de oratória revolucionária divulgada inclusive por grandes jornais da América Latina.

Compreende-se o ódio da oligarquia colombiana ao estratego das FARC.

Para o matar tiveram de mobilizar milhares de homens e dezenas de aeronaves e de gastar milhões para comprar a consciência de traidores. Agora exibem-lhe o cadáver como troféu.

O presidente dos EUA, numa atitude abjecta, saudou o seu colega colombiano pelo crime. Abraçou-o na Assembleia-Geral da ONU, anunciou um aprofundamento da aliança com o regime fascista de Bogotá, e declarou, eufórico: «sublinho a liderança do presidente Santos e felicito-o porque ontem foi um grande dia para a Colômbia, em que as suas forças armadas realizaram um extraordinário trabalho (…) O presidente da Colômbia pode contar com todo o nosso apoio».

Essa a noção que o imperialismo tem da ética.

Mas Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño, chamar-lhe bandido, assassino e terrorista que as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combate.

Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da tempera de Bolívar, Sucre, Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estatuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações,tal como o de Manuel Marulanda, fundador das FARC

V.N de Gaia, 26 de Setembro de 2010.

PSDB perde ação contra o PCB de São Paulo





O TSE decidiu hoje pela improcedência da ação proposta pela Coligação Brasil Pode Mais e pelo presidenciável José Serra contra o PCB e seu candidato ao senado por São Paulo, Antonio Carlos Mazzeo,

Na ação, o PSDB pretendia obter o direito de resposta de um minuto devido a afirmação veiculada em programa eleitoral na televisão pelo PCB que acusava o ex-governador do estado de São Paulo de ordenar a invasão dos campi da USP e da UNESP e a prisão de estudantes e funcionários das universidades.

A Coligação afirmou que a propaganda teria ofendido a honra de seu candidato, José Serra, pois não seria de sua competência como governador determinar esse tipo de ação por parte da polícia.

Na decisão, o ministro Joelson Dias entendeu não serem ofensivas nem inverídicas as afirmações levadas ao ar no programa do PCB. Ainda em sua decisão, Dias afirma que a polícia militar age sob comando e é subordinada ao Poder Executivo, exercido à época pelo ex-governador Jose Serra.

Felipe Lopes Tamelini, do escritório de advocacia Gomes, Almeida & Caldas, que defendeu o PCB, elogiou a decisão apontando como elemento importante o reconhecimento do direito de crítica durante a campanha. “É evidente a preocupação da campanha de José Serra com sua baixa aceitação popular. Com a ação, o candidato tenta obter sem fundamento jurídico algum algo mais de tempo durante o horário eleitoral gratuito”, afirmou.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cadê o Plínio ? ou A Estadolatria estratégico-tática do PSOL.

Renato Queiroz
Em uma crítica absolutamente camarada e construtiva, buscamos chamar a a atenção dos companheiros do PSOL para alguns problemas que surgiram na construção da unidade entre os partidos da esquerda, tentando relacionar a um problema teórico na construção estratégico-tática do partido, a estatolatria (termo de Gramsci nos cadernos do cárcere).


Não é recente o posicionamento duvidoso dos companheiros do PSOL em determinadas situações. Desde seu surgimento, muitas vezes, vimos o PSOL dar ênfase às pautas voltadas para as eleições, abandonando o caráter socialista, popular e revolucionário de algumas pautas - para torná-las mais aceitáveis ao "grande público"- e , inclusive deixando de lado a construção da unidade dos partidos da esquerda socialista revolucionária.

Vemos que os companheiros do PSOL não estavam dispostos a construir um programa socialista e revolucionário para as eleições de 2010. Assumiram um papel de primazia na campanha, colocando os outros partidos que quisessem coligar com eles em uma posição secundária. Não houve acordo.

Em 2006, na frente de esquerda - segundo Ivan Pinheiro - a campanha estava centralizada em uma personalidade, Heloísa Helena. Um grave erro, na concepção do partido, que não deve se repetir. Na perspectiva da frente anticapitalista e anti-imperialista, devemos construir a unidade programática entre as forças contra hegemônicas, assim como as condições subjetivas da revolução socialista no Brasil.

Ora, nesse sentido, não vale a pena insistir em disputar o jogo de cartas marcadas que é o processo eleitoral burguês com expectativa de vencer. Afinal, há diversos pontos já conhecidos - como o financiamento privado das campanhas, o voto proporcional, a censura dos meios de comunicação burgueses sobre os candidatos da esquerda - que tornam esse meio inviável.

Assim, é necessário que se construa uma ampla agitação e propaganda - evidente que de acordo com as pernas que nos concedem - no período eleitoral, divulgando o partido e construindo a unidade com os partidos, movimentos e forças de esquerda. Sem ilusão de que há a a possibilidade de ganhar ou disputar seriamente algum cargo em nossa "democracia" burguesa.

Consideramos que as condições objetivas de uma revolução socialista no Brasil estão dadas No entanto, as mudanças na estrutura econômica de um Estado, significam mudanças na superestrutura dele. A superestrutura do Estado é separada em duas instâncias, a sociedade política e a sociedade civil.

Em sociedades desenvolvidas economicamente e ideologicamente, tanto as relações sociais de produção, quanto a direção hegemônica política - moral - ideológica, são essencialmente burgueses, logo, a tática e a estratégia são diferentes de um país semi colonial, semi feudal - "oriental", como diria Gramsci. Não há possibilidade, num país "ocidental", de acúmulo capaz de construir mudanças revolucionárias na estrutura econômica do Estado sem o controle proletário dele. No entanto, a complexidade das relações ideológicas hegemônicas nos traz a perspectiva de uma maior complexidade - num movimento diretamente proporcional - das condições organizativas da classe e das formas de luta, afinal, a burguesia está mais preparada em suas formas de consenso, coerção e cooptação . Mas, se considerarmos alguns fatores, tais como a atual conjuntura de ressurgimento do socialismo como ideia-força - algo impossível com o cadáver da experiência soviética ainda cheirando nos anos 90- do recuo da ofensiva neoliberal, da ascenção do social-liberalismo - já identificado como burguês e digno de uma negação como alternativa ao sistema -, além da revolução bolivariana , da ALBA e da resistência cubana - o terreno passa a tornar-se mais propício à ofensiva estratégica, como diz Fidel em seu novo livro.

No entanto, as oportunidades que a vida nos dá vão-se embora se não aproveitadas pelos revolucionários na síntese de suas definições concretas estratégico táticas da conjuntura concreta, tal síntese, por suposto, é a práxis. Há tarefas fundamentais nessa prática e uma delas é a unidade político-programática e de ação- sem dissolução ou seguidismo - das forças contra hegemônicas.

O PSOL não estava presente no debate da esquerda. Uma atitude de desprezo sobre os companheiros de estratégia - qual a causa disso ?
A falta de representatividade numérica dos candidatos do PCB, PSTU e PCO nas pesquisas burguesas encomendadas pelos meios de comunicação hegemônicos. O PSOL confunde estratégia e tática realizando esse tipo de ação, afinal, a campanha de Plínio não tem expressão capaz de ter qualquer perspectiva de vitória. E mesmo que ele ganhasse, não há governabilidade nessa correlação de forças altamente desfavorável. A solidariedade socialista e revolucionária e, principalmente, de classe o traria ao debate, que teria um toque a mais com sua presença, no entanto "problemas de agenda" o fizeram somar aos "outros candidatos", Dilma e Marina, que estavam ausentes.

Acho importante, como fechamento dessa reflexão, inserir uma pequena análise de Carlos Nelson Coutinho - que apoiou a fundação do PSOL - acerca do conceito Gramsciano de Estatolatria.

(...) nota contida nos Cadernos do cárcere, intitulada "Estatolatria" (10). Redigida em abril de 1932, essa nota refere-se claramente à União Soviética, embora Gramsci não o diga explicitamente. (Não o diz, certamente, porque - escrevendo no cárcere e sujeito à censura dos diretores da prisão - Gramsci evitava usar termos que pudessem chamar a atenção dos seus carcereiros-censores; é assim, entre outros disfarces, que fala em "filosofia da práxis" para dizer marxismo, em "sociedade regulada" como sinônimo de comunismo ou no "principal teórico moderno da filosofia da práxis" para se referir a Lenin.) Na referida nota, ele começa observando - e eu o cito literalmente -- que "há duas formas com que o Estado se apresenta na linguagem e na cultura de épocas determinadas, ou seja, como sociedade civil e como sociedade política, como 'autogoverno' e como 'governo dos funcionários'". Desse modo, ao mesmo tempo em que recorda na nota sua conceituação dos dois níveis do Estado "ampliado" -- a sociedade civil e a sociedade política (ou Estado strictu sensu) --, Gramsci parece aludir aqui, também, à importante distinção que faz entre "Oriente" e "Ocidente", entendidos os dois termos não em sentido geográfico, mas sim histórico-político: enquanto no "Oriente" o Estado seria tudo e a sociedade civil permaneceria primitiva e gelatinosa, para recordarmos suas próprias palavras, no "Ocidente" haveria, ao contrário, uma relação equilibrada entre os dois momentos da esfera pública ampliada (11).
"Estatolatria", por conseguinte, seria todo movimento teórico ou prático dirigido no sentido de identificar o Estado apenas com a "sociedade política", com os aparatos coercitivos, com o "governo dos funcionários", omitindo ou minimizando o elemento consensual-hegemônico próprio da "sociedade civil", do "autogoverno" - ou, em outras palavras, seria conceituar o Estado somente a partir das situações de tipo "oriental". Ora, todo leitor da obra de Gramsci sabe que, quando se refere a "Oriente", ele pensa sobretudo - ainda que não exclusivamente - na Rússia anterior à Revolução de 1917. Portanto, é evidente que ele se refere à União Soviética e à sua classe operária agora supostamente governante quando diz, sempre na nota que estamos comentando: "Para alguns grupos sociais, que antes da ascensão à vida estatal autônoma não tiveram um longo período de desenvolvimento cultural e moral próprio e independente (como ocorre na sociedade medieval e nos governos absolutistas [como o da Rússia]), um período de estatolatria é necessário e até mesmo oportuno: essa 'estatolatria' não é mais do que a forma normal de 'vida estatal', ou, pelo menos, de iniciação à vida estatal autônoma e à criação de uma 'sociedade civil', que não foi possível criar historicamente antes da ascensão à vida estatal independente".
O texto citado é claro: já que a classe operária russa fez a revolução num país de tipo "oriental", onde a sociedade civil ainda não fora historicamente criada e era assim primitiva e gelatinosa, compreende-se que ela e seu Partido, ao se tornarem governo, tivessem promovido num primeiro momento o fortalecimento do Estado, ou da "sociedade política", ou do "governo dos funcionários", já que isso era condição para romper com o atraso e empreender assim os primeiros passos para a construção de uma nova ordem. É como se Gramsci dissesse: numa sociedade "oriental", de escassa ou nenhuma tradição democrática, é compreensível que a primeira manifestação de um governo socialista assuma traços ditatoriais ( (...)uma "ditadura do proletariado"), ainda que - como já vimos na carta de 1926 que há pouco comentamos -- ele também defenda, ao mesmo tempo, a idéia de que essa "ditadura" não deve perder sua base consensual, sua dimensão hegemônica, sobretudo na relação com as massas camponesas.
Mas, embora reconhecendo a necessidade desse momento "estatolátrico" inicial - um reconhecimento que, como ele deixa claro, vale somente para os países de tipo "oriental" -, Gramsci especifica logo em seguida (e volto a citá-lo literalmente): "Todavia, essa 'estatolatria' não deve ser deixada a seu livre curso, não deve, em particular, tornar-se fanatismo teórico e ser concebida como 'perpétua': deve ser criticada, precisamente para que se desenvolvam e se produzam novas formas de vida estatal, nas quais as iniciativas dos indivíduos e dos grupos seja 'estatal', ainda que não devida ao 'governo dos funcionários' (ou seja, deve-se fazer com que a vida estatal se torne 'espontânea') [...]. O movimento para criar uma nova civilização, um novo tipo de homem e de cidadão, (...) [implica] a vontade de construir, no invólucro da sociedade política, uma complexa e bem articulada sociedade civil, na qual o indivíduo singular se autogoverne".
Gramsci, também aqui, é claro: o socialismo que ele propõe não se identifica com o "governo dos funcionários", com o domínio da burocracia, mas requer a construção de uma forte sociedade civil que assegure a possibilidade do autogoverno dos cidadãos, ou seja, de uma democracia plenamente realizada. Distinguindo-se dos social-democratas que se opuseram à revolução bolchevique e à União Soviética (Kautsky, Bernstein e tantos outros), Gramsci - tal como Rosa Luxemburg -- defende a necessidade da revolução e se solidariza, ainda que criticamente, com seus primeiros passos. .